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21 - fev

Surdez no idoso – Qual o papel da família?

Categoria(s): Cuidador de idosos, Gerontologia, Gerontotecnologia, Otorrinolaringologia geriátrica

Surdez no idoso – Qual o papel da família?

 

No Brasil mais de 15 milhões de idosos têm problemas de audição, segundo a Organização Mundial de Saúde, apenas 40% reconhecem a doença. A falta de informação e o preconceito fazem com que a maioria demore até 6 anos para tomar uma providência, escondendo o seu problema. O maior dilema do surdo acontece em casa. Com o tempo quem tem problemas deixa de freqüentar a mesa da família e a sala de televisão. No idoso, a presbiacusia* constitui-se um dos mais importantes fatores de desagregação social, onde observamos a depressão, tristeza, solidão e isolamento.

A família do idoso deve incentivá-lo a continuar fazendo as atividades do dia a dia e sempre deixar que ele participe das conversas e rotina da casa. Nunca o deixe isolado, ou constrangido.

 

 

 

Dicas que ajudam  a melhorar a convivência familiar:

  • Fale pausadamente e olhe de frente para a pessoa. A leitura labial ajuda a entender as palavras.
  • Fale pouco mais alto.
  • Não grite e nem fale de costas para o idoso.
  • Se a pessoa não compreender bem, repita o que foi dito empregando palavras diferentes. Isso aumenta a chance de compreensão.
  • Não fale gritando de outros aposentos da casa.
  • Incentive o uso de fones de ouvido para ouvir melhor a televisão e aparelhos de som.
  • Instale alarmes luminosos para a campainha da casa e do telefone.
  • Se houver indicação médica de aparelhos auditivos, estimule a usá-lo.
  • Deixe que o idoso escolha um modelo de aparelho auditivo do seu gosto.

 

* Presbiacusia – A surdez do idoso é chamada de presbiacusia e ocorre como consequência normal e fisiológica do envelhecimento de todos os componentes do sistema auditivo que vão da cóclea  (órgão sensitivo da audição), até ao cérebro.

 

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25 - mai

Como ajudar o idoso usar o banheiro

Categoria(s): Enfermagem, Gerontologia, Gerontotecnologia, Neurologia geriátrica

Cuidadores

Uma das maiores áreas de conflito entre os idosos e os cuidadores, familiares ou não, é o uso do banheiro para as necessidades fisiológicas e para o banho diário. Segue abaixo algumas sugestões que auxiliam nessa dificil tarefa.

Como deve ser o banheiro e o box do chuveiro?

  1. Escolha um banheiro somente para o idoso e faça as adaptações necessárias.
  2. Retire a tranca da porta do banheiro, o idoso pode, eventualmente, trancar-se dentro do banheiro, dificultando sua remoção em caso de necessidade. Instale a porta do banheiro abrindo para fora.
  3. Mantenha o piso do banheiro sempre seco.
  4. Coloque pisos anti-derrapante. Estrado de madeira pode ser uma boa opção.
  5. Deixe uma cadeira de plástico resistente para utilizar no banho com o idoso sentado.
  6. Instale chuveirinho (A queda de água do chuveiro pode simular chuva deixando o idoso temeroso e ansioso).
  7. A porta do box deve ser ampla e fechada com cortina de plástico semitransparente. Evite usar cortina estampada, o idoso pode sentir-se com medo. Não são raros os casos de pessoas sofrer queda no box e seu corpo travar a porta dificultando sua retirada.
  8. Instale barras fixas no box e ao lado do vaso sanitário.
  9. Evite banhos quentes e muito demorados (estes desengorduram a pele e retiram a defesa natural). Aplique hidratante logo após o banho.

 O uso do vaso sanitário?

  • Esta é uma atividade básica que deve ser mantida individualizada por mais longo período possível. Muitas pessoas sente-se constrangidas quando alguém a acompanha nesse momento.
  • A primeira evidência de que a capacidade de executar essa atividade está prejudicada são: perda da urina a caminho do banheiro, indicando incontinência urinária, e roupa íntima suja, indicando limpeza incompleta após evacuar.
  • Nos banheiros com vaso sanitário e bidê, este último deve ser retirado, pois pode confundir o idoso. Caso não seja possível remover o bidê, coloque sobre este uma tampa difícil de remover.
  • Faça um adaptação com equipamentos especiais na borda da vaso sanitário, regulando a altura para que o idoso não fique em uma posição muito baixa ao sentar-se.

