28
Set

 Incontinência Anal nos idosos - Parte 3. Tratamento

Categoria(s): Fisioterapia, Gastrogeriatria, Programa de saúde

Resenha

Incontinência anal em Idosos - Qualidade de vida

Colaboradora: Natália Azambuja Mendonça *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp  

Tratamento 

O tratamento da IA poderá envolver o uso de terapêutica farmacológica, procedimentos cirúrgicos, reabilitação da musculatura do assoalho pélvico, reeducação alimentar, ou ainda, o uso de dispositivos que minimizem os sintomas e suas conseqüências, como plug anal.

O tratamento não cirúrgico da IA destina-se aos casos menos graves, onde a avaliação clínica e os métodos diagnósticos não identificaram lesões estruturais ou funcionais importantes.

Aspectos medicamentosos

      Alguns pacientes requerem agentes farmacológicos para aumentar a consistência das fezes ou reduzir a motilidade do cólon. Os agentes mais utilizados agem na redução da fluidez das fezes, na redução das secreções intestinais e proliferação microbiológica. Medicações anti-diarrêico são usados para reduzir a motilidade intestinal e devem, portanto, ser usados somente para diarréia não infecciosa. Dentre os agentes anti-motílicos, loperamida é a droga escolhida devido a sua excelente segurança e a eficácia no tratamento de diarréia crônica. Loperamida age na redução da atividade peristáltica a qual reduz a urgência fecal, a freqüência de defecação e o volume das fezes. Além disso, loperamida, aumenta o tônus do esfíncteres e pode reduzir a sensitividade dos reflexos reto-anal, ambos podem suportar a continência durante episódios de diarréia. Loperamida, entretanto, pode causar dor abdominal e constipação caso não seja dosada corretamente.

      Atualmente, terapias farmacológicas para tratamento da IA tem sido limitada a agentes anti-diarreicos, entretanto gel phenilefrine esta sob pesquisa como um agente estimulante do esfíncter. Phenilefrine é um adrenérgico alfa 1 usualmente utilizado como descongestionante nasal e está sendo avaliado pela sua capacidade de aumentar o tônus do esfíncter anal interno.

      Em um estudo envolvendo pacientes com deficiência muscular no esfíncter interno, aplicação tópica do gel em concentrações em 10 e 40% aumenta a pressão anal em níveis significativos, e com concentrações de 30 a 40 % aumenta o tônus a níveis normais. O único efeito adverso é queimação localizada que é amenizada após 20 min. Esse agente é promissor para indivíduos com incontinência resultante de baixa pressão do canal anal, entretanto, estudos mais detalhados são necessários e o seu uso é considerado experimental.     

      Injeção de silicone - A injeção de silicone tem demonstrado ser uma opção eficaz. O procedimento é realizado com o paciente na posição de decúbito ventral sob anestesia local. É realizado ambulatorialmente. A utilização do silicone tem como vantagens baixo índice de complicações infecciosas e representa uma opção eficaz e segura.  

     Biofeedback - O biofeedback vem se constituindo um importante meio terapêutico para IA. A técnica vem sendo utilizada desde a década de 70. É feita com aparelho de manometria sendo introduzida uma sonda intra-retal, e o paciente responde contraindo a musculatura esfincteriana a estímulos verbais, visuais ou auditivos. O paciente é colocado na posição lateral, e é introduzido um cateter no reto o qual é tracionado lentamente, até o balonete insuflado localizar-se na zona de alta pressão no canal anal; é solicitado que o paciente contraia a musculatura esfincteriana, enquanto o mesmo foi estimulado a atingir gradualmente, maiores pressões de contração máxima do esfíncter anal, assim como maior sustentação dessa contração, até que atingisse a normalização da função esfincteriana.  

