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Abr
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Terminalidade - Parte 10. Úlcera de pressão e nutrição
Categoria(s): Nutrição, Tanatologia |
Tanatologia
Colaboradora : Joana Luísa Fernandes Souza
* Nutricionista, Pós-graduanda do Curso Saúde e Medicina Geriátrica - METROCAMP
A pele não é apenas um envoltório protetor. É um sistema orgânico que regula a temperatura corpórea, detecta os estímulos dolorosos e agradáveis, impede a entrada de substâncias no organismo e provê um escudo protetor contra os efeitos nocivos do sol. A cor, a textura e as pregas da pele ajudam a caracterizar os indivíduos. Qualquer alteração da função ou do aspecto da pele pode acarretar conseqüências importantes para a saúde física e mental.
Desde a época pré histórica se sabe do uso de cataplasmas e ervas para a cicatrização de feridas. Com a evolução da ciência e da Medicina, principalmente pelos egípicios começa o conceito de ferida limpa e ocluída. Com a evolução desse conceito surge a fitoterapia nos monastérios da civilização grega e romana, onde a manutenção da ferida limpa e a retirada de corpos estranhos e tecidos necróticos e controle de hemorragias.
As úlceras de pressão resultam de uma complexa interação entre inúmeros factores de risco externos e internos – força mecânica excessiva, imobilidade, incontinência, idade avançada, entre outros. As consequências da imobilidade são frequentemente vistas como o principal fator que predispõe ao inicio do desenvolvimento das úlceras de pressão, mas é também sabido que existe uma relação causal entre a nutrição e o desenvolvimento das úlceras de pressão.
O distúrbio nutricional mais importante observado nos idosos é a desnutrição protéico-calórica (DPC), que está associada ao aumento da mortalidade e da susceptibilidade às infecções e à redução da qualidade de vida. Entretanto, a DPC é vista, erroneamente, como parte do processo normal de envelhecimento, sendo com freqüência ignorada.
Na DPC ocorre uma diminuição do trofismo intestinal com diminuição do fluxo sangüineo e privação do oxigênio e nutrientes orgânicos como o principal substrato dos enterócitos – a Glutamina, ocorrendo uma alteração na permeabilidade intestinal e uma redução na defesa imune, pela redução da barreira mucosa.
A redução da resposta imune em idosos está fortemente associada a deficiências nutricionais, não constituindo uma resposta biológica generalizada associada ao processo de envelhecimento.
Sempre que o corpo fica exposto a bactérias ou a outros microorganismos (devido a uma exposição real ou a uma imunização) pode haver uma formação menor ou mais lenta de anticorpos protetores. As alterações na estrutura da pele aumentam o risco de lesões, facilitando a entrada de bactérias pela pele danificada. Uma doença ou uma cirurgia podem, mais tarde, enfraquecer o sistema imune, deixando o organismo mais suscetível a infecções subseqüentes.
Além da ligeira redução da imunidade, o envelhecimento também afeta a cicatrização de inflamações e de feridas. Muitos idosos levam mais tempo e têm mais problemas no processo de cicatrização.
Nutrição e Imunidade
Chandra, em estudo duplo-cego controlado, demonstrou que indivíduos com idade superior a 65 anos com deficiências nutricionais e tratados com suplementos vitaminicos e minerais apresentaram resposta imunológica significativamente maior, e resposta similar as obtidas em adultos jovens.
Krause et al, seguindo os critérios “SENIEUR” demonstrou outro conceito da resposta imune associada à idade, diferente dos trabalhos anteriores, que associavam senescência com decréscimo generalizado no número de células no sistema imune.
Logo, as modificações na resposta imune que ocorrem no envelhecimento estão relacionadas principalmente à mudanças qualitativas nos tipos celulares, enquanto mudanças quantitativas estariam associadas a indivíduos com comprometimento do estado nutricional.
Referências:
Candido LC: Nova abordagem no tratamento de feridas. São Paulo: Editora SENAC-SP, 2001.
Carvalho Filho Et al. Avaliação de imunidade celular e humoral em individuos idosos.
Petrolino HMBS. Úlcera de pressão em pacientes de unidade de terapia intensiva: incidência, avaliação de risco e medidas de prevenção. (Dissertação) São Paulo (SP) Escola de Enfermagem/USP; 2002.
Rabeh, SAN. Úlcera de pressão: a construção do conceito e identificação de estratégias para divulgação do conhecimento na enfermagem. (Dissertação): Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP; 2001.
Veja Também:
Terminalidade - Parte 6. Atendimento domiciliar
Conseqüências da desnutrição no idoso
Terminalidade - Parte 5. Curar e cuidar
Terminalidade - Parte 7. Cuidados nutricionais
Terminalidade - Parte 8. Cuidando da Obstipação intestinal
Nutrição no paciente idoso - Aspectos gerais
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