Arquivo de Gerontologia





25 - set

Medicina medieval – A dietética antiga

Categoria(s): Gerontologia, História da medicina, Nutrição

A DIETÉTICA ANTIGA: Os cuidados com o corpo entre a saúde e a alimentação

Elisielly Falasqui da Silva
Graduanda em História pela Unicamp

Medicina

A medicina da Antiguidade era constituída por três ramos fundamentais: a cirurgia, a farmacologia e a dietética. Esta última abordava questões amplas relacionadas a: alimentação, exercícios corporais, trabalho, banhos, sono, atividade sexual e excreções (por exemplo, a prática de vômitos e purgações para curar as doenças e manter o corpo saudável, prevenindo doenças).

            Nesse sentido amplo, a dieta, na Antiguidade, só estava disponível às pessoas mais ricas, que tinham tempo e dinheiro para dedicar à sua saúde. Os mais pobres recorriam a remédios e, se necessário, cirurgias, mas poderiam receber instruções gerais e breves sobre a alimentação, que sempre deveria ser compatível com o trabalho da pessoa: a ideia, ainda muito atual, era a de que o que a alimentação acrescentava ao corpo era subtraído pelo trabalho ou por exercícios físicos.

            Junto aos conhecimentos de dietética se desenvolveu a medicina humoral. A teoria era de que nosso corpo é formado por humores (ou temperamentos), que devem estar em equilíbrio. A doença era considerada um desequilíbrio dos humores do corpo e, então, a tarefa do médico seria a de restituir a saúde do paciente, equilibrando novamente seus humores.

Esse tipo de medicina exigia conhecimento em dois aspectos: primeiramente, era preciso conhecer o corpo do paciente, pois as dietas eram sempre personalizadas (de acordo com a idade, o trabalho, o modo de vida, etc); depois, era preciso saber quais eram as propriedades específicas dos alimentos. Aos médicos da Antiguidade era necessário saber como tornar os alimentos mais saudáveis e ter um conhecimento polivalente das áreas médicas, do corpo ou da natureza humana, dos temperamentos, de farmacologia, de exercícios físicos… E até a astrologia poderia interferir na dieta prescrita a um paciente!

As teorias dietéticas permaneceram fortes desde o século V a.C. até o século VI d.C. e não se observaram, segundo o historiador Innocenzo Mazzini, muitas mudanças nessas teorias, apenas atualizações, agregando-se novos alimentos às considerações anteriores. Hipócrates, Galeno e Antimo foram alguns dos médicos que mais se destacaram. Para nós, a medicina humoral pode parecer distante e até sem muita lógica, mas, naquela época, as dietas receitadas com base nos temperamentos das pessoas se revelavam, muitas vezes, a única medicina eficaz. A importância que os médicos da Antiguidade davam à alimentação na busca da cura ou manutenção da saúde fica clara na colocação de Galeno, em De alimentorum facultatibus: “Não temos necessidade o tempo todo de outras ajudas, mas sem a alimentação nem os homens saudáveis, nem os doentes, poderiam viver.”

 Referência Bibliográfica

 MAZZINI, Innocenzo. “A alimentação e a medicina no mundo antigo” IN: FLANDRIN, J. e MONTANARI, M. História da alimentação. São Paulo: Estação Liberdade, 1998.

 

Tags:

Veja Também:

Comentários    







17 - abr

Galactorréia – Produção de leite fora do período de amamentação

Categoria(s): Biologia, Dicionário, Endocrinologia geriátrica, Gerontologia, Ginecologia geriátrica, Semiologia Médica

Galactorréia – Produção de leite fora do período de amamentação

 

Dicionário

Durante a gravidez se verifica hiperplasia das células produtoras de prolactina da hipófise com resultante aumento do hormônio prolactina responsável pela produção de leite. Sob determinadas condições a mulher pode apresentar a produção de leite fora do período de amamentação. Esse fato recebe o nome de galactorréia ou galatorreia.

LactaçãoA porção anterior da hipófise (adenohipófise) produz o hormônio prolactina (Produtor do leite materno) e a porção posterior da hipófise (neurohipófise) produz o hormônio oxitocina (produz a secreção do leite pelos ductos mamários ao estimular as células mioepitelias das glândulas mamárias).

