Arquivo de Medicina ortomolecular





28 - out

Fadiga – Substratos energéticos: Aminoácidos de cadeia ramificada (ACR)

Categoria(s): Bioquímica, Conceitos, Dicionário, Fisioterapia, Medicina ortomolecular, Nutrição

Fadiga – Substratos energéticos: Aminoácidos de cadeia ramificada (ACR)

 

Aminoácidos de cadeia ramificada (ACR) – Os aminoácidos de cadeia ramificada (ACR), leucina, isoleucina e valina, são primariamente metabolizados no músculo esquelético como substratos energéticos, ou utilizados como precursores para a síntese de outros aminoácidos e proteínas. Eles exercem uma influência significativa sobre o metabolismo da glutamina e servem como importante substrato energético para o cérebro, rins, fígado e coração.

O aumento da concentração de ACR no músculo esquelético reduz a atividade da glutamato desidrogenase, reduzindo a degradação da glutamina. O glutamato intracelular tem papel central na preservação dos fosfatos de alta energia no músculo e seus baixos níveis intramusculares estão associados à acidose lática precoce durante o exercício.

A infusão de ACR estimula a síntese e diminui a degradação protéica, regulando a renovação muscular, sendo útil no tratamento da sarcopenia (perda da massa muscular)

Durante exercícios prolongados, os ACR podem servir como substrato oxidativo para os músculos esqueléticos. Em condições de relativa falta de energia, como sepse, trauma e hipóxia, o metabolismo dos ACR encontra-se acelerado no músculo esquelético.

Referências:

Rogero, MM, Julio Tirapegui J – Aspectos atuais sobre aminoácidos de cadeia ramificada e exercício físico. Rev. Bras. Ciên. Farmac. 2008;44:563-575. [on line]
Koopman,R; Wagenmakers,AJ; Manders,RJ; Zorenc,AH; Senden,JM; Gorselink,M; Keizer,HA; Van Loon,LJ – Combined
ingestion of protein and free leucine with carbohydrate increases postexercise muscle protein synthesis in vivo in male subjects. Am. J. Physiol. Endocrinol. Metab.2005.288(4):E645–E653.
Kimball, SR; Jefferson, LS – New functions for amino acids: effects on gene transcription and translation.
Am. J. Clin. Nutr., 2006a;83(2):500S-507S.

Tags: , , , , , , ,

Veja Também:

Comentários    







29 - set

Glutationa – O antioxidante principal

Categoria(s): Bioquímica, Conceitos, Medicina ortomolecular

Glutationa – O antioxidante principal

 
Nos organismos aeróbios, como o ser humano, a maior parte do oxigênio é reduzida a água dentro da mitocôndria, através da enzima citocromo oxidase, que transfere quatro elétrons ao oxigênio. Entretanto, em decorrência da sua configuração eletrônica (triplet O2), cerca de 5% do oxigênio que se consome tem forte tendência a receber um elétron de cada vez, ou seja, a transferência de elétrons pode ser realizada em passos monoeletrônicos, com a formação de espécies intermediárias. Deste modo, aproximadamente 5% de todo oxigênio consumido é convertido em ânion superóxido (O-2), que é um radical livre .

A toxicidade do oxigênio não se deve apenas aos radicais livres, dele derivados, mas também a outros estados do oxigênio, denominados Espécies reativas de oxigênio – ERONs, como o radical hidroxila (OH), o oxigênio singlet (˙O2), o óxido nítrico (ON), radicais peróxidos (ROOH), peróxidos nitritos (ONOO-), ácido hipoclórico (HOCL-) e peróxido de hidrogênio (H2O2), sendo este último considerado uma espécie reativa de oxigênio (ERONs), apesar de apresentar um elétron desemparelhado na última órbita. Os principais alvos das ERONs nas células são os lípides, as proteínas contendo grupamento sulfidril e o DNA. Múltiplos sistemas enzimáticos produzem ERONs e seus derivados, sobretudo nas paredes vasculares, como a ciclooxigenase, lipoxigenase, citocromo P450, xantina oxidase, mieloperoxidase, óxido nítrico sintase e NADPH oxidase.

