18
Mar

 Iatrogenia - Perigo dos anticoagulantes orais

Categoria(s): Bioquímica, Emergências, Gerontologia, Programa de saúde

Editorial

Existe uma opinião comum que os produtos derivados de plantas medicinais não causa malefício, pois são naturais, ao contrário dos produtos manufaturados ou químicos. Sendo que, entre 16% a 18% de adultos nos Estados Unidos usam regularmente este medicamentos por escolha própria ou indicação de conhecidos, sendo bastante comum o idoso não relacionar e dizer ao seu médico que esta usando estes “suplementos”. Em nosso meio criou-se a cultura da “Ginkgo biloba”, plantas que segundo alguns, tem muitas propriedades que retardam o envelhecimento e melhoram o estado circulatório.

ginkgoGostariamos de chamar a atenção que este fitoterápico não é isento de risco para a saúde. Têm propriedades que diminuem o estado de coagulabilidade sangüínea e pode potencializar o uso de anticoagulante oral, causando sangramentos importantes.

Vários medicamentos interagem como o anticoagulante oral, potencializando a sua ação, levando a sangramento, como: amiodarona; esteroides anabolizantes; cimetidine; omeprazol; clofibrato; eritromicina; tetraciclina; ciplofloxacina; miconazol; fluconazol; isoniazida; metronidazol; propranolol; quinidine; ácido acetil salicílico; tamoxifeno; indometacina; acetominofen.

O uso de todos estes medicamentos devem ser investigados nas histórias clínicas dos pacientes em uso de anticoagulante-oral, especialmente a gingko biloba e seu derivados, que muitas vezes não são relatados e podem estar associados as ditas “formulas vitamínicas” ou “anti-envelhecimento”.

Referência:

Hoblyn JC & Books III JO - Herbal supplements in olders adults Geriatrics, Fev 2005 Vol 6 n.2:18-23. [on line]

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Veja Também:
Estudo de caso - Fibrilação atrial paroxística
Anticoagulação oral nos idosos
Estudo de caso - Síndrome de Behçet

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17
Mar

 Vitamina B1 (Tiamina) - deficiência nos idosos

Categoria(s): Biogeriatria, Bioquímica, Gastrogeriatria, Nutrição, Psicogeriatria, Saúde Geriátrica

frutas

Ortomolecular

Os idosos por uma série de circunstâncias, apresentam algum grau de de carência alimentar, a chamada “desnutrição oculta” , ou seja, apesar de se alimentar, não ingere vitaminas e oligoelementos nas quantidades necessárias para o bem estar da saúde. Tanto os oligoelementos (sódio, potássio, magnésio, boro, cálcio, etc) como as vitaminas devem ser obtidas das frutas, verduras e legumes, em estado natural. Estes elementos, não são fabricados pelo ser humano, e quando cozidos os vegetais, perdem muitas de suas propriedades, sobretudo as vitaminas.

Vitaminas são compostos químicos (aminas) vitais para a vida, dai o nome vital + amina. Como relatamos acima o ser humano fabrica hormônios, enzimas, proteínas, mas não fabrica vitaminas, que são ingeridas e estocadas no organismo.
Freqüentemente, a deficiência de tiamina (Vitamina B12) está associada ao alcoolísmo, tendo como suas principais manifestações, as neurites, a cardiopatia beribérica e a encefalopatia de Wernicke-Korsakoff.

Nos idosos pode ocorrer deficit “subclínico” onde os sinais e sintomas são inespecíficos e variados, como, irritabilidade, insônia, cãimbras, deficit de memória, fadiga, etc. Pepersack e cols. 1999, em estudos populacionais com idosos mostraram que 8% a 31% dos idosos que vivem em seu domicílio e 23% a 40% dos que vivem institucionalizados possuem de deficiência de tiamina, exibem quadros subclínicos, e tem piora da sua qualidade de vida. Dai a necessidade de seu rápido reconhecimento e suplementação alimentar.

A tiamina é conhecida como “vitamina da moral’ ou ‘vitamina do humor” pelos efeitos benéficos sobre o sistema nervoso e a disposição mental, possivelmente porque favorece o metabolismo dos carboidratos, liberando ATP (fonte de energia para o cérebro).

A tiamina é sintetizada pela bactérias da flora intestinal, são hidrossolúveis e se perde com o cozimento. A quantidade de tiamina diminui com a utilização exagerada de açúcar, café, chá preto, nicotina e álcool.

