Arquivo de Otogeriatria

23
Set

 Apnéia Obstrutiva do Sono - Parte 5. Aspectos clínico

Categoria(s): Neurogeriatria, Otogeriatria, Pneumogeriatria

Resenha

Síndrome da Apnéia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono em Idosos

Colaboradora: Astrid de Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Na SAHOS ocorre uma variedade de achados clínicos e noturnos observados. Os sinais e sintomas mais comuns  são o ronco, a sonolência excessiva e as pausas respiratórias durante o sono. Outros sintomas associados, são o sono não reparador, alterações das funções cognitivas (déficit de atenção, concentração e memória), nictúria, cefaléia matinal e alterações do humor.

O sinal noturno dominante é o ronco, geralmente entrecortado por períodos de silêncio que duram de 10 a 30 segundos.É um ronco alto e prejudica o sono do companheiro e de familiares. Nos idosos, a SAHOS tem um impacto clínico incerto a despeito de sua prevalência. Ancoli – Israel et al. Constataram que o índice de apnéia hipopnéia é maior que10 em 62% dos idosos com mais de 65 anos.

O sintoma diurno mais importante é a sonolência excessiva, que se evidencia mais quando o paciente encontra-se em situação relaxada. Com sonolência extrema, o paciente adormece em situações ativas, sendo esta a maior causa de mortalidade pela SAOS. A intensidade da sonolência varia de um paciente para outro e existem questionários específicos que vem sendo utilizados na prática clínica e que avaliam a quantificação do sintoma da sonolência excessiva. Por exemplo, a escala de Sonolência de Epworth que avalia oito situações do cotidiano (que requerem pouca atenção, até um grau elevado de concentração, com chance de adormecer). A soma do score total varia de 0-24 sendo que acima do score 10, sugere sonolência diurna excessiva.

A Obesidade é fator predisponente para a SAHOS, principalmente a obesidade central (aumento da circunferência abdominal) e aumento da circunferência do pescoço. As anormalidades craniofaciais (hipoplasia maxilomandibular, aumento do tecido mole e do tecido linfóide da laringe), alterações neuroendócrinas (hipotireoidismo,acromegalia) e história familiar.

Os episódios de apnéia caracterizam-se pela cessação ou diminuição do fluxo respiratório; os movimentos do tórax se mantém e o término da apnéia é associado ao ronco explosivo, parecendo engasgos. O ronco forte e a movimentação do corpo, podem perturbar o sono do companheiro, sendo que ele mesmo não percebe seu ronco e dificuldades respiratórias, mas normalmente queixam-se de insônia, cansaço pela manhã, boca seca e alguns de cefaléia com duração de 1 a 2 horas.

Um achado relevante para a SAHOS, é a prevalência em indivíduos do sexo masculino de meia idade com incidência de 7 a 10 vezes mais que nas mulheres. Há evidências de que o climatério é fator de risco para a SAHOS.

A hipertensão arterial sistêmica (HAS), hipertensão Pulmonar, arritmias cardíacas relacionadas ao sono, angina noturna, refluxo gastroesofágico, prejuízo da qualidade de vida e insônia, são todos fatores associados.

Complicações Cardiovasculares

Pacientes com SAHOS apresentam altos índices de mortalidade (pacientes com síndrome da Obesidade-Hipoventilação), em geral por insuficiência cardiopulmonar, embolia pulmonar e insuficiência renal. A morte tem sido também atribuída ao uso de medicação sedativa em especial no período pré-operatório. O maior impacto na morbimortalidade pela SAHOS são os acidentes automobilísticos e em menor escala, os acidentes de trabalho causados pela hipersonolência, além do uso de medicação sedativa. Apesar disto, a associação entre morte e apnéia do sono obstrutiva não está ainda bem clara.

A conseqüência cardiovascular da SAHOS tem sido demonstrada na literatura e a HAS,tem sido um achado comum para estes pacientes, prevalecendo em 40 a 60% dos casos não tratados. Entre os hipertensos, um terço sofre da SAHOS ( Hila et al).

Existem dois grandes estudos epidemiológicos (Wiscosin e Sleep Heart and Health) que concluíram que a associação entre hipertensão e apnéia obstrutiva é independente dos outros fatores de risco como a  obesidade, idade, consumo de álcool e cigarro e que segue um padrão crescente de dose-resposta em função da gravidade da SAHOS.

