21
Mar

 Transição epidemiológica

Categoria(s): Conceitos

Conceito

O conceito de “transição epidemiológica” refere-se às modificações, a longo prazo, dos padrões de morbidade, invalidez e morte que caracterizam uma população específica e que, em geral, ocorrem em conjunto com outras transformações demográficas, sociais e econômicas.

Na população brasileira o processo engloba três mudanças básicas: 1) substituição, entre as primeiras causas de morte, das doenças transmissíveis (doenças infecciosas) por doenças não transmissíveis; 2) deslocamento da maior carga de morbi-mortalidade dos grupos mais jovens (mortalidade infantil) aos grupos mais idosos; e 3) transformação de uma situação em que predomina a mortalidade para outra em que a morbidade (doenças crônicas) é dominante.

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Referência:

IBGE. Informações estatísticas e geocientíficas. ” http://www.ibge.gov.br/pnad “

Veja Também:
Transição epidemiológica da população brasileira
Transição demográfica

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20
Mar

 Climatério - Falência ovariana

Categoria(s): Biogeriatria, Endocrinogeriatria, Ginecogeriatria

 Recordando

No período do climatério feminino, usualmente começam a surgir alterações no ciclo menstrual, como hipermenorréia, ou oligomenorréia e amenorréia. Nessa fase, as ovulações tornam-se menos freqüentes e, em decorrência das alterações funcionais do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, poderão ocorrer cistos foliculares. Ao aproximar-se da menopausa, os ovários vão reduzindo de volume, não respondendo à estimulação das gonodotrofinas e apresentando redução progressiva na síntese estrogênica, associada à elevação dos pulsos e níveis de hormônio folículo estimulantes (FSH) e Luteinizante (LH) produzidos pela hipófise.

Fisiopatogênese da falência ovariana


ovario
O folículo ovariano é a unidade funcional dos ovários. São agrupados no decorrer da embriogênese na região cortical dos ovários entre 6 a 8 milhões, e contém em seu interior o ovócito em divisão meiótica. Além do ovócito, estão presentes grupos celulares diferenciados, chamados de células da teca e da granulosa, e são responsáveis pela esteroidogênese, que se inicia nas células da teca, pela ação do hormônio luteinizante que converte o colesterol em androgênios (androstenediona e testosterona), que por sua vez, se difundem nas células da granulosa onde, por ação do hormônio folículo estimulante, se convertem em estrogênios. (principalmente estradiol - E2). Os androgênios que atingem a circulação são convertidos perifericamente em estrona (E1) .

O número de folículos envolvidos neste processo vai diminuindo a medida que avança a idade da mulher, provocando um declínio da fertilidade e nas taxas de estrogênios, entre outros hormônios, provocando assim uma elevação nos níveis de séricos de FSH, antes ainda do instalação da menopausa.

Com o esgotamento desta população, observa-se o desaparecimento das células da granulosa e consequentemente da conversão dos androgênios em estrogênios, e a incorporação das células da teca ao estroma ovariano, o que sob ação do LH mantém a produção de androgênios, principalmente a androstenediona.

Com a falência ovariana, a esteroidogênese acontece por conversão periférica (principalmente no tecido gorduroso) dos androgênios em estrona, que apresenta uma resposta biológica bem inferior ao estradiol, e em níveis insuficientes para manter a homeostase endócrina feminina.

Esta queda repercute de maneira importante sobre os tecidos e órgãos que contenham receptores para os estrogênios, provocando alterações funcionais e anatômicas dos mesmos, como também, influenciando inúmeros processos metabólicos que necessitem de sua presença para a sua realização. Levando ao aparecimento e/ou agravamento de obesidade, dislipidemia, doenças cardiovasculares, osteoporose e perda da função cognitiva.

Referência:

Fernandes CE, Pereira Filho AS - Climatério: Manual de Orientação Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasco)

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Veja Também:
Menopausa - Falência Ovariana Prematura
Menopausa - Doença arterial coronária: Papel hormonal
Estudo de caso - Falência estrogênica e a memória

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19
Mar

 Apoptose - Morte celular programada

Categoria(s): Biogeriatria, Bioquímica, Conceitos, Dicionário, Oncogeriatria

Entendendo o assunto

A apoptose é a via pela qual o organismo multicelular remove células desnecessárias. Fisiologicamente a apoptose é um dos participantes ativos da homeostase no controle do equilíbrio entre a taxa de proliferação e morte em um tecido, o que auxilia na manutenção do tamanho e forma dos tecidos e órgãos adultos e em desenvolvimento. O conhecimento da atuação dos proto-oncogenes, dos genes supressores de tumor e agentes extracelulares, que levam a morte celular programada, será muito importante para o conhecimento da senescência (envelhecimento natural do indivíduo) e como retarda-la.

