Arquivo de Saúde Geriátrica

14
Jan

 Cádmio - Intoxicação

Categoria(s): Bioquímica, Saúde Geriátrica

Ortomolecular

O cádmio é um metal raro ao qual o homem está exposto através do ambiente, em baixos níveis. O organismo humano acumula cádmio e aos 50 anos o homem pode estar com uma carga de 20 a 30 mg, concentrando-se nos rins e paredes das artérias.

Bioquímica - O cádmio inativa numerosos sistemas enzimáticos, por ligar-se aos grupos sulfidril das moléculas de proteína.

Fontes de contaminação - o cádmio está presente em todos os alimentos e bebidas, mas, encontra-se mais concentrado em mariscos, ostras e peixes de água salgada, alguns tipos de chá e na fumaça do cigarro. Outras fontes incluem pinturas, soldas, pigmentos, ripas galvanizadas, baterias, combustão dos automóveis, e em alguns suplementos naturais, como: dolomita e medula óssea (tutano).

Ultimamente, causa grande preocupação a poluição ambiental resultante do descarte de baterias de telefones celulares e pilha elétrica que contém os metais tóxicos níquel e cádmio.

Absorção e excreção - Aparentemente, não existe sistema que regule o metabolismo de absorção e excreção de cádmio. Uma das formas que o cádmio entre no nosso organismo é através dos pulmões quando presente na fumaça do cigarro ou em forma de pó oxidado.

Doenças causadas pela Toxicidade - A toxicidade depende dos níveis orgânicos dos íons protetores zinco, cobre, ferro e cálcio.

1. Fibrose e edema pulmonar
2. Enfisema pulmonar
3. Doenças renais com proteinúria e glicosúria
4. Hipertensão arterial sistêmica
5. Diminuição da produção de anticorpos.
6. Anemia.
7. Diminuição da testosterona.

Síntomas da intoxicação por cádmio - náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarréia, diminuição da temperatura corporal, perda de dentes, dores articulares, hiperatividade.

Terapia: Indicação, apresentação e dosagem:

1. Orientar dieta para produtos que contenha: zinco, cobre e selênio.
2. Aumentar consumo de leite e orientar exposição solar para síntese de vitamina D2.
3. Ingerir fibras vegetais - pectina———-1 a 3 gramas/dia.
4. Ingerir lactato de cálcio——————800 a 1200 mg/dia.

Orientações higieno-dietéticas:

Aumente o consumo de enxofre quelado com aminoácidos ingerindo ovos, cebolas e alho. Aumente o consumo de alimentos ricos em selênio, vitamina B2 e zinco, pois selênio e a vitamina B2 são elementos essenciais para formação de glutation peroxidase e redutase que auxiliam na eliminação de metais pesados.

Os grãos integrais têm 100 vezes mais zinco do que cádmio.
Os grãos refinados têm 16 vezes mais zinco do que cádmio.
No açúcar tem um parte de zinco para uma parte de cádmio.

Os jovens que ingerem grandes quantidades de carboidratos refinados têm a ingestão de cádmio aumentada e do íon zinco, reduzida.

Interações:

O cádmio interfere com a absorção de cobre, zinco, ferro e cálcio e reduzindo os níveis desses minerais essenciais no organismo.

1. Zinco - O zinco e o cádmio são antagônicos. Nível elevado de cádmio pode agravar a deficiência de zinco. A medida que se aumenta o aporte de zinco, os efeitos da intoxicação diminuem. O cádmio pode substituir o zinco como co fator da carboxilpertidase e alterar a especificidade da enzima.

2. Selênio - O selênio protege o organismo da intoxicação pelo cádmio.

3. Cobre - Baixos níveis de cobre diminuem a tolerância orgânica ao cádmio.

4. Cálcio - O íon cálcio protege parcialmente contra o acúmulo de cádmio nos rins e fígado, portanto, diminuindo a toxicidade.

Veja Também:
Alumínio - Intoxicação
Estudo de caso - Síndrome da mielinólise pontina central

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11
Jan

 Vertigem - 200 dúvidas a respeito - Parte 7

Categoria(s): Fisioterapia, Otogeriatria, Saúde Geriátrica

Esclarecimentos

giroscópio

121. Por que durante a gravidez algumas mulheres apresentam tonturas e outras melhoram da tontura que antes apresentavam?

