Arquivo de Reumatogeriatria

27
ago

 Estudo de caso – Osteoporose e TRH

Categoria(s): Caso clínico, Ginecogeriatria, Reumatogeriatria

Interpretação clínica

Mulher de 56 anos, está preocupada com os riscos de osteoporose, pois sua mãe e tias maternas sofreram fraturas depois dos 60 anos, mas está incerta quanto ao que fazer sobre sua ingesta dietética de cálcio e terapia de reposição hormonal. Está com boa saúde, frequenta academia diáriamente. Não fuma e não bebe bebidas alcoólicas, e nunca fraturou um osso.

Gostaria de informações sobre as terapias preventivas para osteoporose?

Essa paciente tem alguns fatores de risco para osteoporose, como herança familiar e estado de pós-menopausa. Ela poderá se beneficiar da terapia de reposição hormonal (TRH) no que diz respeito a bem estar geral, risco cardiovascular ou osteoporose, e a discussão dos riscos e benefícios da TRH é apropriada. A provisão de ingesta adequada de cálcio (entre 600 a 900 mg/dia) reduz a perda de osso mineral e o risco de fratura.

O exercício físico de fazer parte integrante do programa de prevenção da osteoporose.O estudo da densitometria óssea por absorciometria de energia dupla é útil para a tomada de decisões.

Referência

Miller PD, Zapalowski C, Kulak CA, Bilezikian JP – Bone densitometry : the best way to detect osteoporosis and to monitor therapy. J Clin Endocrionol Metab. 1999;84:1867-1871.

Joffe, H; Watson R. et al – Assessment and treatment of hot flushes and menopausal mood disturbance. Psychiatric Clinic North American 26(3):563-580,2003.

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03
ago

 Estudo de caso – Doença de Paget com surdez

Categoria(s): Bioquímica, Caso clínico, Reumatogeriatria

Interpretação clínica

  • Homem branco de 75 anos, apresentando cefaléia e surdez importante nos últimos 2 anos. No exame radiológico observou-se alargamento do crânio. Seu nível de fosfatase alcalina sérica é de 8.600 U/l (normal, 36 a 92 U/l) e seu nível de hidroxiprolina urinearia é de 150 mg/24h (normal,  menor que 50 mg/24 h).

Como confirmar o diagnóstico e indicar a terapia para o caso?

O achado de alargamento do crânio em homem idoso com concentração sérica elevada de fosfatase alcalina é muito sugestivo de doenca de Paget dos ossos.Não existe a necessidade de outros testes diagnósticos para confirmar o diagnóstico e instituir o tratamento.

Tratamento – O tratamento indicado é no sentido de controlar a dor óssea e a progressão da deformidade. A surdez é complicação comum da doença de Paget do crânio. O controle da doença de Paget, geralmente, não melhora a surdez.

Veja - Estudo de caso – Fosfatase alcalina elevada

Referência:

Delmas PD, Meunier PJ – The management of Paget’s disease of bone.  engl J Med. 1997;336:558-566.

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30
jul

 Estudo de caso – Artrite reumatóide e Bronquiolite

Categoria(s): Caso clínico, Pneumogeriatria, Reumatogeriatria

Interpretação clínica

  • Mulher de 52 anos apresenta tosse não-produtiva de escarro por duas semanas, sem outros sintomas respiratórios ou sistêmicos. Veio ao consultório médico porque começou a sentir falta de ar quando subia um lance de escadas. Sofre de artrite reumatóide por vários anos e sua condição é controlada com o uso de antiinflamatórios não hormonais. Nega tbagismo ou contato com agentes inalantes. O exame físico mostrou estertores no início da inspiração.
  • Os resultados dos testes de função pulmonar indicam obstrução moderada/grave do fluxo aéreo.
    Capacidade vital forçada (CVF) = 2,891 (81% do previsto)
    Volume expiratório forçado em 1 seg (VEF1) = 1,351 (47% do previsto)
    VEF1 após broncodilatador = 1,341 (46% do previsto)
    Razão de VEF1 para CVF = 0,471 (63% do previsto)
    Capacidade de difusão de monóxido de carbono (DLco) = 21,51 (80% do previsto)
  • Exames radiológicos de tórax = normais.