 O uso do vaso sanitário deve ser agendado?

  • Sim, o idoso esquece de ir ao banheiro, ficando com a urina e intestino presos. Programe uma visita ao banheiro, criando uma rotina, mesmo quando não tenha manifestado vontade de urinar.
  • Uma possível escala de visitas regulares ao banheiro:
  1. Primeira coisa a fazer ao se levantar;
  2. Logo após o almoço;
  3. Após a soneca da tarde;
  4. Logo após o jantar;
  5. Antes de deitar-se

Riscos da evacuação?

  • A evacuação pode ser um ato de risco para o idoso, A força ao evacuar pode gerar o chamado reflexo de Valsalva, ocasionando queda da pressão e desmaio ao levantar-se rapidamente. Por isso, é necessário barra fixa de apoio junto ao vaso sanitário (figura acima).

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10 - mar

Memória: Dúvidas a respeito. 10ª Parte – Socialização: Como agir

Categoria(s): Enfermagem, Fisioterapia, Gerontologia, Gerontotecnologia, Neurologia geriátrica, Sociologia, Terapeuta ocupacional

Esclarecimentos

O isolamento em casa, longe do convívio com pessoas conhecidas e familiares é a principal razão para o rápido declínio cognitivo e alterações do comportamento do idoso com distúrbios da memória. Nesse item é fundamental o auxílio do Terapeuta Ocupacional, elaborando programas e atividades de recreação. Essas atividades assistidas pelo profissional evita o desgaste do cuidador e suas restrições a práticas sociais.
Pessoas confusas geralmente esquecem como se mexer ou como coordenar os movimentos em relação aos objetos, o medo real de machucar-se ou cair limita-os. Motivá-las não é fácil, mas a recompensa de aumento de vigor, auto-estima e coordenação faz esse esforço valer a pena.

181. O idoso demente pode viajar?

  • Sim, a viagem deve ser sempre programada, curta e com frequência para o mesmo local (exemplo casa de um filho ou filha) e no mesmo dia e horário. Isso faz com que essa prática fique incorporada a rotina do idoso.

182. Qual o papel do terapeuta ocupacional nessas viagens?

  • É muito importante observar com olhares de um profissional as reações que podem ocorrer nessa atividade. As reações desastrosas serão menos prováveis quando os cuidados do item anterior forem tomados.
  • Escolha um local próximo da casa e de onde você possa voltar rapidamente de carro: caso haja uma reação catastrófica, você poderá fazer uma retirada rápida.

183. O que são reações catastróficas?

  • Essa expressão é usada pra descrever o comportamento de um demente quando a situação está acima de sua capacidade de pensar e reagir. Esse comportamento pode ser caracterizado por uma das seguintes reações:
  1. Mudança súbita do humor
  2. Choro inconsolável por longos períodos
  3. Raiva e desconfiança crescentes
  4. Aumento de inquietação, com desejo de vaguear pelo ambiente
  5. Agressividade
  6. Teimosia
  7. Preocupação ou tensão

184. O idoso demente pode passar uma temporada (dias) numa residência da praia (antiga casa de veraneio da família)?

  • Sim, se esta casa já é sua conhecida provavelmente o idoso se sentir confortável, dando liberdade para os familiares. A comunicação prévia da viagem pode deixar o idoso demente, ansioso e apreensivo. Sendo interessante comunicá-lo apenas na véspera da viagem.

185. Como preparar uma viagem longa?

  • À princípio o idoso demente não deve realizar viagens longas, porém se esta se fizer necessária, tenha disponível um tranquilizante de ação rápida, para o caso de agitação e agressividade, pois a sensação de confinamento pode ser problemática.

186. O idoso pode ir a um restaurante?

  • Sim, com os devidos cuidados. Escolha um restaurante que ele estava acostumado a frequentar, procure levá-lo num horário mais tranquilo (exemplo logo que o restaurante abrir) e escolha uma mesa afastada. Preste muita atenção à comida escolhida. As dificuldade em casa se mantêm fora dela (refeição leve, macia, concistência pastosa, morna), evite líquidos e alimentos picantes que podem ocasionar engasgamento.