O excesso de produção do hormônio prolactina pode aparecer nos casos de tumores da glândula hipófise, os prolactinomas ou como efeito colateral de alguns medicamentos como os antieméticos e os procinéticos.

Prolactinomas – Dentre os tumores hipofisários se destacam os adenomas secretores de prolactina ou prolactinomas que, quando atingem maiores dimensões, podem apresentar-se como massas que ocupam a cela túrcica, levando à compressão de estruturas adjacentes como a hipófise, seio cavernoso e nervos ópticos. São classificados em microprolactinomas (diâmetro < 10 mm), os quais representam a grande maioria dos prolactinomas, e macroprolactinomas (diâmetro > 10 mm), que determinam sinais e sintomas específicos como elevada taxa de prolactina, cefaléia crônica, distúrbios visuais, sendo ainda causa comum de disfunção sexual e reprodutiva, disfunção menstrual além da galactorreia.

Tratamento – Tanto os micro como os macroprolactinomas respondem bem aos agonistas dopaminérgicos como a bromoergocriptina e a cabergolina. Foi documentado que a bromocriptina é capaz de reduzir os níveis de prolactina, bem como a massa tumoral e a cabergolina é frequentemente sugerida como primeira escolha para o tratamento dos prolactinomas por sua excelente tolerabilidade e posologia conveniente.

Antieméticos – Antieméticos e estimuladores da motilidade gastrointestinal (procinéticos) têm sua melhor indicação nos casos de síndrome do desconforto pós-prandial .

A metoclopramida é um antagonista dopaminérgico em nível central e periférico, parecendo também possuir efeitos tipo colinérgicos. Efeitos adversos, contudo, como ansiedade, fraqueza, sonolência, inquietação, sintomas extrapiramidais, galactorreia e ginecomastia, muitas vezes limitam o uso crônico.

Referências:

Nomikos P, Buchfelder M, Fahlbusch R. – Current management of prolactinomas. J Neurooncol 2001 Sep 54(2): 139-50.

Molitch ME. – Medical management of prolactin-secreting pituitary adenomas. Pituitary 2002 5(2): 55-65.

Bronstein MD. – Prolactinomas and Pregnancy. Pituitary 2005 8:31-38.

Tags: , , ,

Veja Também:

Comentários    







12 - abr

Dieta – Labirintite

Categoria(s): Gerontologia, Nutrição, Otorrinolaringologia geriátrica, Terapias Alternativas

Dieta – Labirintite

 

Orientação alimentar


Como deve ser o hábito alimentar para os pacientes com labirintite?

Os hábitos alimentares da civilização urbana atual, a tendência de importar modelos de consumo têm levado ao abandono de importantes componentes da dieta, com a presença progressiva das chamada refeições rápidas, ricas em carbohidratos e gorduras. O sedentarísmo agrava a situação. O desjejum é negligenciado, o almoço é rápido (não tem tempo a perder) e o jantar farto e copioso, geralmente na altas horas da noite e logo seguido de sentar-se em frente o televisor ou deitar-se.

 

Algumas recomendações dietéticas são importantes não só para as pessoas com labirintopatia, mas de um forma geral a todos nós.

  1. Procure comer bem pela manhã, menos no almoço e muito menos à noite. Evite jantar muito tarde e logo ir dormir. “Noitadas” freqüentes não faz bem para nínguem.
  2. Durante o dia, procure não ficar mais que três horas sem se alimentar.
  3. Evite o uso de carboidratos de absorção rápida (açúcar refinado, mascavo ou cristal). Dê preferência para adoçantes e dietéticos.
  4. Massas e comidas gordurosas (especialmente carnes e frituras) devem ser limitadas a pequenas quantidades.
  5. Coma frutas e legumes.
  6. Procure comer devagar e mastigar bem os alimentos.
  7. Lembre-se os alimentos são os melhores remédios.
  8. Beba de quatro a seis copos de água por dia.
  9. Evite a ingestão de bebidas alcoólicas.
  10. Procure beber pouco café, no máximo 3 xícaras por dia.

