26
Mar

 Os futuros caminhos da Geriatria e da Gerontologia

Categoria(s): Gerontologia, Programa de saúde, Sociologia

 Opinião

“A colheita que faço agora dos armazéns que já se esvaziam eu experimento a cada dia, com um paladar de conhecedor, e vagarosamente saboreio esse momento rico, raro adocicado por tantos sóisâ€

Helen Friedland

idosaTradicionalmente, a terceira idade vem sendo associada à aposentadoria, doença e dependência. É tempo de um paradigma novo, que encare os idosos como participantes ativos em uma sociedade integrada pela idade e como contribuintes ativos bem como beneficiários do desenvolvimento que ele iniciou. Com este propósito devemos responder a 3 questionamentos:

1. ï€ Já que as pessoas estão vivendo por mais tempo, como a qualidade de vida na 3a idade pode ser melhorada?

2. ï€ Um grande número de pessoas na 3a idade causará a falência dos nossos sistemas de saúde e de segurança social?

3. Como podemos equilibrar o papel da família e o da sociedade em termos de assistência àqueles que estão envelhecendo e que necessitam de cuidados?

O envelhecimento da população é, antes de tudo, uma estória de sucesso para as políticas de saúde pública, assim como para o desenvolvimento social e econômico. Em todos os países, e especialmente nos países em desenvolvimento, as medidas para ajudar pessoas mais velhas a manterem-se saudáveis e ativas são uma necessidade, e não um luxo.A nossa capacidade funcional (como capacidade ventilatória, vigor muscular e volume de produção cardiovascular) aumenta durante a infância e atinge seu máximo nos primeiros anos da vida adulta, entrando em declínio em seguida. O declínio pode ser tão acentuado que pode resultar em uma deficiência prematura (invalidez). Contudo, a aceleração no declínio pode sofrer influências e pode ser reversível em qualquer idade através de medidas individuais e públicas. Nos sabemos que a longevidade é influenciada em 50% dos casos pelo estilo de vida, 20% pelo ambiente e 30% pela genética. Por tanto, de pouco adianta melhorar a genética se o estilo de vida não for saudável.A adoção de estilos de vida saudáveis e a participação ativa no cuidado da própria saúde são importantes em todos os estágios da vida. Um dos mitos do envelhecimento é que se torna tarde demais para se adotar tais estilos nos últimos anos de vida. Pelo contrário, o envolvimento em atividades físicas adequadas, alimentação saudável, a abstinência do fumo e do álcool e fazer uso de medicamentos sabiamente podem prevenir doenças e o declínio funcional, estender a longevidade e aumentar a qualidade de vida do indivíduo. O papel do geriátra e do gerontólogo é exatamente enaltecer estes fatos.

Cabe ao estado e a sociedade promover ambientes físicos “age-friendly†(que pode ser traduzido como “amigos da idadeâ€) que podem representar a diferença entre a independência e a dependência para todos os indivíduos, mas especialmente para aqueles em processo de envelhecimento. Por exemplo, pessoas idosas que moram em ambientes ou áreas de risco com múltiplas barreiras físicas saem, provavelmente, com menos freqüência, e, por isto, estão mais propensos ao isolamento, depressão, redução da forma física e um aumento de problemas de mobilidade.

De posse destes argumentos podemos responder o nosso questionamento. – Sim, podemos melhorar a qualidade de vida das pessoas, minimizar os gastos com a saúde, evitar que o sistema previdenciário entre em colapso, e agir positivamente no papel da família e sociedade-estado. Para tanto temos que investir na educação, formando um novo paradigma de cultura social. A “isca†para os adultos jovens (futuros idosos) é a beleza física, cognitiva, ativa. Criando centros que promovam a saúde e a beleza.

Ninguém procura expontânemente centros de tratamento do câncer, da insuficiência renal (hemodiálise), pois lá só tem doenças e tragédias humanas. Mas, certamente procuram centros de “rejuvelecimento†e “spasâ€. As clínicas com equipes integradas de geriatras (médicos) e gerontólogos (profissionais da área da saúde, como: nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, assistentes sociais, dentistas, educadores físicos) devem seguir esta linha de marketing e, desta forma fazer a medicina preventiva com grande aceitação.

