25 - abr

Dispepsia – Causa orgânica: Desconforto gástrico

Categoria(s): Enfermagem, Gastroenterologia, Inflamação

Dispepsia

 

Entendendo os sintomas dispépticos de origem orgânica

DISPEPSIA

Os pacientes portadores de um quadro dispéptico decorrente de gastrites agudas ou crônicas apresentam desconforto gástrico com sensação de empaxamento pós-prandial.

Gastrites agudas - As agudas são causadas por toxinas alimentares ou ação de agentes patogênicos, como o rotavírus. A sensação é de plenitude gástrica e dores no epigástrico algumas horas após a alimentação, por vezes ocorre azia, arrotos chocos e cefaléia. Quando a causa é infecciosa surge mal-estar geral, febre e cólicas abdominais, acompanhando o quadro dispéptico.

Gastrites crônicas – Nas gastrites crônicas existe uma inflamação e alteração das células da musosa gástrica, ocorre pontos de hiperemia e hemorragia. Nos exames histológicos observa-se infiltrado inflamatório crônico (predomínio linfo-monocitário). O paciente queixa-se de um digestão lenta, flatulência, dores vagas no abdome superior, arrotos chocos e empaxamento gástrico. Pode ocorrer anemias do tipo megaloblástica (carência de vitamina B12) ou ferro priva (carência de ferro e ácido fólico) por atrofia da mucosa gástrica.

Úlceras pépticas – As úlceras pépticas, gástricas ou duodenais, têm como fatores etiopatogênicos considerados, infecção pelo Helicobacter pylori, uso de antiinflamatórios não-hormonais, uso de ácido acetilsalicílico, e situações de estresse. Para a gastrite erosiva, acrescentam-se causas metabólicas, como o que acontece na insuficiência renal. As pessoas portadoras de úlcera péptica gástrica frequentemente têm concomitante gastrite. Nos ulcerosos duodenais há hipercloridria, azia, pirose (refluxo gastroesofágico), intolerância a alimentos ditos secretagogos como: banana, sardinha, depumados e sobretudo café e cigarro. Geralmente são pessoas ansiosa, estressadas e competitivas consigo e com as pessoas do seu convívio social próximo.

Câncer gástrico – O câncer gástrico, geralmente, produz acloridria (falta de produção de ácido clorídrico pelo estômago) e gastrite atrófica. Os sintomas dispépticos são imprecisos e vagos e o que faz suspeitar do diagnóstico é a idade (acima de 50 anos), emagrecimento inexplicável, arrotos chocos, inapetência, intolerância a carnes e dores na região do epigástrio.

Veja mais – Câncer do estômago

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22 - abr

Atrofia gástrica

Categoria(s): Gastroenterologia, Semiologia Médica

Atrofia gástrica

 

Entendendo a atrofia da mucosa gástrica

Atrofia gástricaVamos tomar como exemplo duas doenças distintas do estômago que tendem a evoluir para a atrofia da mucosa gástrica:

Gastrite Atrófica Multifocal – A gastrite multifocal está associada à bactéria Helicobacter pylori, e o diagnóstico é feito pela constatação do infiltrado inflamatório na mucosa antral e/ou na mucosa do corpo e a presença da bactéria, alterações estas acompanhadas ou não de lesões secundárias, como atrofia glandular e metaplasia intestinal.

Gastrite Atrófica do Corpo – A gastrite atrófica do corpo, não dependente da presença da bactéria. O diagnóstico é feito pela presença de atrofia das glândulas especializadas do corpo gástrico (frequentemente substituídas por glândulas mucosas e glândulas tipo intestinais), associada ao infiltrado inflamatório de intensidade variável e à mucosa antral preservada.

Clínica

A gastrite atrófica representa o estágio final da gastrite crônica, tanto infecciosas (bactéria Helicobacter pylori), quanto auto-imunes. Em ambos os casos, as manifestações clínicas são os da gastrite crônica. Nos casos de gastrite atrófica por gastrite auto-imune a anemia perniciosa, chama a atenção e está relacionada com a deficiência de vitamina B12 (cianocobalamina), que não é absorvida de forma adequada devido a deficiência do fator intrinseco consequente à atrofia das células parietais gástrica. A doença tem início insidioso e progride lentamente. Deficiência da cobalamina afeta os sistemas hematológico, gastrointestinal, e neurológicos.

