07
Abr

 Envelhecimento cerebral - Saúde Mental

Categoria(s): DNT, Neurogeriatria

Resenha

Estima-se que cerca de 50.000 a 100.000 neurônios desaparecem a cada dia. Entretanto, as perdas neuronais podem ser compensadas através da formação de novas sinapses e progressão dos axônios mesmo no cérebro envelhecido.

Estas características de neuroplasticidade são fundamentais para os processos adaptativos que podem ocorrer no cérebro com envelhecimento. As alterações decorrentes das perdas neuronais ou alterações nas sinapses em determinadas áreas cerebrais podem interferir modificando os diversos fatores químicos relacionados à neurotransmissão.

Os neurotransmissores (acetilcolina, dopamina, serotonina, noradrenalina e GABA) estão diminuídos de uma forma global e estão envolvidos em certas disfunções encontradas nos idosos, como a dificuldade de coordenação motora, distúrbios do sono e pequenos lapsos de memória.

Atualmente, temos excelentes métodos para estudar a morfologia cerebral. mas as funções ainda carecem de maior aperfeiçoamento. Os estudos na área do metabolísmo cerebral através da medicina nuclear poderão abrir importantes perpectivas para a melhor compreensão das alterações funcionais do cérebro.

No processo de envelhecimento pode existir uma lentificação da condução nervosa, no entanto, as informações são recuperadas, possibilitando ao idoso um desempenho cognitivo normal. Caso haja alguma alteração cognitiva, deve o médico que atende o indivíduo idoso, ter a sensibilidade de suspeitar de um quadro demencial, mesmo em suas fases iniciais, para que assim possam ser tomadas condutas mais adequadas, visando a preservação da capacidade funcional e da autonomia por mais tempo.

Estudos populacionais revelam que cerca de 40% dos idosos acima de 65 anos precisam de alguma ajuda para realizar tarefas do dia a dia, como, fazer compras, cuidar das finanças, limpar a casa. Uma parcela menor, mas significativa (10%), requer auxílio para realizar as tarefas básicas, como cuidar da própria higiene, alimentar-se e, até sentar e levantar de cadeiras ou camas.

Em relação à demência o padrão central é o prejuízo da memória. As demências podem ser causadas por uma série de doenças subjacentes, relacionadas às perdas neuronais e danos à estrutura cerebral. Além disso, pode-se observar prejuízo de pelo menos uma das seguintes capacidades de cognição: atenção, imaginação, compreensão, concentração, raciocínio, julgamento, afetividade, percepção, bem como se verifica afasia, apraxia, agnosia e perturbações nas funções de execução como, planejamento, organização, seqüência e abstração.

A incidência e a prevalência das demências aumentam exponencialmente com a idade, dobrando, aproximadamente, a cada 5,1 anos, a partir dos 60 anos de idade.

Por tornarem a pessoa progressivamente dependente, os transtornos demenciais podem provocar grande sofrimento, tanto para os pacientes quanto para seus familiares, que são obrigados a se reorganizarem para viabilizarem os cuidados à pessoa que adoece.

Em todo o mundo, a rede informal composta pela família, rede de amigos e por voluntários é a fonte primária da assistência aos idosos demenciados. Cerca de um quinto dos idosos dos países desenvolvidos recebe cuidados formais de natureza médica e social, porém, apenas a um terço desses cuidados são fornecidos em instituições, um sinal de que a manutenção dos idosos na comunidade e em suas casas ainda predomina. No Brasil, onde são poucas as alternativas de apoio formal são oferecidas, o amparo dado pela família e por outros membros da rede informal é de fundamental importância.

Deve-se ter em mente, a necessidade da sociedade de entender que o envelhecimento de sua população é uma questão que ultrapassa a esfera familiar e a responsabilidade individual, devendo alcançar o âmbito público.

