Arquivo de Pneumogeriatria

09
Out

 Estudo de caso - Esclerodermia visceral

Categoria(s): Caso clínico, Dermatogeriatria, Pneumogeriatria, Reumatogeriatria

Interpretação

  • Mulher de 63a viúva, trazida pela filha à consulta por apresentar tosse sêca e importante dispnéia nos últimos 2 meses. A paciente relatava pirose e epigastralgia, pneumonias de repetição. Tem sentido de artralgias generalizadas (mãos, punhos, cotovelos, quadril, joelhos e tornozelos) de início há seis anos, com ritmo inflamatório, associado a edema local, rigidez matinal e presença do fenômeno de Raynaud em extremidades, que se intensificou há seis meses. Ao exame físico - A pele se mostrava espessada e endurecida, com edema “em luva” de mãos e pés, esclerodactilia e calcinoses subcutâneas em membros inferiores. A ausculta pulmonar revelou murmúrio vesicular rude disseminado com estertores crepitantes em lobos médios e bases pulmonares. A ausculta cardíaca não evidenciou nenhuma alteração. PA 145/100 mmHg; FC 100 bpm.
  • Os exames laboratoriais revelaram hemograma, EAS, glicemia, uréia e creatinina normais. A eletroforese de proteínas revelou hipergamaglobulinemia policlonal e diminuição de albumina. A investigação de Anti-SS-A/RO, Anti-SS-B/LA, IgA para micobacterium tuberculosis, anti-histoplasma capsulatum e blastomicose foi negativa. A pesquisa de FAN e auto anticorpos anti-RNP foi positiva.
  • A radiografia de tórax evidenciou extenso acometimento pulmonar por infiltrado intersticial difuso em ambos os pulmões, dos ápices às bases, com intensa fibrose comprometendo preferencialmente as bases (figura).

Como entender e conduzir o caso?

Os aspectos clínicos sugerem um caso de esclerose sistêmica (ES) progressiva com comprometimento visceral, em especial dos pulmões. As demais causas de comprometimento intersticial pulmonar, como tuberculose, blastomicose e histoplasmose foram descartadas pelos exames laboratoriais.

O acometimento pulmonar na ES é, atualmente, a principal causa de morte. Pode manifestar-se com doença pulmonar restritiva, hipertensão pulmonar, doença pleural, pneumonia aspirativa e neoplasia.

- A doença pulmonar restritiva é encontrada em 50% a 90% dos casos, dependendo do método diagnóstico utilizado e se manifesta clinicamente com quadro de dispnéia progressiva aos esforços podendo ser acompanhada de tosse seca e dor tipo pleural, cursando com estertores subcrepitantes em bases pulmonares evolui para cor pulmonale. O Rx pode estar normal no início da doença e nos casos avançados toma o aspecto característico de favo de mel.

- A hipertensão pulmonar aparece em 5% a 40% dos casos isolada ou associada à doença pulmonar restritiva. Cursa com dispnéia rapidamente progressiva aos esforços, evoluindo com insuficiência cardíaca direita; nos casos de hipertensão pulmonar isolada. Inicialmente o Rx de tórax e as provas de funções pulmonares se mostram normais, podendo cursar com diminuição isolada da difusão de CO. Acometimento pleural é pouco freqüente. A figura ilustra dois aspectos das arteríolas pulmonares em A - normal e em B - esclerose da parede.

Veja mais sobre hipertensão pulmonar

Nos últimos anos, têm sido divulgados estudos avaliando novos agentes farmacológicos, como os análogos da prostaciclina e os antagonistas dos receptores da endotelina, que visam não só a estabelecer um melhor controle dos sintomas relacionados à HAP, mas também a atuar como modificadores desta manifestação da ES.

Dentre os análogos da prostaciclina, destacam-se o epoprostenol, o iloprost e o treprostinil. O iloprost, utilizado na forma de aerossol (dose total: 100mg/dia, dividida em seis inalações), o uso do treprostinil é em infusão subcutânea contínua.

O único antagonista da endotelina aprovado para uso na ES é a bosentana, um antagonista dos receptores A e B, utilizado em doses de 125 a 250 mg/dia. Estudo inicial, destinado à avaliação da administração da droga por doze semanas na HAP (idiopática ou associada à ES), revelou uma melhora na tolerância ao exercício e na hemodinâmica (índice cardíaco e resistência vascular pulmonar). Outros antagonistas dos receptores da endotelina, ainda em estudo quanto ao seu uso na ES, são o sitaxsentan e o ambrisentan.

