Arquivo de Sociologia

26
Set

 Incontinência Anal nos idosos - Parte 1. Conceitos e fisiopatologia

Categoria(s): Dicionário, Gastrogeriatria, Sociologia

Resenha

Incontinência anal em Idosos - Qualidade de vida

Colaboradora: Natália Azambuja Mendonça *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Conceito 

Incontinência Anal (IA) é a perda involuntária de fezes e gases ou a impossibilidade de eliminar as fezes e/ou gases em local e momento adequado. É uma alteração funcional da região anorretal que leva à perda de controle da passagem do material fecal através do ânus, podendo inabilitar o paciente social e psicologicamente. Representa uma condição de etiologia multifatorial, levando a um grande impacto na qualidade de vida dos pacientes acometidos, principalmente devido ao transtorno físico e psico-social.

      IA tem um profundo impacto na QV e pode resultar em severas restrições das atividades do dia-a-dia como, por exemplo: jantar fora, se envolver atividades sexuais ou até mesmo ir ao trabalho. Pacientes reportam elevado nível de ansiedade relacionado ao medo de episódios de incontinência, vergonha da sua falta de controle do intestino e depressão. Alguns indivíduos se isolam para evitar episódios de incontinência e humilhação pública.

      Por incontinência ser considerada um tabu muitos indivíduos não percebem que a sua condição é comum e possui tratamento, assim não procuram ajuda.

      Apesar da IA ser uma doença que não ameaça a vida, tem como conseqüência a alteração física e psicológica do individuo, resultando em seu isolamento progressivo e alterações da imagem-corporal, auto-estima e identidade.

         O idoso quando apresenta a IA, tem o sentimento de regressão a infância, pois culturalmente, o único indivíduo que tem direito de evacuar na hora e local qualquer, é a criança; sente-se incapaz, logo que ao executar algum movimento ou ao realizar algum esforço poderá perder o controle das fezes ou gazes e consequentemente se expor. Para evitar esses constrangimentos, o idoso não realiza atividades que antes realizava como: atividades esportivas, encontros com amigos ou atividades sexuais.

      A incontinência é uma condição grave tanto para o paciente quanto para seus cuidadores.

       É um problema com grande impacto socioeconômico. Na América, representa a segunda causa de hospitalização de idosos em asilos, com uma despesa de mais de U$400 mil em fraldas e absorventes geriátricos.

      A incidência dos pacientes com IA é desconhecida, devido ao constrangimento que o portador tem de relatar ao especialista.

      Estimativas feitas em vários países indicam haver, na população geral, número expressivo de indivíduos com IA, especialmente naqueles com idade superior a 60 anos. Alguns estudos realizados nos EUA que sugerem prevalência em torno de 2,3% no país, entre adultos da população geral, podendo atingir 50% em pacientes idosos institucionalizados. No Brasil, estima-se uma prevalência de 2 a 7% (OLIVEIRA).

      Em um estudo junto à população idosa atendida no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, identificou prevalência de 10,9%. Outro estudo mostra que em uma população de 2.570 habitantes, 2,2% indivíduos tinha IA, sendo que 30% tinham mais de 65 anos.

      Muitos doentes não procuram profissionais especializados, devido a sentimentos de vergonha, humilhação e constrangimento. Acreditam que nada poderá ser feitos, assim, mantêm em segredo, além disso, sentem medo do afastamento familiar e ao isolamento forçado. Devido a esse comportamento, há uma grande dificuldade em mensurar o número de portadores.

      Os profissionais da área de saúde podem também refletir sentimentos e atitudes negativas, o que leva ao despreparo destes profissionais. Com isso, ocorre a desinformação no momento de orientar o paciente sobre o tratamento e cuidados.