Referência:

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE E ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Relatório sobre a saúde no mundo. Saúde mental: nova concepção, nova esperança. Genebra: Organização Mundial de Saúde, 2001.

Veja Também:
O estresse e o envelhecimento
Feminização do envelhecimento
Envelhecimento cerebral

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06
Abr

 Coração senil - Presbicárdia

Categoria(s): Cardiogeriatria, Fisioterapia

Resenha

O envelhecimento é um processo único e inexorável caracterizado pela redução gradativa da capacidade dos vários sistemas orgânicos em realizar eficazmente suas funções, associado ao estilo de vida do indivíduo. As doenças cardiovasculares são as principais causas de morbidade e mortalidade nesta faixa populacional.

coração

As principais alterações que ocorrem com o processo de envelhecimento e estão relacionadas aptidão física são:

Variáveis antropométricas (incremento do peso e da adiposidade corporal, afetando o índice de massa corpórea -IMC; diminuição da densidade óssea; redução da massa livre de gordura, nas variáveis metabólicas (decréscimo da potência aeróbia e redução do consumo máximo de oxigênio).

Variáveis neuromotoras (diminuição da flexibilidade; redução do número de unidades motoras; diminuição da força de membros inferiores maior que de membros superiores; diminuição do número de fibras musculares, essencialmente do tipoII b.

Dentro destas variáveis, a diminuição da força muscular é, entretanto, um dos fatores que está mais diretamente relacionado com a independência funcional em pessoas idosas, podendo significar a diferença entre uma vida autônoma ou não. A importância da função muscular na autonomia do idoso reside no fato da força associar-se inegavelmente a uma grande quantidade de atividades cotidianas. A reserva funcional de certos indivíduos de idade avançada é por vezes tão baixa que atividades aparentemente fáceis e comuns como se vestir, tomar banho, passear pela rua, preparar sua própria refeição e se alimentar sozinho se tornam bastante difíceis.

O coração é o único órgão que com o envelhecimento não só não se atrofia mas, pelo contrário, se hipertrofia. Esta hipertrofia decorre do aumento da pós-carga associada ao envelhecimento, decorrente primordialmente do enrijecimento arterial. Na realidade, a alteração mais relevante que ocorre no sistema cardiovascular com o envelhecimento se dá na realidade no sistema vascular e não propriamente no coração. Da segunda sexta década de vida a resistência vascular sistêmica aumenta cerca de 20%; no entanto, os componentes pulsáteis da pós-carga aumentam 140%. Este aumento decorre do enrijecimento arterial resultado do desgaste físico das fibras de elastina nas paredes vasculares ao longo do tempo, aos quais vão se rompendo e são substituídos pelas menos distensíveis fibras de colágeno. O enrijecimento das artérias acarreta no desenvolvimento de maior pressão na aorta para um mesmo volume sistólico ejetado, além de acelerar a velocidade que a frente de onda de pressão se propaga pelo sistema vascular, resultando em maior pressão arterial sistólica.

Outra alteração significante que ocorre no sistema cardiovascular com o envelhecimento é a diminuição da resposta β adrenérgica em todo o sistema cardiovascular: a resposta cronotrópica é diminuída, a resposta inotrópica é diminuída e a capacidade de vasodilatacão é diminuída.

Em termos funcionais, o envelhecimento se caracteriza por diminuição da reserva funcional dos diversos órgãos e sistemas. No sistema cardiovascular, isto se manifesta pela manutenção da função da bomba cardíaca em repouso. Deste modo, em repouso, o débito cardíaco (DC) e a fração de ejeção do VE não se alteram com o envelhecimento. NO entanto, a capacidade de aumentar o débito cardíaco e a fração de ejeção com o estresse, por exemplo, durante o exercício, é limitada.