Outras perspectivas para o tratamento da HAP na ES são o óxido nítrico inalatório, e o sildenafil. Porém, estudos controlados são necessários para avaliar sua real eficácia.

Referências:

Azevedo ABC, Sampaio-Barros PD, Torres RM, Moreira C. Avaliação da prevalência de hipertensão pulmonar na esclerose sistêmica. Rev Bras Reumatol. 2004;44(1): 31-9.

Steen V. Predictors of end stage lung disease in systemic sclerosis. Ann Rheum Dis. 2003;62(2):97-9.

Marques Neto JF, Sampaio-Barros PD. Esclerose sistêmica. Em Moreira C, Carvalho MAP. Reumatologia: diagnóstico e tratamento. 2a ed. Rio de Janeiro: Medsi; 2001. p. 465-88.

LeRoy EC, Black C, Fleischmajer R, Jablonska S, Krieg T, Medsger TA Jr, et al. Scleroderma (systemic sclerosis): classification, subsets and pathogenesis. J Rheumatol. 1988; 15(2):202-5.

Scleroderma Fundation - [on line]

Marques Neto JF, Barros PS: Esclerose sistêmica. In: Moreira C, Carvalho MAP eds. Reumatologia: Diagnóstico e Tratamento. 2ª ed, Belo Horizonte, Editora Médica e Científica Ltda, 2001. p. 465-480.

Papi, F.A. et. al - Aspectos radiológicos na esclerose sistêmica progressiva - estudo de 40 casos. Rev. Hop Clin Fac Med S Paulo: 1972; 27(1): 29-36.

Braz AS, Chahade WH: Aspectos atuais da terapêutica na esclerose sistêmica (esclerodermia). Rev Jovem Médico, 4: 140-152, 1999.

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29
Set

 A obesidade e a apnéia obstrutiva do sono

Categoria(s): Endocrinogeriatria, Nutrição, Pneumogeriatria

Resenha

A obesidade e a apnéia obstrutiva do sono

Colaboradora: Astrid de Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeiral e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Aspectos Nutricionais

Sabe-se hoje, que o sono e as alterações do ciclo vigília-sono pode influenciar vários aspectos do equilíbrio nutricional e metabólico do organismo, porque as alterações do ciclo levam à privação do sono, gerando distúrbios vários como aumento da obesidade, sindrome metabólica, dislipidemias, diabetes, etc.

A ingestão alimentar nestas condições, tem se mostrado alterada e prejudicial à saúde, resultando numa maior predisposição para o aparecimento de problemas nutricionais.

Em condições de restrição de sono, o apetite por alimentos com alta quantidade de carboidratos, incluindo doces, biscoitos, salgados, cereais e tubérculos, evidenciando a preferência por alimentos mais calóricos e ricos em lipídeos.

Existe a Leptina que é uma proteína produzida pela glândula mamária, músculo esquelético, epitélio gástrico e pelo tecido adiposo, que fornece informações sobre o equilíbrio energético para o centro regulatório do cérebro e a sua liberação está associada com a promoção da saciedade. Durante o sono, a leptina encontra-se elevada (pela ingestão durante o dia) e com a privação do sono encontra-se diminuída, alterando a habilidade da leptina em produzir o sinal de saciedade, levando ao aumento da ingestão calórica. Um período de sono de 8 h que diminui para 5 horas, ocorre diminuição de 15,5% nos níveis da leptina.

Obesidade

A prevalência mundial de obesidade, vem crescendo de forma assustadora sendo que ela representa um dos problemas contemporâneos de saúde mais importante de todos os tempos. Tornou se um problema de Saúde Pública, pois responde pelo aumento das doenças crônicas com risco de morbidade e mortalidade.

Pode-se entender a obesidade como sendo o resultado de um balanço energético positivo e de longa duração, e defini-se obesidade, o índice de massa corpórea acima de 27kg/m2, e a circunferência abdominal maior que 94cm para homens e maior que 80cm para mulheres.

O número de obesos tem aumentado e isto se observa também entre os idosos, o que representa um impacto muito negativo na vida dos idosos, uma vez que limita sua independência na execução das atividades de vida diária, diminui sua capacidade funcional, aumenta o risco para desenvolver doenças crônicas (Diabetes Mellitus, Hipertensão, Síndromes Metabólicas, doença cardiovascular).