Hipertensão e SAHOS presentes no mesmo indivíduo geralmente demonstram, atravéz de estudos transversais que ocorrem mais em pacientes velhos, obeso e com maior prevalência para o diabetes. Estando também associada ao risco aumentado de morte súbita e risco de FA (fibrilação atrial). Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) e doença isquêmica do miocárdio, estão associados arritmias cardíacas, bradicardia sinusal acentuada durante o sono e associada à hipoxemia, assistolia de até 13 segundos, bloqueio átrio-ventricular de segundo grau, extrassístoles ventriculares isoladas e bigeminadas também tem sido documentados.

O aumento do risco para Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) e doença isquêmica do miocárdio., estão associados às apnéias e ronco, mas é ainda bastante discutido tendo necessidade de mais estudos epidemiológicos controlados.

Alterações Metabólicas

1 Resistência à insulina e intolerância à glicose, sugerindo que a SAHOS contribui para o desenvolvimento de Diabetes;

2 Fatores Humorais adipocíticos: leptina e adiponectina: A leptina secretada palos adipócitos regulam o apetite, o peso e o metabolismo glicêmico. A hipóxia intermitente, estimula a secreção de leptina (hiperleptinemia) e pacientes com SAHOS tem resistência periférica à leptina e isto correlaciona-se com o grau de obesidade visceral e resistência à insulina. A leptina é um estimulante respiratório e a resistência a esse hormônio contribui com a instabilidade ventilatória. Obesidade, hipóxia e fragmentação do sono, inibem a secreção de adiponectina que regula o metabolismo glicêmico e melhora o rendimento da insulina;

3 Hiperatividade autonômica e desregulação do eixo hipófise-adrenal: Alterações hemodinâmicas, fragmentação do sono e hipóxia intermitente, estimulam intensamente o sistema nervoso autonômico, influenciando o metabolismo e homeostase glicêmica. Isto aumenta o catabolismo do glucogênio, estimula a secreção  do hormônio corticotrófico aumentando o cortisol e seus efeitos na secreção da insulina.

4  Endocrinopatias: Alterações tiroidianas em mulheres menopausadas, redução de libido e impotência em homens, acromegalia em ambos os sexos.

Alterações neurocognitivas : Os déficts mais freqüentes estão relacionados com  a memória , atenção e funções executivas.

Referências:

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Apnéia Obstrutiva do Sono - Parte 4. SAHOS - Conceitos
Apnéia Obstrutiva do Sono - Parte 3. Distúrbios do Sono e alterações Comportamentais
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A obesidade e a apnéia obstrutiva do sono
Apnéia do Sono nos Idosos - Parte 6. Métodos diagnósticos

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22
Set

 Apnéia Obstrutiva do Sono - Parte 4. SAHOS - Conceitos

Categoria(s): Neurogeriatria, Otogeriatria, Pneumogeriatria

Resenha

Síndrome da Apnéia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono em Idosos

Colaboradora: Astrid de Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Síndrome da Apnéia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono (SAHOS)

A definição da Academia Americana de Medicina do Sono (AAMS) para a SAHOS, refere  que é caracterizada por episódios recorrentes de obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores durante o sono. Manifesta-se como uma redução (hipopnéia) ou cessação completa (apnéia) do fluxo aéreo, apesar da manutenção dos esforços inspiratórios. A falta de uma ventilação adequada resulta em dessaturação da oxi-hemoglobina e casos de eventos prolongados, em hipercapnia, terminando com os despertares que levam à fragmentação do sono por serem freqüentes. Acredita-se que dentre os sintomas diurnos, a sonolência excessiva, relaciona-se com a fragmentação do sono e também com a hipoxemia recorrente.

No período inicial da apnéia, pode haver ausência do esforço respiratório seguido de um aumento gradual do esforço contra uma via aérea superior ocluída. Estes eventos denominam-se de Apnéias Mistas e estão fisiopatologicamente relacionados às Apnéias Obstrutivas, sendo considerados como parte da SAHOS (AAMS, 1999).

A Polissonografia Assistida é o padrão ouro para o diagnóstico desta Síndrome, a SAHOS, que é classificada como leve, moderada e grave de acordo com os índices de apnéia e hipopnéia (IAH) por hora de sono.