Apoptose

Existem muitos agentes que podem induzir o processo apoptótico, dentre eles podem ser citados alguns ativadores fisiológicos como fatores de crescimento, neurotransmissores, glicocorticóides e o cálcio, e outros. Fatores ambientais também podem ser considerados indutores de apoptose, como, por exemplo, os choques de temperatura, toxinas bacterianas, radicais livres, agentes oxidantes, agentes genéticos, dentre outros. Muitos agentes farmacológicos podem também induzir a apoptose, como, por exemplo, os quimioterápicos, antibióticos, radiações, peptídeos beta-amilóide e o etanol.

Inibidores da apoptose
Dos agentes que inibem a apoptose, citam-se principalmente os hormônios esteroides, zinco, fatores da matriz extracelular, alguns aminoácidos.

O conhecimento da biologia celular moderna tem revelado a cada dia que a morte celular programada e seus indutores e inibidores podem ser a chave da compreensão e entendimento de muitas doenças. Nos cânceres, a quebra do mecanismo que regula a população celular pode levar a um acúmulo de células neoplásicas. Quase todas as drogas quimioterápicas levam à morte da célula tumoral através da ativação do programa de morte celular apoptótica. Nas doenças auto-imunes, a morte celular programada, um dos mecanismos utilizados para deletar linfócitos auto-reativos e para limitar o dano tecidual causado por infecções virais e pela resposta imune, está debilitado.

O entendimento dos processos bioquímicos e genéticos da apoptose será de extrema importância na geriatria, na cura e prevenção de muitas doenças e compreensão do envelhecimento celular.

Referência:

Thompson CB. Apoptosis in the pathogenesis and treatment of disease. Science, 1995; 267:1456-62.

Molina FD et al - Apoptose em otorrinolaringologia e cabeça e pescoço. Rev. Bras. Med . V.60 N.6 Julho de 2003: 365-369.

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Veja Também:
Apoptose
Câncer e Morte celular programada
Longevidade - Fatores bioquímicos

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18
Mar

 Iatrogenia - Perigo dos anticoagulantes orais

Categoria(s): Bioquímica, Emergências, Gerontologia, Programa de saúde

Editorial

Existe uma opinião comum que os produtos derivados de plantas medicinais não causa malefício, pois são naturais, ao contrário dos produtos manufaturados ou químicos. Sendo que, entre 16% a 18% de adultos nos Estados Unidos usam regularmente este medicamentos por escolha própria ou indicação de conhecidos, sendo bastante comum o idoso não relacionar e dizer ao seu médico que esta usando estes “suplementos”. Em nosso meio criou-se a cultura da “Ginkgo biloba”, plantas que segundo alguns, tem muitas propriedades que retardam o envelhecimento e melhoram o estado circulatório.

ginkgoGostariamos de chamar a atenção que este fitoterápico não é isento de risco para a saúde. Têm propriedades que diminuem o estado de coagulabilidade sangüínea e pode potencializar o uso de anticoagulante oral, causando sangramentos importantes.

Vários medicamentos interagem como o anticoagulante oral, potencializando a sua ação, levando a sangramento, como: amiodarona; esteroides anabolizantes; cimetidine; omeprazol; clofibrato; eritromicina; tetraciclina; ciplofloxacina; miconazol; fluconazol; isoniazida; metronidazol; propranolol; quinidine; ácido acetil salicílico; tamoxifeno; indometacina; acetominofen.

O uso de todos estes medicamentos devem ser investigados nas histórias clínicas dos pacientes em uso de anticoagulante-oral, especialmente a gingko biloba e seu derivados, que muitas vezes não são relatados e podem estar associados as ditas “formulas vitamínicas” ou “anti-envelhecimento”.

