Arquivo de Saúde Geriátrica

08
jun

 Shiatsu – A terapia da harmonia corporal

Categoria(s): Programa de saúde, Saúde Geriátrica

Shiatsu é a busca da harmonia entre as duas energias opostas, que compõem nosso corpo. Pois o desequilíbrio entre elas pode estar na origem das doenças e disfunções do nosso organismo. O shiatsu promove uma reenergização que estimula as defesas naturais do organismo.

A prática do shiatsu consiste na aplicação de pressões dosadas das mãos e, em especial, dos polegares sobre aos 24 meridianos energéticos de nosso corpo e nos pontos de acupuntura definidos a partir destes meridianos. O principal objetivo é conseguir a harmonização da energia vital (o Ki), o que permite contrabalançar a ação do estresse e das agressões do meio ambiente, alcançando a paz.

As pressões exercidas sobre a pele devem ser verticais e muito bem apoiadas, a fim de excitar os receptores nervosos (os corpúsculos de Golgi-Mazzoni e de Pacini) situados na camada hipodérmica. Como em toda e qualquer terapia deve ser adaptada à sensibilidade de cada paciente.

O shiatsu atua de forma especial sobre: o tônus e a leveza musculares, circulação venosa, circulação linfática e sistema nervoso.

O shiatsu age simultaneamente com a melhora da circulação, o que permite evitar o acúmulo de impurezas no organismo, além de estimular a funçnao dos ponto principais de desintoxicação (orgãos drenadores, rins, fígado e intestinos) e pontos auxiliares (pulmões, pele estimulando as glândulas sudoríparas e sebáceas). Com fins curativos ou preventivos, esta técnica é utilizada para garantir o equilíbrio energético antes que perturbações na circulação do fluido energético possam dar origem as doenças.

Tradicionalmente o shiatsu é praticado no chão. O paciente pode usar uma malha de ginástica ou uma camiseta, porém vale lembrar que o contato direto com a pele é mais saudável e eficaz. Durante a sessão, que dura de 45 a 90 minutos, o terapeuta determina, através da palpação, as zonas de vazio energético (hyo), que correspondem as atonias musculares, ou as zonas demasiado plenas (jitsu), correspondentes às tensões musculares. Estas regiões são trabalhadas de modo a obter uma harmonização que se traduzirá numa agradável sensação de relaxamento muscular e de leveza.

Nossa vida tem que ser Yin e Yang. A energia Yin (a vírgula negra com um ponto branco no símbolo taoista da Unidade Suprema), relacionada com a noite, a terra, a receptividade, a feminilidade e os lados anterior e interior do corpo. A energia Yang (vírgula branca com um ponto preto), associada nao dia, ao céu, à atividade em geral, à masculinidade e aos lados posterior e externo do corpo humano.

Tags: ,

Veja Também:
Hipoestesia
Antropometria nos idosos
Bioimpedância – Avaliação da gordura e água corporal
Estudo de caso – Uso de betabloqueador na ICC
Estudo de caso – Terapia de reposição hormonal
Estudo de caso – Como iniciar os hipoglicemiantes no diabético?

Comentários (1)     Indique esse artigo Indique esse artigo



04
jun

 Diabetes – Terapia nutricional

Categoria(s): Endocrinogeriatria, Nutrição, Saúde Geriátrica

Resenha

O nutrir; não apenas o alimentar.

Colaboradora: Lígia Rangel Marcondes *

* Nutricionista e pós-graduada do curso de Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A terapia nutricional é parte fundamental do cuidado da diabete. Para atingir os objetivos dietoterapicos, o tratamento em equipe é fundamental. A avaliação nutricional é usada para determinar a prescrição dietética, a qual se baseia nos objetivos do tratamento e no que o diabético é capaz de realizar para que ocorra adesão devemos considerar os aspectos culturais, éticos e financeiros é primordial. A avaliação do estado nutricional é de grande importância, utilizando-se medidas de peso corporal, estatura, atividade física, sexo; auxilia o estabelecimento do tipo de tratamento dietético e monitoração de possíveis mudanças que poderão influenciar no controle metabólico. O histórico dietético e o recordatório de 24 horas, para determinar a ingestão habitual e atual de macro e micronutrientes, devem fazer parte de avaliação e servirão de base para adaptação do plano alimentar.