Veja mais – Fisiologia do estômago

Evolução

Na evolução da atrofia gástrica nessas duas condições inflamatórias do estômago envolve diferentes consequências clínicas e fisiopatológicas. A gastrite atrófica multifocal não apresenta consequências fisiopatológicas relevantes, entretanto, uma parcela importante desses pacientes costuma evoluir para câncer gástrico. Já os pacientes com gastrite atrófica do corpo desenvolvem, nas fases mais tardias da doença, acloridria e anemia e tornam-se predisponentes ao desenvolvimento do carcinoide gástrico.

 

Referências:

Eshmuratov, A. et al. The correlation of endoscopic and histologial diagnosis of gastric atrophy. Dig Dis Sci,2010, v. 55:1364-75. 

Park, J Y. et al. Gastric lesions in patients with autoimmune metaplasic atrophic gastritis (AMAG) in a tertiary care setting. Am J Surg Pathol, 2010,v. 34(11): 1591-8.

Moreira, LF; Barbosa, A J A. Ghrelin and preproghrelin immunoreactive cells in atrophic body gastritis. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, 2011,v. 47( 5): 549-54.

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26 - abr

Câncer do Estômago – Tumor gástrico

Categoria(s): Câncer - Oncogeriatria, Gastroenterologia, Semiologia Médica

Resenha: Câncer gástrico

Câncer gástrico

No Brasil o câncer gástrico é a terceira causa de câncer no homem e a quinta na mulher. Esse tumor representa aproximadamente 10% do total de casos de todo o mundo, com maior incidência no Japão e na China. O câncer gástrico é mais comum no homem do que na mulher, na proporção de 2:1. Raramente ocorre antes dos 40 anos, sendo que a partir dessa idade aumenta gradativamente, com maior incidência na sétima década de vida. Apesar do extraordinário progresso da Medicina, o câncer gástrico continua sendo um grande problema, principalmente quanto ao diagnóstico precoce e ao tratamento.

A etiologia é multifatorial e a dieta rica em alimentos conservados em salmoura, defumados, enlatados ou mal-armazenados constitui risco mais elevado, pois favorece o desenvolvimento de gastrite atrófica (condição predisponente ao aparecimento do tumor), assim como a infecção pelo  Helicobacter pylori. A nitrosamina (associada a processos de conservação de alimentos, como carne vermelha, peixes, vegetais) é agente carcinogênico de grande importância no trato digestivo superior.

O fumo pode provocar displasia e outras lesões pré-malignas na mucosa gástrica, causando risco de duas a três vezes maior nos fumantes. Alguns estudos verificaram que os indivíduos do grupo sangüíneo A apresentam risco de 10% a 20% maior que os do grupo sangüíneo O, principalmente pais e filhos, para o desenvolvimento desse tumor. Agora, dieta rica em frutas e vegetais parece estar associada com a menor incidência de cIancer gástrico

Os tumores do estômago geralmente são originário do próprio estômago e raramente são sede de metástases de câncer de mama, esôfago, melanoma, ovário, pulmão e testículo. O tipo histológico mais freqüente é o adenocarcinoma (90% dos casos). Outros tipos são: linfomas, tumores estromais gastrointestinais, leiomiossarcoma e schwanomas.

Os adenocarcinomas gástricos são classificados em tipos: intestinal e difuso. O tipo intestinal é semelhante, quanto ao aspecto, ao da mucosa do intestino delgado, localiza-se mais comumente no antro, aparece mais freqüentemente em idosos e em população de alto risco. O tipo intestinal surgiria após evolução da gastrite atrófica, metaplasia intestinal e displasia epitelial. O tipo difuso é menos comum, localiza-se geralmente no fundo gástrico, é menos freqüente em idosos e parece estar associado ao grupo sangüíneo A e não ter relação com gastrite atrófica.

Sintomatologia – Os sintomas do câncer gástrico como: perda de peso, dor abdominal, náuseas, inapetência, disfagia, melena, plenitude gástrica e dor tipo úlcera surgem geralmente na fase avançada da doença ou quando existem metástases. O tempo de história em geral é curto, de alguns meses.  Quando o tumor se localiza no piloro, podem ocorrer vômitos (por vezes vômitos de estase) e disfagia quando a lesão compromete a cárdia. Quando há metástases, podem surgir sintomas pulmonares, hepáticos, neurológicos e ósseos.

Nas fases avançadas o paciente pode apresentar aspecto emagrecido, palidez cutânea, anemia, icterícia, ascite, hepatomegalia e linfoadenomegalia supraclavicular, em geral à esquerda (gânglio de Wirchow). Às vezes se palpa massa, dolorosa ou não, no epigástrio e edema nos membros inferiores.

