28 - mar

Bexiga neurogênica

Categoria(s): Dicionário, Endocrinologia geriátrica, Ginecologia geriátrica, Neurologia geriátrica, Urologia geriátrica

Dicionário

Bexiga neurogênica é a denominação que se dá a uma disfunção vesical secundária a um comprometimento nervos que controlam o aparelho urinário. Vários nervos convergem na área da bexiga e servem para controlar os músculos do tracto urinário, que inclui os músculos do esfíncter que normalmente formam um anel apertado em torno da uretra, para reter a urina para trás até que seja voluntariamente libertado. Esse comprometimento nervoso pode ser congênito ou adquirido. As mielodisplasias são citadas na literatura como a causa mais freqüente de lesão congênita dos nervos medulares, e os traumatismos e tumores de medula espinhal como causas mais freqüentes de lesão adquirida.

Formas clínicas de bexiga neurogênica

Tipos de bexiga neurogênica são bexiga espástica, bexiga reflexa e bexiga flácida. É também chamado bexiga neuropática.

Bexiga espástica – Na bexiga espástica os impulsos nervosos espontâneos para a bexiga provocam contracções inesperadas da bexiga, resultando em micção acidental em quantidades grandes.

Bexiga flácida
– Em algumas condições de bexiga neurogênica, a bexiga pode tornar-se flácida e distendida e deixará de contrair totalmente, resultando no esvaziamento parcial e perda contínua involuntária de pequenas quantidades de urina. As erupções cutâneas podem surgir em áreas da pele irritada pela urina. Neste tipo de bexiga neurogência, também aumenta os riscos de formação de bexiga pedra e infecções do trato urinário. Tais infecções, quando grave, pode levar a vida em risco de insuficiência renal. Em alguns pacientes, também, há uma perda parcial de controle do esfíncter anal.

Complicações

A complicação mais comum da bexiga neurogênica é a infecção urinária e a mais grave é a deterioração renal. Essas complicações são resultado de estase urinária residual, com aumento da pressão vesical para as vias urinárias superiores, favorecendo as infecções urinárias e o desenvolvimento de refluxo vesicoureteral com futura deterioração renal. Além disso, há perda contínua de urina com odor desagradável e lesões de pele em contato com a urina.

Causas

A bexiga neurogênica pode ter várias causas como, um lesão medular, esclerose múltipla, diabetes mellitus, traumatismo lombar, alcoolísmo e intoxicação medicamentosa. A incontinência urinária (IU) decorrente da bexiga neurogência é a por IU transbordamento com escape incontrolável de pequenas quantidades de urina de uma bexiga cheia. O escape ocorre quando a bexiga torna-se dilatada e insensível devido à retenção crônica de urina.

Diversos medicamentos que atuam no cérebro ou na medula espinhal ou que interferem na transmissão do impulso nervoso, como drogas anticolinéricas e narcóticos, podem comprometer a capacidade de contração da bexiga, causando a incontinência urinária por transbordamento.

Diagnóstico da Bexiga Neurogênica

A história clínica completa é essencial. Paratanto deve-se historias os padrões de micção nas 24 horas, incluindo o volume real de urina desprezada, a sensação iminente de urinar e quaisquer fatores que agravam a incontinência.

O exame físico provavelmente incluirá um exame retal, genital e abdominal para verificar alargamento da bexiga ou outras anormalidades. Um exame neurológico completo é também essencial. Testes para medir a produção de urina devem ser solicitados.

Tratamento da Bexiga Neurogênica

O tratamento é destinado a permitir que a bexiga para esvaziar completamente e regularmente, a prevenção da infecção, controlando a incontinência, e preservação da função renal.

Bexiga espástica- No tratamento e controle da bexiga espástica pode se usa continuamente por pacientes um cateter urinário. As mulheres geralmente se saem melhor com essa terapia, os homens são mais propensos a desenvolver infecções do trato urinário e as complicações, incluindo a formação de abscesso. A cirurgia pode ser realizada para alargar o esfíncter a reduzir a resistência na saída da bexiga e assim maximizar o esvaziamento da bexiga.

