Arquivo de Saúde Geriátrica





12 - fev

Exercícios musculares e complemento alimentar

Categoria(s): Bioquímica, Cardiogeriatria, Enfermagem, Fisioterapia, Gastroenterologia, Gerontologia, Nutrição, Saúde Geriátrica

Exercícios musculares e complemento alimentar

 

Os idosos perdem facilmente peso e massa muscular, levando a fadiga, dificuldade locomotora e respiratório, devemos lembrar que o ato respiratório depende fundamentalmente dos músculos respiratórios. Esta perma da massa muscular, conhecida como sarcopenia tem consequencias gravíssimas e resultando na invalides em seus diversos graus.

O exercícios, especialmente o exercício de musculação, tem importante efeito sobre o metabolismo protéico muscular, freqüentemente resultando em crescimento muscular. Porém, na ausência da ingestão de alimentos,o balanço ainda permanece negativo. Por outro lado,  a ingestão de aminoácidos isoladamente aumenta a taxa de síntese protéica muscular. Contudo, o mais potente iniciador dessa síntese é a combinação de exercício  com aumento da disponibilidade de aminoácidos.

Os aminoácidos de cadeia ramificada (ACR) apresentam potenciais efeitos terapêuticos, uma vez que esses aminoácidos podem atenuar a perda de massa magra, sobretudo músculos, durante a redução de massa corporal; favorecer o processo de cicatrização; melhorar o balanço protéico muscular em indivíduos idosos; e propiciar efeitos benéficos no tratamento de doenças hepáticas e renais.

 

Papel dos aminoácidos de cadeia ramificada (ACR) – A massa muscular é de cerca de 40-45% da massa corporal total do ser humano, e os ACR correspondem a cerca de 35% dos aminoácidos essenciais em proteínas musculares, assim, verifica-se que grande quantidade de ACR está presente em proteínas musculares, e sua necessidade na dieta para evitar a desnutrição e a perda da massa muscular que ocorre no idoso.

Aminoácidos são as unidades básicas da composição de uma proteína. Portanto, é necessário a ingestão destes elementos para formar proteínas e no caso tecido múscular. No ser humano, nove aminoácidos são considerados essenciais, uma vez que não podem ser sintetizados endogenamente e, devem ser ingeridos por meio da dieta. Dentre os aminoácidos essenciais, se incluem os três aminoácidos de cadeia ramificada (ACR), ou seja, leucina, valina e isoleucina. A concentração de ACR é 20-30% maior em fibras de contração lenta em comparação àquelas de contração rápida.

Fontes naturais

A Leucina é um aminoácido encontrado em qualquer produto protéico, como ovos, carne e suplementos protéicos. Já a Isoleucina e a valina são encontrada em carnes de peixes, carneiros, bovinos, farinha de soja e queijo cottage. Em muitos aspectos a Isoleucina é parecida com a Valina por serem os dois precursores da Alanina e da Glutamina.

Referências:

Rogero, MM, Julio Tirapegui J – Aspectos atuais sobre aminoácidos de cadeia ramificada e exercício físico. Rev. Bras. Ciên. Farmac. 2008;44:563-575. [on line]

Koopman,R; Wagenmakers,AJ; Manders,RJ; Zorenc,AH; Senden,JM; Gorselink,M; Keizer,HA; Van Loon,LJ – Combined ingestion of protein and free leucine with carbohydrate increases postexercise muscle protein synthesis in vivo in male subjects. Am. J. Physiol. Endocrinol. Metab.2005.288(4):E645–E653.

 

Tags: , , , , , ,

Veja Também:

Comentários    







01 - jan

Queimadura – Primeiros socorros

Categoria(s): Cuidador de idosos, Emergências, Enfermagem, Programa de saúde pública, Saúde Geriátrica

Queimados – Primeiros socorros

 

Os finais de ano são cercados de muita alegria, com mesa farta e fogos de artifício iluminando o céu. Este quadro alegre pode ser destruído quadros angustiantes de queimadura em vários graus. Os idosos compreendem um grupo de risco alto para queimaduras devido à sua menor capacidade de reação e às limitações físicas peculiares à sua idade. Já para as dona-casa, os casos mais frequentes de queimaduras estão relacionados às várias situações domésticas (como cozimento de alimentos, riscos diversos na cozinha, acidentes com botijão de gás etc.). No sentido de ajudar neste sentido transcrevemos as informações da SBQ- Sociedade Brasileira de Queimaduras