As ERONs são capazes de produzir danos nas células parenquimatosas e endotelias dos mais diversos tecidos e orgãos do nosso organismo, porém, normalmente, estas lesões são impedidas pela presença de antioxidantes celulares enzimáticos, como a glutationa peroxidase -1 (principal enzima antioxidante no citosol e nas mitocondriais, e as formas de superóxido dismutase (SOD) ligadas à membrana, responsáveis por dismutar o ânion superóxido em H2O2 (peróxido de hidrogênio) e endógenos presentes dentro do fluido de revestimento epitelial (p. ex. células endotelias).

A glutationa por seus grupos ativos tióis, inativa os radicais livres extra e intracelulares pela propriedade de atuar tanto em meio aquoso como lipídico. E absorvida intata e, imediatamente, no intestino delgado sem que se desintegre nos 3 aminoácidos que a constitue, visto que nenhuma das enzimas digestivas ataca suas uniões aminopéptidas. Assim, a glutationa pode ser utilizada como tratamento conta doenças degenerativas em associação com vitamina E e beta-caroteno evitando o início das reações em cadeia de peroxidação lipídica.

Referência:

Hagen TM, Wierzbicka GT,Sillan AH, Bowman BB, Jones DP  – Fate of dietary glutathione: disposition in the gastrointestinal tract. Am J Physiol 259:G524-G529,1990.

Tags: , , , , ,

Veja Também:

Comentários    







08 - ago

Zinco – Papel no organismo humano

Categoria(s): Biologia, Bioquímica, Medicina ortomolecular, Nutrição

Terapia Antioxidante – Zinco

O zinco atua na síntese das proteínas, melhora a imunidade, o olfato, o paladar e atua junto com o cobre no papel antioxidante e nas cicatrizações. A carência de zinco abre espaço para infecções. Mais de 70 enzimas necessitam do zinco para seu funcionamento, em especial as do sistema imunológico. O zinco atua no metabolismo dos carbohidratos. O pâncreas dos diabéticos possui apenas 25% do valor de zinco, assim como está reduzido nos pacientes com leucemia e nos fígado dos pacientes com cirrose alcoólica.

A absorção, secreção e reabsorção do zinco ocorre no intestino delgado. O zinco é secretado na luz intestinal junto com a bilis, com o suco pancreático e também pelos enterócitos (células que revestem o intestino).

FONTES – A principal fonte de zinco são as ostras frescas. Também pode ser encontrado nos ovos, carnes, pão integral, gengibre e peixes.

DEFICIÊNCIA – Sua deficiência acarreta perda de apetite, falta de paladar e atraso no crescimento.

No sistema reprodutor masculino a carência de zinco provoca diminuição das taxas das testosterona e inibição da espermatogênese. No sistema reprodutor feminino a carência do zinco é responsável por distúrbios na síntese e excreção do hormônio folículo estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH), provocando aumento do número de abortos, pré-eclâmpsia e toxemia gravídica.

Tags: , , , ,

Veja Também:

Comentários    







07 - ago

Anti-oxidante – Resveratrol

Categoria(s): Cardiogeriatria, Farmacologia e Farmácia, Medicina ortomolecular

Terapia antioxidante

 

uvasParadoxo francês – A população francesa consome 7,6 vezes mais vinho do que a população norte americana. Possui elevados índices de tabagismo, sedentarismo e, especialmente, alto consumo de gordura saturada, três conhecidos fatores de risco para doença arterial coronariana (DAC). Apesar disso, esta população apresenta apenas um terço da incidência destas doenças em relação à população americana, fato este que ficou conhecido como “o paradoxo francês”. As evidências encontradas contribuíram para reforçar a hipótese de que o consumo habitual e moderado de vinho tinto pode prevenir ou reduzir o risco de desenvolver a DAC.

As uvas e seus derivados, como vinho e sucos, são ótimas fontes naturais de antioxidantes, particularmente os vinhos tintos, pelo seu alto teor de polifenóis, ou compostos fenólicos, como o resveratrol que comprovadamente possuem atividade antioxidante.