Qual o diagnóstico mais provável?

A paciente tem artrite reumatóide, e várias doenças pulmonares podem se desenvolver em associação com a artrite reumatóide, mesmo que esta esteja controlada. Uma delas é a bronquiolite obliterante, que inicia com tosse não-produtiva e depois surge a dispnéia. Os achados radiológicos de tórax geralmente são normais, mas pode ocorrer hiperinsuflação. A avaliação da função pulmonar pela espirometria pode revelar obstrução grave, com valores de VEF1 menores que 1 litro. Geralmente não há um componente reversível (VEF1 pouco modifica com broncodilatadores). A capacidade de difusão é variada.  A bronquiolite obliterante geralmente ocorre em pacientes com artrite reumatóide e que receberam penicilamina.

Espirometria

A figura ilustra os vários tipos de alterações na espirometria de acordo com cada doença o enfisema pulmonar e a bronquite e bronquiolite compõe o quadro de doença pulmonar obstrutiva, como o caso.

No exame físico – Os estertores no início da inspiração são causados por cicatrização em torno das pequenas vias aéreas, causando um estalido durante a fase precoce da inspiração.

Referência:

Hayakawa H, Sato A, Toyoshima M, Chida K, Iwata M – Bronquiolar disease in rheumatoid arthritis. Am J Respir Crit Care Med. 1996;154:1531-1536.

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22
jun

 Osteoartropatia hipertrófica pnêumica

Categoria(s): Dicionário, Gerontologia, Reumatogeriatria

Resenha

A osteoartropatia hipertrógica pnêumica (OHP) ou doença de Bamberger-Pierre-Marie é caracterizada em baqueteamento dos dedos, decorrente de alteração progressiva dos tecidos moles das falanges distais, associada à periostite crônica proliferativa dos ossos longos e oligoartrite.

Baqueteamento digital

A OHP foi descrita pela primeira vez por Von Bamberger (1889) e Marie (1890), inicialmente associada a certas condições supurativas crônicas dos pulmões como enfisema e abscesso. Atualmente, descreve-se esta síndrome associada predominantemente a pacientes com neoplasias intratorácicas primárias, sendo o carcicoma broncogênico responsável por aproximadamente 80% dos casos, tumores pleurais por 10% e outros tumores intratorácicos por 5%.

Há dois tipos básicos de OHP: o distúrbio primário é raro, com predisposição hereditária, predominante no sexo masculino, denominado paquidermatoperiostite. Nestes caso, desnvolve-se um espessamento cutâneo, hiperhidrose, seborréia, acne, periostite e oligoartrite, além do baqueteamento dos dedos. A forma secundária é a mais comum e está associada a vários distúrbios cardiológicos (cardiopatias congênitas cianogênicas, cor pulmonale), distúrbios hepáticos (especialmente cirrose hepática), gastrointestinais, endocardite bacteriana, infecções supurativas, e sobretudo às neoplasias pulmonares, como citamos acima.

Etiologia – Sua etiologia não está esclarecida, porém há hipoteses como: vasodilatação induzida por impulso neurogênico, a hormonal e a do shunt. A teoria do shunt – induzida nos pulmões por um distúrbio, como o que ocorre na doença cardíaca congêntia cianogênica, em que um fator desconhecido, normalmente catabolizado na circulaçnao pulmonar, faz um bypass no pulmão e é destruído na circulação periférica, onde induz à proliferação da pele e dos ossos. Este fator proposto é o das grandes plaquetas, observadas nas cardiopatias congênitas, que não se fragmentam nos pulmões, indo impactar-se nos capilares periféricos, liberando o fator de crescimento derivado das plaquetas, que estimulariam as células mesenquimais, como fibroblastos e as células do músculo liso, provocando ativaçnao e hipertrofia das células endoteliais.

As manifestações radiológicas caracterizam -se pelo aparecidmento de capaz ósseas extratificadas em forma de manguito ou de casca de árvore, o que se traduz por um contorno ósseo duplo, denominado levantamento periostal, nas zonas metafisárias inferiores da tíbia e perônio, cúbito e rádio.

Referência:

Altman RD, Tenenbaum J -  Hipertrophic Osteoartropathy. In: Kelley WN, Harris ED, Ruddy S, Sledge CB – Textbook of Rheumatology, 4 Ed. Philadelphia- WB Saunders, 1993 Cap. 93:1545-1551.

