10
Abr

 Iatrogenia - Efeitos dos medicamentos

Categoria(s): Bioquímica, Infectologia, Programa de saúde

Resenha

remediosO aparecimento de novas doenças, como a SIDA, o crescimento de forma epidêmica de outras (obesidade, diabetes, doença cardiovascular), o aumento da expectativa de vida e o lançamento de novas drogas aumentaram a prescrição médica e a procura pelos medicamentos. Mas, os principais motivos do consumo exagerado são a automedicação, a promoção dos medicamentos dirigida aos médicos e a publicidade voltada à população.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que metade medicamentos consumidos no mundo é usada de forma incorreta, gerando sérias conseqüências como reações adversas, resistência bactériana, piora da doença e até a morte. Prova disto, o estudo realizado pelo Committee on Quality of Health Care in America revelaram que mais de 7 mil pacientes morreram em decorrência dos erros de medicação.

O Brasil é o 9º país do mundo em consumo de medicamentos per capita. Este mercado movimenta no país 10 bilhões de dólares por ano.

Infelizmente as falhas foram detectadas em todas as etapas, da prescrição médica (que engloba a escolha correta da dose, prescrições sem levar em conta as condições especiais dos pacientes, nomes confusos, concentração e cálculos errados dos fármacos), até a administração, distribuição e dispensação inadequada por parte de pessoas que não possuem habilitação para isso.

Os novos medicamentos

A velha máxima da medicina “médico novo deve receitar remédio antigo e médico antigo pode receitar medicamento novo” é muito sábia, pois, os médico recém formados devem utilizar nas suas prescrições medicamentos consagrados pelo uso de longo tempo, onde os efeitos colaterais já amplamente conhecidos, e os médicos mais experientes têm mais habilidade ao usar os medicamentos novos do arsenal terapêutico.
É preciso lembrar que o desenvolvimento de novas tecnologias terapêuticas crescem na mesma proporção que os riscos de danos causados pela utilização incorreta do medicamento.

Perigos da automedicação

A automedicação é uma “mania†dos brasileiros, incentivada pelo bombardeio de publicidade de medicamentos. Um princípio básico é não tomar remédios por conta própria, mesmos os fitoterápicos (medicamentos a base de plantas), pois o mais “inocentes” dos chás pode provocar reações e causar problemas graves. Comprar com a receita do vizinho ou a partir da orientação de um amigo também são péssimas opções. O medicamento bom para uma pessoa pode não servir para outra, mesmo que os sintomas sejam semelhantes. O uso incorreto de medicamentos pode atrasar o reconhecimento de doenças ou até mesmo agravá-las. Alguns medicamentos podem viciar, levando à dependência química, dentre outros riscos e complicações.

Como características próprias da idade os idosos apresentam atrofia das mucosas do trato gastrointestinal, diminuição da absorção das substâncias nos intestinos, diminuição do metabolísmo hepático e eliminação renal. Se os idosos têm dificuldades de absorver os medicamentos, também têm dificuldade para metaboliza-los e elimina-los. Deixando-os mais suceptíveis as reações tóxicas e aumento do tempo de excreção dos medicamentos.

As múltiplas doenças e suas complicações que o idoso, comumente, apresenta, motiva-o a procurar vários especialistas e geram inúmeros medicamentos, que são prescritos e muitas vezes conflitantes entre si. Acreditamos, que a carteira de saúde é a forma de minimizar este grave problema. Porém, soma-se aos problemas de prescrição, as características de recuperação e estabilização que os idosos apresentam, ou seja, recuperação lenta dos sintomas, motivando ao idoso procurar formas alternativas (remédios caseiros, indicações de conhecidos, etc) que acabam somando problemas e não criando soluções.

