Arquivo de Ortopedia geriátrica





23 - jul

Dor ombro e braço – Atrofia de Sudeck

Categoria(s): Doença de causa desconhecida, Especialidades Médicas, Fisioterapia, Neurologia geriátrica, Ortopedia geriátrica, Reumatologia geriátrica

Síndrome Dolorosa Complexa Regional (SDCR)

Atrofia de Sudeck

RSD3A Síndrome Dolorosa Complexa Regional (SDCR), assim denominada a partir de 1994 pelo Consenso da Associação Internacional para o Estudo da Dor (AIED). Esta doença, cujo mecanismo que estimula seu surgimento ainda não é claro, vem recebendo diversas terminologias, tais como Causalgia, Algodistrofia, Atrofia de Sudeck, Síndrome ombro-mão, Neuroalgodistrofia, Distrofia simpática pós-traumática, é uma condição que pode durar anos, mas a recuperação em geral espontânea ocorre em 18 e 24 meses, onde são identificados três estágios.

  • Estágio I (reversível): Essa fase é observada a vasodilatação, dura 3 semanas a 6 meses. A dor é característica predominante, geralmente desproporcional à gravidade da lesão. Há sudorese (hiperidrose), calor, vermelhidão (eritema), crescimento anormal das unhas e inchaço nas mãos *.
  • Estágio II (distrófico ou de vasoconstrição): Essa etapa dura de 3 a 6 meses. Caracteriza-se por hiperatividade simpática, dor em queimação e Sensação de formigamento (hiperestesia) exacerbada pelo tempo frio. A mão apresenta-se rouxa (cianótica) e com manchas, as unhas quebradiças e ocorre o surgimento da osteoporose.
  • Estágio III (atrófico): Esse estágio é caraterizado por dor decrescente ou aumentada e por osteoporose grave. Pode ocorrer perda muscular e contraturas.

* Edema de punho e mão (figura) é secundário ao comprometimento circulatório dos sistemas linfáticos.

Fisiopatologia

A fisiopatologia ainda é incerta e pouco progresso tem sido observado no entendimento dos processos que ocorrem na doença. Postula-se que o fenômeno inicial seja o processo inflamatório desproporcional desencadeado após a uma lesão dos tecidos locais. A sensibilização das terminações nervosas (nociceptores) no local da lesão, que produz a Distrofia Simpática, se estabelece por causa de mediadores inflamatórios liberados como bradicinina, leucotrienos, serotonina, histamina e prostaglandinas; assim, como radicais livres de oxigênio produzidos no local.

Tratamento:

A SDCR por suas características peculiares mostra-se de tratamento difícil e pouco eficaz. Por ser um distúrbio progressivo, a melhor intervenção é a prevenção, quando se identificada a possibilidade do desenvolvimento da SDCR, como após a ocorrência de trauma de ombro. O objetivo primário de aliviar a dor, porém o paciente deve ser motivado para proteger o ombro e braço afetado minimizando edemas e a estagnação vascular.  O acompanhamento do paciente deve ser multidisciplinar e multiprofissional devido aos vários componentes envolvidos na doença. Logo, a avaliação psicológica e tratamento de seus distúrbios, quando presentes, garantem uma melhor adesão do paciente ao tratamento instituído.

sistema autonomicoSimpatectomia

As terapias farmacológicas são muitas, com variadas técnicas de aplicação. Classicamente, o bloqueio simpático é o mais utilizado – Bloqueio do gânglio estrelado**. Entre as várias técnicas de bloqueio simpático, citam-se: bloqueio ganglionar simpático, infusão venosa de fentolamina ou lidocaína, bloqueio venoso regional com guanetidina, clonidina, dexmedetomidina, reserpina ou corticóides. Os procedimentos cirúrgicos como a simpatectomia química ou cirúrgica têm respostas variadas, sendo indicados naqueles pacientes que respondem bem a outros bloqueios não ablativos, embora ocorra a reincidência da dor.

** Gânglio estrelado – O gânglio estrelado (ou gânglio cervicotorácico) é um gânglio simpático formado na maioria das vezes pela fusão do gânglio cervical inferior e do primeiro gânglio torácico (figura). O gânglio estrelado é localizado no nível de C7 (sétima vértebra cervical), anterior ao processo transverso de C7, posterior ao colo da primeira costela e logo abaixo da artéria subclávia.