      Tratamento cirúrgicoO objetivo do tratamento cirúrgico da incontinência anal é a restauração da função esfincteriana compatível com a vida social normal. O esfíncter anal artificial (EAA) é uma prótese destinada a simular a função esfincteriana normal, sendo a abertura do canal anal mecanicamente acionada pelo paciente. O EAA é constituído de três principais mecanismos: cinta oclusiva ou “cuff”, reservatório e bomba de controle. O “cuff” é implantado ao redor do canal anal e quando inflado, oclui o canal anal através de aplicação circunferencial de pressão. O reservatório ou balão regulador de pressão é implantado no espaço pré-vesical, sendo responsável pelo controle da pressão exercida pelo “cuff”. A bomba de controle é implantada na bolsa escrotal ou no grande lábio e contém um resistor e válvula que regula a transferência de fluído do reservatório para o “cuff”.

O “cuff” mantém-se em situação basal preenchido por fluído o que promove a oclusão do canal anal. Para atender o chamado à evacuação, através da compressão da bomba reguladora, o paciente promove a transferência de fluido do “cuff” para o balão reservatório. Assim, após várias compressões, o “cuff” se esvazia, e o canal anal se abre, permitindo que o paciente possa evacuar. Após a evacuação, o fluído automaticamente retorna do balão para o “cuff” para ocluir o canal anal novamente após a evacuação.

O EAA é implantado através de um procedimento relativamente simples, requerendo apenas dois sítios de incisão: perineal e abdominal. O acesso perineal consiste de duas incisões laterais ao ânus, seguidas de dissecção romba ao redor do canal anal para criação de túnel para implantação do “cuff”. A incisão abdominal, transversa em região suprapúbica, é utilizada para implantar o balão reservatório, o qual é posicionado no espaço pré-vesical, e a bomba reguladora, posicionada no escroto ou no grande lábio através de tunelização subcutânea. O sistema fica em sua totalidade implantado dentro do organismo, e a conexão entre os componentes pode ser facilmente realizada através de dispositivos especializados que integram o sistema. 

Papel da enfermagem

      A enfermeira tem um papel muito importante na educação, orientação e assistência do paciente com IA.

      É responsável pelo plano de cuidados, com o objetivo de evitar complicações e melhorar a qualidade de vida. Personalizar os cuidados conforme a realidade psicossocial, econômica e habilidosa do idoso. Desvendar qualquer dúvida que o paciente tenha, sobre a doença ou tratamento. Encaminhar para um especialista quando achar necessário. Aperfeiçoar a equipe de enfermagem sobre o assunto.

      Entre os cuidados, estão: higiene, onde o paciente realizará a retirada do excesso do conteúdo fecal e limpeza local contínua, evitando o contato direto com a pele íntegra, contaminação bacteriana das vias urinárias e não haverá presença de odor fétido, facilitando o convívio social.

      O cuidado com a pele do idoso com IA é importante. Deve-se inspecionar diariamente e proteger do contato das fezes utilizando cremes, óleos ou filmes transparentes. Ter atenção com o uso prolongado de fraldas, pois favorecerá o aparecimento de úlceras por pressão.  

Referências:

Carvalho LP, Corleta OC Neuropatia pudenda: correlação com dados demográficos, índice de gravidade e parâmetros pressóricos em pacientes com incontinência fecal. Arq. Gastroenterol. 2002 v. 39 n.3 São Paulo.

Doughty DB. Urinary & Fecal Incontinence. 2000.

Habr-Gama A, Jorge JM O esfíncter anal artificial no tratamento da incontinência grave: descrição técnica e resultados preliminares, Rev. Brás. Coloproct, 2002 20(4): 217-222.

Yusuf SAI, Jorge JMNJ Avaliação da qualidade de vida na incontinência anal: validação do questionário FIQL (Fecal Incontinence Quality of Life). Arq. Gastroenterol, 2004. v.41, n3.

Oliveira L. Incontinência fecal. 2006. J. bras. Gastroenterol, 6(1):35-37.

Oliveira L, Jorge JMN Novos Tratamentos para Incontinência Anal: Injeção de Silicone Melhora a Qualidade de Vida em 35 pacientes incontinentes. Rev. Bras Coloproct, 2007 27(2):167-173.