A retenção de sal e água que ocorre no período gravídico pode levar a um quadro labiríntico de hipertensão perilinfática (semelhante à doença de Ménière), o mesmo ocorre quando dos quadros de hipoglicemia.

Algumas mulheres apresentam uma maior retenção de sal e água, que normalmente ocorre no período menstrual podendo levar ao quadro clínico de hipertensão perilinfática. A interrupção do ciclo menstrual que ocorre na gravidez pode produzir melhora dos sintomas nessas pacientes.

122. As doenças intestinais podem apresentar vertigem? Quais?

Doenças intestinais, como gastroenterites inflamatórias (Doença de Crohn , Síndrome do intestino irritável), microvilopatia intestinal e parasitárias que causam má absorção de açúcares podem levar a hipoglicemia e conseqüentes distúrbios cocleovestibulares.

A vertigem desaparece quando a doença é controlada.

123. Por que, quem tem intolerância a lactose pode sofrer de labirintopatia?

Os alimentos contêm três principais tipos de dissacarídeos, a lactose, a sacarose e a maltose. Nos pacientes portadores de uma microvilopatia intestinal, que é uma afecção na mucosa jejunal induz a redução da produção de dissacarides provocando má absorção intestinal de açúcares e vertigens por hipoglicemia.

Quando o paciente portador de uma microvilopatia enzimática (exemplo, falta de lactase ou sacarase) ingere grande quantidade de alimento rico nos dissacarídeos; lactose, sacarose ou maltose, que ele não consegue decompor nas suas moléculas primitivas, esses, por osmose, removem glicose plasmática para o interior do tubo digestivo causando hipoglicemia.

Um outro sintoma característico é a diarréia e os gases (aerocolia), que ocorre quando os os dissacarídeos que não foram decompostos, chegam no intestino grosso e são fermentados pelas bactérias intestinais.

124. Como podemos confirmar o diagnóstico de intolerância a lactose?

Pacientes com queixas de vertigens, distensão abdominal pelos gases e eventualmente diarréias, devemos suspeitar de ” Intolerância aos dissacarídeos”, sobretudo a carência da enzima lactase (Síndrome da intolerância a lactose). O primeiro exame é a curva da insulina, e nos casos de curva insulinopênica (insulina baixa) solicita-se, em seguida, o teste de tolerância à lactose, Esse teste baseia-se no fato de que a pessoa normal nessecita ter lactase suficiente para desdobrar a lactose ingerida em glicose e galactose. O exame é considerado alterado quando os níveis de glicose nas diversas coletas de sangue venoso, após a ingestão de lactose, não atinjam o valor de 25 mg;dL acima do valor de jejum.

125. Como tratar os paciente com intolerância à lactose?

Os pacientes com intolerância à lactose são orientados a manter uma dieta com restrição de sacarose, eliminando o leite e seus derivados ou em caso da necessidade de usar leite (prevenção de osteoporose), acrescentar enzima lactase extraída de cogumelos. Devem ter o cuidado de não ficar mais de três horas sem se alimentar.

126. A ressecção intestinal pode levar a quadros de perda do equilíbrio?

Após ressecção (retirada) cirúrgica de parte do intestino, o pedaço remanescente sofre alterações, tanto estruturais quanto funcionais que aumentam a absorção de nutrientes e fluidos. As alterações estruturais (hiperplasia das células dos vilos e maior profundidade das criptas) começam alguns dias após a ressecção e resultam em aumento da área de superfície mucosa. A adaptação funcional (maior atividade enzimática da borda em escova e diminuição da motilidade gastrointestinal) também promove absorção de fluidos e nutrientes após a ressecção. Porém, pacientes com ressecções extensivas do intestino delgado também apresentam redução de dissacaridases, mais comumente lactase. Isso pode resultar em intolerância à lactose e suas conseqüências como vimos acima. Além desse problema a deficiência da absorção da vitamina B12 que é absorvida pelo íleo terminal após sua ligação com fator intínseco. Quando mais de 60 cm do íleo foi ressecado, injeções mensais de vitamina B12 são necessárias por tempo indefinido.