A prevalência na região sudeste do Brasil é de 37% para os homens e 57% para as mulheres acima dos 65 anos. Estudos desenvolvidos com idosos por Tadei et al (1997), em ambulatório hospitalar para riscos cardiovasculares, demonstram que 30% destes, eram obesos e a faixa de maior incidência, foi a de 65 a 74 anos.

Tratar obesidade em idosos, é muito complexo, pois vários são os fatores que influenciam em suas escolhas alimentares, como: renda, composição familiar, hábitos e valores culturais, religião, etnia, sexo. Suas necessidades nutricionais dependem do estado geral da sua saúde física, emocional, mental e funcional.

A obesidade tem alta prevalência na população geral, sendo que apresentam risco maior de desenvolver, além das doenças crônicas já citadas, também a Síndrome da Apneia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono (SAHOS), que é uma doença crônica, progressiva, incapacitante, com alta morbidade e mortalidade cardiovascular. Fatores anatômicos e funcionais contribuem para esta instabilidade das vias aéreas. Como sintomas gerais, está presente o Ronco, as pausas respiratórias, sono fragmentado, sonolência excessiva e défcits cognitivos entre outros.

Ronco e Apnéia

A Introdução do estudo do sono realizado com o suporte da Polissonografia, na Europa, iniciou na década de 1960. Foram realizados estudos com pacientes obesos, observando os despertares pós-apnéias, sendo a fragmantação do sono, a causa mais provável da sonolência diurna, que era um dos sintomas observados. Durante o sono, o tônus dos tecidos orofaríngeos diminui se aproximam e bloqueiam a passagem do ar pelas vias aéreas, causando as apnéias durante o  sono.

Como sinal  clínico mais comum e preditivo, ocorre o Ronco, que se traduz na interrupção da respiração de forma intermitente durante o sono, agitação, diminuição da capacidade de memória e concentração, despertar súbito com sensação de sufocamento, sonolência excessiva, irritabilidade e outros que serão relatados neste trabalho.

Existe o ronco primário que é definido pela CIDS como presença de ruído característico de ronco durante o sono, na ausência de alterações na saturação da oxi-hemoglobina.

O Ronco aumenta com a idade, sendo que prevalece em 30% das mulheres acima de 65 anos e 45% dos homens. A comorbidade da Apneia Obstrutiva do Sono é a hipertensão Arterial (HAS), que incide duas vezes mais em roncadores, excluindo a idade e obesidade.

É comum, despertares com o ruído do próprio ronco, causado pela dificuldade de respirar e geralmente é percebido pela família e ou cônjugue.

Referências:

Tufik, S. Medicina e Biologia do Sono;  Instituto do sono SP:cap.20-26; pag.240-305: ed. Manole, 2008

I CONSENSO BRASILEIRO DE RONCO E APNEIA DO SONO,2000. In:Sociedade Brasileira do Sono.[on line]

Alfredo, C. Neto, L. T. Consulta Geib; Sono e Envelhecimento. Ver. Psiquiatria. RS, 25(3):453-465, set/dez.2003

Nabarro,P - Ronco e apnéia: Os Benefícios da Odontologia do Sono. Ortopedia funcional dos maxilares. [on line]

Mariani CM;Tavares S;Aloi F - Apnéia do sono em Obeso. Arq. Brasileiro de Endocrinologia Metabólica,2000;44(2): 81-90.

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23
Set

 Apnéia Obstrutiva do Sono - Parte 5. Aspectos clínico

Categoria(s): Neurogeriatria, Otogeriatria, Pneumogeriatria

Resenha

Síndrome da Apnéia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono em Idosos

Colaboradora: Astrid de Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Na SAHOS ocorre uma variedade de achados clínicos e noturnos observados. Os sinais e sintomas mais comuns  são o ronco, a sonolência excessiva e as pausas respiratórias durante o sono. Outros sintomas associados, são o sono não reparador, alterações das funções cognitivas (déficit de atenção, concentração e memória), nictúria, cefaléia matinal e alterações do humor.

O sinal noturno dominante é o ronco, geralmente entrecortado por períodos de silêncio que duram de 10 a 30 segundos.É um ronco alto e prejudica o sono do companheiro e de familiares. Nos idosos, a SAHOS tem um impacto clínico incerto a despeito de sua prevalência. Ancoli – Israel et al. Constataram que o índice de apnéia hipopnéia é maior que10 em 62% dos idosos com mais de 65 anos.

