Arquivo de Sociologia





25 - nov

Reações emocionais e amnésia – Locais no Hipotálamo

Categoria(s): Biologia, Neurologia geriátrica, Psicologia geriátrica, Sexualidade e DST, Sociologia

Reações emocionais e amnésia – Locais no Hipotálamo

A perda da memória (amnésia) para fato recentes ou antigos ocorre quando o cérebro perde a capacidade de processar e armazenar informações obtidas a curto, seja por mau funcionamento das células nervosas causada por um traumatismo craniano, um tumor cerebral, uso indevido de medicações ou deficiência de vitamina B, seja devido a um trauma psicológico que inibe as lembranças, como nos casos de luto por perda de um familiar muito querido.

A perda da memória pode ser transitória ou permanente. No primeiro caso, o paciente perde a noção de quem é, o que faz, o que aconteceu, mas aos poucos – ou até imediatamente – retoma as lembranças. No segundo, mais comum em casos pós-traumáticos, os efeitos são irreversíveis. O tratamento, quando possível e se necessário, é feito com base na psicoterapia.

Nas porções mais interna do lobo temporal, o seu córtex se contorce em uma sinuosidade chamada de hipocampo, sede das memórias mais duradouras e fundamentais para o relacionamento com o mundo que nos cerca. Quando está região sofre uma lesão, como aconteceu com o paciente citado, a pessoa fica incapaz de lembrar os nomes das pessoas com quem está conversando e fica perguntando repetidas vezes o nome dessa pessoa.

Centros da memória – A hipófise; hipotálamo; sistema límbico; locus coeruleus e córtex cerebral são áreas do cérebro envolvidas tanto na memória como nas atividades emocionais. Nesta áreas foram encontrados grande quantidades de receptores celulares de esteróides sexuais, e evidentemente, a natureza não distribuiria estes receptores se eles não exercessem ações específicas nestas áreas.

Estudos têm demonstrado que a adição de estrogênio a culturas in vitro de neurônios diferenciados da amígdala e do hipotálamo prolongam as suas sobrevidas. Assim, os estrogênios podem atuar diretamente no neurônio, promovendo a sua sobrevida ou estimulando a produção neuronal de um fator neurotrófico. Um destes fatores é o fator de crescimento neuronal (NGF), produzido por neurônios colinérgicos que originam-se nos núcleos do prosencéfalo basal. Estes núcleos são as principais fontes de inervação colinérgica do hipotálamo, hipocampo, sistema límbico e córtex cerebral. Este sistema colinérgico está envolvido na maioria das funções da memória.

Área comportamentais do cérebro – As áreas grísea periaquedutal e a tegmentar ventral estão relacionada com as manifestações comportamentais. A amigdala (também chamada de complexo amigdalóide é o “botão de disparo” das reações emocionais. O hipotálamo e o troncoencefálico respondem pelas manifestações fisiológicas.

Sistema límbico

Diante das ações estrogênicas sobre o SNC, podemos imaginar que o climatério, caracterizado pela falência progressiva da função ovariana, acarretará várias e, às vezes, profundas alterações, num espectro que vai desde depressão e diminuição da capacidade cognitiva até quadros que envolvemos reflexos sensomotores, o equilíbrio, o parkinsonismo e a demência senil do tipo Alzheimer.

Os neurônios deste sistema colinérgico são os que sofrem as primeiras e mais pronunciadas alterações degenerativas vistas no desenvolvimento da doença de Alzheimer.

As pacientes obesas são menos propensas a desenvolver a doença de Alzheimer, e este fato pode estar relacionado com a maior produção extra-ovariana de estrogênios que ocorre no tecido adiposo.

Veja – Memória: Aspectos anatômicos e fisiológicos

Referências:

Kaster S, Ungerleider LG – Mechanisms of visual attention in the human cortex. Annual Reviews of Neuroscience 2000,23:315-341.

Lent R – Cem Bilhões de Neurônios: Conceitos Fundamentais de Neurociência. São Paulo, Editora Atheneu 2001

Purves D, Augustine GJ, Fitzpatrick D, Katz LC, et al Cap 24. Cognition. In LaMantia AS & McNamara JO – Neuroscience Sinauer Associates, Sunderland, EUA 1997,p.465-482.

