28
Mar

 Tanatologia - Visita ao avô doente

Categoria(s): Gerontologia, Psicogeriatria, Sociologia, Tanatologia

Opinião

anjo

Alguns são escolhidos para ministro, outros para presidentes, raros para papa, mas certamente, todos seremos escolhidos para morrer. De forma rápido ou lenta, tranqüila ou sofrida, entre amigos ou entre desconhecidos, nas mãos de quem nos ama ou nas mãos de bandidos. Ninguém sabe como vai acontecer.

___ “Vou ter que passar na casa de meu pai que “está nas últimas”. É melhor, não levar as crianças. Não será bom para elas.”

A idéia da morte, muitas vezes nos revela sentimentos dolorosos e de perda e não queremos passar e muito menos que as crianças sofram com isso.

Como cita Rosely Sayão, “O que pode acontecer a uma criança se ela for colocada diante da morte? Não sabemos, e o nosso problema é pensar que sabemos, fazer previsões e planejar proteção. E é desse modo que arrancamos das crianças muitas possibilidades vitais. Uma delas é a de que tenham a oportunidade de pôr em palavras o que sentem e pensam; outra, a de experimentarem certas emoções e se mobilizarem para fazer frente a elas.”

Visitar um parente em fase terminal, nos desperta emoções diversas, como compaixão, solidariedade, desespero, tristeza, angústia, revolta, aflição. As emoções são sentidas e transmitidas, muito mais por imagens, gestos e atos, geralmente sem nenhuma palavra. As emoções nos contagiam; é certo que, em um velório a tristeza nos contamina e, nos aniversários a alegria, também.

Muitas vezes a visita ao ente querido, não se apresenta com emoções negativas, como despertadas antes da visita, e sim emoções de tranqüilidade, serenidade, paz e conforto. Estas sensações são passadas pelas pessoas experientes, que compreendem a finitude da vida e seu significado, onde a morte é apenas mais uma etapa.

O Famoso musical da Broadway “Cats” de Andrew Lloyd Webber, baseado no “Old Possum’s Book of Practical Cats, do poeta T.S. Eliot, trata do conceito morte de forma lúdica onde o gato líder Old Deuteronomy, faz a escolha e anuncia qual dos gatos do lugar chamado “Heavyside Layer” renascerá para uma nova vida, é uma bom exemplo de como a morte deve ser vista e entendida pela crianças.

O complexo grupo familiar reage diante da morte das mais variadas formas, como bem relata Cecilia G. Echeverri no capítulo - O Grupo Familiar Diante da Morte, de Jaramillo - Morrer Bem.

Referências:

Rosely Sayão - Folha Caderno Equilíbrio 15/mar/2007.

Jaramillo IF - Morrer Bem. Editora Planeta 2006.

Veja Também:
Tanatologia e eutanásia
Terminalidade - Parte 6. Atendimento domiciliar
Terminalidade - Parte 3. A importância da comunicação

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27
Mar

 Alterações no sono do idoso: insônia, hipersonia e apnéia do sono

Categoria(s): Gerontologia, Neurogeriatria, Psicogeriatria

Painel

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti *

* Médica geriatra

inso

As alterações do sono podem ocorrer por diversos motivos, desde problemas relacionados ao próprio sono, por problemas médicos, farmacológicos, sociais e psicológicos; e em qualquer idade, entretanto observa-se um maior número de queixas pelos idosos (90%).

O idoso dorme cerca de 6 horas principalmente os que não apresentam problemas médicos, enquanto o adulto dorme de 7 a 8 horas de sono, o adolescente em torno de 8hs e a criança ainda mais de 10 a 16hs (no recém–nascido).

Os fatores que levam o idoso a apresentar a queixa de alterações no sono são:
1. diminuição da capacidade de dormir;
2. aumento dos problemas respiratórios durante o sono;
3. aumento da atividade mioclônica noturna;
4. mudanças da fase do sono;
5. perturbações neuropsiquiátricas como depressão e demência;
6. dor e limitação de mobilidade;
7. hábitos errados de sono;
8. refluxo gastroesofágico;
9. causas iatrogênicas;
10. causas ambientais adversas.

A classificação dos distúrbios do sono mais importantes para o geriatra e gerontólogo são: a Insônia, a hipersonia e a apnéia do sono.