Fisiopatologia da IA

O mecanismo da continência anal depende da ação integrada da musculatura esfincteriana anal e dos músculos do assoalho pélvico, da presença do reflexo inibitório reto-anal, da capacidade, sensibilidade e complacência retal, da consistência das fezes e, finalmente do tempo de trânsito intestinal. Assim, qualquer patologia que altera um desses complexos mecanismos, gera a IA. No idoso, especificamente, pode-se observar quadros de pseudo-incontinência nas situações de impactação fecal ou “fecaloma retal” onde, a presença do bolo fecal obstrui a luz intestinal promovendo uma irritação da mucosa intestinal que, secretando muco associado aos resíduos fecais, pode gerar uma incontinência por transbordamento. A IA pode ainda ser decorrente de alterações neurogênicas conseqüentes ao processo de envelhecimento e ás doenças sistêmicas, principalmente o diabetes mellitus. 

Mudanças com a Idade

O envelhecimento é um processo gradual que começa após a puberdade. Com o envelhecimento, ocorre atrofia da parede intestinal, redução do fornecimento sangüíneo, e algumas mudanças neurológicas que contribuem para um retardo do trânsito intestinal e decréscimo da quantidade de água nas fezes. Na maioria dos casos, entretanto o trato gastrointestinal não apresenta mudanças funcionais significantes com a idade, por exemplo, tanto a secreção quanto absorção permanecem relativamente constante e qualquer alteração que ocorra, não necessariamente resulta em problemas clínicos. Esta condição é atribuída em grande parte, pela redundância de cada seguimento do trato intestinal. Entretanto, fatores ambientais e extra intestinal podem afetar, decisivamente, as funções do trato gastrointestinal e a continência fecal, por exemplo, dieta, estilo de vida, pré-disposição hereditária, problemas de saúde diabetes mellitus e dano cognitivo. Medicações que pacientes adultos idosos utilizam devido aos problemas crônicos, podem afetar a pressão do esfíncter e, consequentemente, a continência.

As funções anais declinam com o a idade. Mulheres experimentam uma maior perda do que comparado com os homens. Na menopausa, é notável a incontinência em mulheres.  Lesões durante o parto aumentam o risco de comprometimento das funções anais, entretanto, uma porção significativa deste comprometimento, é resultante, tão somente, do envelhecimento.  Em uma série de estudos descritivos, envolvendo mulheres durante um período de vida Ryhammer descobriu que a sensibilidade da mucosa anal e do reto é afetada pela idade. Eles também observaram que repetitivos partos vaginais estão associados com efeitos adversos. Esses efeitos aumentam o potencial de IA causado pela perda de sensibilidade retal ou retardo da contração do esfíncter anal externo.

Etiologias da IA

A inter-relação complexa entre diversos determinantes tais como o volume e a consistência do conteúdo retal, a capacidade de distensão ou complacência do reto, a sensibilidade retal, a integridade da musculatura esfinctérica anal bem como a qualidade de sua inervação.

A IA adquirida no adulto é mais freqüentemente secundária a trauma cirúrgico, pode resultar de neuropatia do pudendo (neurogênica), de atrofia muscular generalizada secundária ao envelhecimento e também ter origem desconhecida (idiopática).

A lesão dos nervos, que controlam a força do esfíncter e a sensibilidade retal, é também uma causa comum de IA. O dano das estruturas nervosas pode suceder nas seguintes situações: durante o parto, esforços intensos e prolongados para evacuar e doenças como a diabetes, traumatismos ou tumores da medula espinal, na esclerose múltipla ou noutros problemas neurológicos.

 A obstipação com retenção de fezes duras no reto (fecalomas), pode contribuir para a incontinência por alteração da sensibilidade.

A incontinência pode também ser devida à perda de elasticidade do reto ou à redução da sua capacidade. Nesses casos o reto, deixa de poder acumular fezes e fica cheio mais depressa. Há então sensação de evacuar, por vezes de grande intensidade. A cirurgia e a radioterapia podem deformar e reduzir a capacidade do reto, assim como a doença inflamatória intestinal também pode diminuir a sua elasticidade.

Também em várias situações de diarréia pode surgir incontinência, porque é mais difícil reter fezes líquidas do que fezes moldadas.