Tags: ,

Veja Também:

Comentários    







10 - abr

Lesões de pele pré-cancerígenas

Categoria(s): Câncer - Oncogeriatria, Dermatologia geriátrica, Gerontologia, Semiologia Médica

Lesões de pele pré-cancerígenas


Dermatoses no idoso – parte 3

Tratamento de excelência  -   criocirurgia

 capeleinsituAs lesões pré-cancerígenas da pele, representam o resultado da displasia (células alteradas) dos queratinócitos (células da camada inferior da epiderme ou basal ou de outras camadas), resultando em lesões morfológicas, tipo pápulas ou placas ásperas, conhecidas clinicamente como “queratoses “.

Estas queratoses são lesões aderentes, secas, bem demarcadas, isoladas ou múltiplas, ocorrendo muito comumente na pele de pessoas idosas e em áreas foto-expostas, como face, antebraços e área do decote ou colo. Muitas vezes, estas lesões se ulceram (tornam-se feridas) e podem até sangrar com facilidade (figura A). Quando não tratadas, podem evoluir para carcinoma espinocelular (CEC) in situ (carcinoma espino celular localizado na epiderme ou seja não invasivo) e em muitos casos podem evoluir para CEC invasivos e agressivos, podendo causar até metástases (lesões à distância).  

    Tratamento >>

 

Referências:

- Sampaio & Rivitti – Dermatologia , 3ª Edição. Artes Médicas.
– Dermatologia de Fitzpatrick – 6ª Edição . Artmed.
- Anais Brasileiros de Dermatologia, vol. 70, nº 6

Colaborador : Dr Edilson Pinheiro do Egito *


* Médico Dermatologista

Tags: , , ,

Veja Também:

Comentários    







31 - mar

A Hospedeira – Entre a ficção e a realidade

Categoria(s): Gerontologia, Neurologia geriátrica, Psicologia geriátrica, Semiologia Médica

A Hospedeira – Entre a ficção e a realidade

 

Ficção

 a_hospedeira_poster_0

No filme “A Hospedeira”,  seres alienígenas conhecidos como almas, que ocupam corpos humanos como se fossem parasitas. Pregando uma sociedade baseada na paz, as almas perseguem os poucos humanos que ainda não foram dominados. Um deles é Melanie Stryder (Saoirse Ronan), passa a ser dominada por uma alma chamada Peregrina, que tem por missão vasculhar suas memórias para encontrar rastros de outros humanos. Entretanto, a consciência de Melanie ainda está viva dentro do corpo, o que faz com que Peregrina tenha que lidar com ela constantemente. Com o tempo, a alma fica cada vez mais fascinada com a vida e os sentimentos que Melanie tinha e passa a protegê-la de Buscadora (Diane Kruger), que deseja capturar seus amigos humanos o quanto antes.

A realidade

A lesão traumática da área do giro fusiforme ou sua conexão com as amígdalas (área emocional do sistema límbico) produz uma alteração neurológica denominada de prosopagnosia. O mesmo podendo ocorrer em pacientes com distúrbios psiquíatricos como esquizofrenia.

Prosopagnosia – A prosopagnosia é um déficit neurológico caracterizado pela inabilidade de reconhecer faces, embora a função intelectual e o processamento visual estejam intactos. As lesões na área do giro fusiforme da face,  provocadas por um ferimento na cabeça é que estão associadas com prosopagnosia. Estudos recentes relatam casos onde a prosopagnosia ocorre com pouco ou nenhum comprometimento no reconhecimento visual de outros tipos de estímulos. As pessoas que sofrem de prosopagnosia reconhecem a voz do familiar, mas não reconhece o rosto e acha que alguém ou algo está ocupando o corpo do familiar. Age agressivamente, julgando que está ocorrendo um “dublê de corpo” como nos filmes de ficção científica.

Ilusão de Capgras é um distúrbio psiquiátrico raro em que o paciente acredita que seus amigos ou familiares não são quem eles dizem que são (prosopagnosia). Segundo quem sofre do distúrbio, as pessoas reais foram substituídas por impostores mal-intencionados. Joseph Capgras, o psiquiatra francês que primeiro escreveu sobre a ilusão, em 1923, depois de tratar uma mulher que se convenceu de que o marido e os outros que ela conhecia eram realmente dublês de corpo.

Veja mais

Tags: , , ,

Veja Também:

Comentários    



Page 1 of 5912345...102030...Last »

" A informação existente neste site pretende apoiar e não substituir a consulta médica.
Procure sempre uma avaliação pessoal com um médico da sua confiança "