16
Fev

 Imobilidade, um sério problema para o idoso

Categoria(s): Gerontologia

 Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti

Do ponto vista médico, a imobilidade é definida como a perda da capacidade de realizar movimentos autônomos empregados no desempenho atividades de vida diária (AVDs)* em decorrência da diminuição das funções motoras. Este fato, compromete a independência do indivíduo e por fim leva ao estado de incapacidade ou fragilidade.

Muitos fatores físicos, psicológicos e ambientais podem causar imobilidade em pessoas idosas, como: artrites, osteoporose, fraturas, doença de paget, doença de Parkinson, neuropatias periféricas, seqüelas de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca grave, doença coronariana instável (anginas), claudicação (doença vascular periférica), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), dor crônica, desnutrição grave, etc.

Um fator quase sempre esquecido é o efeito colateral de medicamentos. os sedativos e os hipnóticos, ao causarem sonolência e ataxia, podem prejudicar a mobilidade. os fármacolos antipsicóticos, especialmente os agentes d tipo fenotiazina, têm efeitos extrapiramidais e podem causar rigidez muscular e redução da mobilidade.

atrofia

Se este comportamento já é grave no ambiente domiciliar, que dizer quando o idoso está hospitalizado, apresentando uma menor reserva psicológica e uma menor capacidade de adaptação a ambientes não familiares, características que podem agravar a diminuição da capacidade funcional. A mobilidade reduzida, ou seja, que leva ao leito, é uma manifestação comum da depressão.

Um paciente é considerado portador da síndrome da Imobilidade quando apresenta as características do critério maior, ou seja, déficit cognitivo médio a grave, além de múltiplas contraturas. E também apresentar pelo menos duas características do critério menor: sinais de sofrimento cutâneo ou úlcera de pressão, dificuldades na deglutição (disfagia) leve ou grave, incontinência urinária e fecal, e alterações na fala.

O sistema músculo-esquelético mostra as manifestações mais evidentes da imobilização coma fraqueza e a atrofia por desuso. Com a imobilização ocorre 1 a 2% perda da força muscular por dia, podendo atingir 40% nos longos períodos. Os grupos musculares que se atrofiam mais rapidamente são: quadríceps, flexores plantares e extensores da coluna. Observam-se também alterações bioquímicas, ocasionando o aumento de ácido lático nos músculos. A formação de contratura é uma das conseqüências mais comum na imobilização.

A imobilidade, provoca, além da perda hídrica, alterações no vigor e elasticidade da pele, facilitando as lesões dermatológicas, exemplo a dermatite amoniacal pelo uso de fralda geriátrica e a úlcera de decúbito.No sistema gastrointestinal pode levar a falta de apetite e a constipação.

Do ponto de vista psicológico a imobilidade prolongada pode provocar ansiedade, depressão, insônia, agitação, irritabilidade, desorientação no tempo e no espaço, diminuição da concentração e diminuição da tolerância à dor.

No sistema respiratório, o volume de ar corrente, volume-minuto,capacidade respiratória máxima, capacidade vital e a capacidade de reserva funcional sofrem uma redução de 25 a 50%. As secreções da mucosa tendem a acumular e a tosse pode ser ineficaz por causa da piora da mobilidade ciliar e da fraqueza dos músculos abdominais. Justificando uma das mais temidas complicações, a broncopneumonia, que acomete 15% dos idosos acamados nos hospitais.

Miller (1975) descreve os efeitos da imobilidade prolongada em pacientes idosos hospitalizados correlacionando a diminuição da atividade física com a perda metabólica. Oliveira (1983). Relata que durante a imobilidade há catabolismo com balanço negativo de nitrogênio, cálcio, fósforo, enxofre ,sódio e potássio.

Para tratar e prevenir o quadro causado pela imobilidade, necessitamos de uma abordagem multidisciplinar e da participação ativa dos familiares, durante a internação e principalmente após a alta hospitalar, procurando manter a qualidade de vida do idoso.

*As atividades de vida diária (AVDs) compreendem aquelas atividades que se referem ao cuidado com o corpo das pessoas (vestir-se, fazer higiene, alimentar-se)

Referências:

Siqueira AB, Cordeiro RC – Imobilidade In:Ramos LR;Toniolo Neto J- Guia de Medicina Ambulatorial e Hospitalar UNIFESP-Escola Paulista de Medicina–Geriatria e Gerontologia, Editora Manole 2005. Cap 21, pg 271.

Miller M. Iatrogenic and nurisgenic effects of prolonged immobilization of the aged. J Am Geriatric Soc 23(8), 1975.

Kane RL, Ouslander JG, Abrass IB – Geriatria Clinica Ed. McGrawHill 5a. edição 2005. Cap 10 Imobilidade p.227.

Veja Também:
Osteoporose
Surdez no idoso
Depressão nos Idosos

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16
Fev

 Afasia

Categoria(s): Dicionário

Dicionário

Afasia - comprometimento dos dispositivos do córtex cerebral relacionados à função da linguagem (sinônimo - disfasia)

Veja Também:
Limite de Hayflick
Envelhecimento - fenômeno de Hayflick
Teorias sobre o envelhecimento - Papel da telomerase

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15
Fev

 Catarata senil

Categoria(s): Gerontologia, Programa de saúde

catarata

Editorial

Catarata é a denominação dada a qualquer opacidade do cristalino*, que não necessariamente afete a visão. É a maior causa de cegueira tratável nos países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde, há 45 milhões de cegos no mundo, dos quais 40% são devidos à catarata.As causas não estão bem definidas, porém estudos epidemiológicos revelam associação de catarata à idade. Assim, estima-se que 10% da população norte-americana têm catarata e que esta prevalência aumenta em 50% no grupo etário de 65 a 74 anos, enquanto em pessoas acima de 75 anos a incidência aumenta para 75%.