Ver mais - Síndrome da alça curta

127. O que é a síndrome de resistência à insulina?

A resistência à utilização da insulina pelo organismo, ou seja a pessoa tem insulina, mas ela não consegue colocar a glicose para dentro da célula, e fica com taxa alta de glicose e insulina no sangue periférico. Isso ocorre por disfunções dos receptores celulares para a insulina. Este distúrbio provoca um série de alterações metabólicas, que causam obesidade abdominal, hipertensão arterial, angina, doenças coronárianas. O distúrbio do metabolísmo dos carbohidratos, leva a hiperglicemia, a hiperinsulinemia e desencadeia episódios de labirintopatias. Muitas vezes esse é o primeiro sintoma da resistência a insulina, chamada de síndrome plurimetabólica.

128. Por que ocorre a síndrome metabólica?

Existem inúmeros estudos a respeito da síndrome metabólica, ao que tudo indica, o distúrbios ocorre por um defeito dos receptores celulares para a insulina. Porém, a maior causa do aumento dos problemas metabólicos se deve a dieta inadequada e a indisciplina alimentar da vida moderna.

129. Quais as mudança alimentares prejudiciais à saúde que estão ocorrendo na civilização atual?

Os hábitos alimentares da civilização urbana atual, a tendência de importar modelos de consumo têm levado ao abandono de importantes componentes da dieta, com a presença progressiva das chamada refeições rápidas, ricas em carbohidratos e gorduras. O sedentaísmo agrava a situação. O desjejum é negligenciado, o almoço é rápido (não tem tempo a perder) e o jantar farto e copioso, geralmente na altas horas da noite e logo seguido de sentar-se em frente o televisor ou deitar-se.

130. O que são alimentos antioxidantes?

Alimentos antioxidantes são substâncias como a vitamina E, a vitamina C, os bioflavanoides, o selênio, que apresentam a capacidade de inativar os radicais livres, que são espécies químicas reativas que agridem, destroem a membrana celular e causam alterações iônicas. Os processos isquêmicos, vasculares, metabólicos (diabetes) e estresse geram grande quantidade de radicais livres, causando efeito deletério sobre as células.

131. As labirintites de causa metabólica pode ser tratada com terapia ortomolecular?

Sim, um bom exemplo é o que ocorre com o diabetes e com síndrome plurimetabólica, onde a hiperglicemia e a hipoglicemia estão presentes gerando radicais livres que agridem as células de todo o corpo e também o sistema labiríntico.

Veja como a terapia ortomolecular pode ajudar nos distúrbios do açúcar como no diabetes - Diabetes mellitus - terapia ortomolecular

132. Como age a vitamina C?

A vitamina C é o mais potente varedor de radicais livres.

133. Como age a vitamina E?

A vitamina E é um dos mais importantes oxidantes. Sua localização é nas membranas celulares protegendo-as contra os radicais livres que tendem a agredir os ácidos graxos poliinsaturados dos fosfolipídeos das membranas celulares. A vitamina E é um antiagregante plaquetário e reduz a oxidação do LDL-colesterol.

Veja mais

134. Como age o selênio?

O selênio é um íon que faz parte da enzima glutationa peroxidase, que faz parte do sistema antioxidante endógeno que combate os radicais livres. Ele também potencializa a ação anti-radical livre da vitamina nas membranas celulares.

135. Como age os bioflavanóides?

Os biofavanóides recompõem a vitamina C evitando que ela seja destruída por oxidação, permitindo que esta continue agindo contra os radicais livre. O uso concomitante destes dois elementos é benéfico para o tratamentos das doenças de uma em geral, podendo ser utilizados no tratamento das labirintopatias.

Ver mais

136. O vinho tinto, de uso muito preconizado pelo seu efeito anti-radicais livres e envelhecimento pode ser usado?

Em teoria sim, mas com muito cuidado e moderação pois pode levar a hipoglicemia agravando a labirintopatia.

137. Como age os compostos fenólicos do vinho?

Os compostos fenólicos dos vinhos são capazes de estabilizar radicais livres tanto, gerados em sistema aquoso por radiólise (hidroxila, azida, ânion superóxido, peroxila e alcoxil t-butila), como em sistema lipofílico (peroxidação lipídica).