A motivação é um fator primordial para facilitar a adesão à terapia instituída, podendo ser melhorado quando o diabético é orientado a estabelecer metas no tratamento, que seja razoável, de curta duração e realista. Não existe uma dieta padrão para um individuo com diabetes. A nutricionista deverá ter presentes alguns fatores para elaborar o regime dietético são: dificuldades do idoso em que se adaptar às mudanças de hábitos alimentem situação fi8nanceira do paciente e associação freqüentes de outras doenças, que podem exigir outras restrições dietéticas, tornando difícil e aceitação da dieta muito restrita. De qualquer forma, os objetivos do regime para o tratamento deverão promover calorias suficientes para tingir e/ou manter o peso ideal de acordo com a atividade física, prevenir a hipoglicemia e suprimir a flutuação glicêmica, reduzir riscos associados com a aterosclerose; prevenir e/ou retardar o desenvolvimento e a progressão de outras complicações associadas a essa patologia, mediante o controle metabólico.

Índice glicêmico (IG) dos alimentos e carga glicêmica.

As primeiras informações sobre índice glicêmico surgiram em 1980, como medidas auxiliares para a classificação e a seleção de alimentos. Índice glicêmico relaciona-se a velocidade com que a glicose é digerida no trato gastrintestinal e absorvida para a circulação no período peri-prandial.

Para avaliar o efeito de ingestão dos deferentes alimentos na glicemia, usou-se como padrão de referência e curva glicêmica obtida a partir da ingestão de glicose por voluntários saudáveis. O IG dos alimentos testados era expresso em valores em valores percentuais relativos à curva da glicose, utilizando a mesma quantidade de carboidratos. Recentemente não apenas o conceito de IG, que possui uma relação com a qualidade do carboidrato, mas também a carga glicêmica, que leva em consideração a quantidade de alimentos ingeridos, buscando ampliar o entendimento sobre a dieta saudável.

O IG é calculado como base do alimento teste expresso como um percentual á área da curva de referência obtida pela ingestão de alimento padrão na mesma quantidade. Em alguns estudos, com indivíduos com DM tipo I submetido a dieta com baixos e altos IG não fornece evidência de indivíduos com DM tipo 2, comparando dieta de baixos e altos IG por duas a doze semanas, não obtiveram melhoras consistente no nível da insulina, frutamina e hemoglobina glicosilado. Dessa forma deve haver monitoração de glicemia é recomendado como um guia para acompanhar as respostas específicas de cada alimento sobre a glicemia.

Carboidrato

Recomenda-se 50% a 60%, segundo Associação americana de diabetes. a quantidade varia de acordo com hábitos alimentares e dos objetivos quanto a glicemia e lipídeos séricos. Apesar de diferentes amidos apresentarem diversas respostas glicêmica sob a perspectiva clínica, a prioridade deve ser dada a quantidade total de carboidratos consumidos durante o dia, mantendo-se uma regularidade em relação a quantidade ingerida durante o dia.

Contagem de carboidrato

Os estudos sobre contagem de carboidratos para diabéticos tiveram início em 1983, no estado de Mennesota, nos Estados Unidos. Com a melhor compreensão do processo de absorção dos alimentos ingeridos demonstrou-se que a ingestão de carboidrato é a principal responsável pela elevação da glicose no sangue e que os outros nutrientes pouco ou quase nada interfere no processo.

O uso da contagem de carboidrato, apesar de ser fácil, precisa de certa disponibilidade de tempo do individuo para anotar em todos os alimentos que consumiu com as respectivas quantidades e no final do dia, contabilizar a quantidade de carboidrato ingerido. Essa dieta quando associada à insulinização adequada, libera os diabéticos a rigorosa observação dos horários a que são obrigados. Normalmente uma unidade de insulina cobre 15g de carboidrato.