Esta capacidade de exercício é mensurada pelo consumo máximo de oxigênio, que por sua vez depende da capacidade de geração de débito cardíaco e da capacidade de extração de O2 pela musculatura esquelética (VO2= DC X CavO2). O DC, por sua vez, depende do volume sistólico gerado e FC (DC= VS X FC). A capacidade de elevar a FC é limitada no idoso pela diminuição da resposta β- adrenérgica. A elevação do débito cardíaco fica assim mais dependente do aumento do volume sistólico e isto no idoso é alcançado através do emprego do mecanismo de Frank- starling. O coração do idoso se dilata durante o exercício para aumentar o volume sistólico e compensar, desta maneira, a limitada capacidade de elevar a FC.

Referências:

ANTONIAZZI, Regina Maria Copetti; PORTELA, Luiz Osório Cruz; DIAS, José Francisco Silva; SÁ, Clodoaldo Antônio de; MATHEUS, Silvana Corrêa; ROTH, Maria Amélia; MORAES, Luiz Bragança de; RADINS, Eduardo; MORAES, Jones de Oliveira de; alterações do VO2 máx. de indivíduos com idade entre 50 e 70 anos, decorrente de um programa de treinamento com pesos. Revista brasileira de atividade física & saúde v.4 n.3 1999.

DOUGLAS, Roberto e Cibele A. Fabichack. Tratado de Fisiologia Aplicada Ciência da Saúde: 4ª edição. São Paulo: Robe, 1996.

GUYTON, Artur C. Tratado de Fisiologia Médica: 8ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara, 1992.

KISNER, Carolyn; LYNN, Allen Colly. Exercícios Terapêuticos: 2ª edição. São Paulo: Manole, 1992.

MCARDLE, Willian D.; KATCH, Frank I.; KATCH, Victor L. Fisiologia do exercício: 4ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara, 1998.

Veja Também:
Progeria
Ceratose Solar ou ceratose actínica - Mancha senil
Fisiologia da dor

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05
Abr

 Método Pilates - Benefícios para a terceira idade

Categoria(s): Fisioterapia, Gerontologia, Reumatogeriatria, Saúde Geriátrica

Entendendo o assunto

Colaboradora : Sandra Chiavegato Perossi

* Fisioterapêuta, especializada no método Pilates, Pós-graduanda do Curso Saúde e Medicina Geriátrica - METROCAMP

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) em seu documento “Envelhecimento ativo: Uma política de saúde”, uma atividade física regular e moderada reduz o risco de morte por problemas cardíacos em 20 a 25% em pessoas com doença do coração diagnosticada, além de reduzir substancialmente a gravidade de deficiências associadas à cardiopatia e outras doenças crônicas. Assim, o Método Pilates estaria enquadrado neste contexto para prevenção primária, secundária e terciária da saúde.

pilatesO Método Pilates foi idealizado por Joseph Pilates e é um programa completo de condicionamento físico e mental que tem como objetivo melhorar o equilíbrio entre a performance e esforço, através da integração do movimento, a partir do centro estável e sinestesia realçada. Trabalha o corpo como um todo – corrige a postura e realinha a musculatura, desenvolvendo a estabilidade corporal necessária para uma vida mais saudável e longeva (Steers, 2006).

Joseph Pilates juntou os melhores aspectos das disciplinas dos exercícios orientais e ocidentais, e é o equilíbrio desses dois mundos. Do Oriente, Pilates trouxe as filosofias de contemplação, relaxamento e a ligação entre corpo e mente. Do Ocidente, trouxe a ênfase no enrijecimento muscular e a força, a resistência e a intensidade de movimento. Seu método utiliza o corpo inteiro, e não apenas uma parte dele. Usando o corpo inteiro, equilibra-se o uso de grandes músculos superficiais com profundos e pequenos músculos de resistência, responsáveis por manter a força interior(Craig, 2003).

Seus princípios são: relaxamento, concentração, alinhamento, respiração, coordenação e resistência.