O radical hidroxila e o ânion superóxido gerado pelo sistema enzimático hipoxantina/xantina oxidase estão envolvidos em uma série de reações que provocam danos celulares, como a peroxidação lipídica.

138 A carência de tiamina (vitamina B1) pode levar a distúrbios do equilíbrio?

Sim, vários pesquisadores têm observado a ocorrência (44% dos casos) da deficiência de vitamina B1 nos pacientes idosos portadores de deficit coginitivos, ou degeneração cerebral (afetando orientação geral e capacidade de andar) - Síndrome de Wernicke - Korsakoffn e o Beribéri.

Sintomas que podem sugerir carência de tiamina; sudorese noturna, caimbras, parestesias (formigamento) nas mãos e pés, confusão mental, fraqueza geral, desorientação, ansiedade, nervosismo, fadiga, insônia, além da perda da coordenação motora e perda do equilíbrio. O tratamento é feito pela reposição de tiamina.

Ver mais

139. A Ginkgo biloba pode ser utilizada no tratamento das labirintites?

Sim, a ginkgo biloba tem inúmeras propriedades que ajudam no controle das vertigens, tais como: promover a manutenção da pressão normal de difusão tissular e controlar a permeabilidade e a fragilidade capilar favorecendo a perfeita oxigenação e nutrição dos tecidos.

A ginkgo biloba atua preventivamente contra as doenças cujo processo patológico básico é a isquemia tissular. A ginkgo biloba atua também controlando a agregabilidade plaquetária e eritrocitária, através de seus componentes com reconhecida ação de antagonismo do PAF (fator de adesão plaquetária), resultando numa diminuição dos processos trombóticos microcirculatórios.

A ginkgo biloba esta indicada para o tratamento e prevenção das angiopatias diabéticas e tratamento dos processos vasculares de outras origens, assim como as suas complicações.

No sistema nervoso central a ginkgo biloba atua preservando o rendimento energético das células, principalmente dos neurônios e células neurossensoriais, intermediada pelo aumento na captação e consumo de glicose e na síntese de ATP. Por isso tudo, é um excelente medicamentos no tratamento e controle dos vários tipos de vertigens.

140. Como deve ser o hábito alimentar para os pacientes com labirintite?

Algumas recomendações dietéticas são importantes não só para as pessoas com labirintopatia, mas de um forma geral a todos nós.

1. Procure comer bem pela manhã, menos no almoço e muito menos à noite. Evite jantar muito tarde e logo ir dormir. “Noitadas” freqüentes não faz bem para nínguem.

2. Durante o dia, procure não ficar mais que três horas sem se alimentar

3. Evite o uso de carboidratos de absorção rápida (açúcar refinado, mascavo ou cristal). Dê preferência para adoçantes e dietéticos.

4. Massas e comidas gordurosas (especialmente carnes e frituras) devem ser limitadas a pequenas quantidades.

5. Coma frutas e legumes.

6. Procure comer devagar e mastigar bem os alimentos.

7. Lembre-se os alimentos são os melhores remédios.

8. Beba de quatro a seis copos de água por dia.

9. Evite a ingestão de bebidas alcoólicas.

10. Procure beber pouco café, no máximo 3 xícaras por dia.

Na próxima semana (18/01/2008) a oitava parte.

Semanalmente, serão apresentadas 20 dúvidas, até completar 10 semanas com 200 dúvidas e respostas.

Referências:

No final da série das 200 dúvidas.

Veja Também:
Vertigem - Síndrome de Ménière
Estudo de caso - Vertigens posturais
Vertigem - 200 dúvidas a respeito - Parte 9
Estudo de caso - Vertigem postural fóbica
Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)
Zumbido - Fisiopatologia

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07
Jan

 Ion Manganês - Aspectos gerais

Categoria(s): Bioquímica, Nutrição, Saúde Geriátrica

Ortomolecular

O manganês ajuda a ativar as enzimas necessárias para o uso adequado da biotina, vitamina B e vitamina C pelo organismo.

Fontes naturais

Feijão, ervilhas, farinha de trigo, ameixas, carne bovina (língua, rabo, coração , fígado e rins) camarões e a maioria dos frutos do mar, levedo de cerveja, cacau, amêndoas, amendoim, nozes.