Primeiro socorro:

Em caso de acidente envolvendo queimaduras, o primeiro cuidado é extinguir a fonte de calor, ou seja, impedir que permaneça o contato do corpo com o fogo, líquidos e superfícies aquecidas, entre outras causas do acidente. Em seguida, procure lavar o local atingido com água corrente em temperatura ambiente, de preferência por tempo suficiente até que a área queimada seja resfriada. Também é importante buscar o auxílio de um profissional de saúde no posto de atendimento mais próximo do local do acidente, para que sejam tomadas as providências necessárias para o sucesso da recuperação e também para evitar o agravamento da lesão.

Se não houver Posto de Saúde nas proximidades, deve-se acionar os serviços de socorro do SAMU e do Corpo de Bombeiros ou procurar uma Emergência hospitalar.

Os contatos pra ligação gratuita são: SAMU 192 e BOMBEIROS 193.

Cuidados:

  • Não passe no local atingido nenhum produto ou receita caseira. Qualquer substância que seja passada sobre a pele queimada vai irritá-la. Há também o alto risco de infecção por bactérias, fungos e vírus presentes nesses produtos, já que a barreira natural do organismo – a pele – está danificada.
  • Não passe nenhuma pomada no local atingido. A pele fica extremamente sensível após uma queimadura e as pomadas, ainda que adquiridas em farmácias, machucam ainda mais as células cutâneas e podem irritar a pele e gerar infecções.
  • Não tente estourar as bolhas provocadas pela queimadura. Elas se manifestam nas queimaduras de segundo grau e devem ser manuseadas apenas por um profissional especializado. Ou seja, não devem ser rompidas, estouradas ou mesmo esvaziadas com uma agulha.
  • Ao retirar esse curativo natural em casa, o ferimento estará exposto a instrumentos possivelmente contaminados e pode infeccionar.Se houver necessidade de cobrir o ferimento a caminho do serviço de Saúde, o indicado é envolvê-lo num pedaço de pano limpo.
  • Tecidos ou materiais que grudam no ferimento, como o algodão, devem ser evitados.
  • O paciente queimado não deve retirar a roupa que estiver usando, ainda que houver sido atingida pelo fogo. O ideal é molhar a vestimenta e permanecer assim até a chegada ao pronto-socorro, para evitar que as bolhas estourem e que a pele seja arrancada.
  • Outro cuidado é retirar acessórios, como pulseiras e anéis, pois o corpo incha naturalmente após uma queimadura e esses objetos podem ficar presos.

Tags:

Veja Também:

Comments (1)    







16 - nov

Viroses do verão – Cuidados nas viagens de férias

Categoria(s): Infectologia, Programa de saúde pública, Saúde Geriátrica

Viroses do verão – Cuidados nas viagens de férias

As doenças infecciosas constituem as principais causas de morbidade entre os viajantes. As diarréias representam 50% a 68% dos problemas; as afecções das vias aéreas superiores estão na segunda posição, com 14% a 31%; e a febre na terceira, com 12% a 15%. As dermatoses e as doenças sexualmente transmissíveis ocupam, respectivamente, a quinta e sexta posição entre as causas de doenças de viagem.

O espectro de novas doenças infecciosas ronda o mundo globalizado atual a um ritmo sem precedentes, segundo o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado no final de agosto, com o título Um Futuro Melhor: segurança em saúde pública global no século 21. Desde 1967, ao menos 39 novos agentes patogênicos foram identificados, além do HIV, a febre hemorrágica ebola, a febre hemorrágica de Marburg (ambos na África) e a SARS, ou síndrome respiratória aguda grave, constata o relatório da OMS.

Infelizmente a maioria das pessoas não tem noção dessa realidade e não procura um médico atrás de informação e orientação sobre as precauções que devem ser tomadas antes das viagens.

Centro de Informações em Saúde para Viajantes (Cives) [on line]

O primeiro serviço brasileiro de medicina de viagem foi o Centro de Informações em Saúde para Viajantes (Cives), criado em março de 1997 por iniciativa de alguns professores do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FMUFRJ). Logo depois, dois novos serviços foram criados em São Paulo. Hoje, existem quatro centros funcionando no País.

Orientações básicas

O viajante deve ir ao médico entre seis e quatro semanas antes da partida. Há vacinas que têm de ser tomadas com antecedência. No caso da anti-rábica, são necessários 21 dias.