Papel do farmacêutico

Atualmente, o farmacêutico tem papel de destaque junto ao paciente, funcionando como elo de ligação entre o médico e o paciente, ajudando-o a entender a prescrição da receita, orientando sobre a forma correta de utilização do remédio e minimizando os possíveis efeitos colaterais descritos na bula. O esclarecimento das possíveis dúvidas do paciente pelo profissional de saúde facilita, inclusive, a adesão ao tratamento.

Devemos sempre lembrar que, tradicionalmente, o paciente muitas vez procura primeira mente o farmacêutico no início dos seus sintomas, cabendo a este fazer a melhor orientação.

O farmacêutico observando a prescrição médica, reduz os altos índices de eventuais problemas com os medicamentos. Na eventualidade de não entender algum dado da receita, deve entrar em contato com o médico e esclarecer as dúvida.

Acesso ao medicamento

Quem ganha mais, compra mais medicamentos nas farmácias: 15% A população mais rica (15% da população) consome 48% dos medicamentos; a Classe média (34%) consome 36%; e classe pobre (51%), consomem apenas 16% dos medicamentos vendidos no país. 50% dos pacientes que precisam de um medicamento não podem comprá-lo. E muitos destes pacientes também não encontram o remédio na rede pública de saúde e, por isso, adoecem ou abandonam o tratamento. Entre 15 e 20% da população não tem acesso a nenhum tipo de medicamento.

Segundo o IBGE, os gastos com saúde aparecem em quarto lugar entre os gastos familiares do brasileiro. Ficam atrás apenas dos gastos com habitação, alimentação e transporte. A maior parcela desses gastos é representada pela compra de medicamentos, sendo que esse item chega a comprometer 90% dos gastos em saúde das camadas mais pobres da população.

Orientações do Conselho de Farmácia

Segundo o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, para minimizar os riscos de erros na medicação, é preciso:

- padronizar a prescrição médica e outros procedimentos
- limitar os sistemas de administração de medicamentos
- preparar injetáveis de alto risco na farmácia
- preparar protocolos para medicamentos de alto risco
- disponibilizar assistência farmacêutica continuada
- incorporar um farmacêutico clínico à equipe de saúde
- tornar acessíveis as informações aos pacientes
- assegurar a informação atualizada sobre medicamentos
- educar os pacientes sobre o seu tratamento
A proibição da publicidade de remédios, mesmo daqueles que não
exigem receita médica, seria uma forma de reduzir a automedicação.

Referências:Medicamento um direito essencial - Cartilha do CREMESP [on line]

Veja Também:
Iatrogenia medicamentosa em idosos
Iatrogenia - Insônia causada por medicamentos
Iatrogenia - Lesões hepáticas medicamentosas

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09
Abr

 Doença de Parkinson - Tratamento

Categoria(s): Biogeriatria, Neurogeriatria

Atualização

A doença de Parkinson (DP), doença degenerativa do sistema nervoso central, ocasionada pela perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra pars compacta do cérebro, sem etiologia definida, tem seu diagnóstico feito como na época de seu descobridor Dr James Parkinson, ou seja, através da história clínica, exame físico geral e neurológico, em 1817 (veja os sinais clínicos da DP no final do texto). Este fato, retarda o início do tratamento, pois muitas vezes, chega ao neurologista nas fases intermediárias e avançadas da doença. Atualmente, as técnicas como a cintilografia cerebal (Spect) com marcadores tipo beta CIT podem sugerir o diagnóstico.

parkinEsta doença tem um curso médio de 15 anos após o diagnóstico, dai a importância do diagnóstico precoce e início do tratamento, mudando a evolução da doença.

O tratamento da DP é direcionado de acordo com a fase clínica em que doença se encontra. Logo no início, não há necessidade de medicamentos, devendo o paciente ser orientado à praticar de exercícios sob a orientação de um profissional de educação física, ter uma alimentação orientada por nutricionista, fonoaudióloga (previnindo distúrbios da fala e deglutição) e prática laboral com orientação de um terapeuta ocupacional. Nesta fase, os vários profissionais da área da saúde, trabalhando em conjunto retardam a progressão da doença.