Propriedades funcionais

Ajuda a dissipar a fadiga.
Ativa os reflexos musculares.
Contribui para prevenir a osteoporose.
Melhora a memória.
Alivia a irritação nervosa.
Essencial para utilização da glicose.
Síntese e metabolismo lipídico.
Função pancreática.
Prevenção da esterilidade.
Crescimento e desenvolvimento corporal.
Importante no metabolismo protéico e nuclêico.
Ativa funções enzimáticas.
Envolvido na síntese de hormônio tireoidiano.

Doenças causadas por carência de Manganês

Ataxia, desmaios, perda auditiva, enfraquecimento de ligamentos e tendões, possível causa de diabetes, possível ligação com miastenia gravis, alergia, aterosclerose.

Terapia : Indicação, apresentação e dosagem

É encontrado nas combinações multivitamínicas e minerais em doses de 1 à 9 mg. Uma média diária de 2 a 5mg é o suficiente para o funcionamento normal do organísmo.
Dosagem índicada pela ANVISA: 5 mg/dia Resolução GMC nº18/94.

Toxicidade - Rara, exceto se provocada por fontes industriais. O manganês em excesso reduzirá a utilização de ferro no organismo.

Em alguma pessoas altas doses podem causar dificuldades motoras e fraqueza, doenças psiquiátricas, confusão mental, perda de memória, perda de apetite, problemas neurológicos.

Inimigos do manganês - A ingestão de grande quantidade de cálcio e fósforo inibe a absorção de Manganês. O mesmo ocorre com as fibras e o ácido fitico contidos nos farelos e nas vagens.

Orientações higieno-dietéticas:
- se você tem sempre tontura, experimente adicionar Manganês à sua dieta.
- as pessoas que tem problemas de memória deve verificar se de fato está ingerindo quantidade suficiente.
- quem toma muito leite e come muita carne necessita de maior quantidade de Manganês.

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Veja Também:
Progeria
Distrofia miotônica
Estudo de caso - Mixoma
Invalidez e os exercícios físicos
Estudo de caso - Miopatia mitocondrial
Cuidados paliativos - no cotidiano dos médicos

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04
Jan

 Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 6

Categoria(s): DNT, Otogeriatria, Saúde Geriátrica

Esclarecimentos

101. O que é neuroaudiologia?

Os sistemas auditivo e vestibular possuem uma anatomia e fisiologia bastante peculiares. Localizados no mesmo receptor periférico (a orelha) adentram o sistema nervoso central e percorrem caminhos totalmente distintos, estabelecendo conexões com inúmeras vias e sistemas, abrangendo uma vasta região do encéfalo. Todos estes complexos sistemas são estudados pela neuroaudiologia.

102. O exame otoneurológico é útil para vertigens?

A investigação sistemática de todas as vias (auditivas e labirínticas) e sistemas pela otoneurologia, não só ajuda na compreensão das causas da vertigens, mas também para as mais diversas especialidades médicas, pois trata-se de uma maneira sensível, pouco invasiva, rápida e muito abrangente de avaliação e monitorização de muitas doenças do SNC.

103. Pode-se tratar os quadros de vertigens sem o exame otoneurológico?

Todas doenças crônicas, debilitantes, invalidantes, tem seu início em sintomas  agudos, pouco valorizados e raramente diagnósticados. Muitas vezes ouvimos - É apenas uma simples tonturinha, que logo passa!

Se teve ou tem tontura, alguma coisa aconteceu. Somente, após um detalhado exame clínico geral e otoneurológico, podemos ter certeza da doença e instituir  o tratamento adequado.

104. Como se avalia a função vestibular e o equilíbrio?

A equilíbriometria, também conhecida como vestibulometria ou exame do aparelho vestibular, é baseada em testes vestibuloespinhais que avaliam o esquilíbrio estático (com a pessoa parada), dinâmico (com a pessoa andando) e em teste vestibuloculares que estudam o reflexo vestibulocular (pesquisa do nistágmo).

105. Como o exame otoneurológico investiga as lesões auditivas?

A avaliação auditiva é feita no laboratório de exame otoneurológico, através da audiometria tonal, discriminação de palavras, audiometria de alta freqüência e audiometria eletrofisiológica, além do exame do equilíbrio.