A forma ativa da tiamina é a tiamina pirifosfato.

Propriedades funcionais
- Reduz a fadiga física e aumenta a disposição mental junto com a vitamina B6.

- Coadjuvante em tratamento da dor e da ansiedade.

- Auxilia nas terapias neurológicas: paralisia facial, esclerose múltipla e neurites.

- Usada no tratamento do estresse e tensões musculares.

Interações:O magnésio e o zinco facilitam sua utilização pelos tecidos, e a vitamina C intensifica sua ação sobre o cérebro.

Fontes naturais
Levedura de cerveja, cereais e grãos integrais, castanha do Pará, gema de ovo, carne, nozes, farinha de trigo, germe de trigo.

Doenças causadas por carência de Vitamina B1:

Degeneração cerebral (afetando orientação geral e capacidade de andar) - Síndrome de Wernicke - Korsakoffn e o Beribéri.

Vários pesquisadores têm observado a ocorrência (44% dos casos) da deficiência de vitamina B1 nos pacientes idosos portadores de deficit coginitivos, analisados através do mini-exame do estado mental e de suas habilidades no desempenho das atividades diárias. Sugerindo que sua suplementação melhoraria o quadro.
Sintomas que podem sugerir carência de tiamina; sudorese noturna, caimbras, parestesias (formigamento) nas mãos e pés, confusão mental, fraqueza geral, desorientação, ansiedade, nervosismo, fadiga, insônia, perda da coordenação motora e perda do equilíbrio.

Referências:

Global Aging on Action [on line]

Mayo Clinic - Drugs & Supplements - Thiamin (thiamine), vitamin B1 [on line]

Marchini JS, Ferriolli E, Moriguti JC. Suporte nutricional no paciente idoso: definição, avaliação e intervenção. Medicina, Ribeirão Preto jan/mar 1998;31:54-61.

O’Keefee - Thiamine deficiency in elderly people. Age and ageing, 2000;29:99-101.

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Veja Também:
Hipovitaminose de tiamina - shoshin beriberi
Vitaminas - O que são?
Beribéri

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16
Mar

 Fatores de risco para a mortalidade em idosos

Categoria(s): DNT, Demografia, Gerontologia, Programa de saúde

Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jovê Motti

A idade e o sexo são considerados os fatores imutáveis de risco para óbitos em idosos. Dentre aqueles fatores que podemos alterar estão a hospitalização, a dependência para realizar as atividades de vida diária, algumas doenças como a depressão e o câncer, o isolamento social e a falta de suporte familiar, o nível socioeconômico e a autoavaliação negativa da saúde.

Idade - é considerada o melhor indicador de risco pois a probabilidade de adquirir uma doença crônica ou ter um quadro de incapacidade aumenta com a idade. Diminuem progressivamente a capacidade e as reservas funcionais, aumentando a suscetibilidade aos problemas de saúde e possibilitando a morte.

Sexo - os homens são mais suscetíveis que as mulheres. As mulheres procuram mais a assistência médica do que os homens, houve uma diminuição de óbitos por causa materna devido a assistência e tratamento médico. A proteção do hormônio feminino durante a idade fértil é considerado protetor em relação a eventos cardíacos. Riscos diferentes em relação ao local do trabalho, trajeto,o tipo de trabalho , riscos ambientais e ocupacionais, mais freqüentes para homens que nas mulheres que trabalham em casa. Hábito como fumar e uso de bebida é bem mais comum em homens, aumentando o número de risco para diversas doenças. Porém com a mudança dos hábitos essa situação pode se inverter.

Doenças - as doenças cardiovasculares representam um maior risco de mortalidade em idosos. Relacionadas ao tabagismo, alcoolismo e falta de atividade física. Pacientes com diabetes e hipertensão também apresentam maior risco de mortalidade. Doenças do aparelho respiratório representam a segunda maior causa de internação e a terceira causa de óbito no Brasil (DPOC- enfisema, bronquite, Pneumonia…)

Hospitalização - é considerada fator de risco para óbitos por provocar condições que agravam a saúde, como infecções, isolamento social, iatrogenia, entre outras que podem proporcionar perda de independência e autonomia. Idosos hospitalizados apresentam um declínio físico progressivo e após a alta hospitalar, nem sempre conseguem recuperar o seu desempenho funcional anterior.