Durante o vôo – O viajante deve ingerir bastante líquido e deixar de lado as bebidas alcoólicas. Quando optar por consumi-las, recomendar que ele tome o dobro de água para se manter hidratado. Usar meias elásticas de média compressão é recomendado para idosos, diabéticos e para quem tem predisposição à trombose. Usar sapatos confortáveis e fazer exercícios durante o vôo são outras duas medidas recomendadas para evitar a trombose, também conhecida como “síndrome da classe econômica” por causa do espaço exíguo de que dispõem os passageiros dessa classe. O uso de aspirina três dias antes do vôo pode diminuir o risco de trombose. Mas deve ser recomendada com cuidado devido às contra-indicações.

Nos passeios – A pessoa deve evitar ir a mercados ou feiras livres que tenham exposição de animais. A manipulação de animais também deve ser evitada para afastar o risco de mordidas ou outro tipo de contaminação. Passar sempre protetor solar e repelente de insetos quando sair. O último contato com a pele deve ser o do repelente. Usar bota de cano longo em áreas rurais ou silvestres e, em caso de picada por animais peçonhentos, evitar sucção e torniquete.

Alimentação – O viajante deve lavar sempre as mãos. Ferver a água e optar por água engarrafada, hermeticamente fechada, em vez de ensacada, ou água com gás, que representa ainda menos perigo. Não consumir alimentos crus, como folhas, legumes e ovos, ou carnes mal passadas. Descascar as frutas e escovar os dentes com água mineral ou fervida quando houver suspeita sobre o tratamento da água encanada.

Tags:

Veja Também:

Comentários    







01 - set

Especialiadades médicas – Educação Física no Brasil

Categoria(s): Especialidades Médicas, Gerontologia, Saúde Geriátrica

Educação Física no Brasil e os idosos

Segundo os dados do Censo de 2010 a expectativa de vida do brasileiro aumentou 25,4 anos nos últimos 50 anos (1960 a 2010). A expectativa que era de 48 anos passou para 73,4 anos. A população que mais cresceu foi a dos idosos acima de 65 anos que era de 2,7% em 1960 e atualmente é de 7,4%. Porém, este ganho no tempo de vida tem um custo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças crônicas já são as principais causas de morte no mundo, às quais foram atribuídas 35 milhões de óbitos em 2005, e se essa tendência for mantida, elas deverão responder por 73% dos óbitos no ano 2020.

Portanto, considerando-se que a população mundial está envelhecendo e as doenças crônicas são altamente prevalentes nos idosos, se nossos gestores em saúde, sejam eles públicos ou privados, não investirem seriamente em ações de promoção e prevenção da saúde, os custos dessas enfermidades ficarão impossíveis de serem pagos pela sociedade.

Assim, as evidências mostram que o campo da prevenção é um ponto fundamental a ser abordado e que precisa ser aprofundado à medida que os programas de saúde pública são implementados e avaliados em cada contexto específico. Programas bem-sucedidos são aqueles que adotam um modelo multidimensional e incorporam diversos níveis de ação, como políticas nacionais, ações comunitárias e melhoria do acesso aos serviços de saúde e aumento da resolubilidade. Neste contexto os Profissionais de Educação Física serão parte fundamental na prevenção da invalidez e recuperação das pessoas com sequelas.

Gostariamos de externar nossa gratidão e prestar justa homenagem a estes profissionais.

 

História da profissão – Na década de 1950 os profissionais de educação física tinham a formação para atuarem prioritariamente em unidades escolares, os cursos universitários eram exclusivamente de licenciatura e os currículos voltados essencialmente à formação de profissionais para atuarem no ensino formal. Eram chamados de Professor de Educação Física, nome muitas vezes utilizado até os dias de hoje a despeito de atualmente serem denominados Profissionais de Educação Física e Desportos.

Regulamentação da profissão – A História da regulamentação da profissão de Educação Física no Brasil, pode ser dividida em três fases: a primeira relacionada aos profissionais que manifestavam e/ou escreviam a respeito desta necessidade, sem contudo desenvolver ação nesse sentido; a segunda na década de 80 quando tramitou o projeto de lei relativo à regulamentação sendo vetado pelo Presidente da República. E a terceira vinculada ao processo de regulamentação aprovado pelo Congresso e promulgado pelo Presidente da República em 01/09/98, publicado no Diário Oficial de 02/09/98.