106. O zumbido está correlacionado com a tontura?

O zumbido e a surdez de causa neurossensorial pode estar associado com tonturas por ter os mesmos fatores causais, lesando o labirinto; o seja, drogas ototóxicas, disfunções metabólicas, agressões infecciosas (virais, fúngicas ou bacterianas), traumas, tumores ou isquemias.

107. O que é zumbido de causa neurossensorial?

O zumbido pode ser de dois tipos; o zumbido periódico - que é o ruído gerado pelas estruturas próximas à orelha interna e transmitido à cólcea e, o zumbido neurossensorial - que é gerado por disfunções da cóclea, principalmente nas estruturas neuroepiteliais do órgão de Corti e em todo sistema nevoso auditivo, desde a sinpase entre a célula ciliada e os dendritos do gânglios espiral, passando pelo nervo coclear, vias auditivas no troncoencefálico, no diencéfalo, nas estruturas subcorticais até a área auditiva no córtex cerebral, situado no giro temporal transverso anterior.

108. como se manifesta o zumbido neurossensorial?

O zumbido neurossenorial é referido como um ruído semelhante a apito, cachoeira, chuva, cigarra, esvoaçar de inseto, etc. Esse zumbido é o que mais incomoda a pessoa e é o mais difícil de ser tratado, e está freqüentemente relacionado com surdez neurossensorial e tontura.

109. Com o tratamento do zumbido neurossensorial, melhora a tontura?

Sim, com o tratamento da fator que causou a lesão neurossensorial dos orgão da audição e equilíbrio, ocorre a melhora da tontura. 

110. Como se trata o zumbido neurossensorial?

O tratamento mais efetivo do zumbido neurossensorial, como na vertigem, depende da identificação da causa que está gerando o distúrbio, como por exemplo; hiperinsulinemia, uso de drogas ototóxicas, etc.

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111. A surdez pode causar vertigem?

Não, mas as causas dos dois sintomas podem resultar das lesões do ouvido interno, cóclea (órgão de Corti, responsável pelas sensações auditivas) e vestíbulo (máculas e cristas ampulares, responsáveis pelas sensações de equilíbrio corporal).

112. Qual a relação que existe entre estes dois sistemas?

Os orgão receptores (orgão de Corti = audição e máculas e cristas ampulares = equilíbrio) estão imersos na endolinfa, e vivem em permanente equilíbrio pressórico, bioquímico e bioelétrico.

113. Como é constituído o ouvido interno?

ouvido

O ouvido interno (detalhe em amarelo) é constituido por um complexo de membranas que formam canais e cavidades, cheios de endolinfa, que flutuam dentro da perilínfa, que por sua vez as separam e protegem da carapaça óssea da cápsula ótica, situada na intimidade do osso mais duro do corpo humano, o osso temporal. Esse tipo de proteção deve-se à grande delicadeza do órgão.

114. Como é feito o equilíbrio pressórico entre a perilinfa e a endolinfa?

O equilíbrio pressórico entre a perilinfa e a endolinfa, que mantém esses dois sistemas em equivalência de pressão e conserva sua delicada anatomia, é fornecido pelo líquido cefalorraquidiano (LCR) do espaço subaracnóide. O LCR conecta-se com o espaço perilinfático através do aqueduto coclear, e com o espaço endolinfático através do saco endolinfático.

115. No caso de aumento do LCR, por meningite, tumor, AVC ou outra causa, pode ocorrer lesão nos orgão receptores da audição e equilíbrio?

Sim, explicando a perda da audição e equilíbrio como complicações dessas doenças.

116. Como é feito o equilíbrio bioquímico e bioelétrico entre a perilinfa e a endolinfa?

Os equilíbrios bioquímico e bioelétrico do ouvido interno estão relacionados entre si e envolvem interações iônicas entre sódio, potássio e cálcio.

117. Como os distúbios metabólicos interferem com a endolinfa?

A endolinfa é rica em potássio, o que só acontece dentro das células. A excessiva concentração de insulina no sangue, que ocorre nos distúrbios do metabolísmo do carbohidrato (diabetes, hipoglicemia, hiperglicemia), provoca um bloqueio da atividade da enzima (Na+K+)ATPase, que leva à retenção de sódio na endolinfa, expulsando o potássio e carreando maior quantidade de água para o espaço endolinfático. Este fato, causa hipertensão da endolinfa e os sintomas de tontura, disacusia (distúrbios da audição) e zumbidos. 