Com o envelhecimento, ocorre degeneração do esfíncter anal interno. Também pode ocorrer redução da complacência retal, da sensibilidade anal e atrofia muscular do assoalho pélvico associadas ao aumento da idade. A presença de impactação fecal, comum nos idosos, pode afetar a sensação anal e a complacência retal, além de causar laceração muscular e incontinência por transbordamento.

 Referências:

Carvalho LP, Corleta OC Neuropatia pudenda: correlação com dados demográficos, índice de gravidade e parâmetros pressóricos em pacientes com incontinência fecal. Arq. Gastroenterol. 2002 v. 39 n.3 São Paulo.

Doughty DB. Urinary & Fecal Incontinence. 2000.

Habr-Gama A, Jorge JM O esfíncter anal artificial no tratamento da incontinência grave: descrição técnica e resultados preliminares, Rev. Brás. Coloproct, 2002 20(4): 217-222.

Yusuf SAI, Jorge JMNJ Avaliação da qualidade de vida na incontinência anal: validação do questionário FIQL (Fecal Incontinence Quality of Life). Arq. Gastroenterol, 2004. v.41, n3.

Oliveira L. Incontinência fecal. 2006. J. bras. Gastroenterol, 6(1):35-37.

Oliveira L, Jorge JMN Novos Tratamentos para Incontinência Anal: Injeção de Silicone Melhora a Qualidade de Vida em 35 pacientes incontinentes. Rev. Bras Coloproct, 2007 27(2):167-173.

Ramalho EN, Starling F Tratamento da Incontinência anal com biofeedback. Resultados preliminares. Rev. Bras Coloproct, 1999; 19(2):89-83.

Santos VLCG, Silva AM Qualidade de vida em pessoas com incontinência anal. Rev. Brás Coloproct, 2002; 22(2):98-108

Sobrado JCW Incontinência anal: fisiopatologia. Rev. Esc Enf USP 1999; 33: 33-38.

Voebig RG Os desafios diagnósticos da Incontinência Fecal. Arq. Gastroenterol. 2002 39(3):137-138.

 

 

 

 

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23
Mai

 O estress as doenças cardiovasculares

Categoria(s): Psicogeriatria, Sociologia

O homem, a máquina geradora de estresse.

O estresse é definido como sendo uma reação desencadeada por qualquer evento que confunda, amedronte ou emocione profundamente a pessoa, podendo ser um evento positivo ou negativo. Coloca o estresse como um termo que pode ser utilizado em dois sentidos, tanto para descrever uma situação de muita tensão, quanto para definir nossa reação a tal situação. Utiliza a palavra estresse para expressar esse último sentido e a palavra estressor para definir o evento que causa o estresse.

Lipp esclarece que o fator estressante pode ser um evento positivo ou não, mas que emocione de forma marcante. Deixa claro que alguns eventos são intrinsicamente estressantes em virtude da sua natureza, tais como o frio ou o calor excessivo, a fome, a dor ou a morte de alguém querido. Outros eventos tornam-se estressantes de acordo com a interpretação que damos a eles. E essa interpretação é o resultado da aprendizagem que ocorre durante o curso de nossa vida. Pode-se aprender a dar interpretações menos estressantes a uma série de problemas que se tem na vida. Quando se consegue isso, em geral, nosso nível de estresse passa a ser infinitamente menor.

O estresse é concebido em três fases distintas. A primeira, a fase de alerta ou alarme, é a que ocorre no momento que o estressor é percebido pela pessoa; nesta fase prevalecem os efeitos imediatos da adrenalina. A segunda fase, chamada de resistência, ocorre quando o estressor continua presente por períodos muito prolongados ou quando a dimensão é muito grande, onde prevalecem os efeitos protetores dos corticosteróides. É a fase em que a pessoa tenta instintivamente se adaptar ao que está se passando, usando suas reservas de energia. A terceira fase é a de exaustão. Este estágio ocorre quando o estresse se tornou intenso demais e há uma queda da resistência geral e o organismo sucumbe aos agentes agressores.