A insônia tem por definição a dificuldade de iniciar e manter o sono,e é classificada com relação a parte do sono comprometida, sendo insônia inicial quando a pessoa custa a pegar no sono, insônia intermediária quando acorda durante a noite e a insônia final quando acorda muito cedo.

Glislason, 1993, mostrou a maior prevalência de insônia inicial em homens de 75 a 79 anos e em mulheres de 70 a 74 anos. Quando a insônia é intermediária há prevalência de 42,2% em homens entre 75 e 79 anos e 40,4% das mulheres entre 80 e 84 anos. A insônia final (despertar precoce) é de 16,7%, e o despertar ocasional é de 19,9%.

As causas de insônia são: distúrbios clínicos, psiquiátricos, do ciclo circadiano, primários do sono, problemas comportamentais, efeitos de drogas e fatores ambientais.
Em termos de gravidade, a insônia afeta mais o aspecto psíquico e social da vida, do que o biológico, entretanto os idosos tendem a sofrer acidentes.

As causas farmacológicas que levam a insônia são as metilxantinas, como a cafeína e a teofilina; as drogas simpatomiméticas como a efedrina, o álcool, os corticóides, as tiroxinas, alguns neurolépticos e antidepressivos, particularmente os modernos inibidores seletivos de recaptação da serotonina. Os anti-histamínicos e os tranqüilizantes diazepínicos podem causar efeito paradoxal nos idosos, produzindo mais insônia.

Quando as causas médicas de insônia, pode-se citar as dificuldades urinárias, doenças articulares, bursites, refluxo gastro-esofágico, dificuldades do aparelho digestivo, doença pulmonar obstrutiva crônica.

Quanto as causas psicológicas têm-se o estresse mais acentuado no idoso, que leva ao estado depressivo por diversos motivos como a viuvez, perda do seu espaço social e financeiro, sentimento de abandono entre outros motivos.

Em relação a alteração psiquiátrica encontra-se a ansiedade, a depressão e a demência associada a insônia.

Causas ambientais observadas é ver televisão até tarde, ficar lendo, dormir tarde entre outros costumes.

Hipersonia é um transtorno que se manifesta pelo fato de dormir demais, ou seja por passar dormindo a maior parte que deveria estar acordado (Ballone,2002). Pode ser secundária à insônia noturna, em que o idoso acaba dormindo em excesso de dia; ou pode ser causada por: hipotireoidismo, hipoglicemia, má ventilação pulmonar nos pacientes com enfisema pulmonar, por uso de anti-histamínicos ou tranqüilizantes. Outras medicações podem levar a hipersonia como antiespamódicos, antidepressivos e barbitúricos.

Apnéia do sono é muito comum em idosos, onde observa-se uma parada respiratória durante o período do sono, levando a vários despertares breves e repetidos. Pode estar relacionada a depressão, a cefaléia, prejuízo de memória na demência e ao excesso de sonolência diurna. A apnéia do sono é obstrutiva, determina sonolência diurna, tem freqüência de 43% no idoso, mais comum na 3ª e 4ª décadas de vida, no sexo masculino, em obesos, e caracteriza-se por roncos.

O Tratamento dos distúrbios do sono visa orientar o paciente quanto a higiene para dormir, desde os horários regulares, o silêncio no quarto, evitar bebidas alcoólicas, o café antes de dormir, evitar o estresse, evitar muito tempo na cama durante o dia, procurar fazer atividades físicas, reduzir o tabagismo.Tratar as doenças adequadamente como a depressão, a demência e a ansiedade, procurar o tratamento adequado para as demais doenças clínicas, afinal ninguém consegue dormir com dor por exemplo.

O tratamento farmacológico específico para as alterações do sono do idoso que visam melhorar a quantidade e a qualidade do sono, onde são citados os benzodiazepínicos (mais usadas com efeitos indesejados para os idosos); os antidepressivos tricíclicos (melhor a nortriptilina que a amitriptilina, pois tem menos efeitos anticolinérgicos); o zolpidem (hipnótico não benzodiazepínico) atua sobre os distúrbios do sono; a ciclopirolona e a melatonina (hormônio) ainda em estudo.

