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Jul
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Diabetes no idoso - controle dietético e energético
Categoria(s): Bioquímica, DNT, Endocrinogeriatria, Gerontologia |
Revisão
Colaboradora: Angela Terezinha Faveri Fornari *
* Nutricionista e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp
O Diabetis mellitus é uma doença crônica caracterizada por uma elevada taxa de glicose (açúcar) no sangue e por uma falta parcial ou total de insulina. Esta doença é bastante freqüente na população idosa e pouco diagnosticada e tratada nesta idade. A grande maioria dos diabéticos tem mais de 45 anos e no Brasil existem em torno de 5 milhões de diabéticos. O aumento do diabetes no envelhecimento se deve principalmente a obesidade e a falta de atividade física, a maior ingestão de carboidratos (massas, pães, batatas) e uso de remédios como corticóides.
Papel da hormonal
A glicose é uma das principais fontes de energia para nossas células, mas para as células do sistema nervoso, é a única fonte. Para essas células, ficar sem energia por tempo prolongado pode produzir danos severos e irreversíveis. Para garantir o bem estar e o bom funcionamento do organismo, como um todo, a glicemia deve ser mantida dentro de limites estáveis, o que se consegue através da interação entre ingestão de glicose, sua liberação de depósitos endógenos e a liberação de vários hormônios. Hormônios da família dos glicocorticóides, adrenalina, glucagon, hormônio de crescimento e a insulina participam da regulação dos níveis de glicose sérica.
Insulina
Dentre os hormônios, o mais importante é, sem dúvida nenhuma, a insulina. A insulina é produzida pelas células beta, localizadas nas ilhotas de Langerhans, no interior do pâncreas, e tem a função de regular a quantidade de glicose existente no organismo.
A glicose penetra nas células graças à ação da insulina. No diabetes há falta de insulina e portanto a glicose não penetra nas células permanecendo na circulação. O nível normal de açúcar no sangue é de 70 a 110 mg/dL. Acima de 110 e até 126 mg fala-se em intolerância à glicose e após 126mg - diabetes mellitus.
Ações da insulina
insulina tem importantes ações na econômica energética, tais como:
1. Aumento da síntese do glicogênio - a insulina força o armazenamento da glicose nas células do fígado (e dos músculos) na forma do glicogênio; os níveis baixos de insulina faz com que as células do fígado convertam o glicogênio em glicose e excrete para o sangue. Esta é a ação clínica da insulina que é diretamente útil em reduzir níveis elevados do glicose do sangue como no diabetes.
2. Aumento da síntese do ácido graxo - a insulina força as células gordurosas a recolher os lipides do sangue que são convertidos nos triglicerides; a falta da insulina causa efeito ao contrário.
3. Aumento da esterificação dos ácidos graxos - a insulina força o tecido adiposo a sintetizar gorduras (isto é, triglicerides) a partir dos esteres do ácido graxo; a falta da insulina causa o efeito inverso.
4. Diminuição da proteinolise - a insulina promove a redução da degradação das proteínas; a falta da insulina aumenta a degradação da proteína.
5. Diminuição da lipólise - a insulina reduz a conversão dos estoques lipídicos das células gordurosas em ácidos graxos sangüíneos; a falta da insulina tem efeito inverso.
6. Diminui a gliconeogenese - diminui a produção da glicose oriundas de vários substratos, no fígado; a falta da insulina causa a produção da glicose de vários substratos no fígado e em outras partes do corpo.
7. Aumento da “captura” de amino-ácido - forças células à absorver aminos-ácido circulantes; a falta do insulin inibe essa absorção.
8. Aumento da “captura” do potássio - a insulina força as células a absorver potássio sérico; a falta da insulina inibe esta absorção.
9. Ação no tônus do músculo das artérias - a insulina promove o relaxamento dos músculos das arterias, aumentando o fluxo sangüíneo, especialmente nas artérias da microcirculação; a falta da insulina reduz o fluxo sangüíneo permitindo que estes músculos se contraiam.
Diabetes e seu controle nos idosos
No idoso o diabetes não é só dependente da insulina sendo de mais fácil controle e em geral é benigno, evoluindo muito bem quando o tratamento for bem administrado.
A prevenção é feita principalmente em pessoas com antecedentes familiares. O tratamento do diabetes na 3ª Idade em geral é feito com dieta pobre em carboidratos, atividade física e às vezes, com o uso de medicamentos que diminuem os níveis de glicose no sangue. Eventualmente faz-se uso da Insulina .
O controle do diabetes está na dependência de importantes mudanças de hábitos alimentares e atividade física, principalmente. A dieta é muito importante e se baseia na restrição de carboidratos, incluindo-se aí o açúcar, a batata, a beterraba, etc. O controle de peso é fundamental pois a obesidade pode desencadear o diabetes.
Apesar da dieta ser de grande importância no tratamento do diabetes, é de difícil aplicação nos indivíduos idosos pela dificuldade de modificar o hábito alimentar praticado há anos. Nos idosos que freqüentemente apresentam-se desnutridos, deve-se suprimir os açúcares de absorção rápida como balas, doces, refrigerantes, bombons, chocolates, mel, melados, bolos, tortas, pudins, geléias, biscoitos, bolachas doces, leite condensado, sorvetes e manter os amidos (pães, massas, arroz, batata) associados a fibras (grãos e leguminosas, cascas e bagaço de frutas), frutas , proteínas (carne, leite, ovos e derivados), legumes e verduras. Fazer no mínimo 4 refeições ao dia (sendo que o ideal é de 5 a 6 refeições/dia).
Complicações do diabetes nos idosos
É muito importante seguir à risca a orientação médica pois o diabetes mellitus pode levar a complicações tanto crônicas como agudas.
As complicações agudas do diabetes são aquelas que se instalam rapidamente, em horas ou dias. As mais graves são o coma ceto-acidótico, o coma hiperosmolar e a hipoglicemia. Todas elas são graves e implicam risco de vida, caso o paciente não seja tratado a tempo. As complicações agudas do diabetes em geral são dramáticas, pois os pacientes estão bem e, em pouco tempo, parecem estar gravemente enfermos.
Referências:
ALBUQUERQUE Reginaldo. Hipoglicemia. Sociedade Brasileira de Diabetes. [on line]
Diabetes Mellitus. [on line]
FAJANS, Stefan S. Diabetes Mellitus; Hipoglicemias. Manual Merck, Seção 13 - Distúrbios Hormonais, Capítulo 148 – Hipoglicemia. [on line]
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Seção Conteúdo Público. O que é Diabetes? [on line]
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Diabetes Mellitus. [on line]
Veja Também:
Estudo de caso - Diabetes com hipoglicemia pós-prandial
Relacionamento médico e paciente
Estudo de caso - Nefropatia diabética
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