As pesquisas têm se voltado para a importância da interpretação subjetiva do estresse e em suas repercussões no nosso organimso, de forma aguda e crônica. Em especial no sistema cardiovascular.
O sistema cardiovascular está sujeito às influências neuro-humorais e participa ativamente na resposta aguda ao estresse. Esta resposta consiste principalmente em um aumento da frequência cardíaca, da contratrilidade, débito cardíaco e elevação da pressão arterial sistêmica.

A relação entre a doença hipertensiva e o estresse mental, embora proposta há anos, só recentemente foi estabelecida, com os estudos de Folkow (1988), ao demonstrar que diante de situações crônicas de estresse, o organismo promovia ajustes fisiológicos e estruturais que poderiam desenvolver ahipertensão arterial sistêmica e outras doenças cardiovasculares. Evidenciou-se ainda que níveis elevados de PA, mesmo de curta duração, promoviam alterações estruturais no sistema cardiovascular, especialmente nas camadas média e íntima da vasculatura.

Os estudos hemodinâmicos realizados durante testes de esforço ergométrico demonstraram que nas fases iniciais da hiperetensão arterial sistêmica se observava um padrão circulatório hipercinético caracterizado pelo aumento da freqüência e do débito cardíaco, permanecendo a resistência vascular periférica relativamente normal. Faz referência ainda à teoria da reatividade pressórica em que indivíduos que apresentam respostas pressóricas ou cronotrópicas mais elevadas diante de estímulos mais estressantes da vida diária, teriam risco mais elevado de desenvolver doenças cardiovascular, particularmente a doença hipertensiva.

Um grande número de trabalhos têm voltado a atenção sobre o estudo da reatividade pressórica ao estresse, com o objetivo de determinar o envolvimento do mesmo no diagnóstico e prognóstico da doença hipertensiva.Testes de estresse laboratoriais têm sido desenvolvidos e podem contribuir decisivamente para desenhar os perfis hemodinâmicos e sugerir o curso fisiopatológico da hipertensão arterial sistêmica.
Ugljesic e cols(1996) analisaram o comportamento pressórico de 42 motoristas profissionais e 30 não profissionais submetidos a testes de esforço ergométrico, concluindo que 35% dos profissionais e 10% dos não profissionais apresentaram níveis pressóricos elevados (média de 170/115mmHg). Atribuiram ao estresse do trânsito, a maior incidência de hipertensão entre os profissionais.

Atualmente os estudos científicos têm associado testes de estresse, MAPA. e Ecodoppler visando elucidar as relações entre o comportamento a curto, médio e longo prazo da PA e as alterações estruturais e funcionais ligadas a ela.

Referências:

Nacarato AECB - Stress no idoso - efeitos diferenciais da ocupação profissional. Dissertação de Mestrado, Instituto de Psicologia da PUCCampinas 1995.

Neri AL (Org) Qualidade de Vida e Idade Madura. Campinas: Papirus, 1993.

Lipp MEN Relaxamento para todos: Controle o seu stress. Campinas: Papirus, 1997.

Lipp MEN O (Org) stress está dentro de você. Campinas: Editora Contexto, 1999.

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26
Abr

 O idoso e o Programa da Saúde da Família - Parte 1.

Categoria(s): Gerontologia, Programa de saúde, Sociologia

Painel

Colaboradora : Sultania Fátima Costa *

* Agente comunitária e pós-graduanda do curso de Gerontologia da Metrocamp

O Programa da Saúde da Família, foi implantado em vários municípios do Brasil, a partir de 1994, e vem sendo reorganização da Atuação Primária ou Básica na saúde, na bagagem um conjunto rico de experiências e agora consubstanciado com a integração entre os vários profissionais e a prática, para dar uma maior contribuição na qualidade de vida e na promoção a saúde das populações mais carentes, como parte do processo de desenvolvimento dos SUS.