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22 - set

Psicologia do envelhecimento – Teoria da Seletividade Socioemocional

Categoria(s): Gerontologia, Psicologia geriátrica, Sociologia

Psicologia do envelhecimento

Teoria da Seletividade Socioemocional

Esta teoria foi desenvolvida por Laura L. Carstensen e colaboradores, na década de 1990,  busca explicar o declínio nas interações sociais e as mudanças no comportamento emocional dos idosos. Segundo a autora  a redução na amplitude da rede de relações sociais e na participação social na velhice reflete a redistribuição de recursos socioemocionais pelos idosos, na medida em que há mudança na percepção de tempo futuro.

De forma adaptativa, na velhice passam a ser mais relevantes o envolvimento seletivo com relacionamentos sociais próximos que ofereçam maior retorno emocional. Tais alterações adaptativas permitem aos idosos poupar recursos escassos, canalizar para alvos relevantes e otimizar o seu funcionamento afetivo e social.

Cumpre o médicos geriátras, psicólogos e os gerontólogos estimular a prática da socialização, pois a limitação natural autoimposta pelo idoso pode causar graves transtorno psicológicos e agravamento do quadro das doenças pré-existente. Muitas vezes o médico não entende por que o paciente outrora bem equilibrado passa a ter episódios de descompensação e frequentes visitas aos pronto-socorros e esta Teoria da Seletividade Socioemocional ajuda a entender as mudanças de paradígma do idoso quando este perde o local habitual do convívio social. O incentivo à participação  em grupos de teatro, dança e coral é muito importante.

Referências:

Carstensen, LL & Turk-Charles, S – The salience of emotion across the adult life course. Psychology and Aging. 1994;9:259-264.

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21 - set

Psicologia do envelhecimento – Teoria da Dependência Aprendida

Categoria(s): Gerontologia, Programa de saúde pública, Psicologia geriátrica, Sociologia

Psicologia do envelhecimento

Dependência aprendida

A teoria desenvolvida por Margareth M. Baltes na década de 1980 e 1990 (Baltes, 1996) revela o fenômeno da dependência na velhice como multidimensional, relacionando-se com os mais diversos fatores como: incapacidade, motivação, práticas discriminativas, desestruturação ambiental. Ela não é identificada como característica da velhice, mas ela se manifesta diferentemente ao longo de toda a vida.

A dependência tanto pode significar:

  • Perdas (no sentido de que dificulta o engajamento em ações que promovem a sua funcionalidade física e psicossocial) quanto;
  • Ganhos, na medida em que ajuda as pessoas a obter atenção, contato social e controle passivo e que as auxilia a preservar, canalizar e otimizar energias para outros objetivos, funcionando como estratégia adaptativa.

Entre outras contribuições, essa teoria traz implicações principalmente para a prática com idosos frágeis, hospitalizados e institucionalizados, pois a identificação de padrões de dependência não adaptativos pode ser corrigida na medida em que os profissionais invistam na criação de novas contingências, estimulando o senso de agência na compensação de perdas e maximização da autonomia, mesmo na presença de incapacidades.

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20 - set

Psicologia do envelhecimento – Teoria de Seleção, Otimização e Compensação de Baltes e Baltes

Categoria(s): Conceitos, Psicologia geriátrica, Sociologia

Psicologia do envelhecimento

A teoria de Seleção, Otimização e Compensação de Baltes e Baltes

Teoria SOC – A teoria de Seleção, Otimização e Compensação de Baltes e Baltes (1990) buscou estabelecer como os indivíduos podem efetivamente manejar as mudanças nas condições biológicas, psicológicas e sociais que se constituem em oportunidades ou restrições para os seus níveis e trajetórias de desenvolvimento. Interessa a essa teoria a maneira como as pessoas alocam e realocam seus recursos internos e externos por meio desses três processos e como, simultaneamente, maximizam ganhos e minimizam as perdas ao longo do tempo.

As emoções mais “primitivas” e bem estudadas pelos neurofisiologistas são a sensação de recompensa (prazer, satisfação) e de punição (desgosto, aversão), tendo sido caracterizado, para cada uma delas, um circuito encefálico específico. Estes centros com suas conexões permitem o entendimento neurofisiológico da psicologia do ser humano na busca da maximização ganhos e minimização as perdas ao longo da vida, como advoga a teoria de Seleção, Otimização e Compensação de Baltes e Baltes.