187. O idoso demente pode receber visitas?

  • É muito importante manter o convívio social porém escolha o horário e o local da casa para receber a visita. Comunique-o sobre a visita que chegará momentos antes. Não o deixe apreensivo, avisando-o com muita antecedência. Se ele lembra-se de alguém o estimule a telefonar para a pessoa convidando-o para a visita. Quanto mais o idoso tiver convívio social, mais retardará a evolução da perda cognitiva.

188. Caminhadas à praça

  • A caminhada à praça deve ser sempre estimulada, especialmente no período da manhã, pois o sol da manhã ajuda na formação da vitamina D, indispensável para os ossos e evitando a osteoporose.
  • Quando o idoso demente não puder mais se locomover sozinho deve ser levado em cadeira de roda. Evite deixá-lo confinado ao leito.

189. Como levantar uma pessoa acamada ou sentada?

  • Ao levantar uma pessoa deitada ou sentada, a tendência é segura-la pelos braços e puxar. Com isso, todo o peso do corpo será suportado pelos braços, tornando a manobra mais difícil com risco de deslocar o ombro e causar lesões nos braços.
  • A maneira correta é: 1. Fique em pé em frente à pessoa a ser levantada; 2. Encoste a ponta dos seus pés e seus joelhos na ponta dos pés e nos joelhos da pessoa a ser levantada; 3. Passe um braço por trás da pessoa, de modo que a palma da mão fique firmemente apoiada no meio das costas. Com a outra mão, segure o braço do mesmo lado, bem junto ao ombro. Alternativamente passe ambas as mãos por baixo dos braços, apoiando-os nas costas. 4. Usando seu próprio peso como forca e os joelhos e a palma das mãos nas costas, levante a pessoa.

190. Visita ao médico?

  • O idoso normalmente apresenta várias disfunções orgânicas, afetando os diversos sistemas do organismo. Não podemos pensar que o demente só tem disfunção cognitiva. Por esse motivo é muito importante a visita ao médico geriatra que está cuidando do caso, e não somente ao neurologista. Esta visita tem deve ser agendada no primeiro horário do atendimento médico, assim ele não ficará muito tempo esperando para ser consultado e ansioso. Apesar de ser breve a consulta deve mais completa possível avaliando todos os sistemas do corpo, em especial o sistema cardiovascular e digestório.

191. Coleta dos exames médicos?

  • A coleta dos exames laboratoriais pode ser traumática para idoso demente e deve ser feita em ocasião especial, fora do horário da consulta para não interferir nesta. A realização de eletrocardiograma pode ser extremamente complexa, pois o paciente sentindo-se preso pelos fios tem o temor de sofrer alguma dor.

192. Como a música ajuda o demente?

  • De todas as atividades a de maior sucesso é, sem dúvida, a música e os rituais do passado. Movimento, dança ou exercício físico devem ser adicionados à música, numa oportunidade dos pacientes se tocarem (segurar as mãos, dar as mãos). O movimento da música desperta memórias antigas e agradáveis.

193. Como desenvolver projetos de arte?

  • Os projetos de arte, usando o mínimo de materiais de cada vez, podem ser de grande efeito, assim como conversas calmas durante sessões de pintura e colagem, colorindo ou trabalhando com recortes. A terapeuta ocupacional é a pessoa indicada para a melhor escolha dos projetos.

194. Como organizar e aplicar projetos em grupo?

  • A solidão e o isolamento, faz muito mau a mente e a alma. Pequenos grupos sociais ajudam a quebrar o isolamento e a solidão. Estes grupos com problemas semelhantes se autoajudam, despertando memórias remotas. Eles passam a se conhecer, se comprimentam e até sentem a falta de alguém. Conseguem trabalhar, caminhar, cantar, dançar e fazer exercícios em com conjunto. Quando os cuidadores elaboram essa terapia, os dementes ficam esperando pelo dia do encontro.
  • Apesar do idoso gostar de atividades, andar e estar sempre “se mexendo”, porém para estas atividades é necessário verificar a duração, a quantidade de pessoas, o nível de barulho. Se houver confusão, ruídos altos, muita gente falando pode alterar facilmente o demente.

195. Revendo o passado?

  • Frequentemente nós encontramos os amigos de infância, da escola, do trabalho para um “happy hours” nos finais de semana. Nesses encontros recordamos momentos descontraídos e hilariantes que vivemos. Os cuidadores podem promover estes encontros com os pacientes ajudados com fotografias, filmes, objetos de familiares, tais como carros, animais. Painéis com fotos antigas podem estimular estas recordações.