Referências:


Francisco Carlos Obata Cordon FCO, Lemonica L.Síndrome Dolorosa Complexa Regional: Epidemiologia, Fisiopatologia, Manifestações Clínicas, Testes Diagnósticos e Propostas Terapêuticas. Rev Bras Anestesiol. 2002; 52: 5: 618 – 627. [on line]

Kemler MA, Vusse AC, Berg-Loonen EM et al – HLA-DQ1 associated with reflex sympathetic dystrophy. Neurology, 1999;53:

Payne R – Reflex Sympathetic Dystrophy Syndrome: Diagnosis and Treatment. Pain Syndromes in Neurology. London: Butterworks, 1990;107-129.

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25 - mar

Dores nas mãos – Contratura de Dupuytren

Categoria(s): Ortopedia geriátrica, Reumatologia geriátrica

Dores nas mãos – Contratura de Dupuytren

 

Fibrose de fáscia palmar

artroses das mãos

A doença foi inicialmente descrita por  Baron G. Dupuytren, é caracterizada por uma lesão nodular fibrosante na fáscia palmar que evolui para faixas fibrosas e se irradia distalmente para o quarto e quinto dedos, posteriormente para o terceiro e segundo. Os dedos ficam contraídos pelas faixas enrijecidas.

É mais comum em homens de meia-idade e idosos, podendo ser associada ao alcoolismo, a fatores genéticos e certas doenças inflamatórias crônicas e metabólicas, como no diabetes mellitus.

Inicia-se como um nódulo palmar sem contratura, evoluindo progressivamente para cordões e bandas espessadas da fáscia. Nos estágios avançados, nota-se contraturas e atrofia dos músculos das mãos e até mesmo de antebraços. Os pacientes normalmente referem diminuição da mobilidade dos dedos acometidos e algumas vezes dor local.

Deve-se fazer diagnóstico diferencial da Contratura de Dupuytren de alterações por deformidade congênita, cicatriz pós-traumática, contratura por imobilização, contratura isquêmica de Volkman e tenossinovite.

Tratamento

O tratamento depende inteiramente da severidade dos achados. Calor local, ultra-som e infiltração com corticosteróide podem ser benéficos no estágios iniciais. O procedimento cirúrgico, fasciotomia palmar, deve ser levado em consideração quando houver comprometimento funcional ou deformidade progressiva.

Referências:

Kapoor A, Sibbitt WL – Contractures in diabetes mellitus: the syndrome of limited joint mobility. Semin Arthritis Rheum 18: 168-80, 1989.

Starkman HS, Gleason RE, Rand LI et al – Limited joint mobility of the hand in patients with diabetes mellitus: relation to chronic complications. Ann Rheum Dis, 45: 130-5, 1986.

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24 - mar

Dores nas mãos – Tenossinovite de DeQuervain

Categoria(s): Fisioterapia, Ortopedia geriátrica, Reumatologia geriátrica

Dores nas mãos – Tenossinovite de DeQuervain

 

Lesão por atividades repetitivas das mãos

artroses das mãos

 

A Tenossinovite de DeQuervain é uma tenossinovite estenosante do abdutor longo do polegar ou extensor curto do polegar pode resultar de atividades repetitivas ou de trauma direto, que envolva movimentos de pinçamento do polegar e dedo indicador associado ao movimento do punho.

Sintomas

O paciente refere dor à palpação e, ocasionalmente, apresenta edema sobre o estilóde radial.

Tratamento

O tratamento inclui uso de órtese para repouso do punho, infiltração com corticosteróide e uso de antiinflamatório não hormonal (AINH).

 

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23 - mar

Dores nas mãos – Síndrome do Túnel do Carpo

Categoria(s): Fisioterapia, Neurologia geriátrica, Ortopedia geriátrica, Reumatologia geriátrica

Dores nas mãos – Síndrome do túnel do carpo

 

Compressão do nervo mediano – Formigamento nas mãos

artroses das mãos

 

A Síndrome do túnel do carpo  resulta da compressão do nervo mediano em sua passagem pelo túnel do carpo.

Sintomatologia

O quadro clínico mais típico se caracteriza por dor noturna em queimação que acorda o paciente, incitando-o a sacudir vigorosamente a mão, acompanhada de parestesias nos dedos de inervação sensitiva do nervo mediano, afetando o polegar, o segundo e terceiro dedos e metade radial do quarto dedo.

Tratamento

Para o tratamento da síndrome do túnel do carpo nos casos leves, a utilização que órtese no período noturno que mantenham o punho em posição neutra desempenha papel básico. O paciente deve ser orientado a evitar as atividades que determinem constante flexão do punho. Quando o tratamento clínico falha, a descompressão cirúrgica do túnel do carpo por liberação do ligamento transverso do carpo deve ser realizada.

