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Estudo de caso – Aneurisma da aorta abdominal
Categoria(s): Angiologia Geriátrica, Cardiogeriatria, Caso clÃnico |
Interpretação clÃnica
- Paciente de 66 anos é encaminhado pelo cirurgião vascular para avaliação pré-operatória, antes da colocação de próteses vasculares na luz do vaso aneurismático, via transvascular. O aneurisma mede 5,5 cm na tomografia computadorizada e aumentou 1 cm em seu diâmetro nos últimos 6 meses. O paciente é hipertenso de longa data, tratado com captopril 25 mg/dia. Não relata problemas cardiológicos (infarto do miocárdio, angina pecturis, arritmia), isquemia cerebral ou diabete mellitus. Trouxe na consulta uma cintilografia miocárdica com tálio e dipiridamol, recente, que não evidenciou nenhum defeito de perfusão fixo (infarto cicatrizado) ou reversÃvel (isquêmia).
- Ao exame fÃsico pulso de 80 bpm e regular, pressão arterial de 140/85 mmHg. Exame fÃsico normal exceto a presença de aneurisma abdominal palpável. Exames laboratoriais normais, exceto creatinina de 1,7 mg/dl (N≤ 1,4 ,g/dl). Eletrocardiograma com sinais de sobrecarga ventricular esquerda.
Como avaliar este paciente e orientar o cirurgião?
As complicações cardÃacas peroperatória (durante e após o ato cirúrgico) está correlacionada com fatores de risco, incluindo diabete mellitus, infarto do miocárdio prévio, insuficiência cardÃaca congestiva, angina pecturis, arritmia ventricular, acidente vascular prévio e hipertensão arterial. Alguns investigadores chamam atenção para idade acima de 70 anos, onda Q patológica no eletrocardiograma, como fatores de risco peroperatório independente, assim como angina pecturis, arritmia ventricular e diabete mellitus.
Esse paciente apresenta dois fatores de risco (hipertrofia ventricular e idade avançada) além da doença vascular. Assim, embora o procedimento cirúrgico seja considerado de alto risco, os fatores preditivos clÃnicos desse paciente e a sua cintilografia de estresse sugerem um risco baixo (aproximadamente, 3%). Se um defeito reversÃvel de perfusão tivesse sido encontrado (isquemia miocárdica) o risco subiria para 18%, que poderia ser reduzido para cerca de 6%, caso fosse realizada um cirurgia de resvascularização miocárdica (cirurgia cardÃaca com colocação de ponte ou stent coronário) previamente.
Nesse paciente não existem critérios de indicação de cateterÃsmo cardÃaco com cinecoronariografia (a cintilografia miocárdica não mostrou nenhum defeito de perfusão) e, mesmo que um defeito reversÃvel de perfusão tivesse sido encontrado na cintilografia miocárdica, a revascularização não estava garantida, por causa da sintomatologia e da expansão do aneurisma, que pode romper-se a qualquer instante.
A administração de ß-bloqueador, mesmo em pacientes sem nenhum sintoma clÃnico de isquemia miocárdica, diminui significativamente a isquemia peroperatória. Dessa forma, o uso de ß-bloqueador, sem arteriografia coronária pré-operatória, é o procedimento preferido nesse paciente. Evitando assim infartos e angina, ou arritmias graves no pós-operatório.
Veja – Aneurisma da aorta abdominal
Estudo de caso – Massa abdominal pulsátil – Aneurisma da aorta
Referência:
Goldman L – Cardiac risk for vascular surgery. J Am Coll Cardiol. 1996;27:799-802.
Tags: aneurisma abdominal, pré-operatório
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