Os benefícios deste método são: aumento de força, maior controle muscular, integração corpo e mente, melhora da capacidade respiratória, aumento da flexibilidade, fortalecimento, correção da postura, reestruturação do corpo, prevenção de lesões, aumento da consciência corporal, aumento da auto-estima e alivio de dores musculares (Camarão, 2004).

Pilates considerou a área abdominal em conjunto com os músculos profundos da coluna, bem como os centros de força do corpo, “casa de força” (Powerhouse) que é a área entre as costelas superiores e a pélvis.

Um dos princípios fundamentais do método Pilates é que a “casa de força” é o centro de todo movimento: quanto mais forte a casa de força, mais poderoso e eficiente é o movimento. Portanto, antes de cada exercício de Pilates, um centro é recrutado, empurrando delicadamente o umbigo e contraindo os músculos profundos do abdômen. O objetivo é manter o centro corporal estável enquanto os movimentos de braços e pernas são executados com precisão.

Os três músculos abdominais (o reto abdominal, os oblíquos externos e internos e o transverso abdominal) trabalham com os músculos da coluna (os mais importantes são os multífidos e o quadrado lombar) para formar o centro de força. Os praticantes do método Pilates também incluem o assoalho pélvico na “casa de força” pela forma que este arranjo de músculos e ligamentos conecta-se ao sistema nervoso central dos músculos profundos abdominais. Localizados na partem de baixo da pélvis, o assoalho pélvico consiste de músculos utilizados para controlar o fluxo da urina e impurezas sólidas do corpo. Fortalecer estes músculos nas pessoas idosas é importante, pois neste período a incontinência urinária e fecal é muito freqüente (Craig, 2004).

Influência na Postura

A postura incorreta faz mais do que diminuir a auto confiança e a dignidade: obstrui a respiração, tensiona os músculos e ligamentos e pode afetar adversamente as articulações da coluna, propensas a artrite, artrose e dor generalizada. As alterações de postura do idoso são: cifose constituída pela cifose dorsal e cervical – a cabeça é projetada para frente e os ombros ficam cronicamente curvados, repuxando apenas os músculos do pescoço; diminuição da curvatura lombar; aumento do ângulo de flexão do joelho e o deslocamento da articulação coxofemoral para trás e a inclinação do tronco para frente.
A rigidez articular e muscular que se instala nos idosos será trabalhada através dos exercícios do método Pilates, assim como a tensão em trapézios e paravertebrais que em conjunto com a “casa de força” levará a uma postura mais alongada.

Vários músculos do sistema respiratório estão inseridos nas vértebras lombares e cervicais e nas costelas influenciando a postura. O diafragma é um músculo respiratório que separa o tórax do abdomen. Quando a “casa de força” nos exercícios do método Pilates é acionada através da respiração, o diafragma é trabalhado levando inclusive a um relaxamento e gerando uma postura correta.

Influência na flexibilidade

Nos exercícios de Pilates os alongamentos são estimulados sempre, levando a uma maior flexibilidade do corpo. Com o envelhecimento, torna-se maior o número de ligações de colágeno intra e intermolecular, o que dificulta o “deslizamento” das proteínas. O tecido fica mais rígido, menos elástico e mais propenso a lesões. Com um estilo de vida pouco ativo, o envelhecimento, a imobilização e as doenças neuromusculares diminuem o tamanho e a quantidade de tecido colágeno. Conseqüentemente, o tecido muscular se enfraquece e a elastina aumenta proporcionalmente. Dessa forma, o tecido combina a elasticidade com a fraqueza.

Uma vida ativa é primordial para manter a homeostase entre a síntese de colágeno e sua degradação. A síntese do colágeno depende da habilidade da célula em transmitir a força mecânica em uma ação bioquímica.

Sabe-se que exercícios de alongamento estimulam a renovação de colágeno para suportar maior estresse. Além disso, melhoram a homeostase entre as glicosaminas e a água, conservam o espaçamento interfibrilas e diminuem as condições favoráveis a formação de adesões (Achour Jr, 2006).

