13
Jan

 Hospitais Geriátricos - Novos conceitos

Categoria(s): Gerontotecnologia, Programa de saúde

  Editorial

Como mostrou a pesquisa realizada na cidade de São Paulo, os idosos utilizam os serviços hospitalares de maneira mais intensiva que os demais grupos etários, seja pela maior duração média de suas internações, seja pela maior freqüência de reinternações a que estão sujeitos.

Enquanto 4,2% dos adultos (15 a 59 anos) foi hospitalizada uma vez durante o ano, em 1981, a proporção quase quadruplicou dentre os maiores de 70 anos. Ainda naquele ano, enquanto 5,8% dos adultos foram reinternados três vezes ou mais, a proporção quase triplicava entre os idosos. Se entre adultos as internações com duração igual ou superior a uma semana representaram menos de um quarto do total, dentre idosos elas representaram mais da metade. O número de leitos oferecidos à população no Brasil, no entanto, foi reduzido de 4,3 para 3,2/1.000 habitantes entre 1980 e 1996.

Estes aspectos mostram que devemos nos preocuparmos em criar uma estrutura hospitalar própria para atendimento aos idosos, desde a recepção (ambulatórios, unidades de pronto atendimento e pronto socorro) diferenciada, assim como unidades de terapias específicas e enfermarias especializadas. As equipes que prestarão o atendimentos deve ser multidisciplinar e integrada. As equipes atuais, geralmente constam apenas enfermeiras, nutricionistas e médicos. Eventualmente, quando solicitados, terapêutas laborais, fisioterapêutas, psicólogos, assistentes sociais e dentistas.

Nos hospitais atuais a iatrogenia adquire, sem dúvida, maior importância nos indivíduos idosos e diversos fatores podem ser considerados como responsáveis, em maior ou menor grau, por essa maior sensibilidade do idoso. Assim, as modificações determinadas pelo envelhecimento, a pluripatologia, a maior freqüência de procedimentos diagnósticos, a utilização freqüente de medicamentos inclusive associados, as alterações na farmacocinética e farmacodinâmica das drogas, o emprego cada vez maior de métodos terapêuticos mais agressivos e sofisticados, são as principais razões do aumento da incidência de iatrogenia no paciente idoso.

Segundo estudo de Carvalho-Filho e colaboradores uma ou mais complicações iatrogênicas ocorreram em 43,7% pacientes; 17,9% relacionadas aos procedimentos diagnósticos; 58,9% relacionadas às medidas terapêuticas, sendo 32,1% referentes à terapêutica farmacológica e 26,8% a outros procedimentos terapêuticos; 23,2% das manifestações iatrogênicas não se relacionaram diretamente às afecções que originou a internação como: úlceras de decúbito, quedas e fraturas.

Os hospitais constituem um dos melhores, se não o melhor local, para “estudar” e assistir o idoso como um todo, fazendo-se um planejamento de atenção médica que sendo seguido evitará reinternações as internações prolongadas e as iatrogenias. Por tanto, os hospitais devem modificar não só a sua planta física, como também a equipe de atendimento, para atender esta nova realidade.

Referência:

CARVALHO-FILHO, Eurico T., SAPORETTI, Luís, SOUZA, Maria Alice R. et al. Iatrogenia em pacientes idosos hospitalizados. Revista Saúde Pública, fev. 1998, vol.32, no.1, p.36-42

Veja Também:
Infecção hospitalar nos idosos
Insuficiência cardíaca
Bactérias Gram-positivas e Gram-negativas

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13
Jan

 Doença de Paget

Categoria(s): Dicionário

Dicionário 

A doença de Paget (osteodistrofia deformante de Paget) se caracteriza por um turnover ósseo descontrolado, aparecendo em áreas isoladas do esqueleto. A causa postulada é a de um vírus lento.