Quando os sintomas passam a interferir nas atividades da vida diária do paciente, podem ser prescritos medicamentos como selerginina, amantadina, agonistas dopaminérgicos e anticolinérgicos. Porém, ainda é a levodopa a droga de primeira escolha, por ser mais potente, de ação rápida e que oferece melhor qualidade de vida aos pacientes. A dose inicial é de 100 mg diárias, feitas em três a quatro tomadas, com intervalos de quatro a seis horas.

A levodopa é muito bem tolerada, e seus efeitos colaterais mais freqüentes são, dores estomacais, náuseas, tonturas e sonolência. A levodopa não deve ser tomada com leite ou com alimentos ricos em proteínas.

Discinesia - A discinesia se caracterizam por movimentos anormais e involuntários que podem estar presentes durante boa parte das horas de vigília de uma pessoa com DP. Os tipos de flutuação motora (dscinesias) mais comuns das complicações do tratamento da DP com a levodopa são a “deterioração-de-final-de-dose” (wearing-off) e as flutuações aleatórias, também conhecidas como “fenômeno on-off”.

A deterioração-de-final-de-dose está associada ao perfil farmacocinético da droga (com o uso da levodopa em intervalos regulares, a concentração da droga cai entre a final da dose e o começo da ação da dose seguinte, com isso os neurônios dopaminérgicos são estimulados de forma intermitentes). O “fenômeno on-off”, também é conhecido como efeito ioiô. Neste fenômeno ocorre uma mudança brusca do estado de mobilidade do paciente sem que haja uma relação com o horário de tomada das doses da levodopa.

Em alguns pacientes, à medida que a doença progride o estado on pode ser tão curto quanto 30 ou 40 minutos. Quando o wearing-off se instala, a tendência natural em acrescentar novas doses de levodopa não é a melhor medida, pois cada vez mais novos acréscimos terão de ser feitos com o tempo, fazendo com que o indivíduo venha a tomar uma dosagem inviável de levodopa em pouco tempo.

A melhor estratégia para evitar a estimulação intermitente dos neurônios pela levodopa, é estabelecer uma estimulação dopaminérgica o menos descontínua possível, com a ajuda de medicamentos que mantêm uma maior concentração de dopamina circulante, como os inibidores da catecol-O-metil-transferase (COMT), a entacapona e a tolcapona. A combinação dos fármacos facilitam a vida do paciente, uma vez que a administração pode ser de 1 vez ao dia, permitindo uma concentração sangüínea estável. (Formulaçãop indicada: 50 mg de levodopa + 12,5 mg de carbidopa + 200 mg de entacapona).

Selegilina - a selegilina, também conhecida com o nome de L-deprenil, atua inibindo irreversivelmente a enzima monoaminoxidase B (MAO-B) que tem uma distribuição generalizada no cérebro. No metabolismo da DA cerebral, a MAO-B, depois de liberada na sinapse, é recaptada pelo neurônio pré-sináptico. Dentro do neurônio e das células da glia a MAO-B degrada a dopamina. Enquanto a MAO-B parece atuar especificamente sobre a dopamina, a MAO-A preferentemente atua sobre a tiramina, serotonina (5-HT) e norepinefrina (NE).

Anticolinérgicos - os anticolinérgicos foram utilizados empiricamente na DP desde há longa data e sua atuação hoje pode ser explicada pela preponderância de acetilcolina observada no estriado dos pacientes com diminuição da neurotransmissão dopaminérgica a partir da substância negra. Estas drogas são razoavelmente eficazes sobre o tremor e a rigidez muscular, mas a atuação sobre a acinesia, que é o sintoma mais debilitante da DP, é desprezível. Reservamos os anticolinérgicos para aqueles pacientes com formas unilaterais ou predominantemente assimétricas e nos quais a acinesia não é significativa.