Bexiga flácida- Pacientes que sofrem de paralisia da bexiga pode ser ensinado para inserir um cateter várias vezes por dia para esvaziar a bexiga completamente e assim evitar a retenção de urina que podem levar a formação pedras na bexiga e infecções. Vários medicamentos podem ajudar a melhorar o controle muscular da bexiga e evitar contrações musculares involuntárias. Relaxantes musculares, antiespasmódicos e medicamentos anticolinérgicos também são úteis. Os músculos do esfíncter ou inferior pélvicos podem ser cirurgicamente apertados para melhorar o controle da bexiga.

Betanecol é a droga mais comumente prescritos para ajudar a estimular as contrações da bexiga em pacientes que retêm urina.

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Veja Também:

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05 - ago

Sistema nervoso autonomo – Testes autonômicos

Categoria(s): Conceitos, Neurologia geriátrica, Semiologia Médica

Entendendo

A morte súbita no curso de determinadas doenças como diabetes mellitus, síndrome de imunodeficiência adquirida, doença de Chagas e o infarto do miocárdio, tem sido freqüentemente associada a disfunção autonômica. Chama atenção para a grande incidência de parada respiratória neste grupo de pacientes.

As disautonomias (disfunções do sistema autonomo) podem se manifestar de diversas maneiras de acordo com o sistema predominantemente acometido, simpático ou parassimpático. O quadro abaixo cita as principais manifestações das disautonomias.

MANIFESTAÇÕES DAS DISAUTONOMIAS
– Hipotensão ortostática
– Taquicardia de repouso
– Hipertensão supina
– Angina pecturis
– Infarto do miocárdio sem dor
– Parada cardiorrespiratória
– Alterações na motilidade do tubo gastro-intestinal
(esofagite de refluxo, plenitude gástrica, diarréia noturna alternada com constipação)
– Anormalidades da sudorese
(anidrose de membros inferiores com hiper-hidrose compensatória em tronco superior e face)
– Bexiga neurogênica,
– Impotência sexual
-Alterações da regulação do diâmetro pupilar.

TESTES AUTONÔMICOS

Os testes de avaliação do sistema nervoso autonomo cardíaco servem para demonstrar sua integridade e podem estar relacionados com as manifestações decorrentes de seu acometimento.
Os testes comumente empregados são:

Freqüência cardíaca : Neste teste avalia-se a média da diferença entre as freqüências cardíacas máxima e mínima obtidas durante a inspiração e a expiração dos ciclos respiratórios, com o paciente respirando na freqüência de 6 ciclos/minuto (0.1 Hz) o paciente respirando na freqüência de 6 ciclos por minuto (01. Hz) considerando-se anormal quando a diferença < 1,1.

Manobra de Valsalva – Paciente em posição supina é instruído a soprar através de bocal conectado a manômetro aneróide durante 15 seg. após a inspiração profunda mantendo pressão de 40 mmHg, sendo obtida a taxa de Valsalva que e a relação entre o maior intervalo RR (após a manobra) e o menor intervalo RR (durante a manobra), sendo considerado anormal quando a diferença < 1,1.

Teste de exercício isométrico (“handgrip”) – manter 30% da contração máxima desenvolvida (avaliado por dinamômetro), durante 5 minutos, sendo considerado normal aumento da pressão diastólica de > 16 mmHg, e anormal a elevação < 10 mmHg.

Teste ortostático ou posicional – avaliação da freqüência cardíaca até 60 batimentos cardíacos após o paciente assumir a posição ereta, verificando a relação do intervalo RR no ECG do 30′ batimento em relação ao 15′ a partir do início da manobra (relação 30:15), sendo considerado normal >1,04 e anormal <1,00.
Considera-se, também, normal a queda da pressão sistólica < 10 mmHg e anormal > 30 mmHg.

Teste de propranolol – aplica-se de 0.2 mg/kg por via venosa até o máximo de 10 mg, estando o paciente em posição supina e monitorizado pelo ECG, obtendo-se traçados de 10 seg. no 1′, 5′ e 10′ minuto após a aplicação. Considera-se como resposta normal queda mínima de 12 bpm de freqüência cardíaca inicial.

Teste da atropina – realiza-se após 1 dia do teste do propranolol, aplicando-se 0.04 mg/kg de sulfato de atropina por via venosa, em paciente em posição supina e monitorização do ECG, obtêm-se traçados de 10 s no 1′, 5′ e 10′ minutos após a injeção. Considera-se normal um aumento de 25% da freqüência cardíaca inicial.

Veja mais – Hipotensão ortostática

Referências:

Castro CLB, Nobrega ACL, Araujo CGS – Teste autonômicos cardiovasculares. Uma revisão Crítica. Parte I. Arq Bras Cardiol, 1992;59(1):75-85.