Apnéia Leve: O paciente apresenta entre 5 a 15 IAH/hora; a sonolência diurna ou episódios de sono involuntários ocorrem durante atividades que requerem pouca atenção. Ex. assistir à televisão, ler, andar em veículo como passageiro.

Apnéia Moderada: Apresenta entre 15 a 30 IAH/hora, os sintomas produzem discreta alteração da função social ou ocupacional, os episódios de sono ocorrem durante atividades que requerem alguma atenção. Ex.assistir a eventos sociais.

Apnéia Grave: Apresenta acima de 30 IAH/hora; a sonolência diurna ou os episódios de sono voluntário ocorrem em atividades que requerem maior atenção. Ex. comer, dirigir, conversar,

Tratamento - O principal tratamento da SAHOS foi empregado por Sullivan em 1981 e consiste no emprego da Pressão Aérea Positiva pelo CPAP (continous positive airway pressure), aplicada nas vias aéreas superiores por intermédio de uma máscara nasal, impedindo o colabamento da faringe.

Atualmente tem sido a modalidade terapêutica de escolha para a SAHOS moderada ou grave.

Outro achado relevante na SAHOS, é sua maior prevalência em indivíduos de meia idade e do sexo masculino. Incide de 7 a 10 vezes mais que nas mulheres. Em geral, a sintomatologia na mulher pode ser diferente, pois a fadiga predomina sobre a sonolência e são mais resistentes à forma grave da SAHOS.
Um dos principais fatores de risco para a SAHOS é a obesidade, mas existiam dúvidas se as alterações neuroendócrinas encontradas em pacientes com SAHOS, eram somente conseqüências da obesidade. Hoje, cada vez mais,se evidência que a SAHOS contribui para o desenvolvimento de doenças neuroendócrinas e cardiovasculares.

Referências:

Tufik, S. Medicina e Biologia do Sono;  Instituto do sono SP:cap.20-26; pag.240-305: ed. Manole, 2008

I CONSENSO BRASILEIRO DE RONCO E APNEIA DO SONO,2000. In:Sociedade Brasileira do Sono.[on line]

Alfredo, C. Neto, L. T. Consulta Geib; Sono e Envelhecimento. Ver. Psiquiatria. RS, 25(3):453-465, set/dez.2003

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21
Set

 Apnéia Obstrutiva do Sono - Parte 3. Distúrbios do Sono e alterações Comportamentais

Categoria(s): Neurogeriatria, Otogeriatria, Pneumogeriatria

Resenha

Síndrome da Apnéia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono em Idosos

Colaboradora: Astrid de Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Distúrbios do Sono e alterações Comportamentais

A privação do sono, teve seus estudos iniciais em 1894 por Marie de Manacéine realizada em animais, prosseguindo ainda em 1912 com uma série de estudos de alteração do comportamento em cães, passados um período de privação do sono. Em 1953, Aserinsk e kleitman  identificaram o sono REM no homem e puderam comprovar as pesquisas mediante a supressão dessa fase do sono.

Sabemos hoje que a privação do sono interfere negativamente na qualidade de vida do homem e na produtividade, também no aumento do índice de acidentes.

O primeiro estudo de privação seletiva de sono no homem, foi realizado por Dement (1960) e consistia em acordar os voluntários no início de cada episódio do sono REM. A importância em estudar sobre a privação do sono, é para melhor compreensão da função fisiológica de imunorreguladores endógenos durante o sono, e seus efeitos para o sistema imunológico uma vez que se verifica ser uma condição da atualidade, ou seja, houve uma diminuição progressiva e importante na média de duração do sono nas últimas décadas na população em geral, afetando também a população idosa.

Os fatores que contribuem para a instalação dos distúrbios do sono em idosos, são as alterações metabólicas e hormonais, os medicamentos (opiáceos), dores e mudanças do ambiente (ex. internação hospitalar), etc. Afetando o sistema imunológico, o organismo torna-se mais susceptível à infecções oportunistas.

Os efeitos neurofisiológicos da privação do sono incluem: excitabilidade, irritabilidade e dificuldade de concentração. Há trabalhos recentes que provam a estreita relação entre sono paradoxal ou REM e a consolidação da memória.