196. Os familiares devem participar destas atividade?

  • Sem dúvida nenhuma, estas são oportunidades de agir proporcionando apoio individual e talvez a oportunidade de sair mais cedo, se o paciente ficar superestimulado.

197. Vista à praça?

  • Uma das grandes atividades recreativas é a visita ao parque, o contato com a natureza estimula o demente. É a oportunidade dele observar as crianças num playground, participar de piqueniques. Eles sempre ficam interessados na atividade quando o ponto principal for a comida. participar de alguns jogos desperta interesse nos que anteriormente praticavam alguma atividade esportiva.

198. O idoso demente pode praticar hidroginástica?

  • Apesar da hidroginástica sem uma das modalidades de exercícios que melhor atende ao idoso., no caso do demente ela não é indicada, pelo alto risco de afogamento.

199. Como agir quando idoso quer voltar a dirigir o seu carro?

  • Quando se constata a deficiência cognitiva do paciente, devemos impedi-lo de dirigir. Porém, esse fato pode ser altamente conflitante para o idoso, gerando brigas com os familiares e cuidadores. Ele não tem mais noção dos riscos para si e para os outros e somente o diálogo pode não ser suficiente para contornar o problema. A forma menos traumática é colocar dispositivos que impeça o automóvel de funcionar (solicite a um mecânico sua instalação). Com o tempo ele desiste de dirigir, pois acha que o automóvel está quebrado.

200. O que o idoso demente, pensa?

  • O ser humano gosta de viver como cuidador, provável instinto da espécie. Dificilmente gostamos de sentir-se inválido e necessitando de cuidados. Com o idoso demente isso também ocorre e somente nas fases finais da doença ele perde a noção desses valores. Muitas vezes nos julgamos que o idoso demente necessita disso ou daquilo, sem nunca conversar sobre o que ele realmente quer. Nós profissionais da saúde e mesmo cuidadores não temos o hábito de ouvir os nossos pacientes, sobre tudo aqueles com défict cognitivo. Assim, perdemos a oportunidade de tratá-los melhor.

Referências:

Mendez MF, Cummings JL. Dementia. A clinical Approach. Third Edition, Butterworth Heinemann, Philadelphia, 2003.

Kawas CH, Brookmeyer R. Aging and the public health effects of dementia. N Engl J Med 2001;344:1160-1161.

Folstein MF, Folstein SE, McHugh PR. “Mini Mental State”- a practical method for grading the cognitive state of patients for the clinician. J Psychiatr Res 1975;12:189-198.

Pasquier F. Early diagnosis of dementia: neuropsychology. J Neurol 1999;246:6-15.

Hachinski V. Vascular dementia: the need for a new approach. J Intern Med 1997;242:277-279.

Bottino CMC, Stoppe A Jr, Scalco AZ, Ferreira RCR, Hototian SR, Scalco MZ. Validade e confiabilidade da versão brasileira do CAMDEX. Arq Neuropsiquiatr 2001;59(Suppl 3):20.

Yaffe, K.; Sawaya G. et al – Estrogen therapy postmenopausal women: effects on cognitive function and dementia. JAMA, 279: 688-695, 1998

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09 - mar

Memória: Dúvidas a respeito. 9ª Parte – Habitação: Como agir

Categoria(s): Avanços da Medicina, Cuidador de idosos, Gerontologia, Gerontotecnologia, Neurologia geriátrica, Terapeuta ocupacional

Esclarecimentos

A casa comum é uma verdadeira armadilha para o idoso demente, apesar de estar vivendo nela há muitos anos é contém estruturas extremamente perigosas, que necessita se removida e adaptada para o bem viver do idoso. Nesse contexto, o terapeuta ocupacional é um profissional que analisando estas estruturas pode sugerir as melhor formas de adapta-las ou remove-las. Atualmente os gerontólogos estão preocupados em conscientizar sobre os ambientes amigáveis que evitam os riscos de queda e fraturas, tanto no ambiente domiciliar como públicos. Existem congressos sobre utensílios adaptados para os idosos, a chamada Gerontotecnologia, que ajudam a adaptar a casa para a sua independência.