Em geral 15g de carboidrato estão contidos em: três colheres de arroz simples; ou  duas colheres de feijão; ou meia xícara (chá) de macarrão; ou meio pão francês; ou uma fatia de pão de forma; ou uma batata pequena; ou quatro colheres de milho; ou três pedaços de mandioca; ou uma fatia de bolo simples; ou uma fruta média ou fatia grossa; ou um copo tipo americano de leite ou iogurte; ou 1 colher de açúcar.

Proteína

Aconselha-se, um aporte de 10% a 20% em relação ao valor energético total da dieta diária, tanto de origem animal como de vegetal. Com o aparecimento de nefropatia, o consumo de proteína não deve ser inferior a 0,8 g/kg do peso corpóreo.

Gordura

A porcentagem recomendada de gordura depende do perfil lipidico e dos objetivos do tratamento em relação a glicemia, lipídeos séricos e peso. Se o individuo tiver LDL, acima do normal, a quantidade recomendada é inferior a 7% do total de energia e colesterol não deve ultrapassar a 200mg; As gorduras poliinsaturadas, que contêm Omega 3, não precisam ser reduzidas em diabéticos.  Caso o VLDL e triglicérides precisam ser controlados, sugere-se o aumento de gordura moiinsaturada e uma ingestão nunca inferior a 10% do valor energético total de gordura saturada. Se o individuo tiver glicerídeos acima de 1000mg/dl necessitam reduzir todos os tipois de gordura a menos de que 10% do total energético.

Fibras

São recomendadas fibras solúveis (pectina, legnina), presente na avelã, maça, leguminosas, por permitirem absorção mais lenta dos carboidratos e pela sua menor concentração sanguínea. Em relação a quantidade recomendada, a american Dietetic Association sugere o consumo de 25 a 30g de fibras, destacando as fibras solúveis.

Micronutrientes

Quando a dieta alimentar é adequada, praticamente não existe ingestão adicional de vitaminas e/ou minerais na maioria para os diabéticos.

A única situação conhecida, na reposição com cromo quando o resultado benéfico no controle glicêmico, para pessoas com deficiência desse mineral, com resultado de uso prolongado de nutrição parenteral. No entanto, parece que a maioria dos diabetes não precisa dessa suplementação.

Outro ponto, apesar da deficiência de magnésio ter um efeito na resistência à insulina, intolerância aos carboidratos e hipertensão, os dados existentes sugerem que haja uma avaliação rotineira dos níveis sanguineos.

A perda de potássio pelos pacientes que fazem uso de diuréticos pode fazer suplementação a hipercalcemia, restringir esse nutriente, podendo ocorrer em pacientes com insuficiência renal ou em pacientes que estão utilizando inibidores de enzimas conversoras de angiotensina.

Alimentos dietéticos

Os adoçantes de mesa podem ser utilizados sem restrição. Quanto dos alimentos dietéticos, deve-se alertar aos pacientes consumir com moderação, levando em conta que o valor calórico desses alimentos deverá compor o valor calórico total estimado para cada individuo.

O horário da refeição é importante para prevenir a hipoglicemia, principalmente quanto ao uso de insulina. As reações hipoiglicemicas ocorrerão caso os alimentos não forem consumindosw de forma a cobrir o pico de ação da insulina. As refeições deverão ser divididas em cinco a seis refeições no decorrer do dia.

No idoso, a desnutrição pode ser mais frequente que o excesso de peso, por essa razão deve ter cautela na dieta com redução de peso.

O exercício deve ser praticado de forma constante, moderada e regular. Sendo incorporada ao estilo de vida do paciente.

Referências:

CUPPARI, LILIAN Guia de alimentação – nutrição clínica no adulto (Guia de medicina ambulatorial e hospitares), Manolo, 2007.

GOMEZ-PREZ F.J. AGUIAR SALINAS CA, LOPEZ – ALVARENGA JC. et al. Lack of agreement between the World Heath Organization Category of Impained glucose tolerance and the American Diabetes Association  Category of impaired fasting glucose. Diabetes Care 21:1886-8, 1998.