 118. Por que tanto a hipoglicemia como a hiperglicemia, causam vertigem?

O ouvido interno possui intensa atividade metabólica, pouca reserva de energia armazenada, e depende para sua atividade do suprimento constante do oxigênio e da glicose sangüínea. Então, os distúrbios glicoinsulinêmicos (hipo e hiperglicemia ou hipo e hiperinsulinemia) causam transtornos vestibulococleares, promovendo os sintomas de flutuação, sensação de não pisar firme no chão, pressão nos ouvidos, crises de vertigem, distúrbios da audição e zumbido. Também podem apresentar queixas de ouvido tapado, sensação de cabeça oca ou pesada, dores nos ouvidos (otalgia), instabilidade, esquecimento, irritabilidade a ruídos, visão borada, sensação de desligamento, obstrução nasal e pressão retroauricular.

119. Somente os distúrbios do açucar e da insulina causam  labirintite?

Não,  os distúbios dos eletrólicos (sódio, potássio e cálcio) causados pelos hormônios reguladores (glicocorticóides, mineralocorticóides, hormônio antidiurético, etc), inclusive os hormonais  sexuais podem provocar alterações do labirinto e da cóclea.

120. Por que o ouvido interno sofre com os processos isquêmicos?

A rede vascular de terminais no ouvido interno são finíssimas e está vulnerável à insuficiências vasculares agudas e crônicas. A irrigação do ouvido interno é feita através da artéria cerebelar anterior superior em particular da artéria labiríntica e seus capilares.

Na próxima semana (11/01/2008) a sétima parte.

Semanalmente, serão apresentadas 20 dúvidas, até completar 10 semanas com 200 dúvidas e respostas.

Referências:

No final da série das 200 dúvidas.

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02
Jan

 Cimicifuga - Cimicifuga racemosa

Categoria(s): Bioquímica, Plantas medicinais, Saúde Geriátrica

 Fitoterápicos

A denominação genérica cimicifuga, provém do latim cimicis e fugio que significa insetos em fuga, em virtude da sua propriedade de tem aroma que repele insetos.

cimicifuga

Pertence á família botânica - Ranunculaceae

Seus constituintes conhecidos são:

1. Alcalóides quinolizidínicos - N-metilcistina

2. Glicosídeos triterpênicos - Acteína, 12-acetil-acteína, cimifugosídeo

3. Outros - tanino, ácidos (acético, butírico, fórmico, isoferúlico, oleico, palmítico, salicílico), princípios estgrogênicos (isoflavonas, formononetina, kaempferol, fitoesterois), resina (acteina), cimicifugina (15% a 20%), óleo essencial, fitoesteróis.

Ação fitoterápica

A cimicífuga apresenta três atividades importantes sob o ponto de vista farmacológico: hipotensora, reguladora hormonal durante o climatério e antiinflamatória.

O risoma é estimulante, expectorante, antiasmático, usado no sarampo, como sedativo e antiespasmódico, emenagogo, regulador do ciclo menstrual, antineurítico, ansiolítico e cefaléias.

A cimicífuga é uma alternativa natural conveniente à terapia de reposição hormonal na menopausa, especialmente quando ocorrem contra-indicações com câncer, sangramento uterino não diagnosticado, doenças hepáticas e vesícula, pancreatite, doenças vasculares, endometriose, fibromas ou displasia da mamas.

Dose recomendada - extrato seco padronizado 2,5% de triterpenos, 100 a 300 mg/dia.

Cuidados - Doses excessivas provocam sintomas como náuseas, vômitos, vertigens, bradisfigmia, transtornos visuais e nervosos. Pela afinidade do extrato de cimicífuga pelos recptores estrogênicos é contra-indicada na gestação e lactação.

Referências:

Chevalier A - The Encyclopedia of Medical Plants. DK -Publishing Books. New York.1996

Düker EM, Kopanski L, Jarry H, Wuttke W - Effects of extracts from Cimicifuga racemosa on gonadotropin realease im menopausal women and ovariectomized rats. Planta Medica out. 199, 57(5):20-424.

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