Referência:

Hoblyn JC & Books III JO - Herbal supplements in olders adults Geriatrics, Fev 2005 Vol 6 n.2:18-23. [on line]

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Veja Também:
Estudo de caso - Fibrilação atrial paroxística
Anticoagulação oral nos idosos
Estudo de caso - Síndrome de Behçet

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17
Mar

 Vitamina B1 (Tiamina) - deficiência nos idosos

Categoria(s): Biogeriatria, Bioquímica, Gastrogeriatria, Nutrição, Psicogeriatria, Saúde Geriátrica

frutas

Ortomolecular

Os idosos por uma série de circunstâncias, apresentam algum grau de de carência alimentar, a chamada “desnutrição oculta” , ou seja, apesar de se alimentar, não ingere vitaminas e oligoelementos nas quantidades necessárias para o bem estar da saúde. Tanto os oligoelementos (sódio, potássio, magnésio, boro, cálcio, etc) como as vitaminas devem ser obtidas das frutas, verduras e legumes, em estado natural. Estes elementos, não são fabricados pelo ser humano, e quando cozidos os vegetais, perdem muitas de suas propriedades, sobretudo as vitaminas.

Vitaminas são compostos químicos (aminas) vitais para a vida, dai o nome vital + amina. Como relatamos acima o ser humano fabrica hormônios, enzimas, proteínas, mas não fabrica vitaminas, que são ingeridas e estocadas no organismo.
Freqüentemente, a deficiência de tiamina (Vitamina B12) está associada ao alcoolísmo, tendo como suas principais manifestações, as neurites, a cardiopatia beribérica e a encefalopatia de Wernicke-Korsakoff.

Nos idosos pode ocorrer deficit “subclínico” onde os sinais e sintomas são inespecíficos e variados, como, irritabilidade, insônia, cãimbras, deficit de memória, fadiga, etc. Pepersack e cols. 1999, em estudos populacionais com idosos mostraram que 8% a 31% dos idosos que vivem em seu domicílio e 23% a 40% dos que vivem institucionalizados possuem de deficiência de tiamina, exibem quadros subclínicos, e tem piora da sua qualidade de vida. Dai a necessidade de seu rápido reconhecimento e suplementação alimentar.

A tiamina é conhecida como “vitamina da moral’ ou ‘vitamina do humor” pelos efeitos benéficos sobre o sistema nervoso e a disposição mental, possivelmente porque favorece o metabolismo dos carboidratos, liberando ATP (fonte de energia para o cérebro).

A tiamina é sintetizada pela bactérias da flora intestinal, são hidrossolúveis e se perde com o cozimento. A quantidade de tiamina diminui com a utilização exagerada de açúcar, café, chá preto, nicotina e álcool.

A forma ativa da tiamina é a tiamina pirifosfato.

Propriedades funcionais
- Reduz a fadiga física e aumenta a disposição mental junto com a vitamina B6.

- Coadjuvante em tratamento da dor e da ansiedade.

- Auxilia nas terapias neurológicas: paralisia facial, esclerose múltipla e neurites.

- Usada no tratamento do estresse e tensões musculares.

Interações:O magnésio e o zinco facilitam sua utilização pelos tecidos, e a vitamina C intensifica sua ação sobre o cérebro.

Fontes naturais
Levedura de cerveja, cereais e grãos integrais, castanha do Pará, gema de ovo, carne, nozes, farinha de trigo, germe de trigo.

Doenças causadas por carência de Vitamina B1:

Degeneração cerebral (afetando orientação geral e capacidade de andar) - Síndrome de Wernicke - Korsakoffn e o Beribéri.

Vários pesquisadores têm observado a ocorrência (44% dos casos) da deficiência de vitamina B1 nos pacientes idosos portadores de deficit coginitivos, analisados através do mini-exame do estado mental e de suas habilidades no desempenho das atividades diárias. Sugerindo que sua suplementação melhoraria o quadro.
Sintomas que podem sugerir carência de tiamina; sudorese noturna, caimbras, parestesias (formigamento) nas mãos e pés, confusão mental, fraqueza geral, desorientação, ansiedade, nervosismo, fadiga, insônia, perda da coordenação motora e perda do equilíbrio.

Referências:

Global Aging on Action [on line]

Mayo Clinic - Drugs & Supplements - Thiamin (thiamine), vitamin B1 [on line]

Marchini JS, Ferriolli E, Moriguti JC. Suporte nutricional no paciente idoso: definição, avaliação e intervenção. Medicina, Ribeirão Preto jan/mar 1998;31:54-61.

O’Keefee - Thiamine deficiency in elderly people. Age and ageing, 2000;29:99-101.

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Veja Também:
Hipovitaminose de tiamina - shoshin beriberi
Vitaminas - O que são?
Beribéri

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