Fitoterápicos
Hypericum perforatum

O Hypericum perforatum, pertencente à famÃlia das HÃperÃcaceae, é uma espécie nativa da Europa, Ãsia e Ãfrica, aclimatada nos Estados Unidos.
O gênero Hypericum conta aproximadamente com 370 espécies anuais, arbustivas e semi-arbustivas perenes e semi-perenes, encontradas principalmente nas regiões temperadas. Uma grande variedade de grupos provê muitas plantas finas de jardinagem para a maioria das aplicações. Hypericum pode derivar do grego hyper, “acima”, e eikon, “pintura”. de vez que as flores eram colocadas sobre imagens religiosas para afastar o mal no Dia de SolstÃcio de verão do norte (24 de Junho, Dia de São João).
Para fins medicinais colhe-se a planta inteira e particularmente as cimeiras, na época da plena floração e com tempo ensolarado. São secadas à sombra, sob corrente de ar, ou num secador, a temperatura de 35°C no máximo. Os antigos alegavam que as propriedades mágicas do Hypericum perforatum eram, em parte, devidas ao pigmento vermelho fluorescente, um flavonóide denominado hipericina que escoa como sangue das flores esmagadas. Além da hipericina, contêm taninos (as flores até 16%), glicosÃdeos: rutina, hiperina, ocatecol peflavite (vitamina P), flavonóides, xantonas, ácidos carboxÃlicos fenólicos, óleos essenciais, carotenóides, alcanos, derivado de floroglucinol, fitosteróis, e ácidos gordurosos alcoólicos de cadeia média. O Tanino, em uma concentração média aproximada de 10%, é provavelmente o responsável pela ação adstringente da Erva de São João e o efeito precipitador de proteÃna, contribuindo para o tradicional uso tópico da planta como um agente curador de feridas.
Propriedades quÃmicas
Quimicamente contém derivados antraquinônicos (hypericina, isohypericina, prothypericina); flavonóides (kaempferol, quercetina, Iuteolina); glicosÃdeos (hyperosÃdeos, isoquercetrina, quercitrina, rutina); bifiavonóides (biapigenina e amentofiavona) e catequinas; contém ainda 8 a 9 % de taninos não-identificados, fenóis (ácido cafêico, ciorogênico, p-cumárico, ferúlico, hidroxibenzóico, vanÃiico-1 éster 3,5 - dinitrobenzoato) e derivados floroglucinóis premiados; ainda contém óleos essenciais na proporção de 0,05 a 0,9 %, cujos maiores constituintes são metil-2-octano, n-nonano, a-e-b-pinenos, a-terpineol, geraniol, mirceno, limoneno, cariofileno e humuleno; apresenta por fim carotenóides, colina, nicotinamida, pectina, beta-sitosterol, ácidos isovaleriânico, nicotÃnico, misÃstico, paimÃtico e eseárico.
Propriedades medicinais
O Hypericum é ligeiramente sedativo e nitidamente colagogo (secreção biliar). Os seus efeitos anti-inflamatórios fazem dele um bom produto para tratamento de inflamações crônicas do estômago, do fÃgado, da vesÃcula, dos rins; é igualmente eficaz nas afecções ginecológicas. A erva é usada interiormente para enurese (especialmente em crianças), ansiedade, tensão nervosa, perturbações na menopausa, sÃndrome pré-menstrual, cobreiro, ciática, e fibrosites. Não deve ser dado aos pacientes com depressão crônica. Externamente para queimaduras, contusões, danos (feridas especialmente profundas ou dolorosas que envolvem danos em nervos), chagas, ciática, neuralgia. convulsão, deslocamentos, e contusões. Trabalha bem com Hamamelis virginiana ou Calêndula officinalis para contusões. Usado em homeopatia para dores e inflamações causadas nervos danificados.
O óleo do Hypericum é preparado por maceração das cimeiras floridas, em azeite ou óleo de girassol. Deixando-se o recipiente durante quinze dias ao sol, sacudindo-o de tempos em tempos. Este óleo é bom contra as queimaduras (incluindo as do sol) e as hemorróidas. Um consumo exagerado de produtos à base de milfurada pode provocar uma alergia que se agrava sob o efeito da luz solar (foto-sensibilização).
O Hypericum perforatum demonstrou melhorar muitos sintomas psicológicos, sendo seu uso indicado como auxiliar no tratamento de depressão leve a moderada, agitação nervosa, distúrbios do sono e distúrbios emocionais leves, particularmente os da menopausa. Seu campo de ação tem sido os casos de depressões sintomáticas, as chamadas depressões reativas ou neuróticas.
O HyperÃcum perforatum demonstrou experimentalmente ser um inibidor da monoaminoxidase. Demonstrou também suprimir a liberação de interleucina - 6, bem como inibir a receptação de noradrenalina e serotonina.
O Hypericum perforatum possui uma ação farmacológica análoga aos tricÃclicos, porém sem os efeitos anticolinérgicos, pois não interfere com os receptores muscarÃnicos.
A posologia usual é de 300 mg em três tomadas diárias.
Referências
1. Bombardelli, E. et ai. Hypericum perforaturn. Fitoterapia, 1995; 1: 43-68.
2. Demisch, L. et ai. Pharmacopsychlatry, 1989; 22: 194, 7.
3. Perovic, S. et ai. Arzneimittel-Forschung, 1985, 45(11):1 145-1 148.
4. Suzuki, 0. et al. Planta Med., 1984; 272.
5. Thicie, B. et ai. Modulation of the cytokine expression by Hypericum extract. Nervenhellkunde, 1993; 12: 353-356.
6. Siegers, C. R et al. Phototoxicity caused by Hypericum’. Nervenheilkunde, 1993-, 12: 320- 322.