Amantadina - a amantadina é uma outra opção no tratamento dos pacientes nas fases iniciais da DP. Seu mecanismo de ação não está totalmente esclarecido, mas há evidências de que aumente a liberação de DA para a fenda sináptica. Sabe-se que também apresenta um fraco efeito anticolinérgico e mais recentemente foi demonstrado exercer uma ação bloqueadora de receptores N-metil-D-aspartato (NMDA).

Inibidores da colinesterase (IChEs) donepezila, rivastigmina e galantamina têm indicação nos estágios leve a moderado, com benefícios para os sintomas cognitivos, função e comportamento ao longo da evolução da doença.

Agonistas da dopamina - Os agonistas DA atuam diretamente nos receptores da dopamina. Há duas famílias de receptores DA: os receptores D1, estimuladores da enzima adenil ciclase e os receptores D2, indutores de inibição da adenil ciclase. Os agonistas mais utilizados são a bromocriptina, a pergolida e mais recentemente o pramipexol. Os agonistas são drogas mais potentes que os anticolinérgicos e a amantadina (mas menos que a levodopa) e costumam ser reservados para aqueles pacientes um pouco mais sintomáticos.

Terapias gênicas

O número de genes da DP tem aumentado rapidamente. Muitos genes têm sido descritos em famílias específicas. A ênfase atual das bases genéticas da DP objetiva desvendar a etiologia da doença, contribuindo para a terapia. Os estudos indicam que há novas perspectivas para o tratamento da DP com base nos conhecimentos adquiridos com a genética. A transferência de células embrionárias pode ajudar a melhorar a qualidade de vida dos afetados pela DP e a terapia gênica já tem sido testada em seres humanos.

Referências:

Ferraz HB, Borge V - Doença de Parkinson Rev. Bras. Med. 2004: 59(4):207-219.

Siderowf, A; Stem, M. Update on Parkinson disease. Annals of Internal Medicine 2003; 138 (8):651-658.

Ribeiro EM, Dantas CCB,Medeiros ACC, Arruda AP, Carvalho MDF.Bases genéticas da doença de Parkinson. Rev Bras Med 2004;61(6):388-398.

Kruger, R. Parkinson disease, genetic types. Orphanet Encyclopedia, August 2003 [on line]

Freed, C. R.; Greene, P. E.; Breeze, R. E. et al. Transplantation of Embryonic Dopamine Neurons for severe Parkinson’s disease. NEJM 2001; 344 (10):710-719.

Kaplitt, M. Parkinson’s patient given gene therapy.[on line]

Sinais da DP - Os sinais mais freqüentes são: tremores de repouso, diminuição da velocidade dos movimentos (bradicinesia), rigidez e comprometimento dos reflexos posturais; marchas com passos pequenos, dificuldades para se levantar da cama ou cadeira, fácies inexpressivas, dificuldades para falar, engolir, salivação abundante (sialorréia), engasgos, intestino lento, hipotensão postural e déficit cognitivo.

Veja Também:
Estudo de caso - Parkinsonismo
Estudo de caso - Tremor nas mãos
Doença de Parkinson - Clínica e fisiopatologia

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08
Abr

 Cuidados Paliativos - Ensino e educação

Categoria(s): Gerontologia, Programa de saúde, Tanatologia

terminal

Resenha

Colaboradora : Vera Regina Tufaile Kovask *

* Enfermeira e Gerontóloga

Preocupada com o ensino e com a assistência ao paciente terminal nos Estados Unidos, em 1997, a American Association of Colleges of Nursing (AACN) realizou uma mesa redonda, na qual participaram enfermeiras especialistas e outros profissionais da área da saúde, para discutir os cuidados no final da vida. As orientações desenvolvidas por elas, o Peaceful Death: Recommended Competencies and Curricular Guidelines for End-of-life Nursing Careâ€, são consideradas as declarações definitivas sobre o assunto. O documento determinou o conhecimento da enfermagem e as habilidades necessárias para o cuidado no fim da vida e identificaram temas que podem ser integrados ao currículo de enfermagem. (1).