Referências:

Werner RA, Andary M. Carpal tunnel syndrome:pathophysiology and clinical neurophysiology. Clin Neurophysiol 2002; 113: 1373-81.

Karolczak APB, Vaz MA, Freitas CR, Merlo ARC. Síndrome do Túnel do Carpo. Rev. bras. fisioter.2005, Vol.9 (2):117-122. [on line]

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21 - mar

Dores nas mãos – Lesão por Esforço Repetitivo (LER)

Categoria(s): Fisioterapia, Ortopedia geriátrica, Programa de saúde pública, Terapeuta ocupacional

Dores nas mãos – Lesão por Esforço Repetitivo (LER)

 

Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (DORT).

artroses das mãosO homem é o produto de três características fundamentais: um grande cérebro, a postura ereta e as mãos multifuncionais.  Assim, a mão é o principal instrumento por meio do qual o homem atua e transforma o mundo à sua volta. Para cumprir esse papel, a mão apresenta uma estrutura complexa, responsável por atividades que requerem precisão e fazem com que ela esteja sujeita a lesões que podem levar à dores e incapacidade funcional.

O  trabalho repetitivo pode ocasionar lesões agudas e crônicas no sistema musculoesquelético das mãos produzindo dores limitantes às suas funções do dia-a-dia. Estes distúrbios constituem a chamada lesão por esforço repetitivo (LER) e o distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT).

O esforço repetitivo pode produzir dois tipos de lesão: a causada de forma aguda, que pode ser traumática ou por instalação de fadiga muscular, que ocorre quando o nível de força aplicada é baixo, mas considerado acima da capacidade adaptativa do sistema muscular, e as lesões crônicas são consequências de sobrecargas musculoesqueléticas a longo prazo.

Uso do computador

O computador, o video-game e o telefone celular mudaram nossas vidas, porém com alto custo para as nossas mãos. Posturas estáticas e atividade muscular sustentada têm sido referidas como as mais importantes contribuições para as lesãoes nas mãos, entre usuários de computadores,em razão do fato de as atividades exercidas não estarem relacionadas a cargas pesadas, mas com cargas leves ou moderadas, porém repetitivas.

Fisiopatologia da lesão

Algumas evidências têm apontado para o acometimento de um tipo de fibra muscular em pacientes com DORT, sugerindo uma relação com a proporção de fibras musculares rápidas e lentas. Em indivíduos com mialgia foram encontradas fibras rápidas danificadas (sugerindo dano mitocondrial) no músculo trapézio superior, fibras lentas também danificadas, mas em maior quantidade, e níveis reduzidos de adenosina trifosfato (ATP) e adenosina difosfato (ADP). A hipótese de aumento na incidência de fibras lentas e de atrofia de fibras rápidas pode ser decorrente de uma resposta muscular à circulação prejudicada. Essa hipótese tem suporte no reduzido conteúdo de ATP e ADP na mialgia.

Fadiga de Baixa Freqüência (FBF)

Uma nova visão sobre o desencadeamento dos DORTs foi proposta como sendo relacionada a um tipo especial de fadiga chamado fadiga de baixa freqüência (FBF), que parece acometer as fibras de contração lenta (ou tipo I).

Estudo científicos tem mostrado uma relação entre movimentos repetitivos e a instalação de FBF.  Durante um dia simulado de trabalho  foi observada a existência de FBF em exercícios repetitivos de flexão de punho, sendo que o índice de FBF se mostrou abaixo dos níveis de controle 16 horas após encerrado o dia simulado de trabalho, demonstrando que a FBF ainda estava presente no início do segundo dia. O acúmulo da FBF no dia seguinte pode ser prejudicial e, após cinco dias, podendo resultar em sobrecarga sobre os tecidos, fator de risco para o estabelecimento dos DORTs  das mãos.

Tratamento

Órteses – A indicação de órteses é uma das formas mais eficazes de tratamento da lesão de repetição e seu princípio está baseado na redução dos movimentos extremos da articulação do punho. A prescrição desse equipamento está indicada em casos moderados, com pequeno bloqueio de condução nervosa. Deve ser usado sempre à noite e durante o trabalho.

Fisioterapia – A associação de exercícios fisioterápico com a administração de medicamentos, como antiinflamatórios não esteróides, diuréticos, vitamina B6 têm surtido bons resultados no controle da doença.

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho:manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília, Ministério da Saúde, 2001.

Barr AE, Barbe MF. Pathophysiological tissue changes associated with repetitive movement: a review of the evidence. Phys Ther 2002; 82: 173-87.

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