28
Jan

 Violência e abuso contra o idoso

Categoria(s): Gerontologia, Sociologia

 EditorialÂ

A Rede Internacional para a Prevenção do Abuso ao idoso (Action on Elder Abuse-AEA) define abuso como “um ato único ou repetido, ou a falta de uma ação apropriada, que ocorre no âmbito de qualquer relacionamento onde haja uma expectativa de confiança, que cause mal ou aflição a uma pessoa mais velha”.

Os maus tratos aos idosos ocorrem em famílias de todos os níveis sociais. Sua escalada aumenta quando estas famílias enfretam problemas econômicos e desorganização social. Uma forma bastante comum de violência (especialmente contra mulheres) é o abuso com os seguintes fatores sociais: negligência (exclusão social e abandono); violação (dos direitos humanos, legais e médicos) e privação (de escolhas, decisões, financeira e respeito).

O idoso necessita, mais que qualquer outro cidadão, o apoio social adequado, pois sem este ocorre o rompimento de laços pessoais, solidão e interações conflituosas com maior fonte de estresse e depressão. O isolamento social e a solidão na velhice são fontes e conseqüência dos abusos e maus tratos, estando ligados a um declínio da saúde física e mental.

Idosos frágeis ou que vivam sozinhos são particularmente vulneráveis a crimes como furto ou agressão. Este tipo de crime, geralmente, são realizados por pessoas da família ou conhecidos da vítima, e a denuncia nem sempre ocorre, pelo medo que a vítima tem de sofre represálias por parte do agressor.

Estudo de mestrado realizado pela Gaioli, CCLO em 2002, utilizando-se de Boletim de Ocorrência nas Delegacias de Polícia na Cidade de Ribeirão Preto (São Paulo - Brasil) mostrou que os maus-tratos no domicílio ocorreram com maior freqüência entre idosos do sexo masculino (58,6%), com idade média de 75 anos. Da amostra analisada, (45,2%) eram casados e foram agredidos por familiares como filhos, netos, genros e noras (47,1%). A maioria (57,4%) dos idosos não recorreu ao atendimento médico e serviços de saúde.

As instituições públicas e privadas que combatem este tipo de crime têm dificuldades em levar adiante os processos, expondo o idosos a novas agressões e abusos. Em todas as culturas, normalmente, os abusos são pouco denunciado. Combater e reduzir os maus tratos ao idoso requer uma abordagem multi e interdissiplinar, envolvendo não somente os médicos, mas toda a sociedade.

Referência:

Gaiolli, CCLO - Ocorrência de maus tratos em idoso no domicílio (Teste de Mestrado - USP) [on line]

Veja Também:
Envelhecimento Ativo
Violência contra idosos - Morte por causas externas
Negligências contra os idosos

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27
Jan

 Plaquetose

Categoria(s): Dicionário

Dicionário 

Plaquetose é um aumento das plaquetas (células sangüíneas responsável pela coagulação) que podem estar presente nas doenças mieloproliferas (Policitemia Vera, LMC, mielofibrose com metaplasia mielóide), doenças inflamatórias (febre reumática, artrite reumatóide, colite ulcerativa, etc.) e doenças malignas (carcinomas, doenças de Hodgkin e outros linfomas).

Ver mais

Veja Também:
Estudo de caso - Policitemia vera
Estudo de caso - Trombocitemia essencial

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27
Jan

 Saúde bucal dos idosos

Categoria(s): Conceitos, Demografia, Gerontologia, Odontogeriatria, Programa de saúde

� � Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti

O estado de saúde de uma população é medido pelos elementos dentários como o número de cáries e a presença das doenças periodontais. Segundo dados da pesquisa mundial de Saúde Bucal no Brasil, divulgada pela Fio Cruz, o País concentra 15,5 milhões de brasileiros totalmente sem dentes. Entre as mulheres acima de 50 anos, este índice chega a ser mais assustador, 56%. Um diagnóstico publicado no ano passado pelo Ministério da Saúde revelou que quase 80% da população apresenta doenças gengivais. O problema se agrava na população mais idosa, onde cerca de três em cada quatro pessoas acima de 65 anos já nem possuem mais os dentes.