Primariamente, a atividade osteoclástica aumenta, levando a uma atividade compensatória secundária pelos osteoblastos. O resultado é a formação de osso que é maior em volume, irregular em estrutura e mecanicamente inferior, isto é, tem maior tendência para as deformidades e fraturas.

A doença de Paget afeta somente ossos que suportam peso e o crânio.

Sua freqüência é maior em pessoas com mais de 40 anos.

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Veja Também:
Estudo de caso - Fosfatase alcalina elevada
Doença óssea de Paget
Doença de Whipple

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12
Jan

 Depressão: Diagnóstico difícil?

Categoria(s): DNT, Psicogeriatria, Sociologia

Depressão

  Opinião

A depressão tem um significativo impacto na saúde pública. Há estimativas sugerindo que 121 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem seus efeitos. Em 2002, encontrava-se em segundo lugar entre as causas mais importantes de incapacitação em todo o mundo, acarretando uma qualidade de vida ruim, alta mortalidade e morbidade, além de altos gastos.
Estudo epidemiológico de área de captação (Epidemiologic Catchment Area - ECA), ou seja, tipo visita a domicílios, ou de determina instituição de atenção geral, mostra que no Brasil, a prevalência ao longo da vida é de 16,8% para episódios depressivos.

Apesar disso, somente metade dos pacientes deprimidos procura médicos, e apenas metade deles é diagnosticada corretamente. Destes, metade recebem tratamento, e um pouco mais de 10% completa a terapêutica. Isto mostra que a grande maioria dos deprimidos, continuarão deprimidos apesar de procurar a ajuda médica.

Os transtornos depressivos ocorrem sobre tudo nas mulheres, numa proporção de 3 mulheres para 1 homem. Elas apresentam mais tentativas de suicídio (três a quatro vezes) e são mais hospitalizadas. Já os homens cometem o suicídio com maior freqüência, e isso ocorre no início do episódio depressivo. Dai a importância de se diagnósticar precocemente os quadros depressivos, que se apresentam mascarados (depressão mascarada) com doenças psicossomáticas.

A depressão como sintoma apresenta-se com redução da energia (desânimo, cansaço f[acil), incapacidade de sentir prazer e/ou alegria (anedonia), apatia, lentificação ou agitação motora, dificuldade de concetração, raciocínio e memória, pensamento de cunho negativo, perda da capacidade de planejar o futuro e alteração na capacidade de julgar a realidade.

A depressão pode surgir em algumas condições médicas, em resposta a situações estressantes ou a circunstâncas sociais psicológicas ou econômicas adversas. Vários outros sintomas se associam a depressão, tais como: ataques de pânico, agorafobia (medo de espaço amplos ou isolamento), sintomas hipocondríacos, dores musculares, cefaléias, dores epigástricas, falta de apetite, insônia, preocupação excessiva com a saúde, vida profissional, familiares, econômia.

O diagnóstico é bem feito quando escutamos o que o paciente e seu familiar têm a dizer. Dosagens laboratorial de neurotransmissores como a serotonina pode ajudar, mas somente a vivência clínica é fundamental para o diagnóstico.

Referência:

Andrade L, Walters EE, Gentil V, Laurenti R. Prevalence of ICD- 10 mental disorders in a catchment area in the city of São Paulo, Brasil. Soc Psychiatry Epidemiol 2000;v.37:316-325.

Veja Também:
Poemas da Silvia Trevisani - Senhor! Como é difícil ser gente
Estudo de caso - Insuficiência renal
Depressão nos Idosos

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12
Jan

 Capacidade funcional

Categoria(s): Conceitos, Dicionário

Conceito

A capacidade funcional do idoso é definida pela ausência de dificuldades no desempenho de certos gestos e de certas atividades da vida cotidiana.

Os conceitos fazem parte de um sistema de Classificação Internacional de Comprometimento, Incapacidades e Desvantagens (ICIDH) da World Hearth Organization (WHO).