Conclusão: As alterações do sono do idoso merecem uma atenção especial, não só por levar o idoso a perigos como tontura e quedas, mas sim, principalmente pelas alterações na qualidade de vida desse idoso, e pelo estresse que leva ao cuidador e a família.

Referências:

CAMARA,V.D. e CAMARA,W.S.,Distúrbios do Sono no Idoso, Tratado de Geriatria e Gerontologia,Ed. Guanabara Koogan AS: cap22, pg 192-195,2002.

BALLONE,G.J., Transtornos do Sono em Idosos, PsiqWeb [on line]

Veja Também:
Iatrogenia - Insônia causada por medicamentos
Insônia nos idosos
Apnéia Obstrutiva do Sono - Parte 3. Distúrbios do Sono e alterações Comportamentais

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26
Mar

 Os futuros caminhos da Geriatria e da Gerontologia

Categoria(s): Gerontologia, Programa de saúde, Sociologia

 Opinião

“A colheita que faço agora dos armazéns que já se esvaziam eu experimento a cada dia, com um paladar de conhecedor, e vagarosamente saboreio esse momento rico, raro adocicado por tantos sóisâ€

Helen Friedland

idosaTradicionalmente, a terceira idade vem sendo associada à aposentadoria, doença e dependência. É tempo de um paradigma novo, que encare os idosos como participantes ativos em uma sociedade integrada pela idade e como contribuintes ativos bem como beneficiários do desenvolvimento que ele iniciou. Com este propósito devemos responder a 3 questionamentos:

1. ï€ Já que as pessoas estão vivendo por mais tempo, como a qualidade de vida na 3a idade pode ser melhorada?

2. ï€ Um grande número de pessoas na 3a idade causará a falência dos nossos sistemas de saúde e de segurança social?

3. Como podemos equilibrar o papel da família e o da sociedade em termos de assistência àqueles que estão envelhecendo e que necessitam de cuidados?

O envelhecimento da população é, antes de tudo, uma estória de sucesso para as políticas de saúde pública, assim como para o desenvolvimento social e econômico. Em todos os países, e especialmente nos países em desenvolvimento, as medidas para ajudar pessoas mais velhas a manterem-se saudáveis e ativas são uma necessidade, e não um luxo.A nossa capacidade funcional (como capacidade ventilatória, vigor muscular e volume de produção cardiovascular) aumenta durante a infância e atinge seu máximo nos primeiros anos da vida adulta, entrando em declínio em seguida. O declínio pode ser tão acentuado que pode resultar em uma deficiência prematura (invalidez). Contudo, a aceleração no declínio pode sofrer influências e pode ser reversível em qualquer idade através de medidas individuais e públicas. Nos sabemos que a longevidade é influenciada em 50% dos casos pelo estilo de vida, 20% pelo ambiente e 30% pela genética. Por tanto, de pouco adianta melhorar a genética se o estilo de vida não for saudável.A adoção de estilos de vida saudáveis e a participação ativa no cuidado da própria saúde são importantes em todos os estágios da vida. Um dos mitos do envelhecimento é que se torna tarde demais para se adotar tais estilos nos últimos anos de vida. Pelo contrário, o envolvimento em atividades físicas adequadas, alimentação saudável, a abstinência do fumo e do álcool e fazer uso de medicamentos sabiamente podem prevenir doenças e o declínio funcional, estender a longevidade e aumentar a qualidade de vida do indivíduo. O papel do geriátra e do gerontólogo é exatamente enaltecer estes fatos.

Cabe ao estado e a sociedade promover ambientes físicos “age-friendly†(que pode ser traduzido como “amigos da idadeâ€) que podem representar a diferença entre a independência e a dependência para todos os indivíduos, mas especialmente para aqueles em processo de envelhecimento. Por exemplo, pessoas idosas que moram em ambientes ou áreas de risco com múltiplas barreiras físicas saem, provavelmente, com menos freqüência, e, por isto, estão mais propensos ao isolamento, depressão, redução da forma física e um aumento de problemas de mobilidade.

De posse destes argumentos podemos responder o nosso questionamento. – Sim, podemos melhorar a qualidade de vida das pessoas, minimizar os gastos com a saúde, evitar que o sistema previdenciário entre em colapso, e agir positivamente no papel da família e sociedade-estado. Para tanto temos que investir na educação, formando um novo paradigma de cultura social. A “isca†para os adultos jovens (futuros idosos) é a beleza física, cognitiva, ativa. Criando centros que promovam a saúde e a beleza.

