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04
Nov
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Estudo de caso - Esteatorréia
Categoria(s): Caso clÃnico, Gastrogeriatria, Nutrição |
Interpretação clÃnica
- Homem de 52 anos vem ao consultório, com queixa de diarréia e perda de peso há 1ano e meio. Ele tem cerca de oito evacuações diárias, extremamente malcheirosas, marrom claras (massa de vidraceiro), gordurosas. Tem evitado alimentos gordurosos, porque isso melhora seus sintomas.
- Refere ter bebido dois a três copos de cachaça ao dia durante 25 anos. Tem estado abstinente por três anos e está ativo nos Alcoólicos Anônimos. Refere que sempre teve ótima saúde. Refere ter tidos vários episódios de importante dor abdominal, quando então resolveu parar de beber. Nunca consultou médicos nessas ocasiões. Não toma medicamentos e nem foi submetido a nenhuma cirurgia.
- Ao exame fÃsico é longilÃneo, magro com perda da musculatura temporal. Exames do coração, pulmões e dados vitais normais. Abdomem levemente distendido, flácido e indolor a palpação.
- Exames laboratoriais - Hemograma normal, albuminemia de 3,2 g/dL, glicemia, eletrólitos e função renal normais. Coleta de fezes de 24 horas tomada após três dias de uma dieta contendo 100 g de gordura por dia tem peso total de 420 g e 22g de gordura. O Rx de tórax mostra calcificações na região de projeção do pâncreas (setas cheias) e a tomografia computadorizada mostra dilatação dos canais biliares intra e extra hepáticos (seta vazada) e calcificação no duto pancreático (setas cheias).
Qual o diagnóstico e a melhor forma de tratamento?
Este paciente tem má digestão devido à pancreatite crônica por abuso de álcool. Os sintomas e sinais indicam a esteatorréia (fezes fétidas e gordurosa) e desnutrição proteica, perda muscular e hipoalbuminemia. A pancreatite crônica pode ser confirmada pela radiografia de abdomem e tomografia computadorizada que mostrou as calcificação no pâncreas.
A esteatorréia pode ser confirmada pelas caracterÃsticas das fezes, cujo teor de gordura ultrapassou os 20g por 24 horas, de acordo com a dieta realizada durante o teste. Este tipo de diarréia é classificada como diarréia secretória (veja abaixo os tipos de diarréia).
As gorduras são absorvidas em quatro fases: lipolÃtica - clivagem intraluminal de triglicérides em ácidos graxos de cadeia longa e monoglicerÃdeos pela lipase e colipase, micelar - solubilização ds gorduras no ambiente aquoso com ácidos biliares conjugados, mucoso - transporte para dentro das células, reesterificação em triglicerˆdios e composiçnao com proteÃnas, colesterol e fosfolipÃdios em quilomÃcrons e entrega - transferência para o sistema linfático.
A figura mostra o pâncreas com o ducto pancreático principal (seta vazada) com dilatação e cálculos em seu interior. A seta cheia mostra o esfincter de Oddi.
Tratamento - O melhor tratamento é uma dieta reduzida de gordura, que o paciente praticamente já está realizando, e a terapia com enzimas pancreáticas. A maioria dos pacientes requerem 30 mil unidades de lipase, tomadas com cada refeição. As preparações de lipase tem revestimento entérico ou são preparações de microesferas para prevenir a desnaturação pelo ácido gástrico.
* Tipos de diarréia - A maioria das desordens intestinais ocorre por malabsorção de fluidos, má digestão de nutrientes, secreção de fluidos das criptas intestinais para dentro do lúmen, perturbações da motilidade ou desordens inflamatórias. Diarréia é definida quando ocorre mais de 200 gr de fezes por dia, podendo ser classificada em quatro tipos básicos: 1) diarréia osmótica com Gap osmótico* >50 e < 500 gr de fezes com jejum; 2) diarréia secretória com Gap osmótico fecal <50 e > 500 gr de fezes com jejum; 3) diarréia inflamatória com presença de neutrófilos nas fezes e ulcerações colônicas e 4) diarréia por dismotilidade com teste respiratório da glicose positivo e exame de fezes negativo.
* O Gap osmolar fecal é calculado pela seguinte expressão: osmolalidade - 2x([Na]+[k]).
Referências:
Steer ML, Waxman I, Freedman S - Chronic pancreatitis. N Engl J Med 1995;332:1482-1490
Toskes PP - Medical management of chronic pancreatitis. Scand J Gastroenterol Suppl 1995;208:74-80
Tags: alcoolÃsmo, calcificações pancreáticas, pancreatite crônica, sÃndrome da má-absorção
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