O resveratrol composto polifenólico encontrado em uvas frescas, suco de uva e vinho, é produzido pela casca das uvas em resposta à exposição fúngica. O resveratrol protege o sistema cardiovascular por inibir: a formação de óxidos de colesterol – produtos da oxidação das lipoproteínas de baixa densidade, ou LDL-colesterol; a agregação plaquetária; a síntese de eicosanoides pró-aterogênicos; migração e proliferação de celulas musculares lisas vasculares e promover o relaxamento vascular.

As propriedades antiinflamatórias do resveratrol se manifestam como inibição: da expressão da molécula de adesão celular vascular (VCAM-1); do ICAM-1 adesão de monócitos às células endoteliais; da síntese de Fator de necrose tumoral (TNF-alfa) e IL-1-beta induzida por lipopolissacarídeos e a inibição de IL-6 dos monócitos.

Modificações dietéticas são geralmente sugeridas para fins preventivos e terapêuticos em uma ampla gama de condições. Por exemplo, tem-se observado que os compostos fenólicos têm a capacidade de reduzir ou reverter o desenvolvimento de alterações carcinogênicas na mucosa intestinal, oferecendo assim um profilático e, por vezes, um meio terapêutico contra carcinomas colorrectais. No entanto, quando se avalia a eficácia de uma determinada intervenção na dieta, tais como uma dieta rica em compostos fenólicos, a eficácia da microbiota produzidos metabolitos do composto original tem de ser avaliada, juntamente com a eficácia do composto de origem em si. Russell et al.  demonstraram que o potencial anti-inflamatório dos metabolitos fenólicos é muitas vezes reduzida em comparação com os compostos originais. Consequentemente, a composição do indivíduo microbiota e sua capacidade de biotransformam compostos nutricionais com significado medicinal potencial deve ser considerado quando recomendando intervenções dietéticas.

Referências:

Aggarwal BB, Kumar A, Bharti AC. Anticancer potential of curcumin: preclinical and clinical studies. Anticancer Res 23: 363–398, 2003.

Russell WR, Scobbie L, Chesson A, Richardson AJ, Stewart CS, Duncan SH, Drew JE, Duthie GG. Anti-inflammatory implications of the microbial transformation of dietary phenolic compounds. Nutr Cancer 60: 636–642, 2008.

Tags: , , , , , , , , ,

Veja Também:

Comentários    







02 - ago

Glutamina – Papel na função imunologica intestinal

Categoria(s): Bioquímica, Farmacologia e Farmácia, Imunologia, Medicina ortomolecular, Nutrição

Glutamina

Glutamina e a imunologia intestinal

O distúrbio mais importante observado nos idosos é a desnutrição protéico-calórica (DPC), que está associada ao aumento da mortalidade e da susceptibilidade às infecções e à redução da qualidade de vida. Entretanto, a DPC é vista, erroneamente, como parte do processo normal de envelhecimento, sendo com freqüência ignorada.

Na DPC ocorre uma diminuição do trofismo intestinal com diminuição do fluxo sangüineo e privação do oxigênio e nutrientes orgânicos como o principal substrato dos enterócitos – a L-glutamina, ocorrendo uma alteração na permeabilidade intestinal e uma redução na defesa imune, pela redução da barreira mucosa. A redução da resposta imune em idosos está fortemente associada a deficiências nutricionais, não constituindo uma resposta biológica generalizada associada ao processo de envelhecimento. Devemos lembrar que o nosso trato gastrointestinal está exposto continuamente a agentes lesivos químicos e biológicos.

A glutamina é o aminoácido livre mais abundante no plasma e no tecido muscular. Nutricionalmente é classificada como um aminoácido não essencial, uma vez que pode ser sintetizada pelo organismo a partir de outros aminoácidos. A glutamina (C5H10N2O3) é um L-α-aminoácido, com peso molecular de aproximadamente 146,15kda e pode ser sintetizada por todos os tecidos do organismo. Fazem parte de sua composição química nas seguintes quantidades: carbono (41,09%), oxigênio (32,84%), nitrogênio (19,17%) e hidrogênio (6,90%). A glutamina está envolvida em diferentes funções, tais como a proliferação e desenvolvimento de células, o balanço acidobásico, o transporte da amônia entre os tecidos, a doação de esqueletos de carbono para a gliconeogênese, a participação no sistema antioxidante.

