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20
Jul
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Hipoglicemia nos idosos
Categoria(s): BioquÃmica, DNT, Emergências, Endocrinogeriatria, Nutrição |
Editorial
Colaboradora: Angela Terezinha Faveri Fornari *
* Nutricionista e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp
A hipoglicemia é um distúrbio em que a concentração de açúcar do sangue encontra-se anormalmente baixa. Quando a glicemia está abaixo de 60 mg%, com grandes variações de pessoa a pessoa, podem ocorrer sintomas de uma reação hipoglicêmica.
O quadro é assustador: fome súbita, fadiga, tremores, tontura, batedeira, suores, pele fria, pálida e úmida, turvação da vista, dor de cabeça, dormência nos lábios e lÃngua, irritabilidade, desorientação, mudança de comportamento, convulsões e até perda de consciência. Tais sintomas podem ser observados isoladamente ou em grupo, mas a conduta é sempre a mesma para melhorar a taxa de açúcar no sangue, isto é, elevar rapidamente o nÃvel. Caso não corrigida rapidamente, a glicemia pode ficar cada vez mais baixa. Hipoglicemia noturnas podem se manifestar com pesadelos e gritos, além dos sintomas mencionados.
O cérebro é particularmente sensÃvel à concentração sérica baixa de glicose, pois a glicose é sua principal fonte energética. Hipoglicemias severas podem levar a danos neurológicos.
Os indivÃduos com diabetes grave de longa duração são particularmente propensos à hipoglicemia grave. Isto ocorre porque as células das ilhotas pancreáticas não produzem glucagon normalmente e as adrenais não produzem epinefrina normalmente, os principais mecanismos imediatos através dos quais o organismo combate a concentração sérica baixa de açúcar.
Hipoglicemia no diabético
A hipoglicemia, que é um distúrbio evitável, pode ocorrer nas seguintes situações:
- quando o diabético omite refeições, atrasa suas refeições ou come muito pouco
- quando apresenta vômitos e diarréia
- quando pratica exercÃcios fÃsicos excessivos (esportes ou trabalho pesado), principalmente não estando bem alimentado
- por doses excessivas de insulina ou hipoglicemiantes orais
- por excesso de bebidas alcoólicas, que impedem a liberação de glicose pelo fÃgado
Outras causas de hipoglicemia
Uma causa rara de hipoglicemia é uma doença auto-imune na qual o organismo produz anticorpos contra a insulina. A concentração sérica de insulina flutua anormalmente quando o pâncreas produz um excesso de insulina para fazer frente aos anticorpos. Este distúrbio pode ocorrer em indivÃduos diabéticos ou não.
A hipoglicemia também pode ser decorrente de uma insuficiência renal ou cardÃaca, de um câncer, da desnutrição, da disfunção hipofisária ou adrenal, do choque e de uma infecção grave. Uma doença hepática extensa (p.ex., hepatite viral, cirrose ou câncer) também pode produzir hipoglicemia.
O organismo de algumas pessoas apresentam uma alergia pouco comum: aversão a frutas, chamada de intolerância à frutose ou fructosemia. A frutose, açúcar presente em todas as frutas, encontra-se em maior quantidade na uva, no mel, na maçã e na pêra. Mas também está presente em alguns legumes, como a beterraba e é bastante utilizada para adoçar produtos alimentÃcios e bebidas. A frutose dentro do organismo tem a função de converter o açúcar em moléculas mais simples para que possam ser absorvidas pelo corpo. A doença pode se manifestar por herança genética ou na idade avançada, pois com o passar dos anos, ocorre o envelhecimento do intestino, que começa a perder as enzimas que convertem os açúcares em moléculas. Se não tratada, a fructosemia pode causar a hipoglicemia e distúrbios no fÃgado.
Tratamento
O tratamento da hipoglicemia deve iniciar-se o mais prontamente possÃvel. O objetivo imediato do tratamento é elevar o açúcar no sangue, que se encontra muito baixo, restaurando o bem estar. Oferecer balas, açúcar ou lÃquidos com duas colheres de sopa de açúcar em meio copo do lÃquido. Se a pessoa estiver em coma ou se recusar a colaborar, coloque um lenço entre as arcadas dentárias e introduza colheres de café com açúcar entre a bochecha e a gengiva, massageando-a por fora.
Caso seja necessário, aplicar uma injeção de 1 mg de Glucagon subcutâneo, igual à aplicação de insulina; a consciência retorna aproximadamente em cinco minutos, permitindo um lanche repositor.
Os indivÃduos não diabéticos com tendência à hipoglicemia geralmente conseguem evitar os episódios, consumindo freqüentemente pequenos lanches ao invés das três refeições diárias habituais.
Os indivÃduos com tendência à hipoglicemia devem carregar consigo um cartão ou uma pulseira para informar à equipe de emergência sobre a sua condição. É importante que os amigos e parentes da pessoa com diabetes saibam que ela está em uso de insulina ou de hipoglicemiante oral. Assim, já poderão fazer o diagnóstico de hipoglicemia.
Monitoramento
Algumas pessoas com diabetes costumam manter suas glicemias mais elevadas para evitar as hipoglicemias. Porém, a glicemia alta leva, com o correr do tempo, a complicações degenerativas importantes. Portanto, o melhor é perder o medo das hipoglicemias, monitorando-se adequadamente a cada suspeita de estar hipoglicêmico.
Para obter um melhor controle dos nÃveis glicêmicos, não basta o paciente apenas acreditar que está fazendo tudo corretamente ou ter a sensação de estar sentindo-se “bemâ€. É necessário monitorar, no dia-a-dia, os nÃveis glicêmicos.
Quanto melhor o controle do diabetes, maior o risco de hipoglicemia, daà a importância também da monitorização da glicemia mais vezes tanto para evitar a hipo, como também para que não se coma em excesso na correção dela, o que invalidaria os esforços para manter o controle. A monitorização permite que o paciente, individualmente, avalie sua resposta aos alimentos, aos medicamentos (especialmente à insulina) e à atividade fÃsica praticada.
Para isso, existem modernos aparelhos. A concentração de açúcar no sangue pode ser dosada em casa, utilizando uma gota de sangue, obtida através da punção do dedo no momento em que os sintomas ocorrem, e um dispositivo que controla a concentração sérica de glicose, os glicosÃmetros, de fácil utilização e que nos fornecem o resultado da glicemia em alguns segundos. Siga as orientações do seu médico quanto ao número de testes que deve ser realizado.
Referências
ALBUQUERQUE Reginaldo. Hipoglicemia. Sociedade Brasileira de Diabetes.[on line]
Diabetes Mellitus. [on line]
FAJANS, Stefan S. Diabetes Mellitus; Hipoglicemias. Manual Merck, Seção 13 - Distúrbios Hormonais, CapÃtulo 148 – Hipoglicemia. [on line]
FELDMAN Jane. COMPLICAÇÕES AGUDAS DO DIABETES.[on line]
Folha Online. Seção equilÃbrio. Intolerância a frutas pode causar hipoglicemia. [on line]
GOMES Mário C.O. Hipoglicemia - a queda de açúcar no sangue. [on line]
LIMA Josivan; MENDONÇA Deise R.B. Como Cuidar de uma Hipoglicemia? [on line]
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Seção Conteúdo Público. O que é Diabetes? [on line]
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Diabetes Mellitus. [on line]
Veja Também:
Estudo de caso - Diabetes com hipoglicemia pós-prandial
Estudo de caso - Hipoglicemia em não diabético
Diabetes: Crise de hipoglicemia
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