O “centro de recompensa ou ganho” está relacionado, principalmente, ao feixe prosencefálico medial – nos núcleos lateral e ventromedial do hipotálamo, havendo conexões com o septo, a amígdala, algumas áreas do tálamo e os gânglios da base. Neurônios dopaminérgicos projetam-se da área tegmentar ventral do mesencéfalo para muitas áreas do encéfalo através do feixe prosencefálico medial. Assim, a dopamina parece ser fundamental na mediação dos efeitos de recompensa.Este fato pode ser comprovado nos casos do uso de drogas que causam dependência química ao aumentarem a eficácia da dopamina e provocarem sua liberação no núcleo acumbens, demonstrando o papel desse neurotransmissor nos mecanismos de recompensa e/ou prazer.

O “centro de punição, ou perda” está localizado na área cinzenta central que rodeia o aqueduto cerebral de Sylvius, no mesencéfalo, estendendo-se às zonas periventriculares do hipotálamo e tálamo, estando relacionado à amígdala e ao hipocampo e, também, às porções mediais do hipotálamo e às porções laterais da área tegmental do mesencéfalo. A figura acima ilustra a complexidade de núcleos hipotâmicos envolvidos nas funções emocionais do chamado sistema límbico.

A função de seleção da atitude diz respeito à especificação e à diminuição da amplitude de alternativas permitidas pela plasticidade individual. A otimização diz respeito ao gerenciamento dos recursos visando alcançar níveis mais altos de funcionamento. A compensação envolve a adoção de novas alternativas para manter o funcionamento.

A teoria SOC pode ser incorporada, por diferentes perspectivas teóricas em Psicologia, incluindo a comportamental, cognitiva, à de ação social-cognitiva e a diferentes processos como memória, funcionamento físico e a domínios do bem-estar tanto no desenvolvimento e envelhecimento normal ou patológico. Por isso é apontada como um meta-modelo do desenvolvimento humano, influenciando a emergência de outras tais teorias como a da Seletividade Socioemocional.

Referências
:

Kandel ER. Fundamentos de neurociência e do comportamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2000.

Machado ABM. Neuroanatomia funcional. 2ª ed. São Paulo: Atheneu; 2006.

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16 - set

Ortotanásia e Eutanásia – Aplicação dos princípios morais e éticos

Categoria(s): Enfermagem, Psicologia geriátrica, Sociologia, Tanatologia

Ortotanásia e Eutanásia - Aplicação dos princípios morais e éticos

Colaboradora : Vera Regina Tufaile Kovask *

* Enfermeira e Gerontóloga

Um anteprojeto de lei a respeito da ortotanásia e da eutanásia, que faz parte do novo Código Penal, brevemente será analisado pelos senadores na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Assim, é importante para a sociedade brasileira conhecer e deabater sobre o que rege os casos dos pacientes terminais. A ortotanásia é a não interferência médica no processo natural de morte, deixando este processo ocorrer naturalmente, sem retardar e nem acelar. O Código de Ética Médica desaconselha ações diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou obstinadas em casos de doença incurável e terminal. A eutanásia é o aceleramento do processo de morte por meios artificiais, por ação omissiva ou comissiva. Uma comissão composta por 15 juristas prevê que a prática da ortotanásia não constitui crime e a prática da eutanásia é crime, mas deve ter atenuantes.

Observamos na área da saúde, o benefício com o avanço tecnológico, como o aumento do tempo médio de vida, a preservação e erradicação de algumas doenças. O aumento da eficácia e a segurança de novas terapias também levam a questionamentos quanto ao aspecto econômico, ético e legal em pacientes cuja indicação nem sempre são apropriadas, indicando que o emprego de tais medidas de tratamento possam ser inadequadas.

Nas unidades de terapia intensiva existe um grupo de pacientes que por mais que você utilize todo o arsenal tecnológico a evolução da doença levará a morte (inevitável) e no entanto prolongou-se o sofrimento do paciente.

Na ultima década foram testados inúmeros escores clínicos com o objetivo de identificar aqueles pacientes com alta taxa de mortalidade e os mais aceitos foram o TISS, APACHE, MOF e em pediatria o PRISM. Porém esses escores não se aplicam a casos individuais, eficazes em grupos de pacientes.

Hoje a finalidade do médico é fornecer o melhor cuidado possível junto com a melhor evolução e com os recursos disponíveis, dentro da ética médica e respeitando o paciente.

Conceituação de paciente terminal

Na evolução de uma doença, em um determinado momento mesmo dispondo de todos os recursos observamos que o paciente não é mais salvável, ou seja, a morte é inevitável. Neste momento as medidas terapêuticas não aumentam a sobrevida, apenas prolongam o processo lento de morrer.

