08
Mar

 Engasgo no idoso

Categoria(s): Emergências, Fisioterapia, Gerontologia, Neurogeriatria, Nutrição, Saúde Geriátrica

Utilidade ao curador

Quando um corpo estranho (geralmente alimento ou líquido) “entala” na garganta ou passa através da glote para a traquéia, vem a sensação de sufocação, com dor local e reflexo da tosse que tenta desalojar o corpo estranho e desobstruir as vias aéreas.
Este processo agudo é chamado de “engasgo”, e constitue um emergência que deve ser tratada imediatamente sob a pena de levar a uma parada respiratório e mesmo o óbito.

O ato de deglutir (engolir) envolve três fases, a primeira, voluntária, quando a língua impulsiona os sólidos e líquidos para dentro da garganta; as outras duas fases são involuntárias e mais complexas. O ato de deglutir evita que partículas sólidas ou líquidas penetrem, pela glote, nos pulmões.

Em idosos, a incidência de alterações de deglutição é grande e aparece como um sintoma de doenças tais como o acidente vascular cerebral (AVC), Doença de Parkinson, Doença de Alzheimeir, que, freqüentemente, acometem essa população. Além disso, há um envelhecimento das estruturas que envolvem a deglutição, porém, apesar dessas mudanças, não há comprometimento na efetividade ou na segurança da deglutição em idosos saudáveis, que ocasionariam o engasgo com saliva e/ou alimento nessa população.
Como vimos existem várias doenças que, por alteração anatômica ou alteração da inervação da garganta, aumentam a possibilidade de engasgos, mas as pessoas podem engasgar-se sem que haja qualquer comprometimento, somente por pressa ao engolir, próteses dentárias inadequadas, excessos alimentares ou de líquidos na boca ou ainda ansiedade.

engasgoA manobra de Heimlich é o melhor método pré-hospitalar de eliminar a obstrução das vias aéreas superiores causada por corpo estranho. Essa manobra foi descrita pela primeira vez por Henry Heimlich em 1974 e induz uma tosse artificial, que deve expelir o objeto da traquéia da vítima. Resumidamente, uma pessoa fazendo a manobra usa as mãos para fazer pressão sobre final do diafragma. Isso comprimirá os pulmões e fará pressão sobre qualquer objeto estranho na traqueia.

Método - Posicione-se atrás da vítima, cerre o punho e o posicione com o polegar para dentro entre o umbigo e o osso esterno. Com a outra mão, segure o seu punho e puxe ambas as mãos na sua direção, com um rápido empurrão para cima e para dentro a partir dos cotovelos. Você deve comprimir a parte superior do abdômen contra a base dos pulmões, para expulsar o ar que ainda resta e forçar a eliminação do bloqueio. Repita por cinco vezes. Cada empurrão deve ser vigoroso o suficiente para deslocar o bloqueio.

Os idosos de uma forma geral, principalmente os intitucionalizados e os portadores de doenças neurológicas e degenerativas acidente vascular cerebral (AVC), Doença de Parkinson, Doença de Alzheimeir) devem ser avaliados por fonoaudiólogos (profissionais que atuam nos transtornos da deglutição) e dentistas, visando não somente um enfoque normalizador das estruturas da deglutição, mas também transmitindo a sensação de segurança ao idoso, que o desconfortável episódio de engasgo não mais ocorrerá.

Referência:

Rozenfeld M, Friedman S - A percepção subjetiva do engasgo em pessoas idosas. RBCEH - Revista Brasileira de Ciências do Envelhecimento Humano, Passo Fundo, 47-56 - Jun/dez.2005

Veja Também:
Índice de Katz
Terapia Ocupacional na Geriatria - Parte 5. TO e os Familiares
Cuidados ao medicar o paciente idoso

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08
Mar

 hiperesplenismo

Categoria(s): Dicionário, Gastrogeriatria

 Dicionário

O hiperesplenismo é uma condição clínica onde o baço “seqüestra” e acaba destruindo em um ritmo acelerado todos os tipos de células sangüíneas.

O baço é um órgão “esponjoso”, repleto de vasos sanguíneos, pois é responsável pela produção, armazenamento, controle (”de qualidade”) e destruição de células do sangue. Devido à essa característica, o aumento na pressão da veia esplênica faz com que o baço “inche”, assim ocorre aumento da resistência à passagem do sangue através do fígado (pela cirrose, esquistossomose e outras condições), aumenta a pressão sangüínea dentro do sistema porta hepático (hipertensão portal).