AVD – a dependência nas atividades de vida diária para o idoso é considerada um fator de risco principalmente se ele não tiver uma estrutura adequada para atender as suas necessidades. Idosos acamados ou mesmo com dificuldade de locomoção apresentam maior risco de óbito.

A cognição (memória) – o prejuízo do desempenho cognitivo pode alterar a capacidade funcional e comprometer outros domínios, como o físico e o social. A demência e a depressão levam a perda da autonomia e da independência, e estão associadas ao maior risco de mortalidade. (observado em um artigo1 de ortopedia onde a taxa de mortalidade é maior em pacientes pós cirurgia de colo de fêmur, quando o idoso apresenta alterações cognitivas, principalmente a depressão e a demência).

A auto-avaliação de saúde – Segundo Benyamini & Ilder, a maioria das pesquisas realizadas desde a década de 80, os idosos que auto-referiam saúde ruim apresentaram maior incidência de óbito do que aqueles que consideravam excelente.

Nível sócio econômico – de acordo com o artigo 3 há um aumento de risco de óbito 2 vezes no risco de mortalidade dos idosos em ambos os sexos

A prevenção dos riscos continua sendo a melhor solução para melhorar a sobrevida, seja o paciente idoso acamado (frágil) ou independente. Procurar participar das campanhas de vacinação contra a gripe, pneumonia, tétano; adequar o meio ambiente para receber o idoso, com medidas de prevenção para quedas, retirando os tapetes, adaptando o banheiro, o quarto, evitando as escadas e desníveis, entre outras medidas; orientando e estimulando uma mudança na vida diária, através de atividade física, socializando com amigos, jogos,laser, eliminando os vícios e estimulando as atividades sociais. Principalmente oferecendo aporte ao familiar, para que este tenha condições de assistir melhor o seu familiar.

A idade não é vista como um fator de mortalidade por si só, e sim a história de vida do paciente, suas doenças adquiridas no decorrer de sua existência e a falta de atenção preventiva das doenças crônicas. Toda uma história mais os fatores de agravamento e ai sim a idade podem ser considerada o fator de morbimortalidade.

Referências:

1-CUNHA, U e VEADO MAC- Fratura da extremidade proximal do fêmur em idosos: independência funcional e mortalidade em um ano. Revista de Ortopedia e Traumatologia, junho 2006,VOL 41, NO 6,p.195-199.[on line]
2- MAIA FOM, DUARTE YAO,LEBRAO ML et al Risk factors for mortality among elderly people. Revista Saúde Pública, Dec. 2006, vol.40, no.6, p.1049-1056. [on line]

3-RUIZ, T, CHALITA, LVAS, BARROS MBA - Estudo de Sobrevivência de uma coorte de pessoas de 60 anos e mais no município de Botucatu (SP) Brasil. Revista Brasileira Epidemiologia, Sept. 2003, vol.6, no.3, p.227-236. [on line]

Veja Também:
Transição epidemiológica da população brasileira
Estudo de caso - Avaliação pré-operatória do risco pulmonar
Transição demográfica

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16
Mar

 Reação maciça de Riddoch - Transecção completa da medula

Categoria(s): Conceitos, Neurogeriatria

Dicionário

Nos casos de transecção completa da medula, pode ocorrer, a chamada reação maciça de Riddoch - caracterizada por tríplice flexão (flexão do pé sobre a perna, da perna sobre a coxa e desta sobre a bacia), contracão dos músculos abdominais, esvasiamento da bexiga e do reto, hiperidrose, eritema reflexo e reaçnao pilomotora nos membros inferiores.

Referência:

Lent R. Cem Bilhões de Neurônios - Conceitos Fundamentais de Neurociência. Editora Ateneu São Paulo 2001. Cap.11 O corpo se Move 341-373; Cap12 O Alto comando motor.376-418

Sanvito WL - Propedêutica Neurológica Básica. Atheneu, Rio de janeiro.2002.