Ramalho EN, Starling F Tratamento da Incontinência anal com biofeedback. Resultados preliminares. Rev. Bras Coloproct, 1999; 19(2):89-83.

Santos VLCG, Silva AM Qualidade de vida em pessoas com incontinência anal. Rev. Brás Coloproct, 2002; 22(2):98-108

Sobrado JCW Incontinência anal: fisiopatologia. Rev. Esc Enf USP 1999; 33: 33-38.

Voebig RG Os desafios diagnósticos da Incontinência Fecal. Arq. Gastroenterol. 2002 39(3):137-138. 

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28
Set

 Contos do Bié - O Meu Padrinho

Categoria(s): Contos e Poemas

Sabedoria

Colaborador: Gabriel Araújo dos Santos *

* Poeta Mineiro

Passava das cinco horas da tarde quando meu padrinho parou à porta de nossa casa. Apeou do “Banjo”, enrolou a ponta do cabresto na cabeça da sela, e o animal ficou ali, quieto, como se amarrado estivesse. Sonolento, a cauda vez por outra a balançar, paciente, aguardava o retorno do cavaleiro.

Nisso, chegou o Dr. Carlos. Foram para o quarto onde meu pai repousava.  Quando soube do longo repouso que deveria fazer, meu pai quase chorou de desgosto, pois como deixar de trabalhar, se havia quatro filhos cujo sustento dependia exclusivamente de sua labuta? E os remédios?  Até que os medicamentos não custavam lá essas coisas. E a alimentação especial?  O padrinho me chamou de lado e mandou que eu fosse urgente a sua casa e falasse à sua esposa, D. Zezé, para ir urgente à nossa casa.

D. Zezé procurava acalmar meu pai, a lhe dizer que tudo se resolveria. e que logo iria vê-lo passar à frente de sua casa para o  trabalho.

Mas a preocupação maior de meu pai centrava em como sustentar a família durante o tempo de repouso. Além do mais havia a despesa forçada com o aluguel da casa e outros gastos mais.

Os três, o Dr. Carlos, meu padrinho e a esposa ouviam atentos tudo que ele dizia.  “Se a preocupação maior é essa, falou o padrinho, tire logo isso da cabeça, homem!”.   “Isso mesmo, seu João - continuou D. Zezé - não precisa ficar esmorecido não, bobo, porque de sua comida cuido eu, e Antônio resolve o caso da moradia, não é?” - completou, dirigindo-se ao marido.

-É isso mesmo, João. Vai depender de você concordar. Temos aquela casa ao lado da nossa, que vai ser desocupada pelo Pedro Cezar em uma semana. Faremos uns consertinhos rápidos de que está precisando, e, se não fizer questão, mude para lá.

- E será que vou poder pagar o aluguel que você quer?

- Que é isso compadre, é para você morar lá o tempo que quiser, como se a casa fosse sua, sem se falar em aluguel! Além do mais, vai ficar perto da gente, e assim podemos cuidar melhor de você e também deste menino.

Tomou-me pela cintura e me fez chegar bem a ele, numa demonstração de que me queria como a um filho.
D Zezé, emocionada, discretamente deixou o quarto.

Dr. Carlos, a que tudo assistira, passou as costumeiras recomendações a meu pai.

- João, pelo que acabo de presenciar, vejo um bom motivo para sua melhora. Como já lhe disse, doce, nem sonhar. O feijão é para ser cozido em panela de ferro, comido em bago-bago, sem ser machucado, com tempero normal. Arroz, só de pilão, do vermelho. Leite, pode tomar à vontade, sem se esquecer das gotas de iôdo que lhe receitei.  Não é para ir à venda escutar os noticiários da guerra nem de coisa nenhuma. Esqueça o que está acontecendo lá no estrangeiro! Seu menino já sabe rezar?

Antes que meu pai se pronunciasse, me apressei em responder.

- Sei, sei uma porção de rezas!