O sintoma diurno mais importante é a sonolência excessiva, que se evidencia mais quando o paciente encontra-se em situação relaxada. Com sonolência extrema, o paciente adormece em situações ativas, sendo esta a maior causa de mortalidade pela SAOS. A intensidade da sonolência varia de um paciente para outro e existem questionários específicos que vem sendo utilizados na prática clínica e que avaliam a quantificação do sintoma da sonolência excessiva. Por exemplo, a escala de Sonolência de Epworth que avalia oito situações do cotidiano (que requerem pouca atenção, até um grau elevado de concentração, com chance de adormecer). A soma do score total varia de 0-24 sendo que acima do score 10, sugere sonolência diurna excessiva.

A Obesidade é fator predisponente para a SAHOS, principalmente a obesidade central (aumento da circunferência abdominal) e aumento da circunferência do pescoço. As anormalidades craniofaciais (hipoplasia maxilomandibular, aumento do tecido mole e do tecido linfóide da laringe), alterações neuroendócrinas (hipotireoidismo,acromegalia) e história familiar.

Os episódios de apnéia caracterizam-se pela cessação ou diminuição do fluxo respiratório; os movimentos do tórax se mantém e o término da apnéia é associado ao ronco explosivo, parecendo engasgos. O ronco forte e a movimentação do corpo, podem perturbar o sono do companheiro, sendo que ele mesmo não percebe seu ronco e dificuldades respiratórias, mas normalmente queixam-se de insônia, cansaço pela manhã, boca seca e alguns de cefaléia com duração de 1 a 2 horas.

Um achado relevante para a SAHOS, é a prevalência em indivíduos do sexo masculino de meia idade com incidência de 7 a 10 vezes mais que nas mulheres. Há evidências de que o climatério é fator de risco para a SAHOS.

A hipertensão arterial sistêmica (HAS), hipertensão Pulmonar, arritmias cardíacas relacionadas ao sono, angina noturna, refluxo gastroesofágico, prejuízo da qualidade de vida e insônia, são todos fatores associados.

Complicações Cardiovasculares

Pacientes com SAHOS apresentam altos índices de mortalidade (pacientes com síndrome da Obesidade-Hipoventilação), em geral por insuficiência cardiopulmonar, embolia pulmonar e insuficiência renal. A morte tem sido também atribuída ao uso de medicação sedativa em especial no período pré-operatório. O maior impacto na morbimortalidade pela SAHOS são os acidentes automobilísticos e em menor escala, os acidentes de trabalho causados pela hipersonolência, além do uso de medicação sedativa. Apesar disto, a associação entre morte e apnéia do sono obstrutiva não está ainda bem clara.

A conseqüência cardiovascular da SAHOS tem sido demonstrada na literatura e a HAS,tem sido um achado comum para estes pacientes, prevalecendo em 40 a 60% dos casos não tratados. Entre os hipertensos, um terço sofre da SAHOS ( Hila et al).

Existem dois grandes estudos epidemiológicos (Wiscosin e Sleep Heart and Health) que concluíram que a associação entre hipertensão e apnéia obstrutiva é independente dos outros fatores de risco como a  obesidade, idade, consumo de álcool e cigarro e que segue um padrão crescente de dose-resposta em função da gravidade da SAHOS.

Hipertensão e SAHOS presentes no mesmo indivíduo geralmente demonstram, atravéz de estudos transversais que ocorrem mais em pacientes velhos, obeso e com maior prevalência para o diabetes. Estando também associada ao risco aumentado de morte súbita e risco de FA (fibrilação atrial). Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) e doença isquêmica do miocárdio, estão associados arritmias cardíacas, bradicardia sinusal acentuada durante o sono e associada à hipoxemia, assistolia de até 13 segundos, bloqueio átrio-ventricular de segundo grau, extrassístoles ventriculares isoladas e bigeminadas também tem sido documentados.

O aumento do risco para Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) e doença isquêmica do miocárdio., estão associados às apnéias e ronco, mas é ainda bastante discutido tendo necessidade de mais estudos epidemiológicos controlados.