HARRIS MI. EASTMAN RC. COWIE CC., et al. Comparison of diabetes Diagnostic categories in the U.S. population according to 1997 American Diabetes Association and 1980-1985 World Heath Organization Diagnostic criteria. Diabetes Care 20: 1959-62, 1997.

PETERS AL., SCHRIGER DL. The new diagnostic criteria for diabetes: the Impaction  management of diabetes and macro vascular risk factors. Am J. Med 105:15S-9, 1998.

SILVA, Sandra MC, Mura, JOANA DA. P, Tratado de alimentação, nutrição e dietoterapia, Rocca, 2007.

Tags: , , , ,

Veja Também:
Estudo de caso – Gastroparesia
Diabetes Mellitus – Terapia nutricional no idoso
Estudo de caso – Como iniciar os hipoglicemiantes no diabético?
Síndrome de má absorção
Gastroparesia
Inapetência alimentar em idosos

Comentários (1)     Indique esse artigo Indique esse artigo



15
mai

 O envelhecimento – Parte 2. Orgãos e sistemas

Categoria(s): Biogeriatria, Saúde Geriátrica

Envelhecimento

As modificações decorrentes da senescência

Colaboradora: Angela Terezinha de Favari Fornari *

* Nutricionista e pós-graduada do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

O comprometimento dos diversos orgãos e sistemas pelo envelhecimento se dá de forma variada nas pessoas. Em alguns envelhece primeiro o sistema circulatório, em outros o sistema respiratório e assim por diante. Neste página abordaremos o comprometimento que ocorre em cada sistema da economia humana em decorrencia do envelhecimento.

Sistema locomotor

Diminuição da massa muscular

Uma das mais importantes alterações que ocorre com o aumento da idade cronológica é a diminuição da massa muscular esquelética, que pode decrescer de 45% aos 20 anos para 27% aos 70 anos. Essa perda gradativa é conhecida como sarcopenia, que indica a perda da massa, força e qualidade do músculo esquelético e que tem um impacto significante na saúde pública pelas suas conseqüências funcionais. A força muscular é a adaptação funcional que sempre acompanha os níveis de massa muscular, sendo importante no dia-a-dia de todas as pessoas para a realização das mais diversas tarefas, em especial no idoso, pois geralmente este é um sedentário que perdeu a aptidão física geral. A perda de força muscular é a principal responsável pela deterioração na mobilidade e na capacidade funcional do indivíduo que está envelhecendo (MATSUDO, MATSUDO e BARROS NETO, 2000).

Diminuição da massa óssea

As alterações ósseas são de particular importância devido às implicações clínico-epidemiológicas que podem ter. Há diminuição da atividade osteoblástica, diminuição da massa óssea, redução de resíduos corticais. Essas alterações podem ser devido a alterações no metabolismo ósseo, causas endócrinas, ingestão deficiente de cálcio, diminuição dos níveis de 25hidroxicolecalciferol, imprescindível para manter a integridade óssea, etc. (ESPÍNOLA, 2000).

Essas alterações aparecem principalmente nas mulheres, cujos ossos perdem cerca de 40% do cálcio no decorrer de sua vida, sendo que a metade disso se perde nos 5 primeiros anos após a menopausa e o restante após os 60 anos. A osteoporose ocorre tipicamente no quadril, fêmures e vértebras. Também pode ocorrer osteomalácia, que é uma deficiência da mineralização da matriz do osso cortical (longos) e trabecular, com acúmulo de tecido pouco mineralizado (PERIS e LESMES, 2007).

Envelhecimento da pele

O envelhecimento cutâneo é uma ocorrência biológica complexa. Como a pele é o órgão humano mais exposto às intempéries, os efeitos do envelhecimento são percebidos prematuramente. Influem no envelhecimento da pele: senescência celular, a hipótese telomérica, o estresse oxidativo, o fotoenvelhecimento, a alteração no conteúdo de água e a influência hormonal. Estudos mostram que a elastina, responsável pela elasticidade cutânea, perde a sua qualidade elástica com o avanço da idade. O colágeno também diminui com o passar do tempo. O motivo dessa transformação são as alterações decorrentes do envelhecimento intrínseco e extrínseco da pele (LINS, 2002).