Em 1980, Miles e Dement relataram em estudos, que 90% da população idosa acima de 65 anos apresentavam queixas e problemas de sono, com fragmentação do sono noturno e inúmeros despertares. Como conseqüência desta fragmentação, o idoso desenvolve um grau de sonolência fisiológica diurna, consequentemente com alterações no padrão de sono, desenvolvendo os distúrbios, pois ele apresentará diminuição na capacidade de dormir. Outras alterações que interferem com o padrão do sono são: os problemas respiratórios durante o sono; aumento da atividade mioclônica noturna; mudanças de fase do sono; depressão e demências; dores e limitação da mobilidade, hábitos de sono insatisfatórios; refluxos gastroesofágicos; causas iatrogênicas e causas ambientais.

Dentre os distúrbios mais freqüentes nos idosos, estão as insônias, as parassonias, a hipersonia, os distúrbios do movimento noturno (síndrome das pernas inquietas) e a apnéia do sono.

Parassonias: São pouco freqüente nos idosos, considerado como distúrbios motores e autossômicos do sono por Parkes em 1986. Dizem respeito à mioclonias, (movimentos involuntários assimétricos e com assincronias na face, braços e pernas) sonambulismo, fala noturna pesadelos e confusão mental noturna.

Hipersonias: É manifestado pelo fato de dormir demais.

No idoso, a manifestação da hiperssonia, é a sonolência excessiva por dificuldade em manter a vigília e isso pode trazer conseqüências graves para o idoso, devido aumentar os riscos de acidentes domésticos e como conseqüência, aumentar o risco de mortalidade.

Apnéia do Sono
: é caracterizado por um padrão respiratório anormal.

Referências:

Tufik, S. Medicina e Biologia do Sono;  Instituto do sono SP:cap.20-26; pag.240-305: ed. Manole, 2008

I CONSENSO BRASILEIRO DE RONCO E APNEIA DO SONO,2000. In:Sociedade Brasileira do Sono.[on line]

Alfredo, C. Neto, L. T. Consulta Geib; Sono e Envelhecimento. Ver. Psiquiatria. RS, 25(3):453-465, set/dez.2003

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20
Set

 Apnéia Obstrutiva do Sono - Parte 2. Fisiologia corporal durante o Sono

Categoria(s): Neurogeriatria, Otogeriatria, Pneumogeriatria

Resenha

Síndrome da Apnéia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono em Idosos

Colaboradora: Astrid de Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Durante o sono, o SNC encontra-se em intensa atividade enquanto o corpo se mantém imóvel pela inibição de suas funções atravéz das fases REM e NREM, acompanhando os ciclos do sono. Apesar do bloqueio motor que leva à imobilidade, o corpo se movimenta dezenas de vezes, o que impede as isquemias regionais do corpo evitando lesões, pois evitam a compressão das artérias.

Na fase dos sonhos (REM), o movimento ocular está presente sendo o mais peculiar dos movimentos que define a atividade onírica. Movimentos da face, mãos e pés, também estão presentes.

Sistema Respiratório

Na vigília, o Sistema Respiratório é controlado pelos comandos ventilatórios voluntários (córtex cerebral) e involuntários ou metabólicos (Tronco cerebral) que responde à hipoxemia, hipercapnia e acidose além de ter influência mecânica da caixa torácica e do parênquima pulmonar. Ocorre ainda durante o sono, perda do controle voluntário e diminui a resposta ventilatória do controle metabólico, hipotonia dos músculos respiratórios (VAS, intercostais e acessórios), levando ao estado fisiológico da hipoventilação.Quando durante o sono, a respiração é intensa, divide-se o sono NREM em instável e NREM estável e REM.

Na fase NREM instável (estágio I), observa-se aumento  do padrão respiratório (hiperventilação) ediminuição da amplitude da ventilação (hipoventilação) seguido de apnéias centrais curtas. A hiperventilação está relacionado com a vigília e a hipoventilação com o sono. Dura de 10 a 20 minutos e desaparece com o aprofundamento e estabilização do sono. Isto ocorre porque na vigília exige-se níveis menores de gás carbônico( PaCO2), e no sono requer maiores níveis de PaCO2. Resultado nesta fase é uma diminuição discreta da ventilação com aumento discreto do PaCO2 e redução  da pressão parcial do Oxigênio (O2) (PaO2).