- Então reze muito e peça a Deus para curar seu pai.

Despediu-se e foi saindo.

Quando descia o degrau da porta da rua, se lembrou de falar mais alguma coisa.

- Daqui uns quinze dias faz aquele teste da urina e vai lá em casa ou no hospital  me avisar. Sabe quando é  daqui a quinze dias?

Minha irmã mais velha, que ao lado de D. Zezé escutara a recomendação, prometeu anotar o dia e providenciar o teste.

D. Zezé, ao se despedir deixou claro que minha obrigação, já a partir do dia seguinte, seria ìr à sua casa pegar a alimentação de meu pai. Que eu não precisava levar nenhuma vasilha, que ela providenciaria tudo.

Meu padrinho ainda demorou alguns instantes a conversar com meu pai, agora bem menos esmorecido depois daquele apoio.

Fiquei a pensar que o mundo todo podia ser daquele jeito, com pessoas tão boas a se interessar pela gente. E me lembrava das notícias da guerra, que Seu Virgolino dizia dos homens sem coração que matavam velhos e doentes.

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27
Set

 Incontinência Anal nos idosos - Parte 2. Avaliação diagnóstica

Categoria(s): Gastrogeriatria

Resenha

Incontinência anal em Idosos - Qualidade de vida

Colaboradora: Natália Azambuja Mendonça *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

      Avaliação e diagnóstico da IA

      A avaliação e o diagnóstico da IA incluem a avaliação clínica, constituída pelos sinais, sintomas e exame físico; e os exames complementares, incluindo a manometria anorretal, a retossigmoidoscopia, a defecografia, a eletromiografia anorretal, a ultra-sonografia endoanal e a latência motora terminal do nervo pudendo.

      Deve-se determinar o grau da incontinência através de escalas existentes. Conforme o Consenso de Roma III, a IA é classifica em: leve, intermediária e grave. A leve é a perda de gazes ou evacuação em pequena quantidade; a intermediária é a perda de fezes pastosas ou líquidas até três vezes por semana e a grave e a incontinência total com perda de três ou mais vezes por semana.

      O exame físico, dividido em inspeção, palpação e testes especiais, busca identificar anormalidades estruturais nos mecanismos de controle da defecação, como por exemplo, prolapsos, hemorróidas, cicatrizes, fibroses, impactação, sinais de hipoestrogenismo.

      A história clínica verifica os sinais e sintomas que caracterizam o funcionamento intestinal, tais como: freqüência e duração das perdas e das evacuações, consistência das fezes, presença de urgência, diarréia, flatulência, constipação e uso de proteção, história cirúrgica e de doenças em outros sistemas que podem se relacionar com a ocorrência de incontinência.

      Pode-se incluir na avaliação: relação com a qualidade de vida, o impacto na vida dos pacientes, onde se questiona as limitações físicas e sociais, como a necessidade do uso de forro perineal.

      Na entrevista, deve-se incluir questionamentos sobre hábitos alimentares, ingestão hídrica, sensibilidade e controle anal, o tempo de perda das fezes, freqüência e quantidade das perdas, presença de dores e medicações utilizadas.

Referências:

Carvalho LP, Corleta OC Neuropatia pudenda: correlação com dados demográficos, índice de gravidade e parâmetros pressóricos em pacientes com incontinência fecal. Arq. Gastroenterol. 2002 v. 39 n.3 São Paulo.

Doughty DB. Urinary & Fecal Incontinence. 2000.

Habr-Gama A, Jorge JM O esfíncter anal artificial no tratamento da incontinência grave: descrição técnica e resultados preliminares, Rev. Brás. Coloproct, 2002 20(4): 217-222.

Yusuf SAI, Jorge JMNJ Avaliação da qualidade de vida na incontinência anal: validação do questionário FIQL (Fecal Incontinence Quality of Life). Arq. Gastroenterol, 2004. v.41, n3.

Oliveira L. Incontinência fecal. 2006. J. bras. Gastroenterol, 6(1):35-37.