Pontos-chaves para envelhecimento saudável

___ Prevenir e reduzir o fardo do excesso de deficiências, doença crônica e da mortalidade prematura.

___ Reduzir os fatores de risco associados às doenças crônico degenerativas principais (doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, doenças pulmonares, etc) e aumentar os fatores que protegem a saúde durante a vida.

___ Desenvolver serviços sociais e de saúde acessíveis, baratos, de alta qualidade e amigos da 3a idade que enfoquem as necessidades e os direitos de homens e mulheres em processo de envelhecimento.
___ Fornecer treinamento e educação para acompanhantes.

___ Fornecer educação e oportunidades de aprendizagem durante o curso da vida do idoso.

___ Reconhecer e permitir a participação ativa de pessoas idosas nas atividades de desenvolvimento econômico, trabalho formal e informal e atividades voluntárias, de acordo com suas necessidades individuais, preferências e capacidades.

___ Incentivar a participação integral dos idosos na vida familiar e comunitária.

Veja Também:
Sobre os autores
Terapia Ocupacional na Geriatria - Parte 4. Ações da TO com idosos institucionalizados
Pneumonia nos idosos - Fatores de risco

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25
Mar

 Doença não transmissível - DNT

Categoria(s): Conceitos

Conceito

As doenças não transmissíveis (DNTs) são as principais causas de morte no mundo, às quais foram atribuídas 35 milhões de óbitos em 2005, quase 60% da mortalidade mundial e 45,9% da carga global de doenças. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), se essa tendência for mantida, elas deverão responder por 73% dos óbitos e 60% da carga de doenças no ano 2020.Nos países das Américas e no Caribe, as doenças crônicas chegam a ser a causa de 75% dos óbitos, sendo que as doenças cardiovasculares (DCV) são responsáveis por aproximadamente 30% das mortes, cujos principais fatores de risco são a hipertensão arterial, o tabagismo, o colesterol elevado, a obesidade, os hábitos alimentares não-saudáveis e o sedentarismo. Em 2000, estimativas indicaram que, nesses locais, a prevalência da hipertensão variou de 14% a 40% entre indivíduos na faixa de 34 a 64 anos, perfazendo um total de 140 milhões de hipertensos. Estimaram-se também, nas Américas e no Caribe, cerca de 35 milhões de pessoas com diabetes e calcula-se que serão 64 milhões até o ano de 2025. Essas duas condições acarretam um aumento constante na prevalência de DCVs, em particular a doença isquêmica do coração e o acidente vascular cerebral (AVC), bem como insuficiência renal, cegueira, entre outras.

A rápida ascensão das doenças não-transmissíveis representa um grande desfio para o setor de saúde em relação ao desenvolvimento global. Em países desenvolvidos já se reconhecem, há décadas, as ameaças dessas doenças, sendo cada vez mais preocupante a sua predominância nos países em desenvolvimento.

Ver mais

Veja Também:
Doença de Paget
Doença de Whipple
Doenças inflamatórias intestinais

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25
Mar

 Feminização do envelhecimento - Desigualdade econômica

Categoria(s): Demografia, Gerontologia, Programa de saúde, Sociologia

Editorial

Nós sabemos que as mulheres vivem mais que os homens em quase todos os lugares. Ocorrendo em países como o Japão, 55 homens para cada 100 mulheres octogenárias; 35 homens para cada 100 mulheres nonagenárias; e somente 26 homens para 100 mulheres centenárias. Este fenômeno recebe o nome de “feminização do envelhecimentoâ€.

Apesar das mulheres possuírem a vantagem da longevidade, isto não corre em seu benefício, pois são vítimas da violência doméstica e discriminação no acesso à educação, salários dignos, trabalho significativo, poder político, heranças. Por conta disso, ficam mais expostas a pobreza e os sofrimentos causados pelas deficiências físicas e psicológicas nas idades mais avançadas.

chefe Como conseqüência das mulheres viverem mais, o número de viúvas é significantemente maior que o de viúvos. Por exemplo, atualmente, no leste europeu, mais de 70% das mulheres com idade superior a 70 anos são viúvas ou vivem sozinhas. Estas estão altamente vulneráveis à pobreza e isolamento social. Sendo o estado civil é um dos aspectos principais da transição demográfica que está ocorrendo, visto que é de crucial importância no que se refere às necessidades de ajuda socioeconômica.