Na fase NREM estável (estágio II, III, IV) observa-se uma regularidade na frequência e amplitude respiratória , um decréscimo na ventilação, sendo progressiva com o decorrer dos estágios I a IV. Contribui para esta hipoventilação, a caixa torácica e aumento na resistência das vias aéreas superiores.

Sistema digestivo

O sistema digestivo também sofre alterações pela diminuição da influência do SNC. De modo geral, o sono reduz a atividade do Sistema digestivo, pois inibe o fluxo da saliva. Associado à isto, ocorre redução na frequência de deglutição, diminuindo o número de contrações primárias. (Kahrilas et al., 1987; Castiglione et al.,1993).

Essa associação é importante, pois quando ocorre refluxo gastroesofágico, estando diminuído a produção de saliva e as contrações primárias, prejudicará a retirada e neutralização do material refluído para o esôfago. Este demora a perceber a presença do refluxo ácido e sua resposta é precedida pelo despertar.

As contrações secundárias (Esôfago) espontâneas, são provocadas pelas contrações do esôfago que também estão diminuídas durante o sono NREM. Na fase de sono REM, as contrações secundárias tem a mesma frequência que uma pessoa acordada. Alguns estudos demonstram que o esvaziamento gástrico é mais rápido durante o sono REM e mais lento ao despertar.

Quanto à motilidade intestinal, durante a noite, ela é mais regular, mas estudos demonstram que durante o sono a atividade do cólon está diminuída( cólon transverso, descendente e sigmóide). Com o despertar espontâneo, ocorre o aumento da atividade e com o despertar abrupto, as contrações peristálticas são segmentares.

Durante o sono pós-prandial( após as refeições), a atividade do intestino diminui e estudos demonstram que isso ocorre, pela diminuição do tônus vagal no intestino, apesar de ainda não ser completamente bem conhecido esse mecanismo, mas há possibilidades de que seja pela liberação de hormônios gastrintetinais como a Colecistocinina (Orr, 2000).

Sistema Endócrino

O impacto dos efeitos do sono no metabolismo dos hormônios, é ainda muito estudado uma vez que  em análises estudades, nota-se medidas sensíveis com o estadiamento polissonográfico., ou seja, sofrem variações. Hormonais de acordo com os efeitos sofridos durante o sono. Exemplo, dormir após a refeição, período de privação do sono, etc, mas as principais alterações na fisilogia endócrina que ocorrem durante o sono serão descritas a seguir.

Hormônio do crescimento (GH)
: É secretado pela hipófise anterior, controlada pelo hipotálamo que secreta um fator de liberaçãodo Hormônio do crescimento enquanto sua liberação é controlada pela somatostatina. O GH é produzido durante toda a vida. A concentração plasmática atinge o pico máximo em 90 minutos após o início do sono, estando este pico relacionado com o sono de ondas lentas(estágios 3 e 4 do sono NREM).

A secreção de GH nas primeiras horas de sono ocorrem independente de o início do sono estar atrasado, adiantado ou interrompido, mas nota-se que a privação do mesmo resulta em em uma diminuição na liberação destes hormônios, com discreto aumento no dia subsequente (efeito rebote). Seus efeitos no metabolismo do corpo são: Aumenta a síntese de proteínas das células; Diminui a intensidade de utilização dos carboidratos; Metaboliza mais gorduras para a produção de energia.

Em homens, a liberação ocorre logo após o início do sono sendo secretado num único pulso em 24 horas, enquanto nas mulheres a liberação é mais frequente, ocorre também durante o sono, mas não constituem a maioria de sua liberação.

Hormônio adrenocorticotrópico (ACTH): É secretado pela hipófise e controla hormônio do córtex supra renal, o Cortisol.. Responde pelo aumento do número de células da supra renal assim como seu grau de atividade, resultando no aumento da produção do hormônio do córtex supra renal, que contém substâncias gordurosas e alta proporção de colesterol. Portanto os hormônios secretados.pelas células do córtex supra renal são: Glicocorticóides (cortisol), Mineralocorticóides (aldosterona) e Androgênicos (testosterona).

Cortisol: Atinge maior nível às primeiras horas da manhã e menores níveis no início do sono . A reatividade do ACTH e a secreção do cortisol ocorre no período queantecede o horário de acordar. Estudos referentes aos distúrbios do sono demonstram que despertares durante o período de sono disparam pulsos de secreção de cortisol.