Julius S – Autonômic nervous system dysregulation in human hypertension. Am J Cardiol, 1991;67:3B-7B.

Clarke BF, Ewing DJ, Campbell IW – Diabetic autonomic neuropathy. Diabetology, 1979;17:195-212.

Page MM, Watkins PJ – The heart in diabetes: Autonômic neuropathy and cardiopathy. Clin Endocr Metab. 1977;6:377.

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Veja Também:

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21 - jan

Disautonomia – aspectos gerais

Categoria(s): Cardiogeriatria, Conceitos, Neurologia geriátrica

Entendendo

A morte súbita no curso de determinadas doenças como diabetes mellitus, síndrome de imunodeficiência adquirida, doença de Chagas e o infarto do miocárdio, tem sido freqüentemente associada a disfunção autonômica. Chama atenção para a grande incidência de parada respiratória neste grupo de pacientes.

A disautonomia pode ocorrer em qualquer paciente diabético, porém e mais freqüente nas doenças de longa duração e independente do uso de insulina.

Como o sistema nervoso autonômico participa da modulação funcional de vários sistemas do organismo, o conjunto de manifestações clínicas que acompanham as suas disfunções, que recebem o nome de disautonomia, possui uma gama muito ampla de sinais e sintomas.

As disautonomias podem se manifestar de diversas maneiras de acordo com o sistema predominantemente acometido. O quadro abaixo cita as principais manifestações das disautonomias.

MANIFESTAÇÕES DAS DISAUTONOMIAS
- Hipotensão ortostática
- Taquicardia de repouso
- Hipertensão supina
- Angina pecturis
- Infarto do miocárdio sem dor
- Parada cardiorespiratória
- Alterações na motilidade do tubo gastro-intestinal
(esofagite de refluxo, plenitude gástrica, diarréia noturna alternada com constipação)
- Anormalidades da sudorese
(anidrose de membros inferiores com hiper-hidrose compensatória em tronco superior e face)
- Bexiga neurogênica,
- Impotência sexual
-Alterações da regulação do diâmetro pupilar.

ETIOLOGIA
A etiologia das disautonomias podem ser divididas em primárias e secundárias, se o sistema nervoso autônomo e atingido primariamente ou secundariamente a alguma outra doença. Os quadros ilustram as etiologias mais encontradas.

ETIOLOGIAS PRIMÁRIAS
1. Síndrome de Bradburry-Eggleston
2. Síndrome de Shy-Drager
3. Síndrome de Riley-Day
4. Síndrome da disfunção noradrenérgica congênita (Deficiência de dopamina beta-hidroxilase)
5. Síndrome de Guillain- Barré
6. Disfunção dos barorreceptores
7. Parkinsonismo idiopático
8. Degeneração espino-cerebelar
9. Disautonomia familial

ETIOLOGIAS SECUNDÁRIAS
10. Diabetis Mellitus
11. Síndrome de Wernicke-Korsakoff
12. Porfiria
13. Lesões da medula acima de T6
14. Tabes dorsalis
15. Amiloidose
16. Taquicardia atrial
Diagnóstico – A avaliação funcional do sistema nervoso autonômico é muito importante para caracterizar as disfunções, obtendo a explicação e o correto tratamento.

TESTES AUTONÔMICOS

Os testes de avaliação do sistema nervoso autonômico cardíaco servem para demonstrar sua integridade e podem estar relacionados com as manifestações decorrentes de seu acometimento.
Os testes comumente empregados são:
Freqüência cardíaca : Neste teste avalia-se a média da diferença entre as freqüências cardíacas máxima e mínima obtidas durante a inspiração e a expiração dos ciclos respiratórios, com o paciente respirando na freqüência de 6 ciclos/minuto (0.1 Hz) o paciente respirando na freqüência de 6 ciclos por minuto (01. Hz) considerando-se anormal quando a diferença < 1,1.

Manobra de Valsalva – Paciente em posição supina é instruído a soprar através de bocal conectado a manômetro aneróide durante 15 seg. após a inspiração profunda mantendo pressão de 40 mmHg, sendo obtida a taxa de Valsalva que e a relação entre o maior intervalo RR (após a manobra) e o menor intervalo RR (durante a manobra), sendo considerado anormal quando a diferença < 1,1.

