02 - jan

Queimadura – Tratamento

Categoria(s): Emergências, Enfermagem, Farmacologia e Farmácia, Fisioterapia, Gerontologia

Queimadura – Tratamento

 Os finais de ano são cercados de muita alegria, com mesa farta e fogos de artifício iluminando o céu. Este quadro alegre pode ser destruído quadros angustiantes de queimadura em vários graus. Os idosos compreendem um grupo de risco alto para queimaduras devido à sua menor capacidade de reação e às limitações físicas peculiares à sua idade. Já para as dona-casa, os casos mais frequentes de queimaduras estão relacionados às várias situações domésticas (como cozimento de alimentos, riscos diversos na cozinha, acidentes com botijão de gás etc.).

QUADRO CLÍNICO

fogos

Entre os órgãos atingidos pelas queimaduras, a pele é a mais frequentemente afetada. Considerada o maior órgão do corpo humano, a pele é a parte do organismo que recobre e resguarda a superfície corporal, tendo algumas funções, tais como controlar a perda de água e proteger o corpo contra atritos. A pele desempenha também um papel importante na manutenção da temperatura geral do corpo, devido à ação das glândulas sudoríparas e dos capilares sanguíneos nela encontrados.

Cuidados e Tratamento

O país registrou 13.735 mortes causadas por queimaduras entre 1996 e 2008. Visando contribuir para uma melhor qualificação da assistência às vítimas dessas ocorrências, a Câmara Técnica de Queimaduras do Conselho Federal de Medicina-CFM desenvolveu o Protocolo de Tratamento de Emergência das Queimaduras. Enviado ao Ministério da Saúde com a proposta de que seja incorporado às diretrizes assistenciais do Sistema Único de Saúde (SUS), o protocolo orienta, passo a passo, como o médico e outros profissionais da saúde devem atender o paciente, sobretudo nas unidades de urgência e emergência da rede pública, porta principal de entrada desses casos. Veja – Ministério da Saude do Brasil – Cartilha para Tratamento de Emergência das Queimaduras. 2012 [on line]

A fase inicial da doença pode apresentar-se com febre, hipotensão postural, taquicardia, alteração nível de consciência. Em seguida surge o eritema cutâneo que começa com máculas que se tornam pápulas, vesículas, bolhas. Os pacientes queimados devem ser admitidos em hospitais capazes de fornecer cuidados intensivos e, se possível, em unidades específicas de queimados.

Os cuidados devem ser efetuados inicialmente com medidas de suporte e sintomáticos: hidratação e reposição de eletrólitos, cuidado especial a vias aéreas, controle de temperatura ambiental, manipulação cuidadosa e asséptica, criação do campo estéril, manutenção do acesso periférico venoso distante das áreas lesadas (um acesso em veia central quando possível), nutrição oral precoce, anticoagulação, prevenção da úlcera de estresse e administração da medicação para o controle da dor e da ansiedade.

As seqüelas oculares exigem exames diários por um oftalmologista; a lavagem com solução fisiológica e colírios devem ser instilados a cada duas horas, quando necessário, antibióticos tópicos e retirada de sinéquias cirurgicamente podem estar indicado. Podem ser usadas lentes de contato permeáveis para redução da fotofobia e desconforto.

As lesões de pele são tratadas como queimaduras; os anestésicos tópicos são úteis em reduzir a dor das lesões orais. As áreas de pele desnudas devem ser cobertas com compressas de solução fisiológica. As doenças subjacentes e as infecções secundárias devem ser identificadas e tratadas.

Tratamento emergêncial

A inspeção diária cuidadosa é necessária para monitorar infecções secundárias: o uso de antibiótico profilático não é recomendado, especialmente devido indução de resistência; os antimicrobianos são indicados apenas nos casos de infecção urinária ou de infecções cutâneas, bem como se a traquéia e os brônquios forem envolvidos (o que em geral demanda intubação e a ventilação mecânica).

A nutrição enteral precoce e contínua diminui o risco de úlcera de estresse, reduz a translocação bacteriana e a infecção enterogênica; a hipofosfatemia grave é freqüente e pode contribuir com alterações no metabolismo e controle da glicemia, além de causar disfunção muscular. Também a proteção gástrica não deve ser esquecida pelo risco associado de sangramento digestivo. Os grandes queimados reagem como desidratações graves e a função renal pode ficar comprometida, tanto pela hipotensão como hemoglobinúria (decorrente de hemólise) e mioglobinúria (destruição do tecido muscular).