Em relação ao ensino, todas as escolas de Enfermagem e de Medicina do Reino Unido incluem os cuidados paliativos como conteúdo de seus currículos, além de serem o eixo norteador de programas de pós-graduação (2).

Tratando-se do ensino de cuidados paliativos no Brasil, tanto nos cursos de Enfermagem como nos da Medicina, a literatura é limitada. Sabe-se que em algumas escolas este tema é abordado. Por exemplo, na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) há uma disciplina eletiva que é ministrada por médicos e outros profissionais, o que caracteriza um programa multiprofissional.

O realizador dessa experiência pioneira é o médico Marco Túlio de Assis Figueiredo, professor da disciplina de Cuidados Paliativos e sócio-fundador da International Association for Hospice and Paliative Care, que teve início de duas atividades em novembro de 1994, com um curso para universitários e leigos interessados no tema (3).

No âmbito da Enfermagem, foi a Professora Cibele Andruciole de Mattos Piementa, docente do curso de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), tem difundido a inclusão dos cuidados paliativos nos cursos de graduação em enfermagem e á referência nacional no manejo de dor aguda e crônica.

Se os estudantes da área de saúde que tiverem, durante o desenrolar do curso, vivências de práticas no domicílio, tais como: promoção à saúde, prevenção das doenças e atendimento da pessoa doente, eles terão uma experiência riquíssima, ao contextualizar a sua aprendizagem. Na proximidade com o paciente em sua própria casa, poderão perceber a influência das relações familiares no cuidar, identificar as necessidades físicas, sociais, econômicas, espirituais e emocionais. As práticas desenvolvidas nos domicílios permitem que os futuros profissionais se tornem mais maduros, reconhecendo as condições de vida da população atendida por eles, e mais sensíveis às dificuldades e ao sofrimento, concluindo que o seu atuar poderá fazer a diferença na manutenção da saúde para viver, assim, como na preparação e aceitação para o morrer.

Cuidados Paliativos no Brasil

Como já foi dito, o professor Figueiredo tem sido incentivador do ensino dos cuidados paliativos e da criação de serviços de cuidados no Brasil. Entre eles, consta o seu próprio ambulatório na UNIFESP; o Ambulatório em Cuidados Paliativos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e o da Unidade de Cuidados Paliativos no Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Os serviços já citados acima, na maioria das vezes, iniciaram suas ações com o controle da dor e, posteriormente incluíram os cuidados paliativos entre os seus serviços disponibilizados. Eles estão inseridos em instituições hospitalares públicas e clínicas privadas (4).

Foi fundada em 1997 a Associação Brasileira de Cuidados Paliativos (ABCP), na cidade de São Paulo, para agregar os profissionais atuantes em cuidados paliativos. Participam dessa associação: médicos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, religiosos, nutricionistas, entre outros (4).

Os objetivos da ABCP são: proporcionar a vinculação científica e profissional à equipe da saúde que estuda e pratica as disciplinas ligadas aos cuidados nas enfermidades crônico-evolutivas, em fase avançada e na terminalidade; aperfeiçoar a qualidade da atenção aos enfermos; fomentar as pesquisas no campo dos cuidados paliativos por meio de congressos, seminários, conferências, visando elevar o nível técnico-científico de todos os profissionais da saúde; desenvolver, assessorar e prestar assistência técnica sobre conteúdo, programas curriculares e acadêmicos da educação na área da saúde; estudar e discutir problemas éticos e suas implicações na prática dos cuidados paliativos, e promover o bem estar da comunidade, preservando a melhoria da qualidade de vida dos enfermos, nos diversos níveis de saúde (4).

Legislações sobre o assunto

Oficialmente, os cuidados paliativos foram considerados uma exigência a partir da Portaria n° 3.535, de dois de setembro de 1998, que estabelece para cadastramento de centros de atendimento em oncologia (Centro de Alta Complexidade em Oncologia I – CACON I), enfatiza o trabalho multiprofissional integrado e insere outras modalidades assistenciais, como o serviço de cuidados paliativos.