Segundo a Portaria GM/MS No. 1886, de 18 de dezembro de 1997 que estabelecem as atribuições do ACS, e o Decreto Federal No. 1389, de 04 de outubro de 1999 descrevem “um perfil profissional que concentra atividades na promoção da saúde, seja pela prevenção de doenças, seja pela mobilização de recursos e práticas sociais de promoção da vida e cidadania ou mesmo pela orientação de indivíduos, grupos e populações com características de educação popular em saúde, acompanhamento de famílias e apoio socioeducativo”. As Políticas de Saúde, segundo esta Portaria, estão voltadas para atender as necessidades emergentes das varias classes sociais, gênero e nas diversas faixas etária.

O Agente Comunitário de Saúde tem um papel muito importante na equipe ao interagir direto com a comunidade e o Serviço Público. Promove o desenvolvimento social, a identificação da realidade sociocultural e sanitária da população, uma interação na promoção da saúde e na qualidade de vida dos sujeitos na área de abrangência da Unidade Básica de Saúde.

O ACS é responsável pela mediação entre os diferentes, na promoção a saúde e na qualidade de vida na sociedade. Como é proposto pelo Ministério da Saúde “o ACS tenha um papel de mediador social através de ações na construção de vínculos e relações. Estreitar laços entre a comunidade, as pessoas e a família com os serviços. As ações na área de abrangência do agente, na comunidade e nos domicílios tragam para dentro da Unidade um saber diferenciado: do território, os sujeitos e instituições que nele existem e assim os fatores que geram doenças e seus potenciais e também os sujeitos e as redes geradoras de saúde” (Atribuições, p.1, 2004).

Sendo um trabalho em equipe multiprofissional é de grande importância no processo do Programa de Saúde da Família — PSF, por que visa uma abordagem mais integral e resolutiva aos usuários do Sistema Único de Saúde — SUS. Assim, o ACS em suas atividades deve visitar com regularidade as residências mantendo um olhar mais atento para possíveis problemas ou dificuldades da família, principalmente quando há criança e/ou idoso. De maneira geral, o agente deve observar todos os moradores, desde crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.

Deve-se manter um olhar diferenciado em atenção às crianças, pois elas têm várias peculiaridades tais como: a higiene pessoal e residencial deve ser observada se o lugar em que elas ficam é arejado, se tem presença de adulto; ver se está atualizado a carteira de vacinação, a sua alimentação, se está indo para a escola, sua relação com os amigos e família, como é visto e cuidado por todos da família. Toda esta atenção será discutida na reunião com os outros integrantes da equipe, elaborado um projeto e posto em prática sempre respeitando o usuário em suas necessidades.

Com os adolescentes, uma abordagem clara sobre a sua saúde, a importância de estudar e trabalhar. Com o jovem, a importância de cuidar da saúde, da relação com os familiares e sobre seus estudos incentivar a completar o ensino médio e/ou cursar um técnico.

O adulto uma atenção especial às suas necessidades, um olhar atento ao abuso da automedicação; ao consumo de bebida alcoólica; orientação da importância de uma alimentação balanceada como o consumo de verduras, frutas e a redução de gordura.

Para entendermos melhor a promoção da saúde, vamos nos orientar segundo a Carta de Ottawa (1986), neste documento, é o processo de capacitação da comunidade para atuar, desenvolver e participar na melhoria da qualidade de vida dos seus integrantes. E assim, atingir um estado de completo bem estar físico, mental e social e para que isso aconteça os participantes devem identificar aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente. A promoção à saúde, não é responsabilidade exclusiva da saúde, é um bem estar global. “Para exemplificar: um ambiente mais limpo e desfrutável, a ajuda recíproca na qual cada um cuida de si própria, do outro, da comunidade e também do meio ambiente, focaliza as necessidades globais do indivíduo”. É por esta ótica o trabalho e atuação do Agente com a comunidade, facilitar e desenvolver a interação com o setor público, ele é um elo.

