Dor Lombar – Espondilolistese
Dor lombar – Estima-se que 80% da população apresenta pelo menos um episódio de dor lombar durante algum momento da vida. Afetando os adultos de todas as idades, sendo mais frequente entre 30 e 55 anos. O primeiro passo no entrendimento da lombalgia é importante separar (e isso pode ser feito pela história clínica e exame físico) a lombalgia da lombociatalgia. Nas lombalgias a dor fica limitada região lombar baixa e s nádegas, podendo estender-se pela coxa, na lombociatalgia a dor se irradia para o membro inferior, podendo chegar até os dedos dos pés. Se a dor ultrapassar o joelho é altamente sugestivo de ciatalgia, ouseja comprometimeto do nervo ciático.
Ritmo da dor – Se a pessoa apresentar dor lombar, o passo seguinte será distinguir se esta dor é mecânica ou inflamatória. A dor inflamatória é aquela que aparece no período noturno ou de repouso e se associa com a rigidez matinal. Já o paciente com dor mecânica tem dor que piora com o decorrer do dia, sem rigidez matinal. A separação entre lombalgia mecânica, lombalgia inflamatória e lombociatalgia é fundamental porque os processos etiológicos são diferentes em cada uma dessas situações.
A lombalgia inflamatória pode ser decorrente das espondiloartrites como a espondilite anquilosante, da artrite reativa, da espondiloartrite da artrite psoriásica e das doenças inflamatórias intestinais. Por serem doenças sistêmicas essas entidades podem fazer-se acompanhar de sinais e sintomas fora da coluna vertebral, como as entesopatias (em geral, de tendão de Aquiles e de fáscia plantar), artrites periféricas (de poucas articulações e preferentemente em membros inferiores), uveites etc. Afetam jovens com preferência para os do sexo masculino.
Nas lombalgias mecânicas pode ser bastante difícil esclarecer o processo etiológico subjacente. Calcula-se que existam muitos fatores individuais ligados s estruturas locais e outros tantos ligados ao uso da coluna implicados na sua gênese. Daí serem designadas, em conjunto, pelo termo de dor lombar inespecífica.

Espondilolistese – é o deslocamento anterior de uma vértebra ou a coluna vertebral de vértebras abaixo. Foi descrita pela primeira vez em 1782 pelo obstetra belga, Dr. Herbinaux. Ele relatou uma proeminência óssea frente do Sacro obstruído a vagina de um pequeno número de pacientes. O termo “espondilolistese” foi cunhado em 1854, do grego “spondyl” de vértebras e “olisthesis” de deslizamento.
A espondilolistese é graduada em função da percentagem de deslizamento da vértebra em relação a vertebra abaixo ou o osso sacro.
Grau I – Deslizamento de 25% a 50% em relação ao prato superior do sacro; Grau II – deslizamento de 25-50%; Grau III – deslizamento de 50 a 75%.
Figura A – Vertebras com alinhamento normal.
Wiltse, Newman e Macnab classificaram as espondilolisteses em 5 tipos originais e um sexto tipo iatrogênico:
1.) Espondilolistese Displásica: Malformação congênita do sacro ou do arco vertebral de L5.
2.) Espondilolistese Degenerativa: Sem fratura da pars, ocorre listese com arco vertebral integro. (figura B)
3.) Espondilolistese Istmica: Em que ocorre fratura por stress (pode ser aguda) e/ou alongamento da “pars interarticularis”. (figura C)
4.) Espondilolistese Traumática: Fratura do arco vertebral (excluindo a fratura da “pars” que caracteriza a espondilolistese istmica).
5.) Espondilolistese Patologica: Metastases, tumores ou Doenças ósseas- Paget’s, Osteopetrosis.
6.) Espondilolistese Iatrogênica:produzida por instabilidade criada após cirurgia.
Diagnóstico – O diagnóstico de espondilolistese pode ser feito por meio de um exame radiográfico da coluna no plano frontal e perfil. Exame que possibilita o diagnóstico na maioria dos casos. A Tomografia computadorizada pode ser solicitada para melhor avaliação da lesão do “pars articular” e na avaliação do potencial de consolidação em listeses de baixo grau. O exame de ressonância magnética lombar necessária quando o paciente apresenta déficit neurológico associado ou dor irradiada para membros inferiores (lombociatalgia), possibilitando uma melhor avalição das estruturas comprimidas. O exame de cintilografia óssea permite avaliar o potencial de consolidação da espondilolise.
Tratamento -
Geralmente as espondilolistese são de grau I, ou seja o deslizamento é de 25% a 50% de uma vértebra sobre a outra, o tratamento é clinico com repouso, analgésicos e tratamento fisioterápico, raramente requer uma reparação cirúrgica. Um deslizamento significativo na espondilolistese pode necessitar de cirurgia. Assim, a estabilização cirúrgica encontra-se indicada quando a progressão do deslizamento excede 50% ou quando o tratamento conservador falha.
Referências:
Katz JN, Delga SM, Stucki G et al. Degenerative lumbar stenosis. Diagnostic value of the history and physical examination. Arthritis Rheum 1995 38: 1236-71.
Wiltse LL, Newman PH, Macnab I. “Classification of spondylolysis and spondylolisthesis.” Clin Orthop Relat Res. 1976 Jun;(117):23-9