Nos diabetes do idoso as regiões mais limitadas de flexibilidade são as falanges e os ombros. Achour (2006) relata que Jósza& Kannus (1997) revisaram várias pesquisas, evidenciando que os diabetes também afeta o tendão.

Assim, observamos que os exercícios de Pilates ajudam ao idoso com diabetes trabalhando com alongamentos e exercícios de força para melhorar a flexibilidade e a força em ombros e tendões.

Articulações mal alinhadas e frouxas facilitam a instalação de lesões e osteoartroses nos idosos. Há revisões de literatura (Achour Jr, 2006) em que se observou que lesões nos ligamentos colaterais e lesões do menisco associavam-se ao desenvolvimento da osteoartrose em idades prematuras.

Instalada a osteoartrose no joelho e quadril, ela aumenta o custo energético para determinado esforço, dificultando a subida e descida de escadas. Em algumas situações, pode impedir a movimentação até em atividades simples como jardinagem e passeios em parques.

O idoso consegue eliminar a rigidez da osteoartrose e grande parte da dor mediante a pratica contínua de exercícios de Pilates, ativando assim a circulação e diminuindo os espasmos musculares.

É importante para o idoso manter índices de flexibilidade, porque com isso consegue-se interromper a redução natural da flexibilidade. Assim os efeitos dos exercícios de alongamento são positivos independentes do aumento da flexibilidade (Achour Jr, 2006).

Influência na Osteoporose

Na osteoporose há muita fragilidade do esqueleto e maior suscetibilidade à fratura após pequenos traumas, além de dores nas costas devido a contraturas musculares ou por microfraturas e deformidade da coluna com diminuição da altura da pessoa. Geralmente o fêmur e a coluna são as mais acometidas.

Nos exercícios de Pilates trabalha-se com exercícios de fortalecimento dos músculos envolvidos com estas estruturas e de extensão da coluna visando melhora da força muscular, condicionamento físico e coordenação (Frontera, 2001).

“Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem” (Joseph Pilates)

Referências:

Achour Junior, Abdallah – Exercícios de alongamento – Manole Editora, São Paulo, SP, 2006.
Camarão, Teresa – Pilates no Brasil – Editora Alegro - Rio de Janeiro – RJ, 2004.
Craig, Collen – Pilates com Bola – Editora Phorte - São Paulo – SP, 2003.
Craig, Collen - Abdominais com Bola – Editora Phorte – São Paulo – SP, 2004.
Frontera, Walter R. – Exercícios Físicos e Reabilitação – Artmed – São Paulo – SP, 2001
Steers, Magan - Pilates Clinico – Apostila do curso Pilates Clinico produzido por
Valéria Figueiredo Cursos – São Paulo – SP, abril 2006.

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Veja Também:
O sexo na terceira idade - A sexualidade
Síndrome da aposentadoria
Osteoartrose do joelho - Aspectos fisioterápicos

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04
Abr

 Incontinência urinária - Bexiga hiperativa

Categoria(s): Nefrogeriatria, Urogeriatria

Revisando o assunto

Para a preservação da continência urinária é fundamental que a bexiga apresente função normal e a pressão no seu interior deve ser baixa e constante durante todo o enchimento. Quando isto não ocorre surge a incontinência urinária.

inconti A incontinência urinária (IU) é uma condição que afeta a qualidade de vida dos idosos, comprometendo o bem-estar físico, emocional, psicológico e social. Estima-se que 200 milhões de pessoas vivam com incontinência ao redor do mundo e que entre 15% e 30% das pessoas acima de 60 anos que vivem em ambiente domiciliar apresentam algum grau de incontinência. No Brasil, aproximadamente seis milhões de pessoas sofrem de incontinência urinária e, destes, 80% são mulheres, geralmente com idade acima dos 45 anos.