Referência:
CONFEF – Conselho Federal de Educação Física [on line]

Tags:

Veja Também:

Comentários    







11 - jul

Biopesticidas – Proteínas inativadoras de ribossomos (RIPs)

Categoria(s): Avanços da Medicina, Biologia, Câncer - Oncogeriatria, Farmacologia e Farmácia, Nutrição, Saúde Geriátrica

Biopesticidas – Proteínas inativadoras de ribossomos (RIPs)

As plantas possuem um grande arsenal de substâncias utilizadas como defesa contra os agentes agressores, tanto predadores (insetos) como patógenos (bactérias, fungos, vírus). As proteínas inativadoras de ribossomos* (RIPs) e as ureases estão entre as proteínas que são abundantes nas plantas e podem ser utilizadas como biopesticidas e revolucionando a indústria de agrotóxicos. As ureases são metaloenzimas dependentes do níquel que catalisam a hidrólise da uréia para formar amônia e dióxido de carbono. A semente do feijão-de-porco, Canavalia ensiformis, é fonte rica de urease, sob a isoforma de canatoxina com grande atividade inseticida.

A ricina pertence a uma classe de enzimas conhecida como proteínas inativadoras do ribossomo (RIP -Ribosome-inactivating proteins). Normalmente essas proteínas não apresentam toxidez, pela incapacidade de penetrarem na célula e atingir os ribossomos; estão presentes em produtos largamente ingeridos na alimentação humana, como gérmen de trigo e cevada. No caso da ricina, esta subunidade A se encontra ligada à subunidade B, que se liga à parede celular e permite a entrada da subunidade A por endocitose para o citossol e promove a morte da célula por inibição da síntese protéica (ação de despurinar ribossomos).

Na área médica a ricina tem se destacado entre um grupo de proteínas tóxicas que vêm sendo usadas com o objetivo de matar células cancerígenas. Para chegar ao alvo, a toxina é ligada a um anticorpo que reconhece especificamente a célula que se deseja eliminar, possibilitando que a ricina penetre a célula e provoque a toxidez.

Retículo endoplasmático – É um sistema intracelular considerado uma rede de distribuição, levando material de que a célula necessita, de um ponto qualquer até seu ponto de utilização. O retículo endoplasmático tem portanto função de transporte servindo como canal de comunicação entre o núcleo celular e o citoplasma. O material (aminoácidos e sais minerais) são trabalhados no Complexo de Golgi cuja função primordial é o processamento de proteínas ribossomaticas e a sua distribuição por entre essas vesículas. Todo esse processo requer energia na forma de ATP (Adenosina Tri-fosfato) que é fornecida pelas mitocrôndias, verdadeiras centrais de energia da célula. Portanto, os ribossomos  são as estruturas responsáveis por fazer a síntese de proteínas. Quando os ribossomos são inativados não ocorre a produção das proteínas e a célula morre (apoptose celular).

Assista o vídeo que ilustra os elementos componentes de uma célula.

Em 1978, durante a Guerra Fria, Georgi Markov, escritor e jornalista búlgaro que vivia em Londres, morreu após ser atacado por um homem que injetou ricina em seu organismo. Há relatos de que a substância também foi usada na Guerra Irã-Iraque, durante os anos 80.

A ricina se classifica como uma lectina, ou seja, uma proteína que tem um sítio receptor específico para um açúcar ou uma unidade de oligossacarídeo; pertence à família das lectinas A-B, isto é, composta por duas subunidades, uma delas com atividade enzimática e a outra com um sítio de ligação específica ao açúcar galactose, exercendo seu mecanismo de toxidez através da inativação dos ribossomos.

Referências:

Battelli MG – Cytotoxicity and toxicity to animals and humans of ribosome-inactivating proteins. Mini Rev. Med Chem 4:513-521,2004.

Hughes JN, Lindasy CD and Griffitahs GD – Morphology of ricin and abrin exposed endothelial cells is consistent with apoptotic cell death. Hum. Exp. Toxicol 15:443-451,1996.

Stirpe F – Ribosome-inactivating proteins. Toxicon 44:371-383,2004.

Tags: , , , , , , , , ,

Veja Também:

Comentários    



Page 1 of 2412345...1020...Last »

" A informação existente neste site pretende apoiar e não substituir a consulta médica.
Procure sempre uma avaliação pessoal com um médico da sua confiança "