Oliveira L, Jorge JMN Novos Tratamentos para Incontinência Anal: Injeção de Silicone Melhora a Qualidade de Vida em 35 pacientes incontinentes. Rev. Bras Coloproct, 2007 27(2):167-173.

Ramalho EN, Starling F Tratamento da Incontinência anal com biofeedback. Resultados preliminares. Rev. Bras Coloproct, 1999; 19(2):89-83.

Santos VLCG, Silva AM Qualidade de vida em pessoas com incontinência anal. Rev. Brás Coloproct, 2002; 22(2):98-108

Sobrado JCW Incontinência anal: fisiopatologia. Rev. Esc Enf USP 1999; 33: 33-38.

Voebig RG Os desafios diagnósticos da Incontinência Fecal. Arq. Gastroenterol. 2002 39(3):137-138.

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26
Set

 Incontinência Anal nos idosos - Parte 1. Conceitos e fisiopatologia

Categoria(s): Dicionário, Gastrogeriatria, Sociologia

Resenha

Incontinência anal em Idosos - Qualidade de vida

Colaboradora: Natália Azambuja Mendonça *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Conceito 

Incontinência Anal (IA) é a perda involuntária de fezes e gases ou a impossibilidade de eliminar as fezes e/ou gases em local e momento adequado. É uma alteração funcional da região anorretal que leva à perda de controle da passagem do material fecal através do ânus, podendo inabilitar o paciente social e psicologicamente. Representa uma condição de etiologia multifatorial, levando a um grande impacto na qualidade de vida dos pacientes acometidos, principalmente devido ao transtorno físico e psico-social.

      IA tem um profundo impacto na QV e pode resultar em severas restrições das atividades do dia-a-dia como, por exemplo: jantar fora, se envolver atividades sexuais ou até mesmo ir ao trabalho. Pacientes reportam elevado nível de ansiedade relacionado ao medo de episódios de incontinência, vergonha da sua falta de controle do intestino e depressão. Alguns indivíduos se isolam para evitar episódios de incontinência e humilhação pública.

      Por incontinência ser considerada um tabu muitos indivíduos não percebem que a sua condição é comum e possui tratamento, assim não procuram ajuda.

      Apesar da IA ser uma doença que não ameaça a vida, tem como conseqüência a alteração física e psicológica do individuo, resultando em seu isolamento progressivo e alterações da imagem-corporal, auto-estima e identidade.

         O idoso quando apresenta a IA, tem o sentimento de regressão a infância, pois culturalmente, o único indivíduo que tem direito de evacuar na hora e local qualquer, é a criança; sente-se incapaz, logo que ao executar algum movimento ou ao realizar algum esforço poderá perder o controle das fezes ou gazes e consequentemente se expor. Para evitar esses constrangimentos, o idoso não realiza atividades que antes realizava como: atividades esportivas, encontros com amigos ou atividades sexuais.

      A incontinência é uma condição grave tanto para o paciente quanto para seus cuidadores.

       É um problema com grande impacto socioeconômico. Na América, representa a segunda causa de hospitalização de idosos em asilos, com uma despesa de mais de U$400 mil em fraldas e absorventes geriátricos.

      A incidência dos pacientes com IA é desconhecida, devido ao constrangimento que o portador tem de relatar ao especialista.

      Estimativas feitas em vários países indicam haver, na população geral, número expressivo de indivíduos com IA, especialmente naqueles com idade superior a 60 anos. Alguns estudos realizados nos EUA que sugerem prevalência em torno de 2,3% no país, entre adultos da população geral, podendo atingir 50% em pacientes idosos institucionalizados. No Brasil, estima-se uma prevalência de 2 a 7% (OLIVEIRA).

      Em um estudo junto à população idosa atendida no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, identificou prevalência de 10,9%. Outro estudo mostra que em uma população de 2.570 habitantes, 2,2% indivíduos tinha IA, sendo que 30% tinham mais de 65 anos.