Carsons S: The Association of Malignancy with Rheumatic and Connective Tissue Diseases; Seminars in Oncology 1997, 24(3): 360-72.

Gavi MBRO, Pereira AM, Carvalho KS, Paterline AC, et al.: Manifestações Reumatológicas do Câncer: Relato de Caso e Revisão da Literatura, Rev. Bras. Reumatol 1997, 37(6) 348-54.

Batista AAP, Bianco JAP, Batista AP, Alves LR, Afonso A, Silva HSL, et al. Osteoartropatia hipertrófica primária: relato de caso e revisão da literatura. Radiol Bras. 2003;36(3):183-6.

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15
jun

 Ocronose

Categoria(s): Dicionário, Reumatogeriatria

Dicionario

Ocronose - Alcaptonúria

Ocronose ou alcaptonúria é uma condição mórbida, rara, devido a um erro inato do metabolismo da fenilalanina e tirosina, transmitido de forma autossômica recessiva. Resultando na deficiência completa da enzima ácido homogentísico oxidase (HGO), causada por mutação no gene 3q (3q21 – q23), levando ao acúmulo do ácido em diversos órgãos e tecidos, com aumento de sua excreção urinária. As manifestações clinicas caracterizam-se por pigmentação sepia da esclera e das cartilagens da orelha e do nariz. Observa-se ainda, coloração negra e pardo-esverdeada das secreções sebáceas.

Ocronose

As manifestações osteoarticulares surgem por volta de 30 anos, como uma artropatia crônica, provocada pela infiltração do ácido gentisico nas cartilagens articulares. Na coluna vertebral, lembram a espodiloartrose, com extensa calcificação dos discos intervertebrais, especialmente na região lombar; a calcificação e a ossificação incluem a sínfese púbica, a cartilagem costal, os ligamentos e os tendões periféricos.

A calcificação progressiva dos discos intervertebrais leva a formação de pontes osseas, originando a imagem radiológica de “coluna em ferrovia”. No esqueleto periférico, os joelhos, os quadris e os ombros são mais acometidos da formação de osteofitos e cistos subcondrais, devido a doença articular degenerativa.

O depósito de pigmento ocronótico pode ocorrer, também, na membrana timpânica e ossículos do ouvido médio causando hipoacuisa ou surdez. Na pele exibe coloração azul enegrecida em regiões de alta concentração de glândulas sudoríparas e de tecido cartilaginoso.

O pigmento ocronótico pode formar cálculos na bexiga, rins, ureteres e uretra. O local mais acometido é a próstata, cujo pH alcalino resulta na rápida polimerização do ácido homogentísico. Os cálculos resultam tanto em obstrução vesical como prostática, ocorrendo infecções repetidas do trato urinário e uremia.

Diagnóstico diferencial – O diagnóstico diferencial deve incluir artropatia hemofílica, sinovite vilonodular pigmentada, artropatia associada a hemocromatose e espondilite anquilosante.

Tratamento – Artropatia ocronótica não apresenta cura até o presente momento, pois a deficiência da enzima não pode ser tratada. Deve ser feita restrição de tirosina e fenilalanina da dieta, o que reduziria a excreção do ácido homogentísico na urina. Alguns estudos sugerem que altas doses do ácido ascórbico previnam a interação do pigmento ocronótico com os tecidos. Ensaios clínicos estão avaliando
a eficácia do nitisinose, inibidor da enzima precursora do ácido homogentísico.
A terapêutica atual baseia-se em medidas sintomáticas como o uso de analgésicos, antiinflamatórios não-hormonais (AINHs), fisioterapia, infiltração intra-articular com corticóide. Finalmente, artroplastia de ombros, quadris e joelhos se faz necessária naqueles casos graves de artropatia ocronótica.

Referências:

Lima ACR, Navarro ML, Provenza JR, Bonfiglioli Rl: Artropatia Ocronótica: Relato de Caso. Rev Bras Reumatol 40: 213-6, 2000.

Phornphutkul C, Introne WJ, Perry MB, et al: Natural history of alkaptonuria. N Engl J 374: 2111-21, 2002.

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