161. Como entender o momento da arquitetura atual em relação aos idosos, especialmente os dementes?

  • As nossas casas evoluem e envelhecem conosco, criamos o quarto do bebê e devemos criar o quarto do idoso. O quarto do bebe dura alguns anos até transforma-lo no quarto das crianças e mais alguns anos no quarto do adolescente. O quarto do idoso demente deve ter a mesma previsão da expectativa de vida do idoso com demência, entre 5 e 20 anos. Na verdade a expectativa de vida do idoso demente, dependerá da pluripatologia que esse idoso apresenta (diabetes, hipertensão arterial, cardiopatia, osteoporose, artroses, etc).
  • As nossas casas atuais estão cheias de obstáculos, não só para o idoso demente, mas para todos de um forma geral, temos casas com dois pisos, escadas, garagens, adegas, dispensas, subsolos, piscinas, jardins, salas em desníveis, excessos de luminárias, de aparelhos eletrônicos, vários banheiros, suítes, etc. Criar um espaço livre dos riscos é um trabalho extremamente difícil, diante de todas estas modernidades.

162. Quais os potencias riscos para os idosos?

  • Os idosos de uma forma geral estão sujeitos a sofrer com:
  1. Quedas
  2. Alucinações
  3. Intoxicações
  4. Queimaduras
  5. Cortes e contusões
  6. Afogamento
  7. Asfixia

163. Quais os pontos da casa com risco para os idosos dementes?

  1. Áreas de circulação
  2. Banheiro e Box de chuveiro
  3. Sanitários
  4. Fogão
  5. Dispensa de alimentos
  6. Área de serviços
  7. Cesta de remédios

164. Como deve ser os espaços de circulação?

  • Os espaços de circulacão deve ser bem iluminados e livre de móveis, vasos e tapetes. As paredes devem ser livres com cor branca ou neutra e conter barra corrimão. Evite papéis de parede, quadros e plantas (podem causar alucinações).
  • O ideal e eleger um área da casa para o idoso habitar. Exemplo, nas casas com dois pisos, procure adaptar parte da área térrea para o idoso.
  • As escadas são extremamente perigosa e devem ser fechadas, com cercas protetoras. Corrimão e fitas anti-derrapantes ajudam, mas deve-se evitar que o demente subam e desçam as escadas sozinhos.

165. Como dispor os móveis?

  • O espaço de circulação deve estar livre de mesinhas ou estantes baixas, especialmente as com vidros.
  • As quinas agudas dos móveis, causadoras de ferimentos, devem ser protegidas com protetores de quina, que podem ser comprados nas casas especializadas.

166. Como sinalizar os cômodos da casa?

  • Os dementes costumam se perder na própria casa e ficam ansiosos por não achar o quarto ou o banheiro. Coloque sinalizações nestes locais.
  • Alguns idosos costumam levantar-se a noite e devanear pela casa, deixe uma luz de emergência acessa durante a noite, para ele localizar o quarto e o banheiro.

167. Como deve ser o banheiro e o box de chuveiro?

  1. Escolha um banheiro somente para o idoso demente e faça as adaptações necessárias.
  2. Retire a tranca da porta do banheiro, o idoso pode, eventualmente, trancar-se dentro do banheiro, dificultando sua remoção em caso de necessidade. Instale a porta do banheiro abrindo para fora.
  3. Mantenha o piso do banheiro sempre seco.
  4. Coloque pisos anti-derrapante. Estrado de madeira pode ser uma boa opção.
  5. Deixe uma cadeira de plástico resistente para utilizar no banho com o idoso sentado.
  6. Instale chuveirinho (A queda de água do chuveiro pode simular chuva deixando o idoso temeroso e ansioso).
  7. A porta do box deve ser ampla e fechada com cortina de plástico semitransparente. Evite usar cortina estampada, o idoso pode sentir-se com medo. Não são raros os casos de pessoas sofrer queda no box e seu corpo travar a porta dificultando sua retirada.
  8. Instale barras fixas no box e ao lado do vaso sanitário.
  9. Evite banhos quentes e muito demorados (estes desengorduram a pele e retiram a defesa natural). Aplique hidratante logo após o banho.