Embora grande parte desse quadro seja originário da situação financeira que inviabiliza a visita e tratamento com dentista, outra importante parcela de responsabilidade está na falta de conhecimento de informação da população, que desconhece cuidados mínimos para manter a boa higienização da boca e assim evitar o desenvolvimento de doenças.

O problema da saúde bucal dos idosos passa pelos profissionais que os assistem. Muitas vezes preocupados com a saúde de uma forma geral esquece de fazer uma boa verificação do estado de saúde dos dentes e da boca. Fato este corroborado pelo paciente, que negligencia a higiene oral adequada e nem comenta de problemas bucais para o médico, julga que isto é caso para os dentistas.

A cavidade bucal é composta pelos dentes, esmalte, cemento, dentina, polpa e ligamento periodontal, glândulas salivares, língua, gengiva, nas quais ocorrem modificações naturais com a idade e modificações patológicas por bactérias, fungos, por doenças sistêmicas e por uso de medicamentos (iatrogenia).

A queixa mais freqüente é proveniente da friabilidade da mucosa oral, onde há um grande número de úlceras traumáticas, que se desenvolvem sob prótese dentárias (dentaduras) novas e antigas, levando ao idoso a retira-la. Nesta mucosa há uma desidratação progressiva, as células perdem a nutrição e a vitalidade, as propriedades elásticas do tecido conectivo ficam reduzidas. Portanto, com um maior risco de inflamações e úlceras.

Com a idade observamos que os dentes começam a sofrer desidratacão e dismineralizacão do esmalte que é um fator de risco de fraturas. Em relação a dentina ocorrem calcificações que levam a um processo de diminuição da sensibilidade e elevação do limiar de dor no idoso. O ligamento periodontal torna-se frouxo em idosos desdentados. A cárie nas crianças e nos adolescentes acometem a coroa e a superfície lisa, já no idoso a cárie é de raiz, com progressão rápida devido ao fluxo de saliva diminuída.

A osteoporose que ocorre no organismo também afeta o tecido ósseo de suporte dos dentes, a mandíbula e o maxilar. As alterações degenerativas em relação a articulação temporo mandibular (ATM) levam a mudanças e com isso a dor e a limitação de movimentos.

A língua dos indivíduos desdentados apresentam-se hipertrofiadas, resultado de transferência de algumas funções fonéticas e mastigatórias para ela. Outra manifestação comum é a despapilacão (perda das papilas gustativas) e a formação de fissuras (rachaduras).

Nas glândulas salivares ocorrem alterações regressivas, especialmente a atrofia das células levando a uma redução no fluxo salivar do idoso, na redução da qualidade da saliva (diminuição da ptialina e aumento da mucina). Essa mudança contribui para o crescimento de bactérias cariogênicas, predispondo a doença periodotal.

Outra causa importante de doenças na cavidade bucal é a farmacologia e suas repercussões direta e indiretamente levando : ulcerações, aumento do risco de cáries, xerostomia (ressecamento), sialorréia (aumento do fluxo salivar), hiperplasia gengival, candidíase, sensibilidade dolorosa, mucosite, glossite, problemas nas glândulas salivares, petéquias, sangramento gengival, lesões na cavidade bucal, lesões liquenóides (lesão branca), eritema multiforme, lupus eritematoso, Discinesia Tardia (movimento repetitivo da boca, lábios e língua), mudanças no paladar, angioedema (reação adversa a alimentos e medicamentos), pigmentação e neurite facial.

O tratamento, manejo e prevenção das doenças bucais em idosos é de extrema importância, onde a melhora da condição bucal leva ao bem estar e a saúde geral. As doenças bucais por ser extremamente dolorosas, podem afetar a mastigação, a alimentação, a comunicação e a interação social, gerando um impacto negativo na qualidade de vida.

Referência:

Livro de Geriatria e Gerontologia UNIFESP-autor Luiz R.Ramo,João T. Neto, cap.25, Saúde Oral.

Google-Medcenter.com-Odontologia

Veja Também:
Câncer bucal no idosos - prevenção
Mutilação dentária nos idosos
Cárie dentária nos idosos

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26
Jan

 Os exemplos da cidade de Framingham - EUA

Categoria(s): DNT, Demografia, Gerontologia, Programa de saúde

  Editorial

O surpreendente no cenário das doenças não transmissíveis (DNT) é o quanto conseguimos avançar no entendimento dos mecanísmos fisiopatológico, diagnóstico, prognóstico e terapêutico, com alicerce sólido nos fundamentos da medicina baseada em evidência. A preocupação atual é o quanto estamos realmente traduzindo esta informação para melhorar a saúde da população.