Em alguns casos o câncer gástrico se manifesta como uma síndrome paraneoplásica, ou seja: anemia hemolítica microangiopática, glomerulopatia membranosa, queratose seborréica, acantose nigricante e coagulação intravascular podendo causar trombose arterial e venosa.

A endoscopia digestiva alta é procedimento indispensável para o diagnóstico e avaliação do câncer gástrico. Este exame permite visualizar a lesão e também contribui para a classificação macroscópica, tanto na fase precoce como na avançada, e, ainda, auxilia no planejamento cirúrgico (inclusive quanto ao nível de ressecção)  e possibilita obtenção, por biópsia, de material para estudo histológico. A visão de endoscopista treinado, associado ao exame histológico, possibilita o diagnóstico do câncer gástrico em 98,5% dos casos.

Referência:

Pritch DM, Crabtree JE. Helicobacter pylori and gastric cancer. Curr Opin Gastroenterol 2006; 22(6):620-25.

Houghton J, Stoicov C, Nomura et al. Gastric cancer originating from bone marrow-derived cells. Science, 2004.

Oh JD, King-Backhed H, Giannakis M et al. Interactions between gastric epithelial stem cells and Helicobacter pylori in the setting of chronic atrofic gastritis Curr Opin Microbiol 2006; 9:21-27.

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23 - jun

Câncer do Estômago – Origem histológica

Categoria(s): Câncer - Oncogeriatria, Gastroenterologia

Câncer do estômago

O câncer gástrico é a mais freqüente das neoplasias malignas do tubo digestivo, ocupando o segundo lugar entre as neoplasias malignas no homem e o quinto entre as mulheres. É mais freqüente no homem na proporção de 1,6:1. Quanto à faixa etária é maior entre a Quinta e a Sexta décadas. A maior incidência é no Japão, Chile e Finlândia, com baixas taxas nas Filipinas, Honduras e Estados Unidos.

cagastricoO câncer gástrico progride através de um caminho histológico bem definido de mucosa normal à gastrite crônica, a atrofia e metaplasia intestinal, displasia e câncer.

Exame histológico de adenocarcinoma gástrico – as células cancerosas apresentam-se com núcleos celulares de vários tamanhos, grandes, hipercorados, disformes, com excesso de cromatina nuclear (poliploidia). As células perdem todo padrão normal característica do tecido sadio.

Embora a etiologia seja desconhecida, os estudos epidemiológicos demonstraram a grande importância dos fatores dietéticos no seu desenvolvimento, sendo os fatores de risco a ingestão se amido, carboidratos, alimentos defumados e conservas (teoria das nitrosaminas). A baixa quantidade ingerida de vegetais, frutas frescas, micronutrientes e proteínas é apontado também como fator de risco.

Sob o ponto de vista histológico, os tumores do estômago são: epiteliais (adenocarcinomas – figura acima, tumores endócrinos, carcinossarcomas, carcinoma adenoescamoso) e mesenquimais (linfomas, tumores de células adiposas e musculares, tumores neurogênicos e alguns outros sarcomas). Os adenocarcinomas gástricos correspondem a 95% das neoplasias gástricas malignas, sendo os linfomas o segundo em freqüência, correspondendo esta entre 3 e 5 %.

No tratamento das neoplasias gástricas não-adenocarcinomas, em especial dos linfomas gástricos, a quimioterapia tem um papel importante, configurando um grupo de neoplasias de melhor evolução do que os adenocarcinomas gástricos avançados, após cirurgia.

Referências:

Boeing, H – Epidemiological research in stomach cancer. Progress over the last ten years. J. Cancer Res and Clin Oncol, 117 ( 3 ): 133-143, 1991.

Muraro, C.P.M.; Aquino, J.L.B.; Lucena, F.P.T.; Lintz, J.E. & Biolcati, P.P. – Estadiamento e ressecabilidade do câncer gástrico. Rev. Med. Puccamp, 1997.

Kurtz, R.C. & Sherlock, P. The diagnosis of gastric cancer. Seminars in Oncology 12 (1):11-18, 1985.

Henri, M.C.A.; Saad, L.H.C.; Gonçlaves JR, I.; Bozoni, L.L.M. Gastric cancer. The analysis of the results of the surgical treatment. Arq. Bras. Cir. Dig. 6 (4):82-5, 1991.

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