|
14
Mar
|
Glaucoma nos idosos
Categoria(s): Emergências, Neurogeriatria, Programa de saúde |
Resenha
Colaboradora : Andréa Denise do Prado *
* Clínica Geral e Geriatra
Os sintomas visuais que despertam o geriatra para o encaminhamento do idoso para o oftalmologista, com a suspeita de glaucoma são, visão ofuscada e má definição dos contrastes. A ofuscação é mais incômoda para o paciente na luz direta do sol ou durante a noite. A má diferenciação dos contrastes é a dificuldade ou incapacidade de distinguir as figuras em local mal iluminado.
Estes sintomas ficam muito exuberantes e inspiram cuidados, quando o idoso esta dirigindo noite.
Outros sintomas precoces de glaucoma são: a perda da visão nos campos periféricos com ilustra a figura, que ocorre nos glaucomas de ângulo aberto, e dor no olho ou na sombrancelha, visão nublada e halos coloridos em volta das luzes, que ocorrem nos glaucomas de ângulo fechado.
O glaucoma é um distúrbio caracterizado por aumento da pressão intra-ocular que pode causar uma diminuição de visão, variando de perda pequena cegueira absoluta. Uma gonioscopia competente do ângulo da câmara anterior é essencial para o diagnóstico apropriado e classificação dos glaucomas
O glaucoma primário pode ser de 2 tipos: 1) Crônico de ângulo aberto (ângulo largo) ou 2) Agudo ou crônico de fechamento angular (ângulo fechado, ângulo estreito, congestivo, crise de glaucoma agudo).
O glaucoma secundário resulta de doença ocular preexistente (uveíte, tumor intra-ocular ou catarata).
A terapia prolongada com corticosteróides, especialmente com preparações tópicas podem produzir aumento da pressão em pacientes “esteróides sensíveis”- pode estar presente após uma semana, mas usualmente ocorre entre 6 e 8 semanas após término da terapia.
O glaucoma absoluto é o último estágio de qualquer glaucoma não controlado. O olho fica cego por atrofia progressiva da cabeça do nervo óptico. Usualmente, a pupila é amplamente dilatada e fixa, a íris atrofiada e o disco óptico profundamente escavado. A dor não é muito proeminente, mas pode recorrer. O globo ocular subseqüentemente degenera-se.
Formas e características dos glaucomas:
Crônico de ângulo aberto - Raros em crianças e adultos jovens. O ângulo iridocorneal é amplamente aberto; pode mostrar depósitos pigmentares. Pupila não dilatada, íris pode estar atrófica na evolução. Cabeça do nervo óptico pode aparecer normal ou mostrar escavação.
Defeito de campo visual progressivo se não tratado PIO: ligeiramente ou acentuadamente elevada. Usualmente bilateral.
Sintomas: borramento da visão, mudança freqüente de óculos. Cefaléia ocasional, freqüentemente atribuída pelo paciente tensão nervosa ou problemas sinusais.
Crônico de ângulo fechado agudo - Este glaucoma é mais freqüente após os 30 anos de idade). O ângulo iridocorneal: fechado durante a crise aguda; estreitos nos intervalos. Córnea: embaçada; freqüente edema microcístico do epitélio. Pupila médio-dilatada, fixa. Íris parece turva. Cabeça do nervo óptico obscurecida durante a crise; pode ser normal. Pode mostrar escavação após diversos ataques. Pode desenvolver defeito de campo glaucomatoso típico. PIO: 40-70mmHg ou mesmo maior. Usualmente unilateral.
Sintomas: dores de cabeça e ocular intensas, borramento de visão, halos em volta da luz, mal-estar geral, náuseas, algumas vezes vômitos.
Crise glaucomatociclítica - este tipo de glaucoma ocorre do adulto jovem até os idosos. O ângulo iridoconeal é estreito ou amplamente aberto. Córnea pode ser clara com precipitados ceráticos; edema pode estar presente. Pupila pouco ou não dilatada. Cabeça do nervo óptico está,usualmente, sem escavação. Nenhuma perda de campo visual. PIO: >ou= a 50. Usualmente unilateral.
Sintomas: visão borrada, halos em volta da luz, cefaléia. Náusea é rara.
Glaucoma de ângulo fechado crônico (crise glaucomatosa recorrente) - ocorre em qualquer idade. O ângulo iridoconeal é estreito; eclosível com sinéquia anterior periférica. Córnea usualmente embaçada durante a crise; clara entre as crises. Pupila dilatada durante a crise, normal entre as crises. Cabeça do nervo óptico é igual ao do glaucoma de ângulo fechado. PIO > ou = 70 (durante a crise), entre as crises = normal. Usualmente unilateral.
Sintomas: cefaléia intensa durante as crises, visão borrada, halos em volta da luz. Náusea é rara.
Glaucoma secundário - Este tipo de glaucoma ocorre em qualquer idade, usualmente secundário uveíte. O ângulo iridoconeal pode ser bloqueado por restos inflamatórios ou pigmentos. Córnea pode ser embaçada; edema macrocístico pode estar presente. Pupila pode ser estreita; íris pode parecer turva. Cabeça do nervo óptico: inicialmente normal; se a condição persistir, pode ser escavada ou atrófica. Pode se desenvolver defeito de campo glaucomatoso. Pode ser maior ou igual a 50mmHg. Usualmente unilateral.
Sintomas: visão borrada, halos em volta da luz, cefaléia. Náusea é rara.
Glaucoma induzido por coricosteróides - Este glaucoma ocorre em qualquer idade em pessoas suceptíveis após uso prolongado de corticosteróide tópico ou sistêmico. O ângulo iridoconeal é estreito. Córnea usualmente clara. Pupila reage; não contrai ou dilata. Inicialmente nenhuma escavação; se não tratado: pode desenvolver escavação. Desenvolve defeito de campo glaucomatoso. Pode ser maior ou igual 50mmHg. Freqüentemente unilateral.
Sintomas: visão borrada e halos são raros no início, cefaléia pode estar presente.
Tratamento
O tratamento do glaucoma agudo é complexo, envolvendo o uso freqüente de instilação de colírios (pilocarpina e corticóides), drogas por via oral (acetazolamida) e endovenosa (manitol). Este tratamento é feito pelo oftalmologista. As doses terapêuticas são modificadas em função da resposta clínica. Quando o surto agudo não se resolve com drogas, o paciente deve ser operado.
O tratamento do glaucoma crônico visa manter o idoso em boas condições sistêmicas e reduzir a PIO. As drogas mais utilizadas para baixar a PIO são freqüentemente administradas na forma de colírios e pomadas oftálmicas: pilocarpina e afins, derivados da adrenalina, timolol. Recomendam-se visitas periódicas ao oftalmologista a cada 6 meses (revisão da PIO, campos visuais e fundo de olho). A cirurgia ou aplicação de fotocoagulação por laser têm indicação preferencial ao tratamento clínico. Drogas sistêmicas também são usadas. A mais utilizada é a acetazolamida em comprimidos, porém, não devem ser mantidas indefinidamente, preferem-se as doses mais baixas (pelos efeitos colaterais). Não há restrição de alimentos ou bebidas.
Referência:
Adelman AM - Distúrbios Auditivos e Visuais In Adelman AM & Daly MP 20 problemas + comuns em Geriatria Editora Revinter, Rio de Janeiro 2004. Cap 13: 247-253.
Veja Também:
Cefaléia nos idosos
Envelhecimento dos olhos
Miopatia mitocondrial
Permalink
Comentários (8)
Indique esse artigo