O envelhecimento intrínseco ocorre devido ao desgaste natural do organismo, causado pelo passar dos anos, sem a interferência de agentes externos e equivale ao envelhecimento de todos os órgãos, inclusive a pele. No envelhecimento pela idade, a textura da pele é fina, lisa, homogênea e suave, com atrofia da epiderme e derme, menor número de manchas e discreta formação de rugas. O envelhecimento causado pela idade é mais suave, lento e gradual, causando danos estéticos muito pequenos. O envelhecimento extrínseco, ou fotoenvelhecimento é decorrente do efeito da radiação ultravioleta do sol sobre a pele durante toda a vida e apresenta-se como uma intensificação do envelhecimento cronológico e do aparecimento de características diferentes do envelhecimento comum (DERMATOLOGIA, 2008 online).

Orgãos dos sentidos: Visão e audição

Para a pessoa em idade avançada, a perda ou diminuição da visão pode ser uma conseqüência dramática do envelhecimento. As alterações visuais na idade avançada provocam a diminuição da reatividade pupilar, alterações na circunferência e rigidez do cristalino; freqüentemente aparecem cataratas. A córnea perde transparência e depósitos de gorduras produzem o “arco senil”.  Pode ocorrer glaucoma, aumento da pressão intra-ocular que reduz a visão periférica e compressão da retina. A degeneração da mácula, a área de visão central e onde a resolução visual é máxima, ocasiona um dano importante à visão do idoso. A órbita perde gordura e produz o efeito de olhos fundos. A presença de diabetes mellitus de longa evolução são a principal causa de cegueira nessa faixa etária (PRODIA, 2004).

Quanto à audição, a pele que cobre o conduto auditivo externo atrofia-se e sofre uma descamação, isso favorece a acumulação de cerume. Na orelha interna é produzida a denominada presbiacusia, ou seja, a pessoa percebe ruídos molestos (acúfenos), diminui a capacidade de discriminar os sons (ouve, mas não entende) e há uma perda na percepção dos sons agudos. Cerca de uma a cada três pessoas tem perda auditiva que interfere na vida diária nas pessoas que tem entre 65 a 74 anos e cerca da metade daquelas que têm 85 anos ou mais, sendo freqüentes os tampões de cera e a hipoacusia secundária (GEIS, 2003).

Sistema imunológico

Pacientes com mais de 65 anos de idade apresentam algumas alterações no sistema imunológico, porém o simples fato de ser idoso não o classifica como imunodeficiente, embora seja preciso valorizar esse fato quando diante de certas comorbidades, principalmente diabetes, insuficiência renal, cardíaca, respiratória, hepática ou infecções (DUARTE, 2003). A imunidade do idoso apresenta alterações que se traduzirão em efeitos clínicos mediados por sua resposta aos agentes infecciosos.

Sistema circulatório

Segundo Geis (2003), com o envelhecimento do aparelho circulatório ocorre uma diminuição da circulação de retorno do sangue venoso e uma insuficiência das válvulas venosas, o que pode acarretar em varizes e edemas. Pode ocorrer um acúmulo de substâncias no interior dos vasos, diminuindo o fluxo sanguíneo podendo causar insuficiência nos órgãos que são irrigados por esses vasos. No coração, com a idade há um aumento do miocárdio, por causa das exigências em conseqüência do aumento da resistência vascular. Há uma diminuição da capacidade de contração da musculatura cardíaca, ocorrem distúrbios elétricos com diferentes graus de bloqueio e de arritmia. As válvulas que comunicam as distintas cavidades cardíacas podem calcificar-se, produzindo estenose ou insuficiência valvular. Esses distúrbios formam o quadro denominado coração senil. Sua conseqüência primordial é uma diminuição na capacidade de trabalho cardíaco e, devido a isso, não se recomenda exercícios intensos para a terceira idade (GEIS,2003).
As alterações ocorridas no sistema cardiovascular afetam de maneira variável outros órgãos que dependem estreitamente desse sistema para seu funcionamento.