A portaria que amplia a inserção de cuidados paliativos é a Portaria n° 19, de três de janeiro de 2002, que institui, no âmbito do Sistema único de Saúde, o Programa Nacional de Assistência a Dor e Cuidados Paliativos e traz no Artigo 1°, item b a afirmação: “Estimular a organização de serviços de saúde multidisciplinar para a assistência a pacientes com dor e que necessitam de cuidados paliativos…â€.

A Portaria n° 1 .3.19/GM, de 23 de julho de 2002, que criou, no âmbito do Sistema único de Saúde, os Centros de Referência em Tratamento da Dor, E A Portaria n° 881, de 19 de julho de 2001, que instituiu o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar, são importantes, pois subsidiam e estimulam a criação e implementação de serviços de cuidados paliativos no país.

Por serem recentes as exigências formais do Ministério da Saúde relativas à implantação do serviço de cuidados paliativos nas instituições de saúde de atendimento ao paciente portador de câncer, é possível afirmar que os cuidados paliativos no Brasil ainda são incipientes (5,6).
Referências:

1. Ferrel BR, Coyle, N. An overview of palliative nursing care. American Journal Nursing, V 102, n.5 p.26-32,2002.
2. Twycross, R. Medicina Paliativa: filosofia y consideraciones éticas. Acta Bioethica, v.6, n.1, p.27-46, 2000.
3. Figueiredo MTA – Educação em cuidados paliativos: uma experiência brasileira. O Mundo da Saúde, São Paulo, v.27, n1. p165-170. jan/mar. 2003.
4. Caponero, R. Muito além da cura de uma doença, profissionais lutam para humanizar o sofrimento humano. Prática Hospitalar, São Paulo, n.21, p. 29-34, mai-jun, 2002.
5. Rodrigues, IG.; Zago, MMF. Enfermagem em cuidados paliativos. O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 27, n.1, p.89- 92, jan/mar 2003.
6. Centro Universitário São Camilo [on line]

Veja Também:
Cuidados paliativos
Cuidados paliativos - no cotidiano dos médicos
Estudantes da área da saúde e a morte

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07
Abr

 Envelhecimento cerebral - Saúde Mental

Categoria(s): DNT, Neurogeriatria

Resenha

Estima-se que cerca de 50.000 a 100.000 neurônios desaparecem a cada dia. Entretanto, as perdas neuronais podem ser compensadas através da formação de novas sinapses e progressão dos axônios mesmo no cérebro envelhecido.

Estas características de neuroplasticidade são fundamentais para os processos adaptativos que podem ocorrer no cérebro com envelhecimento. As alterações decorrentes das perdas neuronais ou alterações nas sinapses em determinadas áreas cerebrais podem interferir modificando os diversos fatores químicos relacionados à neurotransmissão.

Os neurotransmissores (acetilcolina, dopamina, serotonina, noradrenalina e GABA) estão diminuídos de uma forma global e estão envolvidos em certas disfunções encontradas nos idosos, como a dificuldade de coordenação motora, distúrbios do sono e pequenos lapsos de memória.

Atualmente, temos excelentes métodos para estudar a morfologia cerebral. mas as funções ainda carecem de maior aperfeiçoamento. Os estudos na área do metabolísmo cerebral através da medicina nuclear poderão abrir importantes perpectivas para a melhor compreensão das alterações funcionais do cérebro.

No processo de envelhecimento pode existir uma lentificação da condução nervosa, no entanto, as informações são recuperadas, possibilitando ao idoso um desempenho cognitivo normal. Caso haja alguma alteração cognitiva, deve o médico que atende o indivíduo idoso, ter a sensibilidade de suspeitar de um quadro demencial, mesmo em suas fases iniciais, para que assim possam ser tomadas condutas mais adequadas, visando a preservação da capacidade funcional e da autonomia por mais tempo.