Como é objetivo dos ACS trabalhar a qualidade de vida, temos segundo a professora Neri (2005 p.163), o conceito qualidade de vida vem a ser “um evento de múltiplas dimensões e é multideterminado, diz respeito ao indivíduo em diferentes momentos. Com diversos critérios para a avaliação é fundamental comparar as condições disponíveis com as desejáveis. O resultado vem a ser um índice de desenvolvimento, bem-estar, desejabilidade, prazer ou satisfação”. Ainda segundo a autora, a avaliação é afetada por valores e expectativas individuais e coletivas apresentando indicadores subjetivos tais como saúde percebida, satisfação com a vida e perspectiva de futuro.

Referências:

Neri, AL. Palavras-chave em gerontologia. Campinas, SP: Editora Alínea, (Coleção Velhice e Sociedade). 2º. Edição. 2005.

MINISTERIO DE SAÚDE, saúde da Família: uma Estratégia para a Reorientação do Modelo Assistencial. Brasília: MS. 1998.

Medida Provisória 297. Disponível em < http://www.camara.gov.br/sileg/integras/402772.pdf >.Acesso em 01 mar. 2008

Nunes, MO e cols. O agente comunitário de saúde: Construção da identidade desse personagem híbrido e polifônico. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/csp/v18n6/13260.pdf > Acesso em 02 mar.2008.

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19
Abr

 Atenção Psiquiátrica ao Idoso - Parte 1. Programas

Categoria(s): DNT, Gerontologia, Programa de saúde, Psicogeriatria, Saúde Geriátrica, Sociologia

Resenha

Colaboradora : Roberta Inacio Couto

* Enfermeira - Pós-graduanda em Saúde e Medicina Geriátrica - Metrocamp

PROGRAMAS DE ATENÇÃO PSIQUIÁTRICA

As atenções psiquiátricas no Brasil colônia

Os programas de políticas brasileiras - História até o séc XVIII os doentes mentais eram vistos como seres possuídos pelos demônios, as pessoas tinham medo deles e os mantinham isolados, tratando os como criminosos (Teixeira 1997). Portanto, durante muito tempo o universo da loucura gerou polêmica e estes doentes por sua vez estiveram à margem da sociedade isolado de diversos sinais e sintomas de sua patologia (Lino 2006). Isso perpetuou se durante épocas e o indivíduo com transtorno mental era desprovido de qualquer escolha, sofrendo a negação imposta pela comunidade (Lino 2006). Reformas nos programas de atenção psiquiátricas. Foi então que no ano de 1978 que se deu início ao movimento social pelos direitos dos pacientes psiquiátricos no Brasil.

De acordo com este movimento, diversos campos de luta se protagonizou a denúncia da violência dos manicômios, da mercantilização da loucura, da hegemonia de uma rede privada de assistência e a construir coletivamente uma critica ao chamado saber psiquiátrico e ao modelo hospitalocêntrico na assistência as pessoas com transtornos mentais (Brasil 2004).

Todo esse movimento se deu início as Reformas Psiquiátricas, sendo um processo político e social complexo, compreendido como um conjunto de transformações de práticas saberes e valores culturais e sociais tendo diversos impasses como de tensões, conflitos e desafios.

Em 1989, se deu à entrada no congresso nacional do Projeto de Lei do Deputado Paulo Delgado propondo a regulamentação dos direitos da pessoa com transtorno mental e a extensão progressiva dos manicômios do país.

Em 2001-a Lei Paulo Delgado foi sancionada, um substituto do Projeto de Lei original com modificações.

A Reforma foi imposta para propor a humanização das relações entre os sujeitos nas instituições que vinham para substituir o asilo, através de uma mudança na organização dos processos de trabalho e na estrutura dos serviços psiquiátricos e pelo desenvolvimento de culturas e outros lugares sociais onde se tolera com ética e solidariedade a diversidade da loucura (Oliveira 2003).

A partir da Lei Federal 10216/01 redirecionou a assistência em saúde mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária (proteção e direitos), mas não institui mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios.

De acordo com esta lei, foram criadas diversas diretrizes e ações para os indivíduos com transtornos mentais pudessem ter recurso para voltar à sociedade, ou seja, que fosse desinstitucionalizado.