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Reflexos de automatismo medular - manobra de Babinski
Organizando o controle do sistema motor: centros ordenadores
Aplasia da medula óssea - Conceitos e tratamento

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15
Mar

 Hemorroidas nos idosos - medo e preconceito

Categoria(s): Emergências, Gastrogeriatria

Editorial

Mais de 80% da população convive com doenças das hemorróidas, mas, por medo ou vergonha, poucas procuram ajuda médica.

hemorroidasAs hemorroidas são dilatações do plexo venosos hemorroidário, situam-se no canal anal, que tem cêrca de 2 a 2,5 cm de comprimento, situando-se entre o ânus (esfincter externo) e a linha denteada ou pectínia (internamente, veja seta na figura), onde começa o reto (esfincter interno). A drenagem venosa do canal anal é dividida pela linha pectínia em: plexo hemorroidário superior ou interno, drena o sangue para o sistema portal através da veia hemorroidária superior e veias mesentéricas inferiores. Estas hemorroidas, geralmente, são indolores.

Plexo hemorroidário inferior ou externo, que começa abaixo da linha pectínea e drena o sangue através das veias hemorroidárias inferiores ou medianas para a veia ilíaca interna. Essas hemorróidas podem ser desconfortáveias e dolorosas.

Adiar a consulta e o tratamento pode levar ao agravamento da doença, pois quando atingem o grau mais avançado, os chamados mamilos hemorroidários só podem ser removidos com cirurgia.

Outro perigo é que a falta de avaliação médica pode retardar o diagnóstico de doenças graves, como o câncer retal, que tem sintomas - como sangramento e constipação-, semelhantes aos provocados pelas hemorróidas.

As pessoas, porém, não devem se impressionar apenas com os sintomas. “O fato de ter hemorróidas não é indicativo de câncer. Não há nenhuma relação entre uma coisa e outra. Também não quer dizer que a única solução seja a cirurgia. Hoje há várias opções de tratamento”.

A alimentação inadequada - especialmente as dietas pobres em fibras e a pouca ingestão de líquidos - associada a uma vida sedentária leva a um esforço evacuatório, o que pode desencadear a doença hemorroidária, sobretudo nos idosos.
Hábitos errados, como o de ler sentado no vaso sanitário, também podem aumentar o número de “crises” das hemorróidas por provocar uma pressão na área retal.

Trombose hemorroidária - As hemorróidas externas trombosadas, são na maioria dos casos devidas à rutura de uma veia do plexo hemorroidário extreno, durante um esforço para defecar originando um hematoma submucoso tenso; surge uma dor intensa e súbita além de um típico nóculo arredondado no orifício anal, recoberto por pele tensa contendo um coágulo azulado.

Tratamento - Em geral, nos graus iniciais, o tratamento da doença hemorroidária é clínico, à base de pomadas anestésicas, reguladores intestinais e orientação para mudança de hábitos alimentares. No caso das hemorróidas internas, pode ser indicada a ligadura elástica, que dispensa anestesia. As técnicas muito usadas no passado, como a crioterapia (aplicação de nitrogênio líquido que causa a necrose da hemorróida) e a fotocoagulação (aplicação de raios infravermelhos na mucosa e submucosa retal), estão hoje em desuso.

Nos pacientes em que as hemorróidas ficam fora do canal retal, a indicação é quase sempre cirúrgica. Uma nova técnica é a do grampeamento, que possibilita um pós-operatório mais rápido e indolor. Nas cirurgias convencionais, a cicatrização total leva em média um mês, período em que a pessoa costuma sentir dor durante as evacuações.
Nos casos de hemorróidas externas ou mistas, os cirurgiões costumam optar pela técnica convencional (hemorroidectomia), que pode ser aberta (a cicatrização ocorre espontaneamente), fechada ou semifechada.

A hemorroidectomia aberta permite uma cicatrização mais uniforme. O inconveniente é que a cicatrização é mais lenta e dolorosa. Na técnica fechada, o principal problema é a perda dos pontos e um risco maior de ocorrer estenose (estreitamento do canal anal).

De acordo com os proctologistas, até 10% das pessoas que operaram as hemorróidas podem voltar a apresentar o problema, anos mais tarde, em outras veias. Esta “recidiva” pode acontecer em casos em que a cirurgia foi incompleta, ou feita em fase precoce, e o paciente não reeducou o seu hábito alimentar.

Referências:

Quilici FA - Tratamento atual das hemorróidas In Dani RA A Gastroenterologia Hoje e Amanhã. Fepege 1996.

Quilici FA - Doenças Anorretais. Coleção Altana em Doenças Gastrointestinais. 2002.

Veja Também:
Poemas da Dalva Saudo - Preconceito
Poemas da Dalva Saudo - Cansaço
Poemas de Silvia Trevisani - Medo de amar

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