Como toda a luz que entra no olho deve passar pelo cristalino, qualquer parte do mesmo que bloqueie, distorça ou difunda a luz pode alterar a visão. O grau de deterioração da visão depende da localização da catarata e de quão densa (madura) ela está. Frente à luz intensa, a pupila contrai, estreitando o cone de luz que entra no olho, de modo que a luz não consegue passar facilmente através da catarata. Por essa razão, as luzes intensas são especialmente incômodas para muitos indivíduos que apresentam catarata, os quais enxergam halos em torno de lâmpadas, clarões e difusão da luz.

O médico pode detectar uma catarata ao examinar o olho com o auxílio de um oftalmoscópio (um instrumento utilizado para examinar o interior do olho). Utilizando um instrumento denominado lâmpada de fenda, o médico pode determinar a localização exata da catarata e a extensão de sua opacidade.

Inúmeros fatores de risco podem provocar ou acelerar o aparecimento de catarata, incluindo medicamentos (esteróides), substâncias tóxicas (nicotina), doenças metabólicas (diabetes mellitus, galactosemia, hipocalcemia, hipertiroidismo, doenças renais), trauma, radiações (UV, Raio X, e outras), doença ocular (alta miopia, uveíte, pseudoexfoliação), cirurgia intra-ocular prévia (fístula antiglaucomatosa, vitrectomia posterior), infecção durante a gravidez (toxoplasmose, rubéola), fatores nutricionais (desnutrição).

O único tratamento curativo da catarata é o cirúrgico, onde o cristalino é removido e, normalmente, é inserido um cristalino de plástico ou de silicone. Este cristalino artificial é denominado implante de cristalino. Toda vez que a qualidade de vida do portador de catarata esteja comprometida, ou seja, que existam limitações nas atividades que realiza habitualmente, a cirurgia está indicada. A evolução da catarata geralmente é bilateral com certa assimetria, daí a importância da realização da cirurgia do segundo olho para recuperação integral da visão.

Entre as complicações pós-operatórias estão: edema macular cistóide, descolamento de retina, endoftalmite, elevação da pressão intra-ocular, lesão do endotélio corneano, opacificação da cápsula posterior. Esta opacificação capsular é considerada a mais freqüente das complicações pós-operatórias e a sua incidência depende da idade do paciente, da técnica cirúrgica empregada e do modelo e da tecnologia empregada na fabricação das lentes intra-oculares.

* veja o glossário da Sociedade Brasileira de Oftalmologia com as informações básica sobre o olho e suas patologias.

Referência:

Catarata Diagnóstico e tratamento - Diretriz da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina [on line]

Projeto catarata [on line]

Sociedade Brasileira de Oftalmologia [on line]

Veja Também:
Progeria
Distrofia miotônica
Envelhecimento dos olhos

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15
Fev

 Hemiplegia

Categoria(s): Dicionário

Dicionário

Hemiplegia - perda da total da capacidade de executar movimentos voluntários em metade do corpo.

Veja Também:
Estudo de caso - Acidente vascular isquêmico
Acidente vascular cerebral - Aspectos clínicos
Estudo de caso - Isquemia intestinal aguda

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14
Fev

 Periodontite nos idosos

Categoria(s): Infectologia, Odontogeriatria, Pneumogeriatria

Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti

A periodontite é a doença periodontal conhecida como piorréia é a segunda doença mais comum na boca, pode manifestar-se com inflamação ou não, com perda de tecido ósseo de sustentação e o elemento dental se esfolia. A periodontite é definida como inflamação que envolve a gengiva e a mucosa alveolar, ligamento periodontal, osso alveolar e o cemento. A progressão da gengivite para a periodontite depende da natureza da bactéria, geralmente gram negativa e da eficiência da defesa.

periodontite

Estudos já estão relacionando a periodontite com doenças sistêmicas, incluindo doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, diabetes mellitus, artrite e pneumonia aspirativa.

Estudo realizado por pesquisadores do Departamento de Cuidados Pulmonares e do Departamento de Periodontia das Faculdades de Medicina e de Odontologia da Universidade de Buffalo, em Nova York, revelou que uma higiene bucal ineficiente favorece a colonização de bactérias bucais que causam infecções respiratórias e doenças pulmonares.

O trabalho, publicado pela Chest (Cardiopulmonary and Critical Care Journal), envolveu 49 pessoas (27 mulheres e 22 homens)moradoras de asilos, que foram internadas em um hospital com alto risco por pneumonia. Estas pessoas tiveram a identificação das bactérias encontradas em suas bocas (via genotipia molecular), antes do desenvolvimento da Pneumonia, sendo que 28 apresentaram germes que sabidamente ocasionavam doença respiratória em suas mostras de placas dentárias. Após algum tempo 14 pessoas desenvolveram Pneumonia, sendo que 10 haviam desenvolvido a doença respiratória devido aos germes encontrados em suas placas bacterianas. Os testes dos germes dos pulmões mostraram que o DNA se ajustava com o DNA das placas dentárias em mais de 50% das pessoas que desenvolveram a Pneumonia.

A prevalência de inflamação gengival no Brasil e em todos os demais países, particularmente em adultos jovens, sugere que a maior parte da população pratica a higiene oral inadequada, especialmente em certas áreas da dentição.

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Veja Também:
Estudo de caso - Pneumonia por Pneumocystis carinii
Bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP)
Estudo de caso - Pneumonia em paciente de asilo

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