As causas de IU são bastante variadas e a identificação da etiologia é essencial para o tratamento adequado. Possíveis causas incluem bexiga hiperativa (hiperatividade detrusora), deficiência de sustentação dos órgãos pélvicos, insuficiência do esfíncter uretral, problemas congênitos, obstrução infravesical, lesões da coluna espinhal, cirurgias, fístulas urinárias e acidente vascular cerebral.

Em homens a incontinência urinária está na maioria das vezes associada com história de cirurgia prostática. Esta intercorrência pode ser causada por incompetência esfincteriana, disfunção vesical ou transbordamento urinário devido à retenção nos casos de hiperplasia prostática.

As mulheres têm probabilidade duas vezes maior que os homens de apresentarem incontinência urinária. A abordagem básica para todos os casos compreende a história da paciente, diário miccional, escore de sintomas, questionário de qualidade de vida e exame físico. Exame de urina com cultura e medida do resíduo pós-miccional são informações adicionais essenciais.

As idosas com sintomas sugestivos de incontinência de esforço podem ser inicialmente tratadas com treinamento da musculatura do assoalho pélvico, mudanças comportamentais e orientações sobre os hábitos miccionais, desde que não apresentem história complexa ou prolapso genital. Pode-se associar o uso de cones vaginais, biofeedback e estimulação elétrica externa.

Bexiga hiperativa

A incontinência urinária por bexiga hiperativa ocorre como conseqüência da hiperatividade da musculatura detrusora, onde o músculo detrusor apresenta contração involuntária. Nestas pessoas, inesperadamente surge um desejo súbito e incontrolável de urinar. Quando a contração vesical supera a capacidade de oclusão uretral gerada pelo esfínter, causando perda de urina.

A medicação de primeira escolha nos pacientes com sintomas sugestivos de incontinência de urgência (bexiga hiperativa), e a anticolinérgica, aliada a tratamento comportamental e fisioterápico.

Pacientes que não respondem ao tratamento comportamental e/ou medicamentoso tem poucas alternativas para manter uma qualidade de vida aceitável. Dentre elas, a toxina botulínica tipo-A injetada na parede vesical e a ampliação vesical com alça intestinal (associado ou não à derivação urinária). A injeção da toxina botulínica é um procedimento relativamente simples, porém apresenta alto índice de retenção urinária, custo elevado e a necessidade de reaplicações em um intervalo médio de seis meses. A ampliação vesical é uma cirurgia de grande porte que envolve a ressecção de aproximadamente 40 cm de íleo terminal e relativamente apresenta maior índice de complicações a curto, médio e longo prazos.

Recentemente, tem sido proposta a realização da estimulação sacral ou neuromodulação sacral. O procedimento é composto de duas etapas. A primeira, conhecida como avaliação neuronal percutânea, é seguida pelo implante cirúrgico do eletrodo e do gerador de pulso definitivos naqueles pacientes que apresentam melhora satisfatória dos sintomas na avaliação inicial. Esta terapia ainda está em fase de estudos.

Referências:

Almeida FG - Neuroestimulador sacral - InterstimTM no tratamento da bexiga hiperativa refratária e retenção urinária idiopática: relato do primeiro implante no Brasil,Sinopse de urologia set2005;9(4):109-112.

Glashan, R. Q., Lelis, M. A. S., Fera, P., Bruschini, H. Intervenções comportamentais e exercícios perineais no manejo da incontinência urinária em mulheres idosas. Sinopse Urológica, v. 5 (6): 102-106, 2002.