Os cateteres devem ser mudados de local periodicamente; a amostragem bacteriana das lesões de pele é executada no primeiro dia e a cada 48 horas. As indicações para o tratamento antibiótico incluem número aumentado das bactérias cultivadas da pele com seleção de uma única cepa, alteração repentina na temperatura, e/ou deterioração na condição do paciente. O S. Aureus é a bactéria principal nos primeiros dias, e as gram-negativas aparecem mais tarde. A profilaxia do tétano deve ser lembrada, considerando as lesões cutâneas “portas de entrada”.

A temperatura ambiental deve oscilar entre 30 a 32º C a fim de reduzir as perdas calóricas através da pele; a perda de calor pode também ser limitada elevando a temperatura de banhos anti-sépticos para 35 a 38º C e utilizando os protetores de calor, as lâmpadas infravermelhas, e camas ar-air-fluidized.

O tromboembolismo é uma importante causa de morbidade e mortalidade, logo a anticoagulação profilática eficaz com heparina é recomendada durante a hospitalização embora resulte em sangramento aumentado da pele, apesar de geralmente limitado.

O suporte emocional e psiquiátrico não deve ser esquecido. Os hipnóticos tais como o diazepam e opióides à base de morfina podem ser usados se a condição ventilatória permitir.

Referências:

Ministério da Saude do Brasil – Cartilha para Tratamento de Emergência das Queimaduras. 2012 [on line]

Revista Brasileira de Queimaduras

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01 - jan

Queimadura – Primeiros socorros

Categoria(s): Cuidador de idosos, Emergências, Enfermagem, Programa de saúde pública, Saúde Geriátrica

Queimados – Primeiros socorros

 

Os finais de ano são cercados de muita alegria, com mesa farta e fogos de artifício iluminando o céu. Este quadro alegre pode ser destruído quadros angustiantes de queimadura em vários graus. Os idosos compreendem um grupo de risco alto para queimaduras devido à sua menor capacidade de reação e às limitações físicas peculiares à sua idade. Já para as dona-casa, os casos mais frequentes de queimaduras estão relacionados às várias situações domésticas (como cozimento de alimentos, riscos diversos na cozinha, acidentes com botijão de gás etc.). No sentido de ajudar neste sentido transcrevemos as informações da SBQ- Sociedade Brasileira de Queimaduras

Primeiro socorro:

Em caso de acidente envolvendo queimaduras, o primeiro cuidado é extinguir a fonte de calor, ou seja, impedir que permaneça o contato do corpo com o fogo, líquidos e superfícies aquecidas, entre outras causas do acidente. Em seguida, procure lavar o local atingido com água corrente em temperatura ambiente, de preferência por tempo suficiente até que a área queimada seja resfriada. Também é importante buscar o auxílio de um profissional de saúde no posto de atendimento mais próximo do local do acidente, para que sejam tomadas as providências necessárias para o sucesso da recuperação e também para evitar o agravamento da lesão.

Se não houver Posto de Saúde nas proximidades, deve-se acionar os serviços de socorro do SAMU e do Corpo de Bombeiros ou procurar uma Emergência hospitalar.

Os contatos pra ligação gratuita são: SAMU 192 e BOMBEIROS 193.

Cuidados:

  • Não passe no local atingido nenhum produto ou receita caseira. Qualquer substância que seja passada sobre a pele queimada vai irritá-la. Há também o alto risco de infecção por bactérias, fungos e vírus presentes nesses produtos, já que a barreira natural do organismo – a pele – está danificada.
  • Não passe nenhuma pomada no local atingido. A pele fica extremamente sensível após uma queimadura e as pomadas, ainda que adquiridas em farmácias, machucam ainda mais as células cutâneas e podem irritar a pele e gerar infecções.
  • Não tente estourar as bolhas provocadas pela queimadura. Elas se manifestam nas queimaduras de segundo grau e devem ser manuseadas apenas por um profissional especializado. Ou seja, não devem ser rompidas, estouradas ou mesmo esvaziadas com uma agulha.
  • Ao retirar esse curativo natural em casa, o ferimento estará exposto a instrumentos possivelmente contaminados e pode infeccionar.Se houver necessidade de cobrir o ferimento a caminho do serviço de Saúde, o indicado é envolvê-lo num pedaço de pano limpo.
  • Tecidos ou materiais que grudam no ferimento, como o algodão, devem ser evitados.
  • O paciente queimado não deve retirar a roupa que estiver usando, ainda que houver sido atingida pelo fogo. O ideal é molhar a vestimenta e permanecer assim até a chegada ao pronto-socorro, para evitar que as bolhas estourem e que a pele seja arrancada.
  • Outro cuidado é retirar acessórios, como pulseiras e anéis, pois o corpo incha naturalmente após uma queimadura e esses objetos podem ficar presos.