Em todas as células, a glutamina pode ceder átomos de nitrogênio para a síntese de purinas, pirimidinas e aminoaçúcares. Pesquisas evidenciam a importância da glutamina para um grande número de vias metabólicas e tais mecanismos, dependentes de glutamina, passaram a ser denominados como vias glutaminolíticas. Assim, demonstrou-se a importância da suplementação com glutamina em situações catabólicas, tais como câncer, HIV, dengues, sepse, cirurgias e insuficiência cardíaca. Outra forma de suplementar as necessidades de glutamina é a administração com o dipeptídeo L-alanil-L-glutamina pode representar uma eficiente alternativa de aumentar a disponibilidade de glutamina ao organismo.

Indivíduos pesando aproximadamente 70kg apresentam cerca de 70-80g de glutamina, distribuída por diversos tecidos corporais. No sangue, a concentração de glutamina é em torno de 500-700 μmol/L. Tanto a concentração tecidual quanto a concentração sanguínea de glutamina podem ser influenciadas pela atividade da glutamina sintetase ou da glutaminase, duas enzimas são responsáveis pela síntese de glutamina a partir do glutamato ou por sua degradação, também em glutamato, respectivamente.

Proteína huntingtina – O gene IT15 normal é responsável pela codificação da proteína “huntingtina, que está  presente em vários tecidos do corpo, embora esteja mais concentrada no cérebro. Quando no tecido cerebral, ela é quase exclusiva do citoplasma neuronal, sendo vista nos axônios, dendritos e corpo celular. Na doença de Huntington, a huntingtina possui uma cadeia anormal de poliglutaminas que confere à sua estrutura novas propriedades que desencadeiam interações anômalas com outras proteínas. A trinca de trinucleotídeos CAG é responsável pela transcrição do aminoácido glutamina; e a repetição sequencial de até trinta e cinco aminoácidos (poliglutamina) é característica da estrutura molecular normal da proteína Huntingtina

Aminoácidos de cadeia ramificada (ACR) – Os aminoácidos de cadeia ramificada (ACR), leucina, isoleucina e valina, são primariamente metabolizados no músculo esquelético como substratos energéticos, ou utilizados como precursores para a síntese de outros aminoácidos e proteínas. Eles exercem uma influência significativa sobre o metabolismo da glutamina e servem como importante substrato energético para o cérebro, rins, fígado e coração. O aumento da concentração de ACR no músculo esquelético reduz a atividade da glutamato desidrogenase, reduzindo a degradação da glutamina. O glutamato intracelular tem papel central na preservação dos fosfatos de alta energia no músculo e seus baixos níveis intramusculares estão associados à acidose lática precoce durante o exercício. A infusão de ACR estimula a síntese e diminui a degradação protéica, regulando a renovação muscular. Durante exercícios prolongados, os ACR podem servir como substrato oxidativo para os músculos esqueléticos. Em condições de relativa falta de energia, como sepse, trauma e hipóxia, o metabolismo dos ACR encontra-se acelerado no músculo esquelético.

Referências:

Cruzat VF, Petry ERj, Tirapegui J – Glutamina: Aspectos Bioquímicos, Metabólicos, Moleculares e Suplementação. Rev Bras Med Esporte. Set/Out, 2009;15(5):392-397 [on line]

Rogero MM, Tirapegui JO. Aspectos atuais sobre glutamina, atividade física e sistema imune. Rev Bras Cie Farm. 2000;36:202-12.

D’Souza R, Tuck JP. Glutamine supplements in the critically ill. J Royal Soc Med. 2004;97:425-7.

Wischmeyer PE, Musch MW, Madonna MB, Thisted R, Chang EB. Glutamine protects intestinal cells: role of inducible HSP 70. Am J Physiol Gastrointest Liver Physiol. 1997;272:879-84.

Tags: , , ,

Veja Também:

Comentários    



Page 1 of 1312345...10...Last »

" A informação existente neste site pretende apoiar e não substituir a consulta médica.
Procure sempre uma avaliação pessoal com um médico da sua confiança "