Aldosterona: Tem a função de regular a concentração dos íons sódio e potássio no líquido extracelular. O sistema renina-angiotensina e sistema adrenenocorticotrópico influem no perfil de liberação da aldosterona, onde seu efeito aumenta os íons sódio e diminui os íons potássio. (Armbruster et al.,1975). Os maiores picos de aldosterona coincidem com os picos de cortisol, e desse modo acredita-se que haja uma ritmicidade circadiana entre estes hormônios(Grim et al., 1974; Lightman et al, 1981).

Testosterona: No início do sono a concentração plasmática é baixa sendo que os níveis máximos ocorrem nas primeiras horas da manhã. Seu aumento noturno parece estar relacionado com a latência parao primeiro episódio do sono REM. Quando avaliado a concentração da testosterona num estudo de fragmentação do sono em homens jovens, notou-se uma atenuação do aumento noturno nos indivíduos que não atingiram o estágio REM do sono.

Hormônios Gonadotrópicos: Os hormônios gonadotrópicos são. os hormônios foliculoestimulante (FSH) e o hormônio luteinizante(LH). Como função, têm  como base, estimular o crescimento folicular ovariano, causando atividade secretora nessas células (estrogênio). No homem o FSH responde pelo início da espermatogênese e o LH pela secreção de testosterona. O FSH e LH não possuem ritmo circadiano distinto; não possuem variaçoes entre o dia e a noite (no homem). Nas mulheres a variação nos níveis de LH é modulada pelo ciclo menstrual.

Progesterona: Atua na reprodução, na qualidade do sono, humor, memória, aprendizagem, apetite, atividade sexual e é um potente estimulante do sistema respiratório. Foi associado à diminuição do número de apnéias centrais e obstrutivas em homens. (Andersen et al, 2006).

Sono e Reposição Hormonal: A terapia de reposição hormonal ( estrogênio e progesterona) atua de modo benéfico na qualidade do sono e na presença de distúrbios respiratórios do sono.Mostrou redução na queixa subjetiva de ronco em mulheres na menopausa. (Campos et al., 2005).

Prolactina: Secretado pela hipófise anterior,e apresenta padrão sono dependente com altas concentrações durante o sono eé reduzido na vigília.. Atinge pico máximo nas primeiras horas da manhã e sua secreção é suprimida pela dopamina.

Concentrações noturnas diminuidas de prolactina estão associados ao sono fragmentado.

Hormônio Tiroestimulante(TSH): Secretado pela hipófise anterior, tem a função de controlar a secreção da glândula tireóide, produzindo aumento das células tireoidianas.

O ritmo circadiano para a secreção de TSH é descrito de modo distinto a concentração do TSH é reduzido durante o dia e aumentada à noite, atingindo valor máximo próximo ao início do sono, valores mínimos nas primeiras horas da manhã, com declínio gradual, evidenciando uma ação inibitória do sono (Luke et al, 1976).

Sistema Renal

O rim tem como função, filtrar grandes quantidades de líquido do plasma, realizando a filtração dos constituintes necessários, reabsorvendo-os e eliminando o conteúdo que não  for aproveitado, atravéz da urina, que contém produtos finais do metabolismo altamente concentrados. Ex: uréia, creatinina, ácido úrico, fosfatos, sulfatos e excessos de ácidos. O fluxo de urina e a excreção de eletrólitos, costuma ser maior durante o dia que a noite e a osmolaridade oscila com o ciclo REM e NREM, sendo que o sono REM é associado com a diminuição do fluxo de urina.

Temperatura Corporal

Existe uma relação entre o ciclo sono-vigília, o ritmo circadiano e termorregulação. O hipotálamo exerce o controle termorregulatório do nosso organismo assim como exerce influência nos mecanismos regulatórios do sono.

No início do sono, a temperatura corporal se reduz e observa-se também menores temperaturas no terceiro ciclo do sono, sendo que a menor regulação da temperatura ocorre no Estágio REM, onde o sistema hipotalâmico e cortical estão inativados.

Outros sistemas interagem independente do controle termorregulatório e alteram o fluxo sanguíneo, a pressão sanguínea o tônus vasomotor periférico.