      Muitos doentes não procuram profissionais especializados, devido a sentimentos de vergonha, humilhação e constrangimento. Acreditam que nada poderá ser feitos, assim, mantêm em segredo, além disso, sentem medo do afastamento familiar e ao isolamento forçado. Devido a esse comportamento, há uma grande dificuldade em mensurar o número de portadores.

      Os profissionais da área de saúde podem também refletir sentimentos e atitudes negativas, o que leva ao despreparo destes profissionais. Com isso, ocorre a desinformação no momento de orientar o paciente sobre o tratamento e cuidados.

Fisiopatologia da IA

O mecanismo da continência anal depende da ação integrada da musculatura esfincteriana anal e dos músculos do assoalho pélvico, da presença do reflexo inibitório reto-anal, da capacidade, sensibilidade e complacência retal, da consistência das fezes e, finalmente do tempo de trânsito intestinal. Assim, qualquer patologia que altera um desses complexos mecanismos, gera a IA. No idoso, especificamente, pode-se observar quadros de pseudo-incontinência nas situações de impactação fecal ou “fecaloma retal” onde, a presença do bolo fecal obstrui a luz intestinal promovendo uma irritação da mucosa intestinal que, secretando muco associado aos resíduos fecais, pode gerar uma incontinência por transbordamento. A IA pode ainda ser decorrente de alterações neurogênicas conseqüentes ao processo de envelhecimento e ás doenças sistêmicas, principalmente o diabetes mellitus. 

Mudanças com a Idade

O envelhecimento é um processo gradual que começa após a puberdade. Com o envelhecimento, ocorre atrofia da parede intestinal, redução do fornecimento sangüíneo, e algumas mudanças neurológicas que contribuem para um retardo do trânsito intestinal e decréscimo da quantidade de água nas fezes. Na maioria dos casos, entretanto o trato gastrointestinal não apresenta mudanças funcionais significantes com a idade, por exemplo, tanto a secreção quanto absorção permanecem relativamente constante e qualquer alteração que ocorra, não necessariamente resulta em problemas clínicos. Esta condição é atribuída em grande parte, pela redundância de cada seguimento do trato intestinal. Entretanto, fatores ambientais e extra intestinal podem afetar, decisivamente, as funções do trato gastrointestinal e a continência fecal, por exemplo, dieta, estilo de vida, pré-disposição hereditária, problemas de saúde diabetes mellitus e dano cognitivo. Medicações que pacientes adultos idosos utilizam devido aos problemas crônicos, podem afetar a pressão do esfíncter e, consequentemente, a continência.

As funções anais declinam com o a idade. Mulheres experimentam uma maior perda do que comparado com os homens. Na menopausa, é notável a incontinência em mulheres.  Lesões durante o parto aumentam o risco de comprometimento das funções anais, entretanto, uma porção significativa deste comprometimento, é resultante, tão somente, do envelhecimento.  Em uma série de estudos descritivos, envolvendo mulheres durante um período de vida Ryhammer descobriu que a sensibilidade da mucosa anal e do reto é afetada pela idade. Eles também observaram que repetitivos partos vaginais estão associados com efeitos adversos. Esses efeitos aumentam o potencial de IA causado pela perda de sensibilidade retal ou retardo da contração do esfíncter anal externo.

Etiologias da IA

A inter-relação complexa entre diversos determinantes tais como o volume e a consistência do conteúdo retal, a capacidade de distensão ou complacência do reto, a sensibilidade retal, a integridade da musculatura esfinctérica anal bem como a qualidade de sua inervação.

A IA adquirida no adulto é mais freqüentemente secundária a trauma cirúrgico, pode resultar de neuropatia do pudendo (neurogênica), de atrofia muscular generalizada secundária ao envelhecimento e também ter origem desconhecida (idiopática).