Teste de exercício isométrico (“handgrip”) – manter 30% da contração máxima desenvolvida (avaliado por dinamômetro), durante 5 minutos, sendo considerado normal aumento da pressão diastólica de > 16 mmHg, e anormal a elevação < 10 mmHg.

Teste ortostático ou posicional – avaliação da freqüência cardíaca até 60 batimentos cardíacos após o paciente assumir a posição ereta, verificando a relação do intervalo RR no ECG do 30′ batimento em relação ao 15′ a partir do início da manobra (relação 30:15), sendo considerado normal >1,04 e anormal <1,00.
Considera-se, também, normal a queda da pressão sistólica < 10 mmHg e anormal > 30 mmHg.

Teste de propranolol – aplica-se de 0.2 mg/kg por via venosa até o máximo de 10 mg, estando o paciente em posição supina e monitorizado pelo ECG, obtendo-se traçados de 10 seg. no 1′, 5′ e 10′ minuto após a aplicação. Considera-se como resposta normal queda mínima de 12 bpm de freqüência cardíaca inicial.

Teste da atropina – realiza-se após 1 dia do teste do propranolol, aplicando-se 0.04 mg/kg de sulfato de atropina por via venosa, em paciente em posição supina e monitorização do ECG, obtêm-se traçados de 10 s no 1′, 5′ e 10′ minutos após a injeção. Considera-se normal um aumento de 25% da freqüência cardíaca inicial.

Aspectos peculiares das disautonomias

Alimentação - A alimentação exerce um efeito depressor potente nestes pacientes e é durante a primeira hora pós-prandial quando mais provavelmente pode ocorrer síncope.

Natação – Embora os pacientes com insuficiência autonômica avançada possam permanecer em pé por poucos segundos, se mergulhados n’água sua tolerância à postura ereta é quase ilimitada. Por este motivo a natação é recomendada a estes pacientes.

Hipertensão arterial sistêmica - São conhecidos casos de insuficiência autonômica que desenvolveram hipertensão arterial maligna, com resistência vascular elevada, porém não se sabe o motivo.

Função respiratória – A função respiratória exerce marcante efeito sobre a pressão arterial nas disautonomias. porém os papéis específicos da tensão de oxigênio, da tensão de dióxido de carbono e do pH ainda são desconhecidos.

Cardiopatia isquêmica – Embora relativamente incomum, a angina pecturis pode ocasionalmente acompanhar a insuficiência autonômica. Obrigando o médico a observar o uso dos nitritos e vasodilatadores, que podem agravar o quadro de hipotensão, gerando mais hipóxia miocárdica e piorando a angina. En vista, disto, qualquer paciente com piora paradoxal da angina com o uso de nitritos, deve-se pesquisar disautonômia.

TRATAMENTO

O uso de drogas de efeito conhecido, especialmente as capazes de modificar a influência autonômica na função sinusal (atropina-propranolol), contribui de modo significativo para a melhor compreensão da dinâmica do no sinusal. O bloqueio autonômico completo, induzido por drogas, permite o estudo da função sinusal intrínseca, e nestas condições parece possível um número maior de testes positivos em portadores de disfunção sinusal automática.

Nos diabéticos com testes autonômicos cardiovasculares anormais a expectativa de vida se reduz para 56% em 2.5 anos e para 84% em 5 anos.

Veja mais – Hipotensão ortostática

Referências:

Ibrahim MM, Tarazi RC, Dustan HP, Bravo EL – Idiopathic ortostatic hypotension. Circulatory dynamics in chronic autonomic insufficiency. Am J Cardiol,1974;34:288-294.

Castro CLB, Nobrega ACL, Araujo CGS – Teste autonômicos cardiovasculares. Uma revisão Crítica. Parte I. Arq Bras Cardiol, 1992;59(1):75-85.

Julius S – Autonômic nervous system dysregulation in human hypertension. Am J Cardiol, 1991;67:3B-7B.

Clarke BF, Ewing DJ, Campbell IW – Diabétic autonômic neuropathy. Diabetology, 1979;17:195-212.

Page MM, Watkins PJ – The heart in diabetes: Autonômic neuropathy and cardiopathy. Clin Endocr Metab. 1977;6:377.

Lloyd-Mostyn RH, Watkins PJ – Total cardíac denervation in diabétics autonômic neuropathy and cardiomiopathy. Diabetis. 1976;25:748.

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