Estudos populacionais revelam que cerca de 40% dos idosos acima de 65 anos precisam de alguma ajuda para realizar tarefas do dia a dia, como, fazer compras, cuidar das finanças, limpar a casa. Uma parcela menor, mas significativa (10%), requer auxílio para realizar as tarefas básicas, como cuidar da própria higiene, alimentar-se e, até sentar e levantar de cadeiras ou camas.

Em relação à demência o padrão central é o prejuízo da memória. As demências podem ser causadas por uma série de doenças subjacentes, relacionadas às perdas neuronais e danos à estrutura cerebral. Além disso, pode-se observar prejuízo de pelo menos uma das seguintes capacidades de cognição: atenção, imaginação, compreensão, concentração, raciocínio, julgamento, afetividade, percepção, bem como se verifica afasia, apraxia, agnosia e perturbações nas funções de execução como, planejamento, organização, seqüência e abstração.

A incidência e a prevalência das demências aumentam exponencialmente com a idade, dobrando, aproximadamente, a cada 5,1 anos, a partir dos 60 anos de idade.

Por tornarem a pessoa progressivamente dependente, os transtornos demenciais podem provocar grande sofrimento, tanto para os pacientes quanto para seus familiares, que são obrigados a se reorganizarem para viabilizarem os cuidados à pessoa que adoece.

Em todo o mundo, a rede informal composta pela família, rede de amigos e por voluntários é a fonte primária da assistência aos idosos demenciados. Cerca de um quinto dos idosos dos países desenvolvidos recebe cuidados formais de natureza médica e social, porém, apenas a um terço desses cuidados são fornecidos em instituições, um sinal de que a manutenção dos idosos na comunidade e em suas casas ainda predomina. No Brasil, onde são poucas as alternativas de apoio formal são oferecidas, o amparo dado pela família e por outros membros da rede informal é de fundamental importância.

Deve-se ter em mente, a necessidade da sociedade de entender que o envelhecimento de sua população é uma questão que ultrapassa a esfera familiar e a responsabilidade individual, devendo alcançar o âmbito público.

Referência:

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE E ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Relatório sobre a saúde no mundo. Saúde mental: nova concepção, nova esperança. Genebra: Organização Mundial de Saúde, 2001.

Veja Também:
O estresse e o envelhecimento
Feminização do envelhecimento
Envelhecimento cerebral

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06
Abr

 Coração senil - Presbicárdia

Categoria(s): Cardiogeriatria, Fisioterapia

Resenha

O envelhecimento é um processo único e inexorável caracterizado pela redução gradativa da capacidade dos vários sistemas orgânicos em realizar eficazmente suas funções, associado ao estilo de vida do indivíduo. As doenças cardiovasculares são as principais causas de morbidade e mortalidade nesta faixa populacional.

coração

As principais alterações que ocorrem com o processo de envelhecimento e estão relacionadas à aptidão física são:

• Variáveis antropométricas (incremento do peso e da adiposidade corporal, afetando o índice de massa corpórea -IMC; diminuição da densidade óssea; redução da massa livre de gordura, nas variáveis metabólicas (decréscimo da potência aeróbia e redução do consumo máximo de oxigênio).

• Variáveis neuromotoras (diminuição da flexibilidade; redução do número de unidades motoras; diminuição da força de membros inferiores maior que de membros superiores; diminuição do número de fibras musculares, essencialmente do tipoII b.

Dentro destas variáveis, a diminuição da força muscular é, entretanto, um dos fatores que está mais diretamente relacionado com a independência funcional em pessoas idosas, podendo significar a diferença entre uma vida autônoma ou não. A importância da função muscular na autonomia do idoso reside no fato da força associar-se inegavelmente a uma grande quantidade de atividades cotidianas. A reserva funcional de certos indivíduos de idade avançada é por vezes tão baixa que atividades aparentemente fáceis e comuns como se vestir, tomar banho, passear pela rua, preparar sua própria refeição e se alimentar sozinho se tornam bastante difíceis.