A lesão dos nervos, que controlam a força do esfíncter e a sensibilidade retal, é também uma causa comum de IA. O dano das estruturas nervosas pode suceder nas seguintes situações: durante o parto, esforços intensos e prolongados para evacuar e doenças como a diabetes, traumatismos ou tumores da medula espinal, na esclerose múltipla ou noutros problemas neurológicos.

 A obstipação com retenção de fezes duras no reto (fecalomas), pode contribuir para a incontinência por alteração da sensibilidade.

A incontinência pode também ser devida à perda de elasticidade do reto ou à redução da sua capacidade. Nesses casos o reto, deixa de poder acumular fezes e fica cheio mais depressa. Há então sensação de evacuar, por vezes de grande intensidade. A cirurgia e a radioterapia podem deformar e reduzir a capacidade do reto, assim como a doença inflamatória intestinal também pode diminuir a sua elasticidade.

Também em várias situações de diarréia pode surgir incontinência, porque é mais difícil reter fezes líquidas do que fezes moldadas.

Com o envelhecimento, ocorre degeneração do esfíncter anal interno. Também pode ocorrer redução da complacência retal, da sensibilidade anal e atrofia muscular do assoalho pélvico associadas ao aumento da idade. A presença de impactação fecal, comum nos idosos, pode afetar a sensação anal e a complacência retal, além de causar laceração muscular e incontinência por transbordamento.

 Referências:

Carvalho LP, Corleta OC Neuropatia pudenda: correlação com dados demográficos, índice de gravidade e parâmetros pressóricos em pacientes com incontinência fecal. Arq. Gastroenterol. 2002 v. 39 n.3 São Paulo.

Doughty DB. Urinary & Fecal Incontinence. 2000.

Habr-Gama A, Jorge JM O esfíncter anal artificial no tratamento da incontinência grave: descrição técnica e resultados preliminares, Rev. Brás. Coloproct, 2002 20(4): 217-222.

Yusuf SAI, Jorge JMNJ Avaliação da qualidade de vida na incontinência anal: validação do questionário FIQL (Fecal Incontinence Quality of Life). Arq. Gastroenterol, 2004. v.41, n3.

Oliveira L. Incontinência fecal. 2006. J. bras. Gastroenterol, 6(1):35-37.

Oliveira L, Jorge JMN Novos Tratamentos para Incontinência Anal: Injeção de Silicone Melhora a Qualidade de Vida em 35 pacientes incontinentes. Rev. Bras Coloproct, 2007 27(2):167-173.

Ramalho EN, Starling F Tratamento da Incontinência anal com biofeedback. Resultados preliminares. Rev. Bras Coloproct, 1999; 19(2):89-83.

Santos VLCG, Silva AM Qualidade de vida em pessoas com incontinência anal. Rev. Brás Coloproct, 2002; 22(2):98-108

Sobrado JCW Incontinência anal: fisiopatologia. Rev. Esc Enf USP 1999; 33: 33-38.

Voebig RG Os desafios diagnósticos da Incontinência Fecal. Arq. Gastroenterol. 2002 39(3):137-138.

 

 

 

 

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26
Set

 Poemas da Silvia Trevisani - Rimas e Ruas

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoção

Colaboradora: Silvia Cristina Martins Trevisani *

* Poetisa Paulista

RIMAS E RUAS**

No silêncio que permeia

a visível silhueta

das mentes e das poesias,

clama a voz do futurista,

do jornalista, do cronista e

do soldado raso.

Mestre das línguas

atiradas aos quatro ventos

num derramamento lírico.

Lua que veste a noite

com as asas de Vênus.

Rua emudecida e nua

que cobriu o poeta

com o véu da madrugada.

Mente reta e correta,

das rimas e das ruas

de nossa Campinas.

Berço esplêndido e vital

que o tornou o homem

Guilherme de Almeida.

Homem poeta

Poeta príncipe

Príncipe imortal.

** poesia ” Rimas e Ruas”,  foi classificada na Biblioteca
Adir Gigliotti, em homenagem ao ” Berço de  Guilherme de Almeida “,
nossa querida Campinas

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