A figura abaixo ilustra o sistema porta hepático, onde a veia esplênica drena o sangue para a veia porta. Quando ocorre cirrose hepática o sangue tem dificuldade para passar pelo fígado e aumenta a pressão sangüínea na veia porta e desta em todo sistema que drena para a veia porta, como as veias mesentéricas.

hipertensão portal

No hiperesplenismo, a anemia (redução das células vermelhas - eritrócitos), a leucopenia (redução nos glóbulos brancos - leucócitos) e a plaquetopenia (redução nas plaquetas) podem estar todas presentes, ou não. Geralmente observa-se uma redução mais acentuada nas plaquetas do que nas demais, mas em parte a plaquetopenia também ocorre por outras condições associadas a hipertensão portal (coagulação intravascular disseminada), destruição por mecanismo imunológico (observada na hepatite C, por exemplo) e por deficiência de ácido fólico.

O hiperesplenismo geralmente não é tão intenso a ponto de causar sintomas, mas pode ser preocupante em algumas situações, como na plaquetopenia e leucopenia graves.

Para o tratamento é fundamental a determinação das causas que provocaram o aumento do baço.

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07
Mar

 Osteoporose na mulher

Categoria(s): Biogeriatria, Bioquímica, DNT, Reumatogeriatria

osteo

Resenha

Colaboradora : Priscila Struckel Miguel

O tecido ósseo é uma estrutura sólida que protege nossos orgãos vitais, age como um local para fixação do tendões e músculos, tem a função de agir como reservatório para os íons cálcio e fósforo, e principalmente, abriga em sua parte medular toda a “fábrica” de nosso sistema sangüíneo e parte do imunológico.

O osso é um tecido vivo composto de diferentes tipos de células. Duas delas têm papel fundamental no seu metabolismo: os osteoclástos, célula multinucleada com função de reabsorção óssea, formada a partir de suas células precursoras (os pré-osteoclastos) originadas da linhagem mesodérmica; e os osteoblastos, células com capacidade de formar osso, que são formadas a partir das suas células precursoras (pré-osteoblastos), cuja origem é ectodérmica.

Um dos processos mais interessante no corpo humano é a chamada remodelação óssea, funciona como se tivessemos uma parede com uma parte envelhecida e sem reboco, neste ponto entra os pedreiros de remoção da área estragada (osteoclastos) e em seguida os pedreiros com material novo (osteoblastos) deixando a parede nova e integra.

Os osteoclastos secretam ácido clorídrico e enzimas proteolíticas para remover o osso envelhecido e, os osteoblastos, então, fazem a deposição de nova matriz óssea. Todo esse processo dura de 5 a 10 dias. Uma vez formada a matriz estrutural básica, ocorre o processo de mineralização, que é mais lento.

A osteoporose ocorre, geralmente, como resultado do processo anormal na remodelação óssea, por vários motivos, nas mulheres, destacando-se, a pós-menopausa (diminuição da função ovariana e deficiência do estrogênio) e o envelhecimento, quando aumenta o grau de destruição e diminui o de formação, ocasionando o adelgaçamento dos ossos, tornando-os quebradiços.

Esta doença atinge um quarto das mulheres do mundo e é responsável por 60 a 70% das fraturas de que são vítimas depois dos 60 anos. A osteoporose e as suas conseqüentes fraturas contribuem para a péssima qualidade de vida das idosas.

As verdadeiras causas da osteoporose ainda são desconhecidas, porém já se conhecem alguns fatores de risco aumentam a probabilidade de seu desenvolvimento, tais como, diminuição dos estrogênios, baixa ingestão de cálcio, sedentarismo, falta da força gravitacional (osteoporose dos astronautas), uso corticosteroides.

A osteoporose progride sem ser notada por muitos anos, e nas sintomáticas, apresenta além das dores, perda de altura corporal, arredondamento dos ombros e postura encurvada ou “corcunda” (figura).

As mulheres têm 4 vezes mais chance de desenvolverem osteoporose do que os homens, pelas seguintes razões: Os ossos femininos são mais finos e leves. As mulheres vivem mais do que os homens, sofrem perda rápida de massa óssea na menopausa, devido queda do estrogênio, e um fator de extrema importância é o pico de massa óssea, ou seja, a quantidade de massa óssea que a menina consegue acumular até a fase de puberdade, o que lhe dará uma reserva para perdas futuras. É fato conhecido, que os meninos adquirem mais massa óssea, pelos exercícios competitivos e maior ingestão de alimentos ricos em cálcio e vitamina D, que as meninas, dai a suposição que os homens tenham maior reserva de massa óssea e menor tendência a osteoporose, que as mulheres.

O risco ainda aumenta nas mulheres que:
• Entram na menopausa antes dos 45 anos de idade, o que vale tanto para a menopausa natural como para a conseqüente da retirada dos ovários por cirurgia;
• Ter menstruações irregulares ou ausência de menstruação;
• Mulheres magras e de compleição pequena;
• Brancas ou orientais;
• As mulheres negras apresentam menor risco de osteoporose;
• Falta de atividade física, especialmente caminhadas e musculação.

O diagnóstico de osteoporose é feito através de exames de densitometria óssea, que afere com precisão o grau de densidade da massa óssea.