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31 - dez

Polipose intestinal – Polipose Adenomatosa Familiar

Categoria(s): Câncer - Oncogeriatria, Dicionário, Gastroenterologia

Polipose intestinal – Pólipo colônico: Polipose Adenomatosa Familiar

Polipose é um doença do cólon caracterizada por pequenas “verrugas” na parede intestinal. Muitas pessoas com polipose gastrointestinal têm história familiar, ou sangramento intestinal, diarréia ou dor abdominal. A maioria das pessoas que desconhecem sua história familiar procura o tratamento na quarta década de vida. Embora esses pólipos sejam inicialmente lesões benignas e não sejam individualmente ameaçadores, o grande número deles garante que ao menos algum irá progredir para uma lesão cancerosa. A endoscopia permite identificar os pólipos múltiplos no cólon. A colonoscopia é essencial para avaliar o grau e a extensão dos pólipos e para descartar transformações malígnas.

Sintomatologia

Muitos pacientes evoluem de forma assintomática. Entretanto, em alguns  pode ocorrer:  sangue rutilante acompanhando as evacuações; períodos de diarréia e/ou constipação; dor em cólica na região gástrica;  sensação de distensão abdominal; perda de peso persistente e não explicada e astenia.

Polipose Adenomatosa Familiar  – FAP, do inglês familial adenomatous polyposis – é a síndrome de polipose mais comum e mais bem conhecida. Seu padrão de herança é autossômico dominante. O gene específico no cromossomo 5p21, sítio da mutação responsável por esta moléstia, é simbolizado por APC (adenomatous polyposis coli). Este de lesão é responsável por aproximadamente 0,5% de todos os cânceres colo-retais, porém esse percentual vem diminuindo na medida em que mais membros de famílias de risco buscam o diagnóstico precoce através da detecção de pólipos por meio colonoscopia e submetem-se ao tratamento profilático (colectomia*) com sucesso.

Herança genética – O padrão genético é herançaa autossômico dominante, o que significa que os indivíduos afetados são geneticamente heterozigotos e que os descendentes de um paciente afetado têm 50% de chance de serem também portadores da mutação, assim como cada progenitor tem 50% de possibilidade de transmitir o alelo mutado.

Síndromes de poliposes – Algumas doenças raras, de origem genética, que se manifestam com dezenas de pólipos no trato digestivo, ainda na juventude, associados a outros sintomas em diversas partes do corpo. Entre essas síndromes podemos citar:
– Lynch [on line]
– Gardner [on line]
– Turcot [on line]
– Cronkhite-Canada [on line]
– Peutz-Jeghers [on line]
– Cowden [on line]

 

Uma vez encontrado um pólipo adenomatoso grande (maior que 1 cm), mesmo após sua excerese, esse paciente deve ser incluido no grupo de alto risco de desenvolvimento de câncer e deve ter controle colonoscópico cada 3 anos. Pesquisa de sangue oculto nas fezes e sigmoidoscopia flexivel está indicada para os casos de risco médio para desenvolvimento de câncer do cólon.

A nova colonoscopia deve ser realizada dentro de um ano, após a primeira, nas seguintes situações: ressecção incompleta do pólipo, múltiplos pólipos, pólipo com histologia exibindo células atípicas, pólipos malígnos e qualidade inadequada do exame.

 

* Colectomia – retirada cirúrgica de parte do colon nos casos onde existem múltipos pólipos no paciente de grupo de risco.

Referências:

Khullar SK, DiSario JA – Colon cancer screening. Sigmoidoscopy or colonoscopy? Gastroentest Endosc Clin North Am. 1997;7:365-386.