Sistema respiratório

Junto com o envelhecimento aparecem alterações anatômicas e funcionais do sistema respiratório. As cartilagens costais apresentam calcificações e a coluna apresenta cifose com aumento do diâmetro ântero-posterior do tórax, diminuindo a elasticidade da parede muscular. Ocorre uma diminuição dos números e dilatação dos alvéolos. há um menor fluxo de ar e uma menor adaptação respiratória ao esforço, o idoso, para conseguir o mesmo oxigênio, tem de fazer um trabalho respiratório maior. Essas mudanças afetam consideravelmente as atividades físicas que o idoso pode realizar (ESPINOLA 2000; GEIS, 2003).

Sistema renal e vias urinárias

Embora a grande reserva funcional dos órgãos não deixem perceber, os rins sofrem importantes alterações com o envelhecimento. Cerca de 50% dos nefrons desaparecem entre os 30 e 70 anos e a taxa de filtração glomerular decai 8ml/min a cada 10 anos. É provável que a diminuição do fluxo renal em torno de 10% por década nos adultos, a maior permeabilidade da membrana glomerular, a menor superfície disponível de filtração e o aumento do uso de nefrotóxicos em função da idade, expliquem a diminuição da função renal. As vias urinárias são afetadas por uma maior tendência a produção de cálculos. Nos homens pode ocorrer obstrução prostática pelo crescimento da glândula e nas mulheres o surgimento de incontinência urinária (ESPINOLA, 2000).

Sistema digestório

A nível do paladar, há uma diminuição da capacidade de perceber os sabores doces e salgados. Também a perda dentária dificulta o consumo de alguns alimentos, portanto, a OMS tem a meta de que os idosos possam conservar 20-22 dentes nessa etapa da vida. Cerca de 10% dos octogenários perdem a coordenação dos músculos esofágicos e a debilidade do diafragma torna mais freqüente a existência de hérnias hiatais (ESPINOLA, 2000). As alterações na mucosa gástrica e nas glândulas digestivas provocam diminuição da capacidade funcional digestiva. A menor flexibilidade do fundo gástrico leva à saciedade com menor quantidade de comida que no adulto. A diminuição da motilidade intestinal, a superfície intestinal útil para absorção, a capacidade de transporte de nutrientes e a redução do fluxo sanguíneo entre a célula mucosa e a veia porta, alteram a capacidade global de digestão e absorção. A significativa atrofia do músculo propulsor e as mudanças nas células secretoras de muco provocam alterações estruturais (diverticulose) e funcionais (estreitamento) do cólon (PALLAS, 2002).

Sistema nervoso

Entre os 45 e 85 anos, o peso do cérebro diminui cerca de 12%. Há também uma diminuição do número de neurônios tornando mais difícil a aprendizagem, sobretudo nos lóbulos frontais e temporais. Há uma diminuição dos reflexos e menor capacidade de memória. No cérebro, são observadas mudanças degenerativas que acarretam atrofia do córtex cerebral e dilatação ventricular. Também ocorre uma lentidão nas funções sensório-motoras. Há diminuição da síntese de catecolaminas, Peptídeo Intestinal Vasoativo-VIP e substância P; os receptores de catecolaminas, serotonina e opióides também tem redução. As mudanças nesses neurotransmissores e seus receptores não implicam, necessariamente, em alterações intelectuais e comportamentais, mas é o conjunto de alterações que os provocam (WEINECK, 2000; ESPINOLA, 2000).

Referências:

DERMATOLOGIA. Envelhecimento cutâneo. Disponível em http://www.dermatologia.net/neo/base/estetica/est_fotoenv.htm. Acesso em 25/10/2008.

DUARTE, Antonio C. Semiologia Imunológica Nutricional. Rio de Janeiro: Axcel Books, 2003.

ESPÍNOLA. H.G. Algunos cambios asociados al envejecimiento. In: MARIN, Pedro P.; ESPINOLA, Homero G. (ed.) Manual de Geriatria y Gerontologia año 2000. Escuela de Medicina Pontifícia Universidad Católica de Chile.