Os países desenvolvidos e em desenvolvimento, se não se prepararem adequadamente, logo se encontrarão diante de uma esmagadora desigualdade quando forem tratar dos seus cidadãos com 65 anos ou mais, sobretudo, as mulheres.

Do ponto de vista das necessidades para a ajuda socioeconômica três aspectos têm relevância no envelhecimento saudável e ativo: a renda, o trabalho, e a proteção social. E, estes fatores necessitam ser bem trabalhados pelos orgãos governamentais.

Desigualdade econômica

A diferença salarial entre homens e mulheres é maior entre os profissionais mais qualificados, com maior escolaridade e na região Sul do país.

A educação sempre será mola principal para a ascensão social, porém estudos como o do Ibmec de São Paulo a partir de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) mostraram que as mulheres com especialização ou pós-graduação recebem 37% a menos do que homens que desempenham a mesma função e têm a mesma escolaridade. Na faixa de mulheres mais qualificadas entre 41 e 50 anos, a diferença foi ainda maior: 39,22%.

Enquanto os homens ganharam, em média, oito salários mínimos por mês, as mulheres receberam ao equivalente somente à cinco. Os dados são de abrangência nacional, referem-se a 2004 e consideram trabalhadores com jornada de trabalho entre 40 e 44 horas. Em 1995, essa diferença salarial era de 47%. É positivo o fato de a diferença ter diminuído, mas ainda está longe de refletir igualdade no mercado de trabalho. Além da discriminação, o que pode explicar a diferença salarial é a questão da experiência, porque a mulher entrou mais tardiamente no mercado.

O estudo mostrou ainda que a diferença na remuneração entre homens e mulheres menos qualificados - que desempenham funções na agricultura ou no setor de serviços - é menor. Entre trabalhadores e trabalhadoras de baixa escolaridade (com um a quatro anos de estudo), a diferença no salário era de 25,11% em 1995 e caiu para 12,40% em 2004.

Desigualdade profissional - Postos de chefia

Nas cem melhores empresas para trabalhar no Brasil, a participação da mulher em cargos de chefia em 2006 restringiu-se a 31%, segundo pesquisa divulgada pela consultoria Great Place To Work Institute. É um avanço em relação a 2004, quando o percentual era de 20%, mas o número ainda é considerado baixo. Embora, tem aumentando o número de serviços ou incentivos específicos para mulheres oferecidos pelas empresas como: creches ou salão de beleza.

Outra pesquisa, essa da Catho, consultoria de recolocação profissional, que leva em conta um universo muito maior de empresas, mostra que as mulheres possuem atualmente 20,1% dos cargos de presidente ou função equivalente nas empresas brasileiras. Em 2004, o percentual era de 16,7%.

Desemprego

Já estudo da Fundação Seade na região metropolitana de São Paulo mostra que as mulheres representavam 54% do total de desempregados na região metropolitana há dois anos. Em 2006, esse percentual atingiu 54,9% - o maior desde que Seade e Dieese iniciaram a pesquisa sobre emprego e desemprego.

Para as mulheres conseguirem seu sustento na velhice devem combater a desigualdade econômica, com valorização profissional e manutenção dos postos de trabalho, caso o contrário estarão altamente vulneráveis à pobreza e isolamento social.

Referências:

Fundação Sistema Estadual de Análises de Dados - Estado de São Paulo - SEADE [on line]

DIEESE - Departamento Intersindical e Estatística e Estudos Socioeconômicos [on line]

Great Place To Work Institute [on line]

Veja Também:
Feminização do envelhecimento
O estresse e o envelhecimento
Envelhecimento Ativo

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24
Mar

 Força muscular nos idosos

Categoria(s): Fisioterapia, Reumatogeriatria

 Entendendo o assunto

A força muscular é força que determinado músculo utiliza para a realização de qualquer tarefa física, em graus variados e para membros específicos. Nos indivíduos idosos, a diminuição da força é um fenômeno que pode levar ao declínio na execução das atividades diárias normais (levantar-se de uma cadeira, do vaso sanitário, carregar compras e outras) e/ou na intensidade dessas atividades.