Halbe A, Durigon OFS. Fisioterapia e menopausa. Revista Clínica e Terapêutica. V.1(1):29-42,Fev 2006

Almeida FG, Nesrallah LJ, Claro JFA , Ortiz V, Srougi M - Incontinência urinária. Revista Brasileira de Medicina v.63(7), julho 2006

Veja Também:
Fisiologia da micção
Incontinência urinária no idoso
Estudo de caso - Retenção urinária

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03
Abr

 Rinite nos idosos - alérgica, vasomotora e medicamentosa

Categoria(s): Otogeriatria

Revisando o assunto
As rinites são as principais causas de obstrução nasal na população em geral. É definida como um processo inflamatório da mucosa nasal, que pode ter diversas etiologias. Porém, a sintomatologia é comum em todas elas, sendo: obstrução nasal, rinorréia, espirros em salva, hiposmia, cefaléia e prurido nasal. Entre causas, as mais comuns são as medicamentosas, vasomotoras.

As rinopatias, especialmente quando se tornam crônicas, passam a modificar o estilo devida dos pacientes, independente da idade, pois interferem na alimentação e no sono.

Rinite Alérgica

O aumento na poluição ambiental, com a piora da qualidade do ar respirado, que contém produtos derivados da combustão do petróleo ou material particulado como poeira doméstica, fungos, detritos de insetos e de ácaros e pêlos de animais domésticos são os principais responsáveis pelas renites alérgicas, que é muito freqüente, sendo estimada em 15% da população geral, percentual este subestimado, pois só os casos mais sintomáticos procuram tratamento médico.

O diagnóstico clínico é muito importante, pois os teste laboratoriais podem causar dúvidas.

Para o tratamento mais adequado é muito importante o controle ambiental, evitando-se ao máximo os alérgenos desencadeadores do processo. As medicações mais usadas são os anti-histamínicos, corticosteróides, estabilizadores de membrana de mastócitos e medicações anticolinérgicas.

Rinite vasomotora

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A rinite vasomotora, não alérgica, tem como principais sintomas a congestão nasal e a rinorréia aquosa. A rinorréia é decorrente a um aumento da atividade parassimpática nas glândulas submucosas do revestimento nasal. Por outro lado o bloqueio está relacionado com a vasodilatação abundante nos cornetos inferiores e médios (figura com o sistema vascular dos cornetos).

A rinite vasomotora apresenta tipicamente testes alérgicos negativos e ausência de eosinófilos na secreção nasal. Na sua forma clássica acomete mais os idosos que, principalmente, durante as refeições podem apresentar rinorréia importante. Outros desencadeadores desse quadro clínico são as alterações da temperatura, contato com ambiente em que se usa ar condicionado e fatores emocionais.

A rinite vaso motora pode ser considerada como um processo de hiperreatividade nasal com predominância do sistema colinérgico.

O tratamento pode ser realizado com medicações tópicas de corticosteróides ou com substâncias parassimpaticolíticas, como o brometo de ipratrópio. Em casos, onde a obstrução é grave pode optar pelo tratamento cirúrgico, com remoção de parte dos cornetos.

Rinite medicamentosa

A rinite medicamentosa se constitui outro importante grupo do ponto de vista nosológico das rinites. O uso de medicamentos tópicos ou sistêmicos são os mais freqüentes. As medicações sistêmicas, que geralmente são ingeridas para tratamento de outras condições patológicas, podem cursar com alterações secundárias na mucosa nasal, o que pode ocorrer, por exemplo, com a utilização de hipotensores, como metildopa, hidralazina, propranolol que levam a um desequilíbrio entre os sistemas simpático e parassimpático, com predominância deste último. Por sua vez, os medicamentos tópicos mais prejudiciais são os vasoconstritores que promovem alívio temporário da obstrução nasal, seguida do efeito rebote caracterizado por hiperemia e edema nasais e irritação direta da mucosa nasal pelos próprios constituintes dos medicamentos.

Referências:

Hungria, H. - Otorrinolaringologia. 8ª ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2000.
Ganança, F.F.; Ganança, M.M - Como Diagnosticar e Tratar Rinite Alérgica. RBM-ORL. 4(1): 04-10,1997.

Veja Também:
Iatrogenia medicamentosa em idosos
Osteoporose
Estudo de caso - TRH e trombose venosa

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