Ninguém procura expontânemente centros de tratamento do câncer, da insuficiência renal (hemodiálise), pois lá só tem doenças e tragédias humanas. Mas, certamente procuram centros de “rejuvelecimento†e “spasâ€. As clínicas com equipes integradas de geriatras (médicos) e gerontólogos (profissionais da área da saúde, como: nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, assistentes sociais, dentistas, educadores físicos) devem seguir esta linha de marketing e, desta forma fazer a medicina preventiva com grande aceitação.

Pontos-chaves para envelhecimento saudável

___ Prevenir e reduzir o fardo do excesso de deficiências, doença crônica e da mortalidade prematura.

___ Reduzir os fatores de risco associados às doenças crônico degenerativas principais (doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, doenças pulmonares, etc) e aumentar os fatores que protegem a saúde durante a vida.

___ Desenvolver serviços sociais e de saúde acessíveis, baratos, de alta qualidade e amigos da 3a idade que enfoquem as necessidades e os direitos de homens e mulheres em processo de envelhecimento.
___ Fornecer treinamento e educação para acompanhantes.

___ Fornecer educação e oportunidades de aprendizagem durante o curso da vida do idoso.

___ Reconhecer e permitir a participação ativa de pessoas idosas nas atividades de desenvolvimento econômico, trabalho formal e informal e atividades voluntárias, de acordo com suas necessidades individuais, preferências e capacidades.

___ Incentivar a participação integral dos idosos na vida familiar e comunitária.

Veja Também:
Sobre os autores
Terapia Ocupacional na Geriatria - Parte 4. Ações da TO com idosos institucionalizados
Pneumonia nos idosos - Fatores de risco

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25
Mar

 Doença não transmissível - DNT

Categoria(s): Conceitos

Conceito

As doenças não transmissíveis (DNTs) são as principais causas de morte no mundo, às quais foram atribuídas 35 milhões de óbitos em 2005, quase 60% da mortalidade mundial e 45,9% da carga global de doenças. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), se essa tendência for mantida, elas deverão responder por 73% dos óbitos e 60% da carga de doenças no ano 2020.Nos países das Américas e no Caribe, as doenças crônicas chegam a ser a causa de 75% dos óbitos, sendo que as doenças cardiovasculares (DCV) são responsáveis por aproximadamente 30% das mortes, cujos principais fatores de risco são a hipertensão arterial, o tabagismo, o colesterol elevado, a obesidade, os hábitos alimentares não-saudáveis e o sedentarismo. Em 2000, estimativas indicaram que, nesses locais, a prevalência da hipertensão variou de 14% a 40% entre indivíduos na faixa de 34 a 64 anos, perfazendo um total de 140 milhões de hipertensos. Estimaram-se também, nas Américas e no Caribe, cerca de 35 milhões de pessoas com diabetes e calcula-se que serão 64 milhões até o ano de 2025. Essas duas condições acarretam um aumento constante na prevalência de DCVs, em particular a doença isquêmica do coração e o acidente vascular cerebral (AVC), bem como insuficiência renal, cegueira, entre outras.

A rápida ascensão das doenças não-transmissíveis representa um grande desfio para o setor de saúde em relação ao desenvolvimento global. Em países desenvolvidos já se reconhecem, há décadas, as ameaças dessas doenças, sendo cada vez mais preocupante a sua predominância nos países em desenvolvimento.

Ver mais

Veja Também:
Doença de Paget
Doença de Whipple
Doenças inflamatórias intestinais

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25
Mar

 Feminização do envelhecimento - Desigualdade econômica

Categoria(s): Demografia, Gerontologia, Programa de saúde, Sociologia

Editorial

Nós sabemos que as mulheres vivem mais que os homens em quase todos os lugares. Ocorrendo em países como o Japão, 55 homens para cada 100 mulheres octogenárias; 35 homens para cada 100 mulheres nonagenárias; e somente 26 homens para 100 mulheres centenárias. Este fenômeno recebe o nome de “feminização do envelhecimentoâ€.