Referências:

Tufik, S. Medicina e Biologia do Sono -  Instituto do sono. cap.20-26:240-305: ed. Manole, 2008

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19
Set

 Apnéia Obstrutiva do sono - Parte 1. Sono e Envelhecimento

Categoria(s): Neurogeriatria, Otogeriatria, Pneumogeriatria

Resenha

Síndrome da Apnéia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono em Idosos

Colaboradora: Astrid de Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Sono e Envelhecimento

O estudo do Sono trata de uma área da medicina do conhecimento, que se encontra em constante evolução na história, e, desde remota era, já existia o interesse em se entender sobre este fenômeno (hoje sabido, estar relacionado com fenômenos fisiológicos), e provocava fascínio por todos os povos do mundo, no intuito de conhecer suas origens, o seu significado e o significado dos sonhos. Muitas  foram as interpretações abordadas em cada época da história, com explicações baseadas em experiências subjetivas, atravéz de atividades oníricas, originando mitos e explicações ilógicas referentes ao conhecimento do sono e sonhos.

A partir do momento histórico em que criou-se uma ciêcia mais organizada, criando-se métodos de estudos  adequados, é que tornou-se possível tratar do fenômeno  sono e sonhos, com mais objetividade científica, já, na antiga Grécia, atravéz dos filósofos estudiosos, Sócrates, Platão, Aristóteles, tendo os mesmos sido responsáveis pelas primeiras abordagens científicas a respeito dos estudos do Sono.
Hoje sabemos que o sono é fundamental para a manutenção fisiológica e homeostática do organismo humano, sendo que sua privação desenvolve alterações negativas para a qualidade de vida dos idosos (aqui tratados como tema central deste trabalho), pois sofrem  maior restrição orgânica devido aspectos relacionados com o envelhecimento, com doenças associadas e desencadeadas por anormalidades do sono fisiológico.

Estas anormalidades, acomete 45% da população idosa acima dos 60 anos, respectivamente, e acima dos 65 anos, mais de 50%. (Ohayon et al., 2004).

É um impacto altamente negativo para a população idosa, uma vez que cria déficitis emocionais importantes que irão interferir em sua qualidade de vida, pela repercussão nas funções psicológicas, imunológicas, comportamentais, alterando o balanço homeostático do organismo, gerando distúrbios relacionados ao padrão do sono, incluindo, desconforto físico ou dor, dificuldades para reiniciar o sono noturno, despertares precoces, fadiga diurna, cochilos diurnos, comprometimento cognitivo e distúrbios da memória e atenção.

A estrutura do sono altera-se de forma contínua ao longo de toda a vida e esta é a principal  queixa da população idosa. Existe uma tendência em se considerar as alterações do sono do idoso como  fruto do envelhecimento normal, portanto, uma dificuldade em se estabelecer quais as reais alterações são fruto do envelhecimento normal e quais são decorrentes de morbidades instaladas (Bachman, 1992).

Para identificar e evitar erros na conceituação destes , não se utiliza mais referir-se aos idosos, como idosos normais. Criou-se a nomenclatura de Envelhecimento Saudável ou Envelhecimento Normal, para aqueles, no qual está preservado a boa qualidade de vida e onde não ocorre doenças que limitam sua independência, tais como os distúrbios do sono, doenças psiquiátricas ou clínicas (Reynolds et al, 1991).

As alterações do sono no idoso não devem ser consideradas como eventos normais no processo de senescência, pois isto contribuiria para o subdiagnóstico dos DS, levando ao aumento no consumo de drogas hipnóticas, que nem sempre são prescritas e sendo  consumidas sem observância da sensibilidade farmacodinâmica da idade.

São drogas com grande risco de efeitos colaterais e interações medicamentosas, consumidas concomitante com muitas outras drogas e ou medicamentos, ( polifarmácia), levando ao aumento do risco para o processo de saúde-doença.

Referências:

Tufik, S. Medicina e Biologia do Sono;  Instituto do sono SP:cap.20-26; pag.240-305: ed. Manole, 2008

I CONSENSO BRASILEIRO DE RONCO E APNEIA DO SONO,2000. In:Sociedade Brasileira do Sono.[on line]

Alfredo, C. Neto, L. T. Consulta Geib; Sono e Envelhecimento. Ver. Psiquiatria. RS, 25(3):453-465, set/dez.2003

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