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O envelhecimento – Parte 1. Modificações gerais
Categoria(s): Demografia, Gerontologia, Programa de saúde, Sociologia |
Envelhecimento
As modificações decorrentes da senescência
Colaboradora: Angela Terezinha de Favari Fornari *
* Nutricionista e pós-graduada do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp
Projeções demográficas estimam que em 2025 o Brasil deverá alcançar a marca de 33 milhões de pessoas idosas (KALACHE, VERAS, RAMOS, 1987; WHO, 2002). Como o processo natural de envelhecimento envolve muitos transtornos tanto de ordem psíquica, física e social, usualmente inter-relacionados, com repercussões nas condições de saúde e nutrição do idoso, é necessário obter informações nutricionais referentes a este grupo, para começar a avaliar sua problemática específica e enfrentar os desafios da pesquisa no campo de nutrição e envelhecimento (OLIVEIRA et al, 2006; SANTOS e JAHN, 2006).
Nos idosos assume especial relevância a definição de saúde da Organização Mundial de Saúde: “aquele estado em que existe uma situação ótima de bem estar físico, mental e social e não somente ausência de enfermidade”, ou seja, a saúde dos idosos se apóia nestes quatro pilares: ausência de doença, independência física, bem-estar psíquico e boa cobertura social (SERRA REXACH e CUESTA TRIANA, 2007).
O envelhecimento é um processo natural que submete o organismo a diversas alterações anatômicas e funcionais. Essas mudanças são progressivas e ocasionam efetivas reduções na capacidade funcional, desde a sensibilidade do paladar até os processos metabólicos do organismo (FREITAS et al., 2002).
Com o fato de os idosos viverem maior tempo, podem tornar-se mais vulneráveis a aquisição de patologias crônico-degenerativas, que tendem a gerar dependência funcional, bem como econômica. O envelhecimento também gera alterações funcionais que podem comprometer vários órgãos, entre os quais o acometimento dos padrões de postura e de equilíbrio, expondo-os às quedas (SANTOS e JAHN, 2006).
Hoyl (2000) esclarece que, à medida que envelhecemos ocorre uma diminuição fisiológica normal e um aumento na prevalência de algumas patologias, porém muitas dessas ocorrências que se pensava serem próprias do envelhecimento hoje se sabe serem doenças e, somente as alterações que estão presentes em todos os indivíduos que envelhecem e que evoluem com a idade é que representam o envelhecimento propriamente dito. Esse autor apresenta as seguintes características do envelhecimento:
- Universal: próprio de todos os seres vivos;
- Irreversível: diferentemente das enfermidades, não pode ser detido nem revertido;
- Heterogêneo e individual: cada espécie tem uma velocidade característica de envelhecimento, porém a velocidade de diminuição funcional varia enormemente de indivíduo a indivíduo e de órgão a órgão numa mesma pessoa;
- Deletério: leva a uma perda de função progressiva. Diferencia-se do processo de crescimento e desenvolvimento nos quais a finalidade é alcançar o amadurecimento da função;
- Intrínseco: Não é devido a fatores ambientais modificáveis. Embora se observe uma aumento progressivo na expectativa de vida, a sobrevida máxima do ser humano alcança cerca de 118 anos.
Mudanças biológicas
Embora o passar do tempo seja o mesmo para todo o corpo humano, nem todos os órgão sofrem seus efeitos da mesma forma. Esses efeitos costuma ter um caráter universal, progressivo e em muitos casos irreversível.
É muito comum, ocorrerem distúrbios cardiovasculares, pulmonares, gastrintestinais, geniturinários, hematológicos, músculos-esqueléticos, endócrinos e metabólicos, doenças infecciosas, distúrbios neurológicos, psiquiátricos, cutâneos, oculares e do sono no idoso, o que resulta em mudanças significativas em sua vida, levando-o até mesmo ao isolamento. Esse quadro de alterações pode resultar em perda de função, que, sem intervenção adequada e em tempo hábil, causa a institucionalização precoce dos idosos. Desse modo são primordiais a promoção e a atenção à saúde ao idoso, de maneira que englobe medidas preventivas, restauradoras e reabilitadoras (IORIS apud NORONHA, 2007).