Essa redução também está relacionada à alta prevalência de quedas e dificuldades na mobilidade dos indivíduos, podendo conduzi-los à dependência de terceiros para a realização das tarefas do dia-a-dia.

Alguns estudos apontam para redução da força muscular com o avanço da idade, diferenciada entre os membros inferiores e superiores, devido às alterações diferenciais nos padrões de movimento no envelhecimento, sendo necessários testes específicos aos membros.

A forma mais utilizada em estudos clínicos e epidemiológicos para verificar a força de membros superiores é através da preensão manual, conhecida como dinamometria.

Durante a execução do teste, o idoso permanece sentado, com o cotovelo apoiado em uma mesa, antebraço estendido à frente, palma da mão para cima e exercia a maior preensão possível. Esse procedimento deve ser realizado duas vezes, com pequeno intervalo entre as execuções (1 minuto).

Observando que a potência máxima da extensão das pernas era correlacionada com a velocidade de levantar-se de uma cadeira, Bassey et al foram os primeiros a demonstrar o valor prático da manutenção da força muscular nas tarefas diárias.

Posteriormente, vários estudos epidemiológicos têm utilizado o tempo gasto pelo indivíduo idoso para levantar-se e sentar-se em uma cadeira (número de vezes seguidas) como uma medida da força de membros inferiores em indivíduos idosos.

A força e a resistência muscular dos membros inferiores foi verificada através de medida tempo dependente. O indivíduo iniciava o teste na posição sentado, braços cruzados sobre o peito, devendo se levantar cinco vezes, o mais rápido possível, sem fazer nenhuma pausa. O teste é considerado concluído com êxito quando realizado em tempo igual ou inferior a 60 segundos.

Antes da realização do teste, após demonstração pelo examinador, deve perguntar ao idoso se ele se sente confiante para levantar-se rapidamente de uma cadeira cinco vezes seguidas. No caso de resposta afirmativa, pede-se para ele demonstrar.

Após esse procedimento, perguntava-se ao idoso se ele sente confiança para levantar-se de uma cadeira e sentar-se cinco vezes seguidas, agora, com os braços cruzados à frente do peito. No caso de resposta afirmativa, era, então, realizado o teste. Se o idoso demonstrasse cansaço, era dado um pequeno intervalo (1 a 3 minutos).

Referência

Bassey E.J.; Fiatarone M.A.; O’Neill E.F.; Kelly M.; Evans, W.J.; Lipsitz L.A. Leg extensor power and functional performance in very old men and women. Clin Sci 1992; 82: 321-7.

Brill P.A.; Macera C.A.; Davis D.R.; Blair S.N.; Gordon N. Muscular strength and physical function. Med Sci Sports Exerc, 2000; 32(2): 412-6.

Ostchega Y.; Harris T.B.; Hirsch R.; Parsons V.L.; Kington R.; Katzoff M. Reliability and prevalence of physical performance examination assessing mobility and balance in older persons in the US: data from the third National and Nutrition Examination Survey. J Am Geriatr Soc 2000; 48(9): 1136-41.

Veja Também:
Distrofia miotônica
Doença Pulmonar e a perda da força muscular
Sarcopenia - Perda da massa muscular

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24
Mar

 Transição demográfica

Categoria(s): Conceitos

Conceito

Muitas vezes, ouvimos os profissionais da “área da saúde pública”, afirmarem que - “Existe uma correlação direta entre os processos de transição demográfica e epidemiológica de uma população”. O que isso significa?

Os avanços médicos das últimas décadas promoveram a queda da mortalidade entre as doenças infecciosas, beneficiando os grupos mais jovens da população. Estes “sobreviventes” passam a viver mais e expostos a fatores de risco para doenças crônico-degenerativas e, na medida em que cresce o número de idosos e aumenta a expectativa de vida, tornam-se mais freqüentes as complicações destas moléstias.

Esse quadro descrito acima mostra uma modificação no perfil da população, ou seja mais idosos, e menos crianças e jovens (transição demográfica); ao invés de processos agudos que “se resolvem” rapidamente através da cura ou do óbito, tornam-se predominantes as doenças crônicas e suas complicações, que implicam em décadas de utilização dos serviços de saúde (transição da epidemiologia - tipos de doenças).

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Transição epidemiológica
Transição epidemiológica da população brasileira

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