GEIS, Pilar P. Atividade Física e saúde na terceira idade: teoria e prática. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.

LINS, Gisele O. W. Envelhecimento cutâneo: caracterização e mecanismos. 2002. Monografia. Porto Alegre: Faculdade de Farmácia, UFRGS, Caderno de Farmácia, v. 18, n. 2, p. 121, 2002. UFRGS. Disponível em http://www.ufrgs.br/farmacia/cadfar/v18n2/abstracts/cadfarv18n2E121a.html. Consultado em 25/10/2008.

MATSUDO, Sandra M.; MATSUDO, Victor K.R.; BARROS NETO, Turíbio L. Impacto do envelhecimento nas variáveis antropométricas, neuromotoras e metabólicas da aptidão física. Revista Brasileira Ciência e Movimento. Brasília, v.8, n.4, p. 21-32, set. 2000.

PALLÀS, Mercê C. Importancia de la nutrición en la persona de edad avanzada. Barcelona: Novartis, 2002.

PERIS, Garcia.; LESMES, Breton. Composición corporal. In: PLANAS, Mercè (Coord.). Valoración nutricional en el anciano: Recomendaciones prácticas de los expertos en geriatría y nutrición. Documento de Consenso. Sociedad Española de Nutrición Parenteral y Enteral (SENPE), Sociedad Española de Geriatría y Gerontología (SEGG), Novartis. 2007.

PRODIA. Programa de Desarrollo Integral del Adulto Mayor. Autocuidado: guía de orientación para el cuidado de la salud de los adultos mayores. Santiago: Ministerio de Salud de Chile, 2004.

WEINECK, J. Biologia do esporte. São Paulo: Manole, 2000.

Tags: , , ,

Veja Também:
Fragilidade nos idosos
Feminização do envelhecimento
Vitamina E – Tocoferóis
O câncer é parte do envelhecimento?
Íon Cobalto – Papel no organismo humano
O estresse e o envelhecimento

Comentários (1)     Indique esse artigo Indique esse artigo



09
jun

 Memória – Uso de vitaminas do complexo B

Categoria(s): Bioquímica, Neurogeriatria, Saúde Geriátrica

Terapia Ortomolecular

VITAMINAS DO COMPLEXO B

Há doze tipos diferentes de vitamina B, dos quais cinco têm demonstrado efeitos positivos no sistema nervoso:

Vitamina B1 (Tiamina) - considerado um poderoso antioxidante, com importante função no metabolismo energético, por participar na conversão da glicose em energia, atuando na fase de piruvato à acetil Co A. A dose recomendada varia de 25 a 300 mg por dia. Considerando que a vitamina B1 desempenha papel essencial no metabolismo dos carbohidratos, a maior fonte de energia para as células, a sua deficiência nutricional pode ser observada quando encontramos falhas no metabolismo cerebral, como desnutridos e alcoólatras. Devemos observar que dietas ricas em carbohidratos depletam a tiamina. As fontes de vitamina B1 são: carnes vermelhas, soja, arroz integral, grãos integrais, ovos e peixes.

Vitamina B3 (niacina) – ajuda a desenvolver a memória e combater o stress. Doses recomendadas: 1 00 a 200 mg diariamente. Doses elevadas, inclusive quando superior a 100 mg pode ocorrer ‘flushing’, cujos sintomas são prurido, vermelhidão nas extremidades, ondas de calor e parestesia, principalmente no rosto, pescoço, braços e tórax. Este efeito é consequência da dilatação arterial, determinada pela síntese da histamina.

Vitamina B5 (Ácido pantotênico) – O ácido pantotênico faz parte da molécula da Coenzima A, e como a conversão da colina em acetilcolina (importante para a memória) necessita da acetilação da colina que é dependente da acetil Co A, esta é a fase de ação do ácido pantotênico. Nesta etapa também participa a lecitina. O ácido pantotênico é indispensável para síntese de lipídios e hormônios esteróides. Nas situações de estresse ocorre um grande consumo desta vitamina (chamada de anti-stress). Dosagem de 50 a 200 mg/dia.