O coração é o único órgão que com o envelhecimento não só não se atrofia mas, pelo contrário, se hipertrofia. Esta hipertrofia decorre do aumento da pós-carga associada ao envelhecimento, decorrente primordialmente do enrijecimento arterial. Na realidade, a alteração mais relevante que ocorre no sistema cardiovascular com o envelhecimento se dá na realidade no sistema vascular e não propriamente no coração. Da segunda à sexta década de vida a resistência vascular sistêmica aumenta cerca de 20%; no entanto, os componentes pulsáteis da pós-carga aumentam 140%. Este aumento decorre do enrijecimento arterial resultado do desgaste físico das fibras de elastina nas paredes vasculares ao longo do tempo, aos quais vão se rompendo e são substituídos pelas menos distensíveis fibras de colágeno. O enrijecimento das artérias acarreta no desenvolvimento de maior pressão na aorta para um mesmo volume sistólico ejetado, além de acelerar a velocidade que a frente de onda de pressão se propaga pelo sistema vascular, resultando em maior pressão arterial sistólica.

Outra alteração significante que ocorre no sistema cardiovascular com o envelhecimento é a diminuição da resposta β adrenérgica em todo o sistema cardiovascular: a resposta cronotrópica é diminuída, a resposta inotrópica é diminuída e a capacidade de vasodilatacão é diminuída.

Em termos funcionais, o envelhecimento se caracteriza por diminuição da reserva funcional dos diversos órgãos e sistemas. No sistema cardiovascular, isto se manifesta pela manutenção da função da bomba cardíaca em repouso. Deste modo, em repouso, o débito cardíaco (DC) e a fração de ejeção do VE não se alteram com o envelhecimento. NO entanto, a capacidade de aumentar o débito cardíaco e a fração de ejeção com o estresse, por exemplo, durante o exercício, é limitada.

Esta capacidade de exercício é mensurada pelo consumo máximo de oxigênio, que por sua vez depende da capacidade de geração de débito cardíaco e da capacidade de extração de O2 pela musculatura esquelética (VO2= DC X CavO2). O DC, por sua vez, depende do volume sistólico gerado e FC (DC= VS X FC). A capacidade de elevar a FC é limitada no idoso pela diminuição da resposta β- adrenérgica. A elevação do débito cardíaco fica assim mais dependente do aumento do volume sistólico e isto no idoso é alcançado através do emprego do mecanismo de Frank- starling. O coração do idoso se dilata durante o exercício para aumentar o volume sistólico e compensar, desta maneira, a limitada capacidade de elevar a FC.

Referências:

ANTONIAZZI, Regina Maria Copetti; PORTELA, Luiz Osório Cruz; DIAS, José Francisco Silva; SÃ, Clodoaldo Antônio de; MATHEUS, Silvana Corrêa; ROTH, Maria Amélia; MORAES, Luiz Bragança de; RADINS, Eduardo; MORAES, Jones de Oliveira de; alterações do VO2 máx. de indivíduos com idade entre 50 e 70 anos, decorrente de um programa de treinamento com pesos. Revista brasileira de atividade física & saúde v.4 n.3 1999.

DOUGLAS, Roberto e Cibele A. Fabichack. Tratado de Fisiologia Aplicada à Ciência da Saúde: 4ª edição. São Paulo: Robe, 1996.

GUYTON, Artur C. Tratado de Fisiologia Médica: 8ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara, 1992.

KISNER, Carolyn; LYNN, Allen Colly. Exercícios Terapêuticos: 2ª edição. São Paulo: Manole, 1992.

MCARDLE, Willian D.; KATCH, Frank I.; KATCH, Victor L. Fisiologia do exercício: 4ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara, 1998.

Veja Também:
Púrpura senil
Progeria
Poemas da Dalva Saudo - Coração solitário

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