168. O uso do vaso sanitário?

  • Esta é uma atividade básica que deve ser mantida individualizada por mais longo período possível. Muitas pessoas sente-se constrangidas quando alguém a acompanha nesse momento.
  • A primeira evidência de que a capacidade de executar essa atividade está prejudicada são: perda da urina a caminho do banheiro, indicando incontinência urinária, e roupa íntima suja, indicando limpeza incompleta após evacuar.
  • Nos banheiros com vaso sanitário e bidê, este último deve ser retirado, pois pode confundir o idoso. Caso não seja possível remover o bidê, coloque sobre este uma tampa difícil de remover.
  • Faça um adaptação com equipamentos especiais na borda da vaso sanitário, regulando a altura para que o idoso não fique em uma posição muito baixa ao sentar-se.

169. O uso do vaso sanitário deve ser agendado?

  • Sim, o idoso demente esquece de ir ao banheiro, ficando com a urina e intestino presos. Programe uma visita ao banheiro, criando uma rotina, mesmo quando não tenha manifestado vontade de urinar.
  • Uma possível escala de visitas regulares ao banheiro:
  1. Primeira coisa a fazer ao se levantar;
  2. Logo após o almoço;
  3. Após a soneca da tarde;
  4. Logo após o jantar;
  5. Antes de deitar-se

170. Riscos da evacuação?

  • A evacuação pode ser um ato de risco para o idoso demente, A força ao evacuar pode gerar o chamado reflexo de Valsalva, ocasionando queda da pressão e desmaio ao levantar-se rapidamente. Por isso, é necessário barra fixa de apoio junto ao vaso sanitário (figura acima).

171. Que cuidados tomar na cozinha?

  • Esta é a parte mais perigosa da casa pelas altas possibilidades de acidentes. Sendo conveniente que o demente fique longe desta área. Deixar o gás ligado e risco de incêndio: Esquecer o fogo aceso e queimar a comida é fato comum no idosos na fase inicial da doença. O risco de intoxicações com fumaça e gás é grande. Assim, como queimaduras extensas.

172. Algumas vovós estavam acostumadas com a cozinha, como impedi-las de continuar a fazer a própria comida?

  • Lidar com esta situação é bastante complexa. Impedi-la causará agressividade e desobediência. O melhor é assisti-la durante a execução de tarefas mínimas, com comidas previamente preparadas.
  • Instale um timer no fogão.
  • Deixe fósforos e acendedores fora do alcance dos pacientes.

173. Como cuidar com os aparelhos eletrodomésticos?

  • Os aparelhos devem estar desconectados da rede elétrica, em especial aqueles com lâminas cortantes.

174. Como acondicionar os objetos cortantes como facas e tesouras?

  • Os objetos cortantes devem ser colocados em gavetas providas de trava de segurança, que podem ser adquiridas nas casa especializadas.
  • Pequenos objetos como alfinetes, botões, agulhas e moedas (que podem ser engolidos ou aspirados), devem ser guardados em local seguro.

175. Onde guardar os produtos de limpeza?

  • Os produtos de limpeza devem ser guardados em um armário com trinco ou chave. Compre os produtos de limpeza em pequena quantidade e nunca os deixe fora do armário. O risco do idoso ingerir um desses produtos e se intoxicar é muito grande.

176. Como administrar os medicamentos?

  • Deixe a mão apenas os medicamentos em uso e em quantidade suficiente para o dia. O restante do medicamento em uso e os em uso eventual (xaropes, pomadas, antialgicos,etc) devem ficar guardado no local específico e bem protegido. Se o paciente não tiver os medicamentos à vista o risco de ingeri-los acidentalmente é mais difícil. Lembre-se, ao administrar o medicamento observe se o paciente de fato engoliu-o.

177. Como deve ser o vestuário?

  • Apesar do idoso demente apresentar dificuldades cada vez maiores em vestir-se, deve-se encorajá-lo a continuar vestindo-se sozinho, dando, porém, tempo suficiente para fazê-lo. Deixe as peças de roupa já separadas e em ordem para serem vestidas. Ajuda muito as roupas folgadas de cores claras, com elásticos ou com velcro, evitando-se roupas apertadas e com muitos botões.

178. Como instruir o demente vestir uma calça ou um sapato?

  • O acompanhante deve ensinar ao idoso como fazer estas tarefa, para que ele não se sinta “inválido” ou “dependente”. Deve procurar uma posição segura e confortável, sentando-se em uma cadeira ou na beirada da cama. Nunca curvar-se para vestir a calça ou calçar meias ou sapatos. Nunca usar banquinhos, já que são muito instáveis.
  • Evite chinelos (procure usar mocassim) e roupas com muitos acessórios (cintos). Vista a roupa de acordo coma temperatura do dia. Indique os trajes a serem usados, mas apresente opção de escolha.
  • Os chinelos podem ser perigosos, sendo fácil de enroscar nos tapetes, degraus e causar queda nos idosos. Ao levantar à noite, é preferível o idoso andar descalço a tentar usar um chinelo para ir ao banheiro.