O momento em que o paciente deixa de ser salvável e passa a um quadro de morte inevitável é impreciso, variável e depende de uma série de fatores.

A identificação do período de inversão de expectativas envolve um processo de racionalização, levando a uma postura crítica, neutra, isenta de preconceitos, avaliando as opções terapêuticas de acordo com o estágio da doença.

Essa racionalização leva em conta pelo menos três grandes critérios:

1- Objetivos- através de imagens, exames laboratoriais, anatomo-patológicos;

2- Subjetivos- exame clínico, ausência de interação com o meio ambiente, etc;

3- Intuitivos- avaliados pelo grupo médico e do paciente.

Após a aplicação desses critérios obtemos uma concepção do paciente como um todo e o atual estágio da doença. Agora com a aplicação deste conceito mais os princípios de moral e ética, podemos adotar as medidas adequadas para cada paciente, individualmente.

Aplicação dos princípios morais e éticos

A atuação médica é movida por dois grandes princípios morais: a preservação da vida e o alívio do sofrimento. No caso do paciente ser salvável procuramos a preservação da vida, no entanto quando o paciente não é mais salvável procuramos o alívio do sofrimento.

A aplicação dos princípios éticos: beneficência, não maleficência, autonomia e justiça, deve ser realizada em uma seqüência de prioridades. Os princípios de beneficência e não maleficência são prioritários sobre a autonomia e a justiça.

A fase salvável indica um período de beneficência, onde aplica-se medidas salvadoras como exemplo diálise, transplante, com o objetivo de preservação da vida. Porém, quando a morte é inevitável e a cura já não é mais possível, o objetivo visa a não maleficência, onde as medidas tomadas são para aliviar o sofrimento.

O princípio da autonomia esta secundária em relação a beneficência e a não maleficência. Exemplo um paciente com câncer em uso de quimioterapia, que desenvolve pneumonia bacteriana e por estar depressivo não quer internar para antibióticoterapia. O motivo da recusa pode precipitar a morte e estaria sendo utilizado acima dos conceitos de beneficência e não maleficência.

Em alguns casos os pacientes (3 a 23%) podem apresentar distúrbios cognitivos, tornando impossível uma decisão e nesses casos, são os familiares que usam o princípio da autonomia.

Mesmo a família passa pelos princípios já citados de racionalizacão e no caso do paciente terminal, após este período a família pode participar das decisões junto com a equipe médica. O papel da equipe com a família é o de apresntar de forma imparcial a evolução do caso, discutir pormenorizadamente as possíveis opções, sempre de acordo com a moral e a ética.

O princípio da justiça deve ser levado em conta na decisão final.

Conduta em pacientes terminais

Em primeiro lugar é indispensável haver um consenso em relação ao paciente terminal para depois discutirem as possíveis condutas. Os objetivos devem ser comuns entre familiares e equipe médica, sempre visando a mais conforto e menos sofrimento do paciente.

As condutas empregadas ou não, ao paciente terminal, é polêmica, incluindo a não adoção e/ou retirada de medidas de suporte de vida, ordem de não reanimar, interrupção de tratamento fútil, suspensão de cuidados ordinários ou extraordinários, distanásia e eutanásia.

Uma das recomendações do Task Force on Ethics da SCCM, sugere que uma vez tomada a decisão de suspensão do suporte de vida, a atenção da equipe deve ser de aliiviar o sofrimento do paciente e a atenção da família deve ser de assegurar uma morte mais digna. A equipe deve manter os cuidados de higiene e conforto, tratamento para a dor, depressao, ansiedade.

Veja mais em Cuidados Paliativos

Referências:

Ferrel BR, Coyle, N. An overview of palliative nursing care. American Journal Nursing, V 102, n.5 p.26-32,2002.

Twycross, R. Medicina Paliativa: filosofia y consideraciones éticas. Acta Bioethica, v.6, n.1, p.27-46, 2000.

Figueiredo MTA – Educação em cuidados paliativos: uma experiência brasileira. O Mundo da Saúde, São Paulo, v.27, n1. p165-170. jan/mar. 2003.

Caponero, R. Muito além da cura de uma doença, profissionais lutam para humanizar o sofrimento humano. Prática Hospitalar, São Paulo, n.21, p. 29-34, mai-jun, 2002.

http//www.medicinaintensiva.com.br/eutanásia1.htm

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