Pneumopatia eosinofílica aguda – Infiltrado pulmonar eosinofílico

A pneumonia eosinofílica aguda (PEA) é caracterizada por uma insuficiência respiratória aguda*, febre, infiltrado pulmonar difuso e eosinofilia intensa demonstrada no lavado broncoalveolar (LBA) e/ou no tecido pulmonar. A histologia mostra uma infiltração de eosinófilos e edema nos espaços alveolares e no interstício, incluindo os septos interlobulares. Imunologicamente há uma liberação de citocinas quimiotáticas de eosinófilos nos tecidos pulmonares, granulocyte-macrophage colony-stimulating factor (GM-CSF), interleucinas – IL-3, IL-5 e IL-1B, que se acumulam e são demonstradas no LBA, sem aumento no sangue periférico.
* Insuficiência Respiratória Aguda (IRA) – A insuficiência respiratória aguda pode ser definida como a condição clínica na qual o sistema respiratório não consegue manter a troca dos gases oxigênio e gás carbônico dentro dos limites da normalidade, para determinada demanda metabólica. Pacientes com IRA, habitualmente, queixam-se de dispnéia (falta de ar) e apresentam elevações das freqüências respiratória e cardíaca, cianose (lábios e extremidades dos dedos azuladas). A medida que a hipoxemia (baixa de oxigênio do sangue) acentua-se, manifestações neurológicas, tais como diminuição da função cognitiva, deterioração da capacidade de julgamento, agressividade, incoordenação motora.
Na investigação das causas das pneumopatias eosinofílicas devem-se serem considerados incluem a exposição a certos parasitas em regiões endêmicas, produtos tóxicos inalados, medicamentos e drogas ilícitas, assim como história de asma e atopia. Atualmente, causa mais importante de eosinofilia pulmonar são os medicamentos, onde no passado predominavam as verminose com ciclo pulmonar com o ascaris e o ancilostoma. A lista de fármacos que causam infiltrado pulmonar eosinofílico é bem extensa, chamando atenção os seguintes: ácido acetilsalicílico, amiodarona, bleomicina, carbamazepina, captopril, fenitoína, hidroclorotiazida, mesalazina, minociclina, nitrofurantoína, penicilamina, sulfassalazina e sulfonamidas. Entre os mais importantes, estão também o contraste iodado e as transfusões de sangue.
| Uma grande lista de fármacos que causam infiltrado eosinofílico pulmonar encontra-se disponível no site “The Drug-Induced Lung Diseases”[on line] |
Eosinofilia tropical
A eosinofilia tropical acomete usualmente pessoas que vivem nos trópicos, especialmente no Sudeste Asiático, Ásia, Índia e certas partes da China e da África e também na América do Sul. Quando da visita a estes locais deve-se ficar atento a certas contaminações e exposições, como ao se ingerir crustáceos mal cozidos (paragonimiase) ou carne crua (echinococose), assim como o contato com águas contaminadas (esquistossomose) e com animais domésticos, como cães e gatos (toxocaríase). Como a infecção pela filária não é tão eficiente, a exposição geralmente requer um tempo de residência na área por meses ou anos, e não apenas uma visita de poucos dias ou semanas.
Pneumonia Eosinofílica Aguda (PEA)
A pneumonia eosinofílica aguda (PEA) pode estar relacionada com a inalação de algum fator novo, como o início do hábito tabágico, com a limpeza de tanques de gasolina ou de chaminés ou com a exposição maciça a poeiras ou à fumaça, como no caso dos ataques ao World Trade Center.
Associação com a asma
Certas síndromes eosinofílicas têm a asma como pré-requisito, tais como a aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA) e a síndrome de Churg-Strauss (SCS). A asma ainda é encontrada em 50-60% dos pacientes com pneumonia eosinofílica crônica (PEC) e pode surgir em pacientes infectados com nematódeos e que nunca haviam tido asma anteriormente.
Pneumonia Eosinofílica Crônica (PEC) – A pneumonia eosinofílica crônica (PEC) é uma entidade clínica rara, que se caracteriza por infiltração alveolar e intersticial eosinofílica, com incidência maior no sexo feminino, de causa desconhecida.
Surtos epidêmicos de eosinofilia pulmonar
Uma epidemia de eosinofilia pulmonar ocorreu em 1981 com a síndrome do óleo tóxico espanhol, contaminado com derivados de anilina*, e que afetou cerca de 20.000 pessoas na Espanha. A fase aguda era caracterizada por eosinofilia, infiltrado pulmonar e mialgia. A segunda epidemia foi relatada no Novo México (EUA) em 1989 envolvendo o L-triptofano, com mais de 1.400 casos.
*Anilina – A anilina é um corante amplamente usado nos produtos da vida moderna. É obtido através da redução do nitrobenzeno, e é utilizada para colorir sapatos e como adtivo artificial em comidas, sabões, sabonetes e perfumes devido ao aroma de amêndoa amargas. Os agentes corantes, tinturas de cabelo, dentifícios e colutórios são geralmente compostos com a anilina.
Tratamento
O tratamento visa combater o agente etiológico causal. Na fase aguda há necessidade de internação em centro de terapia intensiva com monitorização da oximetria de pulso (medida do nível de oxigênio sanguíneo), e quando este está muito baixo colocar em respiração assistida. O uso de corticosteroides costuma levar a uma melhora dramática dos sintomas, em 24-48 h, com sensação de bem-estar, volta do apetite, melhora da dispneia, da sibilância e da tosse. A melhora radiológica geralmente acontece em até 10 dias. Porém, o tratamento deve persistir por até 6 semanas.
Referências:
Hetzel JL. Eosinofilias pulmonares. In: Corrêa da Silva LC, ed. Condutas em pneumologia. Rio de Janeiro: Editora Revinter, 2001;972-80.
Allen J. Acute eosinophilic pneumonia. Semin Respir Crit Care Med. 2006;27(2):142-7.
Wechsler ME. Pulmonary eosinophilic syndromes. Immunol Allergy Clin North Am. 2007;27(3):477-92.