179. Como deve ser a cama do idoso demente?

  • Nos estágios iniciais da doença a cama deve ser normal, de preferência cama de casal, com colchão semi-ortopédico, forrado com plástico (mesmo para os idoso em uso de fraldas geriátricas). É muito importante usar um carpete espesso ao redor da cama, pois em caso de queda tem uma proteção.
  • Nas fases avançadas da doença o ideal é utilizar cama hospitalar.
  • A posição de dormir também é importante. Procure incentivá-lo a dormir de lado, com travesseiro entre as pernas, pois protege a coluna e facilita a respiração.

180. O uso de ar condicionado e ventiladores é permitido?

  • Sim, como também umificadores, porém estes equipamentos devem ficar em local estratégico, onde o idoso não possa mexer e que o ar não fique diretamente sobre ele.

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19 - fev

Artrite Reumatóide

Categoria(s): DNT, Gerontotecnologia, Inflamação, Reumatologia geriátrica

Resenha

A artrite reumatóide é uma doença crônica (etiologia autoimune) que promove dor, inchaço, limitação dos movimentos (rigidez) e das funções das articulações (juntas) especialmente das mãos. A rigidez articular é pior pela manhã e pode durar de uma a duas horas. Além, dos sintomas articulares, a pessoa pode sentir fadiga, queda da pressão, diminuição do apetite, olhos e boca seca.

Artrite ReumatóideA inflamação da artrite reumatóide ocorre na chamada membrana sinovial, que é o tecido que reveste a articulação. Neste local, são liberadas pelas células imunológicas (linfócitos, macrófagos) substâncias químicas inflamatórias que causam inchaço, dor e deformidade articular.

Várias pesquisas têm proporcionado uma melhor compreensão dos fatores imunológicos e genéticos na artrite reumatóide. Como resultado desses estudos, tem sido desenvolvido medicamentos que bloqueiam especificamente determinadas etapas da atividade do sistema imunológico, impedindo o perpetuação da função inflamatória auto-agressiva, que caracteriza as doenças auto-imunes.

 Diagnóstico

O diagnóstico da artrite reumatóide pode ser difícil, uma vez que a doença pode ter início lento com poucos sintomas, confundindo com outras doenças. Quando se apresenta como na figura, o diagnóstico é extremamente fácil. Exames laboratoriais, podem dar pistas para o diagnóstico, porém não há um teste único que “confirme” a suspeita clínica. Os raios-X (especialmente de mãos e pés) são muito úteis no diagnóstico, e podem ajudar na evolução e prognóstico da doença.

Tratamento

Uma vez que não existe cura para a artrite reumatóide, o objetivo é minimizar os sintomas e deformidades articulares. O tratamento “agressivo” deve ser feito tão logo se tenha o diagnóstico, com isso, evitando-se a deformidade articular e a perda de movimentos, que leva a invalidez, isolamento e perda da auto-estima (ninguém gosta de ver as próprias mãos próprias e com pouca função). Além dos medicamentos antiinflamatórias clássicas, o tratamento envolve as drogas anti-reumáticas modificadoras do curso da doença (metrotrexato, leflunomida, hidroxicloroquina, sulfasalazina, azatioprina, ciclosporina) e, uma nova classe de medicamentos, chamados de medicamentos biológicos (adalimumabe, etanercepte, infliximabe e rituximabe), que tem especificamente como alvo as estruturas do sistema imunológico responsável pela inflamação.

A pessoa portadora de artrite reumatóide deve se manter em atividade e, uma consulta com fisioterapeuta ou um terapeuta ocupacional pode ajudar a determinar os tipos de atividades mais indicadas e evitar a invalidez que causa ansiedade, isolamento e depressão. O emprego de instrumentos do dia a dia, talheres, andadores, etc (gerontotecnologia) ajuda a vencer estas barreiras.

Referências:

Artrithis Fundation [on line]

Artrite Reumatóide – Diagnóstico e Tratamento. Projeto Diretrizes do Conselho Federal de Medicina [on line]

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