A adentrarmos neste assunto, achei como pertinente ressaltar uma breve contextualização sobre a atenção domiciliar, sendo novas práticas de cuidado e política de saúde, é claro com o intuito da inserção das residências terapêuticas como um projeto que visa o atendimento domiciliar.

Essa atenção domiciliar aponta um potencial que concretiza uma nova modalidade substitutiva do cuidado, pois mostra o envolvimento das pessoas, como cuidadores e pacientes, dando uma produção de cuidado mais individualizado, com esse trabalho tem proporcionado as equipes um modo de conduzir o cuidado de forma menos tecnicista do que dentro dos hospitais.

Freire 2006 observou que esses movimentos iniciais podem vir a ser uma outra transição tecnológica, do que inversamente Foucault mostra como uma substituição de lógica do cuidado hospitalar ou ambulatorial, transferindo para o domicílio, vale ressaltar que não se trata de uma desassistência, nem tão pouco de uma desospitalização irresponsável e prematura, mas de uma possibilidade de reestruturar o modo de operar o cuidado, tanto no que se refere ao seu espaço físico, quanto na lógica do cuidado.

Referências:

Lino,M A. A convivência de Pessoas com Transtorno Mentais e seus Familiares no Contexto do Domicílio. Dissertação (Mestrado, curso de mestrado em Assistência de Enfermagem, Universidade Estadual) p. 35-62, São Paulo: USP, 2006.

BRASIL. Lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001. Doc. sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtorno mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. LEX: Legislação em Saúde Mental, Brasília, 2004.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de volta para casa. Brasília.MS. 2006.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Residências Terapêuticas. Brasília: MS 2004.

Brasileiro, M. Enfermagem na Saúde do Idoso. In: A Organização da Unidade de Saúde e Domiciliar para o idoso, Ed. Cultura Brasileira, Goiânia-GO; pág 15-18; ano 2005.

Oliveira, A G B, Alossi,N P. O Trabalho de Enfermagem em Saúde Mental: Contradições e Potencialidades Atuais. Rev. Latino-Americana Enfermagem, Brasília (DF), vol. 11, nº 3: 333-340, maio./jun. 2003.

Teixeira, M.B. Manual de Enfermagem Psiquiátrica. São Paulo: Atheneu, 1997.

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11
Abr

 Terminalidade - Parte 6. Atendimento domiciliar

Categoria(s): Sociologia, Tanatologia

Tanatologia

Cuidados paliativos

Colaborador: Antonio Cesar Antoniazzi *

* Médico e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

ASPECTOS FAMILIARES E ATENDIMENTO DOMICILIAR

Para os familiares e amigos de um ente querido gravemente enfermo, enfrentar os problemas de saúde deste não é tarefa fácil, como não o é para o doente. As incertezas, o medo do desconhecido rodam suas mentes. A angústia da dor e sofrimento afloram a todo momento.

Internações hospitalares nos momentos mais críticos ocorrem com certa freqüência, onde o paciente com o auxílio da retaguarda hospitalar pode amenizar seu sofrimento, contando com a atenção de seu médico e equipe de saúde.

Passado este período, o local ideal para o paciente é a sua casa, seu ambiente em que viveu até o momento. Lá estará junto aos seus familiares, seus amigos, podendo manter o pouco de autonomia que lhe resta.

Neste fase da doença, é importante o acompanhamento domiciliar pela equipe interdisciplinar de saúde. Ela irá oferecer a todos o suporte técnico, físico, psíquico e espiritual adequado. Ajudará a enfrentar os problemas que surgirão e qual o melhor meio de solucioná-los.

É o cuidar quando o curar não é mais possível. Propiciar que as questões familiares pendentes possam ser resolvidas, os conflitos pessoais superados. É o preparar-se para a separação das vidas e o processo de luto.

É manter a dignidade da vida até o momento do óbito.

É estimular a gratidão entre o doente e seus familiares e amigos, onde no instante final, olhando-se mutuamente possam dizer:

Obrigado, desculpe, eu te amo, adeus.

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