Os métodos de prevenção são simples: uma dieta balanceada rica em cálcio e suplementação de cálcio se necessário, exercícios diários (principalmente de impacto, que estimulam a renovação de células ósseas), postura adequada e banhos de sol diários, para a produção de vitamina D, responsável por fixar cálcio nos ossos.

Referências:

Foundation for Osteoporosis Research and Education [on line]

Sociedade Brasileira de Densitometria Óssea [on line]

* Graduanda do Curso de Ciências Biomédicas da METROCAMP

Veja Também:
Osteoporose
A mulher do século XXI - Osteoporose e TRH
Estudo de caso - Osteoporose

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07
Mar

 Insuficiência cardíaca diastólica

Categoria(s): Cardiogeriatria, Dicionário

Dicionário

O estudo do desempenho diastólico do ventrículo esquerdo foi negligênciado até pouco tempo atrás, quando Gibson e Brown desenvolveram método de análise da variação continua da dimensão ventricular esquerda, utilizando um sistema computadorizado, de aproveitamento de traçado ecocardiográfico.

Na conceituação clínica a fase diastólica do ciclo cardíaco, inicia-se com o fechamento das valvas semilunares (valvas aórtica e pulmonar), compreendendo a maior parte do relaxamento ventricular ativo, com os períodos isovolumétricos e de enchimento ventricular rápido, assim como a diástole ou enchimento “passivo” e, finalmente, o período que envolve a contração atrial. Assim, os métodos que avaliam o desempenho diastólico do ventrículo esquerdo, baseam-se na variação de dimensão ou de volume durante o relaxamento, se referem essencialmente a fase de enchimento ventricular, no contexto da definição clínica de diástole.

O relaxamento do coração e o determinante fundamental do enchimento ventricular rápido. Trata-se de um processo dependente de energia, que corresponde ao seqüestro ativa, contra-gradiente, do ion cálcio liberado da troponina durante a ativação contrátil. Tem sido documentados distúrbios neste processo de captação do cálcio pelo reticulo sarcoplasmático nos casos de falência ventricular com ICC. Também existem relatos de alterações do relaxamento ventricular em corações intactos, submetidos a condições especiais como hipóxia, isquemia, hipertireoidismo.

A avaliação do desempenho diastólico do ventrículo esquerdo são utilizados básicamente os seguintes índices: velocidade máxima (VMA), velocidade máxima normalizada (VMNA) e tempo para a velocidade máxima (TVMA) de alongamento da dimensão transversal ventricular esquerda.

O valor normal da VMA é de 12.2 a 19.4 cm/s.

O valor da VMNA é de 3.0 a 5.3 s-1.

O valor da TVMA é de 98 a 123 ms.

As patologias que provocam a IC diastólica são as cardiomiopatias restritivas e a pericardite constritíva.

O tratamento das insuficiências cardíacas diastólicas é feito utilizando-se medicamentos beta-bloqueadores, ou bloqueadores dos canais de cálcio que provocam a diminuição da forca contrátil do miocárdio ventricular.

Referências:

Weber KT, Janicki S - The heart as a muscle-pump system and the concept of heart failure. Am Heart J. 1979;98:371.

Carvalho-Azevedo A. - Insuficiência cardíaca com função sistólica normal: insuficiência cardíaca diastólica. Arq Bras Cardiol. 1986;47:157.

Hirota Y - A clínical study of left ventricular relaxation. Circulation. 1980;62:756.

Gaasch WH, Quinones MA, Waisser E, Thiel HG, Alexander JK - Diastolic compliance of the left ventricle in man. Am J Cardiol,1975;36:193.

Marin-Neto JA, Souza ACS - Avaliação do desempenho diastólico do ventrículo esquerdo mediante técnica ecocardiográfica computadorizada. Arq Bras Cardiol. 1988;50(3):141-144.

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Veja Também:
Estudo de caso - Pericardite por radioterapia
Endomiocardiofibrose
Pericardite constritiva

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07
Mar

 Síndrome hepatorrenal

Categoria(s): Dicionário, Gastrogeriatria, Nefrogeriatria

 Dicionário

A síndrome hepatorrenal ou nefropatia hepática é insuficiência renal funcional (não há lesão morfológica), ocasionada por redução do fluxo sanguíneo para os rins e inversão do fluxo córtico-medular. A síndrome hepatorenal ocorre nos pacientes portadores de cirrose hepática em fases avançadas.

O diagnóstico deve ser suspeitado em paciente evoluindo com azotemia progressiva e oligúria, com função tubular preservada (sódio urinário inferior a 10 meq/dia, relação da creatinina urinária em relação à plasmática <40 e osmolaridade urinária elevada).

O diagnóstico diferencial com a insuficiência pré-renal é feito pela expansão do intravascular que não é capaz de restabelecer a função na síndrome hepatorrenal. a síndrome hepatorrenal é indicação formal de transplante de fígado.

Veja Também:
Síndrome da alça curta
Síndrome de Hutchinson-Gilford
Síndrome de Wiedemann-Rautenstrauch

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