O comprometimento é o aspecto orgânico, é a perda ou alteração da estrutura ou funções sejam elas psicológicas ou fisiológicas. A incapacidade é a falta ou limitação de uma habilidade, que resulta de um comprometimento, para realizar uma atividade rotineira. A desvantagem seria um prejuízo social resultante do comprometimento e da incapacidade.

No ano 2000, a WHO divulgou uma nova versão para estes conceitos, a ICIDH-2 que incopora um modelo biopsicossocial para abordar as questões dos comprometimentos da saúde.

A partir da ICIDH-2 foi elaborada a atual Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) que nada mais é do que uma referência padrão internacional que deve ser adotada para as condições de funcionalidade humana.

Veja Também:
Capacidade funcional - Atividades de vida diária (AVDs)
Atividade de Vida Diária
Conseqüências da desnutrição no idoso

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11
Jan

 Osteoporose e o paratormônio

Categoria(s): Biogeriatria, DNT, Ginecogeriatria, Reumatogeriatria

Editorial

Aproximadamente 90% da massa óssea máxima se consegue durante a fase de crescimento, ou seja, entre os 20 e 25 anos de idade. Durante 10 a 15 anos ocorre um período de consolidação e a massa óssea se mantém estável. A partir dos 35-40 anos começa uma fase de involução, com progressiva perda da massa óssea. Inicialmente, esta perda se dá entre 0,3% e 0,5% ao ano, tanto nos homens como nas mulheres, mas nestas últimas após a menopausa a perda anual passa para 2% a 3%.

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Muito se tem estudado no sentido de reverter este quadro e, neste propósito, destaca-se o papel do paratormônio e a calcitonina.

O paratormônio (PTH) é um polipeptídeo (hormônio) produzido pelas células principais da paratireóide (4 glândulas que se localizam na parte posterior da tireoide). Sua secreção é regulada pelo nível plasmático de cálcio (calcemia) caindo a zero quando este excede 12 mg/100 ml e aumentando quando o cálcio plasmático cai.

A ação deste hormônio se faz via adenilciclase e AMP cíclico e se expressa por alterações da permeabilidade da membrana das células e organelas.

Sua ação ocorre em três locais: Nos ossos - através da ativação dos osteoclastos (células “destruidoras” de ossos); No intestino - aumentando, de forma indireta, a absorção de cálcio; No rim - aumentando a absorção do cálcio no túbulo distal e diminuindo a reabsorção de fosfato no túbulo proximal. Em condições de hipercalcemia pode promover calciúria.

A calcitonina age como um antagonista fisiológico do PTH, impedindo que o cálcio se eleve acima dos níveis fisiológicos. Atua principalmente no osso, causando uma diminuição da reabsorção óssea através da inibição da atividade osteoclática (osteoclastos - células que reabsorvem tecido ósseo antigo). A secreção da calcitonina, produzida pela células (C) principais da tireóide (também pode ser produzida pelas células do pulmão e cérebro), é estimulada pelos níveis plasmáticos de cálcio, quando estes são elevados, a produção de calcitonina aumenta. Os níveis de calcitonina caem com a idade, e de forma acelerada nas mulheres após a menopausa. A produção de calcitonina é estimulada pelos estrogênios, o que pode explicar este fato.

Tem sido feitos estudos clínicos com resultados promissores, utilizando tanto o paratormônio, como a calcitonina, como coadjuvante o uso de cálcio, vitamina D, oligoelementos (zinco, boro, magnésio, cobre, manganês) e exercícios físicos, no tratamento da osteoporose.

Referência:

Celestino CA, Aversari FRV - Marcadores Bioquímicos do metabolísmo ósseo. In: Pinotti JA, Fonseca AM, Bagnoli VR - Tratado de Ginecologia Universidade de São Paulo. Cap 53.

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Veja Também:
Osteoporose
Paratormônio - PTH
Fraturas nas mulheres na pós-menopausa

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