Vitamina B6 (Piridoxina) – uma das mais importante para o sistema nervoso central, porque é uma coenzima na transaminação, e descarboxilação de aminoácidos, ajudando o cérebro a produzir neurotransmissores vitais ao seu funcionamento. Tem demonstrado aumentar o tempo de vida e diminuir o stress. As doses recomendadas são de 50 a 1 00 mg por dia. Possui interação medicamentosa com a Levodopa, inativando-a no intestino. Devemos considerar que a forma ativa é o fosfato de piridoxal, portanto devemos evitar megas dose de piridoxina, devido a grande dificuldade de conversão em piridoxal, e a parte que não for convertida pode exercer forte competição com a forma ativa, à nível de receptores e, clinicamente manifestar-se como neuropatias periféricas. Se quisermos melhora a sua eficácia devemos associar magnésio na sua formulação.

Vitamina B12 (Cianocobalamina) – está relacionada no tratamento de deficiências cerebrais por lesões a nível de SNC, processos degenerativos, principalmente desmielinizantes do sistema nervoso periférico. Doses de 100 a 200 mcg são sugeridas em associação com 400 mcg de ácido fólico. A vitamina B12 praticamente inexiste nos vegetais, portanto os vegetarianos, geralmente tem deficiência de vitamina B12, que é encontrada nos alimentos de origem animal. A vitamina B12 está vinculada ao metabolismo dos lípides, participando na eleboração da porção lipídica da lipoproteína da bainha de mielina, por atuar promovendo a transferência de hidrogênio e isometerização , na conversão do metilmalonato em succinato.

A síntese diária do SAME (S-adenosil metionina) substância importantíssima na regeneração e prevenção ao envelhecimento do SNC está na dependência do ácido fólico e da vitamina B12.

Tags: , , , ,

Veja Também:
Vitaminas – O que são?
Conseqüências da desnutrição no idoso
Memória fraca e os medicamentos
Vitaminas e sais minerais – Toxicidade
Estudo de caso – Neurite periférica: Intoxicação por B6
Chumbo – Saturnismo

Comentários (6)     Indique esse artigo Indique esse artigo



31
mai

 Beladona – Atropa belladona

Categoria(s): Plantas medicinais, Saúde Geriátrica

Fitoterápicos

Atropa belladona L.


Planta com caule ramificado, formando um vasto tufo suportado por uma gigantesca raiz cónica. O caule tem folhas alternas, ovais e moles. Na axila das folhas aparecem flores campanuladas, pedunculadas, castanho-avermelhadas, que depois se transformam em bagas negras.

A beladona cresce na Europa à beira das florestas, nos escombros e lugares abandonados. Toda a planta é extremamente venenosa e são conhecidos casos de envenenamentos mortais em crianças que confundem as bagas da beladona com as do mirtilo.

A mitologia grega refere que Atropos era, das três Parcas, aquela que tinha por função cortar o fio da vida. A palavra atropos significa inelutável. Os Romanos utilizavam o suco das bagas para dilatar a pupila do olho realçando sua beleza, daí derivando o nome específico belladonna, bela dama, dado à planta.

Colhe-se as folhas ou a raiz. São secadas à temperatura de 30ºC. As partes ativas contêm 1% de alcalóides derivados do tropano (hiosciamina, atropina), ácido atrópico, beladonina e escopolamina.

As preparações galênicas obtidas pela indústria farmacêutica (extrato, tintura), tal como os alcalóides isolados, relaxam os músculos lisos (espasmolíticos), reduzem as dores das cólicas urinárias e da vesícula biliar, aliviam as crises de asma (antiasmático). São igualmente usados para reduzir os suores noturnos dos tuberculosos.

O efeito da atropina (dilatação da pupila ocular) é utilizado nos exames oftalmológicos.

Tags: , ,

Veja Também:
Sem artigos relacionados.

Comentários (7)     Indique esse artigo Indique esse artigo



Paginas (19): [1] 2 3 4 5 6 7 8 » ... Ultima »