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Jul
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Humanizando os atendimentos hospitalares
Categoria(s): Gerontologia, Programa de saúde, Sociologia |
Editorial
Colaboradora: Larissa Franceschetti Lopes Cunha *
* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp
Com o passar dos anos, devido necessidade de mudança nas políticas de saúde, muitos projetos de humanização vêm sendo desenvolvidos, há vários anos, em áreas específicas da assistência - por exemplo, na saúde da mulher, na humanização do parto e na saúde da criança com o projeto mãe-canguru, para recém-nascidos de baixo peso.
Atualmente têm sido propostas diversas ações visando implantação de programas de humanização na assistência ao idoso, vários projetos e ações desenvolvem atividades ligadas a artes plásticas, música, teatro, lazer, recreação.
Humanizar é garantir palavra a sua dignidade ética; ou seja, para que o sofrimento humano e as percepções de dor ou de prazer no corpo sejam humanizados. Pela linguagem, fazemos as descobertas de meios pessoais de comunicação com o outro, sem o que nos desumanizamos reciprocamente. Sem comunicação não há humanização. A humanização depende de nossa capacidade de falar e ouvir, do diálogo com nossos semelhantes. (1)
De acordo com a Política Nacional de Humanização, a humanização é um pacto, uma construção coletiva que só pode acontecer a partir da construção e troca de saberes, através do trabalho em rede com equipes multiprofissionais, da identificação das necessidades, desejos e interesses dos envolvidos, do reconhecimento de gestores, trabalhadores e usuários como sujeitos ativos e protagonistas das ações de saúde, e da criação de redes solidárias e interativas, participativas e protagonistas do SUS. (2)
O movimento de humanização nos hospitais com o idoso é voltado para o processo de educação e treinamento dos profissionais de saúde, mas também para intervenções estruturais que façam a experiência da hospitalização ser mais confortável para o idoso.
A proposta de humanização da assistência saúde visa melhoria da qualidade de atendimento ao usuário e das condições de trabalho para os profissionais. Sabemos que visa, também, ao alinhamento com as políticas mundiais de saúde e redução dos custos excessivos e desnecessários decorrentes da ignorância, do descaso e do despreparo que ainda permeiam as relações de saúde em todas as instâncias. (2)
Pesquisas realizadas em hospitais mostram que quando se trabalha com humanização a melhora do ambiente hospitalar traz benefícios como a redução do tempo de internação, aumento do bem-estar geral dos pacientes e funcionários e diminuição das faltas de trabalho entre a equipe de saúde, e, como conseqüência, o hospital também reduz seus gastos, trazendo benefícios para todos. (3)
De acordo com Martins, para uma avaliação da complexidade da tarefa assistencial, em especial da realizada em hospitais, deve-se levar em conta que o paciente está inserido em um contexto pessoal, familiar e social complexo e que a assistência deve efetuar uma leitura das necessidades pessoais e sociais do paciente. Portanto, nesta instituição, interagem as necessidades de quem assiste e as de quem é assistido. (3)
Acreditamos que profissionais que trabalham com o ser humano devem tratar o outro como humano, isto é, com igualdade, aproximação, tentando fazer o melhor, respeitá-lo e acompanhá-lo. Devem desenvolver as ações necessárias para a humanização do idoso, de modo a possibilitar mudanças no tratamento hospitalar. Para o processo de humanização hospitalar acontecer, médicos, corpo de diretores, enfermeiros e pacientes devem estar envolvidos de forma harmônica. A preocupação com a humanização hospitalar do idoso tem como principal meta a dignidade do ser humano e o respeito por seus direitos, visto que a pessoa idosa deve ser considerada em primeiro lugar. A dignidade da pessoa, sua liberdade e seu bem-estar são todos fatores a serem ponderados na relação entre o doente e o profissional da saúde.
Alguns direitos dos idosos:
1- Garantir, pessoa idosa, acompanhantes e cuidadores, bem como assistência saúde nos diferentes níveis de atenção do SUS, abrangendo todas as áreas clínicas, com ampliação do número de profissionais, com vistas a atender a demanda real.
2- Implementar e/ou ampliar a assistência ambulatorial, hospitalar e domiciliar pessoa idosa.
3- Garantir visita de atendimento domiciliar aos idosos dependentes, ou acamados, (acometidos de doenças e agravos não transmissíveis - DANTs), munida de recursos adequados (equipe multidisciplinar, transporte, equipamento, etc.).
4- Implementar a rede de serviços de alta e média complexidade, englobando instituições de longa permanência, Centros Dia, Abrigos temporários e Casa de Passagem, para o atendimento de pessoas idosas que necessitem de cuidados e não tenham condições de retorno imediato as suas residências.
5- Criar residência terapêutica temporária (por até sessenta dias) com serviço de atenção saúde e reabilitação do idoso em alta hospitalar e em situação de vulnerabilidade social, com garantia de atendimento domiciliar após a alta.
6- Promover capacitação de profissionais da saúde na área do envelhecimento para atenção qualificada nos diversos níveis de atuação: básica, ambulatorial, especializada e hospitalar, visando promoção, prevenção, tratamento e reabilitação da saúde da pessoa idosa no SUS.
7- Criar leitos psiquiátricos para a pessoa idosa em hospitais gerais.
8- Garantir pessoa idosa, atendimento domiciliar pós-internação quando o quadro clínico exigir.
9- Adequar os hospitais para a internação de idosos em situação de alta e média complexidade, provendo ambientes amigáveis, dignos e humanos.
Referências:
1-Buss, P. M. (2000). Promoção da saúde e qualidade de vida. Ciência e Saúde Coletiva, 5(1), 163-177.
2-Brasil. (2005). Política nacional de humanização. Humaniza SUS. [on line]
3-Mazzetti, M. (2005). Especialistas garantem benefícios de humanização de hospitais. [on line]
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4-Pessini, L. & Bertachini, L. (2004). Humanização e Cuidados Paliativos. São Paulo: Loyola.
5-I CONFERÊNCIA NACIONAL DOS DIREITOS DA PESSOA IDOSA
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