Winawer SJ, Fletcher RH et al – Colorectal cancer screening: clinical guidelines and rationale. Gastroenterology. 1997;112:594-642.

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30 - dez

Polipose Intestinal – Pólipos Gástricos

Categoria(s): Câncer - Oncogeriatria, Gastroenterologia

Polipose intestinal – Pólipos Gástricos

Pólipos gástricos podem ser neoplásico ou não neoplásico.  Mais de 90%, não são neoplásicos. Podem ser múltiplos ou solitários ou relacionados a síndromes de polipose Familiar (FAP (Familial Adenomatous Polyposis).

Os pólipos gástricos podem ser tanto de glândulas fúndicas quanto adenomatosos.

1. Pólipos gástricos de glândulas fúndicas – Os pólipos gástricos de glândulas fúndicas são hamartomatosos* e ocorrem em aproximadamente metade dos pacientes com FAP (Familial Adenomatous Polyposis), sendo localizados no fundo e corpo do estômago. Embora esses pólipos sejam considerados como tendo baixo potencial de malignidade, mas já foram descritos casos com alto grau de displasia (alterações morfológicas das células com características pré-malignas).

2. Pólipos adenomatosos – Os pólipos adenomatosos, tambêm chamados de adenomas tubulares são projeções polipóides de epitélio glandular neoplásico.  A sua frequência é de 7% a 10% de pólipos do estômago. Eles são predominantemente no antro. O tamanho variável. Quando são maiores do que 2 cm exibem necrose e ulceração estão associados com carcinoma gástrico de 2,5% a mais de 50%.

Pode ser de até 3 tipos.

1: células de Paneth do intestino ou caliciformes. São maiores, mais frequentes em antro. Eles estão associados com gastrite crônica atrófica ou gastrite auto-imune ou ambiental também. É freqüentemente associada com alto grau de displasia e adenocarcinoma.

2: gástrica. Tem células foveolar com mucinas neutras. A maior parte deste tipo de pólipo está associada com FAP. Eles são geralmente múltiplos. A maioria são pequenas, com menos de 1 cm até 84%. São comuns no corpo do estômago. Mostrar só displasia de baixo grau. A mucosa adjacente quase nenhuma mudança significativa tem pouca inflamação.

3: Um terceiro tipo chamado adenoma determinado. Poucos são associados com alto grau de displasia e adenocarcinoma.

 

 

* Os pólipos hamartomatosos, normalmente, são formados de uma mistura de tecidos, crescem à taxa normal do tecido e raramente causam problemas.

Referências:

Marshack RH, Feldman F. Gastric polyps. Am J Dig Dis. 1995-10:909-935.

Stolte M. Clinical consequences of the endoscopic diagnosis of gastric polyps. Endoscopy 1995;24:32-7.

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29 - dez

Polipose Intestinal – Síndrome de Lynch: Câncer colorretal

Categoria(s): Gastroenterologia, História da medicina

Polipose intestinal – Síndrome de Lynch: Câncer colorretal

A síndrome de Lynch também pode ser conhecida com o nome de câncer colorretal hereditário não polipóide (HNPCC), representa 10% dos casos conhecidos de câncer de intestino grosso. Se já é difícil lidar com uma doença como o câncer, saber que essa anomalia pode ser passada através do genes é realmente frustrante.

A suscetibilidade ao câncer causada por mutações em um gene incompatibilidade de reparo (MMR), Os portadores da mutação têm um risco significativamente aumentado de câncer de endométrio, câncer colorretal, o câncer de ovário, o câncer renal, o câncer de pâncreas, o câncer gástrico, o câncer de bexiga, e câncer de mama.

Henry T. Lynch – Dr. Lynch publicou de mais de 650 artigos de revistas e mais de uma dúzia de livros relacionados com o diagnóstico, a prevenção, aconselhamento e tratamento de doenças hereditárias, principalmente câncer. No curso de seu trabalho, o Dr. Lynch desenvolveu o que são hoje considerados como os princípios fundamentais da genética do câncer: idade precoce de início da doença, padrão específico de múltiplos cânceres primários, e os padrões mendelianos de herança em centenas de famílias extensas em todo o mundo.Ele faz parte do conselho editorial do Anticancer Research-International Journal of Cancer Research and Treatment, advisory boards of Critical Reviews in Oncogenesis and the Journal of Tumor Marker Oncology.

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