Alterações metabólicas
A energia mínima necessária para manutenção da vida, chamado metabolismo basal, diminui entre 10 a 20% entre os 30 e 75 anos, devido à menos massa muscular. Embora a absorção de hidratos de carbono não se altere até idades muito avançadas, a intolerância a lactose ocorre freqüentemente devido a diminuição da atividade da lactase. A incidência de diabetes aumenta e, muitas vezes, relacionada ao sobrepeso. A concentração plasmática de colesterol se modifica variando com a idade e o sexo, tendendo a diminuir progressivamente a partir dos 70 anos. No metabolismo das proteínas, o músculo perde importância para o fígado e o intestino. Em geral pode-se afirmar que o turnover protéico está aumentado na pessoa idosa (PALLAS, 2002). O peso global do fígado diminui e a capacidade de metabolização hepática é menor provocando alteração na farmacocinética de muitas drogas. A excreção de sai biliares também diminui com conseqüências na digestão. Tanto o pâncreas endócrino quanto o exócrino sofrem mudanças, com uma grande parte do tecido funcional substituída por tecido fibroso, provocando conseqüências tanto na digestão quanto na produção de insulina (GEIS, 2003)
Alterações na estatura e peso corporal
A partir dos 60 anos há uma diminuição progressiva da altura, podendo perder-se 1 cm ou mais pode década. Esta diminuição relaciona-se com a curvatura da coluna vertebral (lordose ou cifose) e o achatamento das vértebras. Por outro lado, o peso corporal que aumentou progressivamente até os 40-50 anos, se estabiliza e, a partir dos 70 anos começa a diminuir gradativamente (PALLÀS, 2002).
A porcentagem de gordura corporal aumenta e, enquanto no adulto fica em torno de 15% do peso corporal, em um idoso pode chegar a 25-30%, sendo que sua distribuição também se altera, com diminuição da gordura subcutânea e das extremidades e com maior concentração na região abdominal. Estas alterações podem estar relacionadas com a menor atividade física e a mudanças hormonais.
Diminuição da água corporal
De acordo com Kamimura et al. (2002) a massa tecidual humana pode ser dividida em dois grupos: massa gorda, composta pela gordura corporal, e massa magra, livre de gordura e constituida por proteínas, água intra e extracelular e conteúdo mineral ósseo. Em um adulto jovem, a água corporal total representa até 70% do peso corporal, porém, nos idosos, esta proporção diminui entre 10 1 15%, principalmente em decorrência da redução da água intracelular pela perda de massa muscular (PERIS e LESMES, 2007).
Referências:
FREITAS, E. V. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Kogan, 2002.
GEIS, Pilar P. Atividade Física e saúde na terceira idade: teoria e prática. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.
HOYL, Trinidad M. Teorías del proceso de envejecimiento. Envejecimiento Biológico. In: MARIN, Pedro P.; ESPINOLA, Homero G. (ed.) Manual de Geriatria y Gerontologia año 2000. Escuela de Medicina Pontifícia Universidad Católica de Chile.
KALACHE, A.; VERAS, R.P.; RAMOS, L.R. O envelhecimento da população mundial. Um desafio novo. Rev. Saúde Públ., S. Paulo, v. 21, p. 200-210, 1987.
KAMIMURA, Maria A.; BAXMANN, Alessandra; SAMPAIO, Lilian R. et al. Avaliação Nutricional. In: CUPPARI, Lilian. Guia de nutrição: nutrição clínica no adulto. Barueri: Manole, 2002. p. 71-109.
NORONHA, Fabiana B. Sarcopenia. 2007. Monografia (Pós-Graduação em “Saúde e Medicina Geriátrica”) – Faculdades Integrada Metropolitanas de Campinas, Campinas.
OLIVEIRA, Giovani M.; MENEZES, Honório S.; SCHUH, Alexandre; URMESBACH, Carmem B.; KILPP, Débora. O estado nutricional do idoso institucionalizado no Lar Moriá. Arquivos Médicos. v. 9, n. 1, p. 7-18, mai., 2006.
PALLÀS, Mercê C. Importancia de la nutrición en la persona de edad avanzada. Barcelona: Novartis, 2002.
PERIS, Garcia.; LESMES, Breton. Composición corporal. In: PLANAS, Mercè (Coord.). Valoración nutricional en el anciano: Recomendaciones prácticas de los expertos en geriatría y nutrición. Documento de Consenso. Sociedad Española de Nutrición Parenteral y Enteral (SENPE), Sociedad Española de Geriatría y Gerontología (SEGG), Novartis. 2007.
SANTOS, Alessandra R.; JAHN, Alice C. Envelhecimento humano e distúrbios do equilíbrio: estudo em grupo de idosos institucionalizados. Arquivos Médicos da Universidade Luterana do Brasil (ULBTA), v. 9, n. 1, p. 19-31, mai. 2006.
SERRA REXACH, José A.; CUESTA TRIANA, Federico. Valoración Geriátrica Integral. In: PLANAS, Mercè (Coord.). Valoración nutricional en el anciano: Recomendaciones prácticas de los expertos en geriatría y nutrición. Documento de Consenso. Sociedad Española de Nutrición Parenteral y Enteral (SENPE), Sociedad Española de Geriatría y Gerontología (SEGG), Novartis. 2007.
WHO – World Health Organization, Tufts University. Keep fit for life: meeting the nutritional needs of older persons. Geneva: World Health Organization; 2002. Disponível em http://www.who.int/nutrition/publications/olderpersons/en/index.html. Acesso em 24/08/2008.
Tags: água corporal, Envelhecimento populacional, massa magra
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