Alterações Metabólicas

1 Resistência à insulina e intolerância à glicose, sugerindo que a SAHOS contribui para o desenvolvimento de Diabetes;

2 Fatores Humorais adipocíticos: leptina e adiponectina: A leptina secretada palos adipócitos regulam o apetite, o peso e o metabolismo glicêmico. A hipóxia intermitente, estimula a secreção de leptina (hiperleptinemia) e pacientes com SAHOS tem resistência periférica à leptina e isto correlaciona-se com o grau de obesidade visceral e resistência à insulina. A leptina é um estimulante respiratório e a resistência a esse hormônio contribui com a instabilidade ventilatória. Obesidade, hipóxia e fragmentação do sono, inibem a secreção de adiponectina que regula o metabolismo glicêmico e melhora o rendimento da insulina;

3 Hiperatividade autonômica e desregulação do eixo hipófise-adrenal: Alterações hemodinâmicas, fragmentação do sono e hipóxia intermitente, estimulam intensamente o sistema nervoso autonômico, influenciando o metabolismo e homeostase glicêmica. Isto aumenta o catabolismo do glucogênio, estimula a secreção  do hormônio corticotrófico aumentando o cortisol e seus efeitos na secreção da insulina.

4  Endocrinopatias: Alterações tiroidianas em mulheres menopausadas, redução de libido e impotência em homens, acromegalia em ambos os sexos.

Alterações neurocognitivas : Os déficts mais freqüentes estão relacionados com  a memória , atenção e funções executivas.

Referências:

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22
Set

 Apnéia Obstrutiva do Sono - Parte 4. SAHOS - Conceitos

Categoria(s): Neurogeriatria, Otogeriatria, Pneumogeriatria

Resenha

Síndrome da Apnéia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono em Idosos

Colaboradora: Astrid de Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Síndrome da Apnéia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono (SAHOS)

A definição da Academia Americana de Medicina do Sono (AAMS) para a SAHOS, refere  que é caracterizada por episódios recorrentes de obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores durante o sono. Manifesta-se como uma redução (hipopnéia) ou cessação completa (apnéia) do fluxo aéreo, apesar da manutenção dos esforços inspiratórios. A falta de uma ventilação adequada resulta em dessaturação da oxi-hemoglobina e casos de eventos prolongados, em hipercapnia, terminando com os despertares que levam à fragmentação do sono por serem freqüentes. Acredita-se que dentre os sintomas diurnos, a sonolência excessiva, relaciona-se com a fragmentação do sono e também com a hipoxemia recorrente.

No período inicial da apnéia, pode haver ausência do esforço respiratório seguido de um aumento gradual do esforço contra uma via aérea superior ocluída. Estes eventos denominam-se de Apnéias Mistas e estão fisiopatologicamente relacionados às Apnéias Obstrutivas, sendo considerados como parte da SAHOS (AAMS, 1999).

A Polissonografia Assistida é o padrão ouro para o diagnóstico desta Síndrome, a SAHOS, que é classificada como leve, moderada e grave de acordo com os índices de apnéia e hipopnéia (IAH) por hora de sono.

Apnéia Leve: O paciente apresenta entre 5 a 15 IAH/hora; a sonolência diurna ou episódios de sono involuntários ocorrem durante atividades que requerem pouca atenção. Ex. assistir à televisão, ler, andar em veículo como passageiro.

Apnéia Moderada: Apresenta entre 15 a 30 IAH/hora, os sintomas produzem discreta alteração da função social ou ocupacional, os episódios de sono ocorrem durante atividades que requerem alguma atenção. Ex.assistir a eventos sociais.

Apnéia Grave: Apresenta acima de 30 IAH/hora; a sonolência diurna ou os episódios de sono voluntário ocorrem em atividades que requerem maior atenção. Ex. comer, dirigir, conversar,

Tratamento - O principal tratamento da SAHOS foi empregado por Sullivan em 1981 e consiste no emprego da Pressão Aérea Positiva pelo CPAP (continous positive airway pressure), aplicada nas vias aéreas superiores por intermédio de uma máscara nasal, impedindo o colabamento da faringe.

Atualmente tem sido a modalidade terapêutica de escolha para a SAHOS moderada ou grave.

Outro achado relevante na SAHOS, é sua maior prevalência em indivíduos de meia idade e do sexo masculino. Incide de 7 a 10 vezes mais que nas mulheres. Em geral, a sintomatologia na mulher pode ser diferente, pois a fadiga predomina sobre a sonolência e são mais resistentes à forma grave da SAHOS.
Um dos principais fatores de risco para a SAHOS é a obesidade, mas existiam dúvidas se as alterações neuroendócrinas encontradas em pacientes com SAHOS, eram somente conseqüências da obesidade. Hoje, cada vez mais,se evidência que a SAHOS contribui para o desenvolvimento de doenças neuroendócrinas e cardiovasculares.