Apesar das mulheres possuírem a vantagem da longevidade, isto não corre em seu benefício, pois são vítimas da violência doméstica e discriminação no acesso à educação, salários dignos, trabalho significativo, poder político, heranças. Por conta disso, ficam mais expostas a pobreza e os sofrimentos causados pelas deficiências físicas e psicológicas nas idades mais avançadas.

chefe Como conseqüência das mulheres viverem mais, o número de viúvas é significantemente maior que o de viúvos. Por exemplo, atualmente, no leste europeu, mais de 70% das mulheres com idade superior a 70 anos são viúvas ou vivem sozinhas. Estas estão altamente vulneráveis à pobreza e isolamento social. Sendo o estado civil é um dos aspectos principais da transição demográfica que está ocorrendo, visto que é de crucial importância no que se refere às necessidades de ajuda socioeconômica.

Os países desenvolvidos e em desenvolvimento, se não se prepararem adequadamente, logo se encontrarão diante de uma esmagadora desigualdade quando forem tratar dos seus cidadãos com 65 anos ou mais, sobretudo, as mulheres.

Do ponto de vista das necessidades para a ajuda socioeconômica três aspectos têm relevância no envelhecimento saudável e ativo: a renda, o trabalho, e a proteção social. E, estes fatores necessitam ser bem trabalhados pelos orgãos governamentais.

Desigualdade econômica

A diferença salarial entre homens e mulheres é maior entre os profissionais mais qualificados, com maior escolaridade e na região Sul do país.

A educação sempre será mola principal para a ascensão social, porém estudos como o do Ibmec de São Paulo a partir de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) mostraram que as mulheres com especialização ou pós-graduação recebem 37% a menos do que homens que desempenham a mesma função e têm a mesma escolaridade. Na faixa de mulheres mais qualificadas entre 41 e 50 anos, a diferença foi ainda maior: 39,22%.

Enquanto os homens ganharam, em média, oito salários mínimos por mês, as mulheres receberam ao equivalente somente à cinco. Os dados são de abrangência nacional, referem-se a 2004 e consideram trabalhadores com jornada de trabalho entre 40 e 44 horas. Em 1995, essa diferença salarial era de 47%. É positivo o fato de a diferença ter diminuído, mas ainda está longe de refletir igualdade no mercado de trabalho. Além da discriminação, o que pode explicar a diferença salarial é a questão da experiência, porque a mulher entrou mais tardiamente no mercado.

O estudo mostrou ainda que a diferença na remuneração entre homens e mulheres menos qualificados - que desempenham funções na agricultura ou no setor de serviços - é menor. Entre trabalhadores e trabalhadoras de baixa escolaridade (com um a quatro anos de estudo), a diferença no salário era de 25,11% em 1995 e caiu para 12,40% em 2004.

Desigualdade profissional - Postos de chefia

Nas cem melhores empresas para trabalhar no Brasil, a participação da mulher em cargos de chefia em 2006 restringiu-se a 31%, segundo pesquisa divulgada pela consultoria Great Place To Work Institute. É um avanço em relação a 2004, quando o percentual era de 20%, mas o número ainda é considerado baixo. Embora, tem aumentando o número de serviços ou incentivos específicos para mulheres oferecidos pelas empresas como: creches ou salão de beleza.

Outra pesquisa, essa da Catho, consultoria de recolocação profissional, que leva em conta um universo muito maior de empresas, mostra que as mulheres possuem atualmente 20,1% dos cargos de presidente ou função equivalente nas empresas brasileiras. Em 2004, o percentual era de 16,7%.

Desemprego

Já estudo da Fundação Seade na região metropolitana de São Paulo mostra que as mulheres representavam 54% do total de desempregados na região metropolitana há dois anos. Em 2006, esse percentual atingiu 54,9% - o maior desde que Seade e Dieese iniciaram a pesquisa sobre emprego e desemprego.

Para as mulheres conseguirem seu sustento na velhice devem combater a desigualdade econômica, com valorização profissional e manutenção dos postos de trabalho, caso o contrário estarão altamente vulneráveis à pobreza e isolamento social.

Referências:

Fundação Sistema Estadual de Análises de Dados - Estado de São Paulo - SEADE [on line]

DIEESE - Departamento Intersindical e Estatística e Estudos Socioeconômicos [on line]

Great Place To Work Institute [on line]

Veja Também:
Feminização do envelhecimento
O estresse e o envelhecimento
Envelhecimento Ativo

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