Há mais de 5 décadas, uma cidade dos Estados Unidos, Framingham em Massachusetts, foi selecionada pelo governo americano para ser o local de um estudo cardiovascular. Foram inicialmente recrutados 5.209 residentes saudáveis entre 30-60 anos de idade para uma avaliação clínica e laboratorial extensiva. Desde então a cada 2-4 anos, esta população e, atualmente as gerações descendentes, é reavaliada cuidadosamente e acompanhado em relação ao desenvolvimento de doença cardíaca. O consagrado estudo de Framingham foi uma das primeiras coortes onde foi demonstrando a importância de alguns fatores de risco para o desenvolvimento de doença cardíaca e cerebrovascular.

Framinghan
Parece inconcebível, mas antes do Framingham, a maioria dos médicos acreditava que aterosclerose era um processo de envelhecimento inevitável, a hipertensão arterial um resultante fisiológico deste processo que auxiliava o coração a bombear o sangue pelas artérias com lúmen reduzido. Foram mais de 1.000 publicações somente nesta coorte de paciente e milhares de outras que nos levaram, ao longo das últimas décadas, para um entendimento detalhado e aprofundado das características individuais e ambientais relacionadas com maior probabilidade de doença cardíaca.

Estudos estes que confirmaram a importância do tabagismo, níveis elevados de colesterol LDL, baixos de HDL, diabete melito, hipertensão arterial sistêmica, história familiar, obesidade, sedentarismo, obesidade central, síndrome plurimetabólica e ingesta de álcool como fatores fortemente relacionados com aterosclerose e suas manifestações clínicas.

Estudos epidemiológico-clínicos atuais estão a procura de alterações genéticas responsáveis por hipertensão arterial e dislipidemias, entre outras condições das DNT. Novos marcadores neuro-humorais e inflamatórios têm sido descritos e parecem também estar fortemente relacionados com variáveis comportamentais, como estilo de vida e características sócio-demográficas. Estas informações têm sido utilizadas para estabelecer escores de predição clínica para identificar individualmente pessoas com maior risco para eventos. Enfim, são inúmeras as frentes de pesquisas internacionais sobre risco das DNT. O fomento a pesquisa clínico-epidemiológico no Brasil deve entender este cenário, para que dados obtidos na nossa população façam parte das descobertas.

Várias iniciativas do Ministério da Saúde têm sido adotadas para reduzir o impacto das doenças não-transmissíveis na população brasileira. Desde o rastreamento de diabete melito em nível nacional, implementação de campanhas sobre hipertensão arterial sistêmica, aplicação de protocolos para manejo agressivo da dislipidemia em coronariopatas, entre outros. Precisamos agora trazer estas iniciativas de modo permanente e continuado, e não somente para alguns por algum tempo. Devemos ser críticos e reconhecer que o que vem sendo feito não é suficiente para eliminarmos a fração de doença potencialmente previníveis. Se medidas de prevenção primária e secundária forem adotadas de modo mais enérgico, tudo indica que a epidemiologia das DNT pode ser modificada drasticamente nos próximos 50 anos, depende de nós da área da saúde.
Referências:

Framingham

Polanczyk CA - Fatores de risco cardiovascular no Brasil: os próximos 50 anos! Arq. Bras. Cardiol. vol.84 no.3 São Paulo Mar. 2005

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Desaferentação
Alimentos funcionais
Poemas da Eneida - Desilusão

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26
Jan

 Osteoprotegerina - OPG

Categoria(s): Dicionário

Dicionário

A osteoprotegerina (OPG) é uma proteína homologa aos membros da superfamília de receptores TNF (fator de necrose tumoral), que atua como um inibidor solúvel na maturação e ativação dos osteoclastos tanto “in vivo” como “in vitro”.

Esta proteína também é denominada de fator inibidor da osteoclastogênese (OCIF - osteoclstogenesis inibitory factor).

As prostaglandinas E2 (PGE2) e os glicorticoides inibem a expressão da OPG,e a vitamina D3, os íons Ca2+ e o TGFb ativam.

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