Referências:

Tufik, S. Medicina e Biologia do Sono;  Instituto do sono SP:cap.20-26; pag.240-305: ed. Manole, 2008

I CONSENSO BRASILEIRO DE RONCO E APNEIA DO SONO,2000. In:Sociedade Brasileira do Sono.[on line]

Alfredo, C. Neto, L. T. Consulta Geib; Sono e Envelhecimento. Ver. Psiquiatria. RS, 25(3):453-465, set/dez.2003

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21
Set

 Apnéia Obstrutiva do Sono - Parte 3. Distúrbios do Sono e alterações Comportamentais

Categoria(s): Neurogeriatria, Otogeriatria, Pneumogeriatria

Resenha

Síndrome da Apnéia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono em Idosos

Colaboradora: Astrid de Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Distúrbios do Sono e alterações Comportamentais

A privação do sono, teve seus estudos iniciais em 1894 por Marie de Manacéine realizada em animais, prosseguindo ainda em 1912 com uma série de estudos de alteração do comportamento em cães, passados um período de privação do sono. Em 1953, Aserinsk e kleitman  identificaram o sono REM no homem e puderam comprovar as pesquisas mediante a supressão dessa fase do sono.

Sabemos hoje que a privação do sono interfere negativamente na qualidade de vida do homem e na produtividade, também no aumento do índice de acidentes.

O primeiro estudo de privação seletiva de sono no homem, foi realizado por Dement (1960) e consistia em acordar os voluntários no início de cada episódio do sono REM. A importância em estudar sobre a privação do sono, é para melhor compreensão da função fisiológica de imunorreguladores endógenos durante o sono, e seus efeitos para o sistema imunológico uma vez que se verifica ser uma condição da atualidade, ou seja, houve uma diminuição progressiva e importante na média de duração do sono nas últimas décadas na população em geral, afetando também a população idosa.

Os fatores que contribuem para a instalação dos distúrbios do sono em idosos, são as alterações metabólicas e hormonais, os medicamentos (opiáceos), dores e mudanças do ambiente (ex. internação hospitalar), etc. Afetando o sistema imunológico, o organismo torna-se mais susceptível à infecções oportunistas.

Os efeitos neurofisiológicos da privação do sono incluem: excitabilidade, irritabilidade e dificuldade de concentração. Há trabalhos recentes que provam a estreita relação entre sono paradoxal ou REM e a consolidação da memória.

Em 1980, Miles e Dement relataram em estudos, que 90% da população idosa acima de 65 anos apresentavam queixas e problemas de sono, com fragmentação do sono noturno e inúmeros despertares. Como conseqüência desta fragmentação, o idoso desenvolve um grau de sonolência fisiológica diurna, consequentemente com alterações no padrão de sono, desenvolvendo os distúrbios, pois ele apresentará diminuição na capacidade de dormir. Outras alterações que interferem com o padrão do sono são: os problemas respiratórios durante o sono; aumento da atividade mioclônica noturna; mudanças de fase do sono; depressão e demências; dores e limitação da mobilidade, hábitos de sono insatisfatórios; refluxos gastroesofágicos; causas iatrogênicas e causas ambientais.

Dentre os distúrbios mais freqüentes nos idosos, estão as insônias, as parassonias, a hipersonia, os distúrbios do movimento noturno (síndrome das pernas inquietas) e a apnéia do sono.

Parassonias: São pouco freqüente nos idosos, considerado como distúrbios motores e autossômicos do sono por Parkes em 1986. Dizem respeito à mioclonias, (movimentos involuntários assimétricos e com assincronias na face, braços e pernas) sonambulismo, fala noturna pesadelos e confusão mental noturna.

Hipersonias: É manifestado pelo fato de dormir demais.

No idoso, a manifestação da hiperssonia, é a sonolência excessiva por dificuldade em manter a vigília e isso pode trazer conseqüências graves para o idoso, devido aumentar os riscos de acidentes domésticos e como conseqüência, aumentar o risco de mortalidade.

Apnéia do Sono
: é caracterizado por um padrão respiratório anormal.

Referências:

Tufik, S. Medicina e Biologia do Sono;  Instituto do sono SP:cap.20-26; pag.240-305: ed. Manole, 2008

I CONSENSO BRASILEIRO DE RONCO E APNEIA DO SONO,2000. In:Sociedade Brasileira do Sono.[on line]

Alfredo, C. Neto, L. T. Consulta Geib; Sono e Envelhecimento. Ver. Psiquiatria. RS, 25(3):453-465, set/dez.2003

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