Arquivo de Gerontologia

26
jun

 Colostomia 100 perguntas a respeito – Parte 1. Aspectos gerais

Categoria(s): Conceitos, Gastrogeriatria, Gerontologia

Esclarecimentos

O isolamento em casa, longe do convívio com pessoas conhecidas e familiares é a principal razão para o rápido declínio cognitivo e alterações

Para uma boa adaptação física, mental, emocional, psicológica, social e profissional é imprescindível que o paciente esteja bem informado e conte com o apoio dos seus familiares e amigos e de profissionais de saúde especializados.

1. O que é colostomia?

  • Colostomia é a porção do intestino exteriorizada através da parede abdominal. A colostomia faz com que uma parte do intestino fique exposta no abdome, como uma boca (est0ma). Esta abertura será o local por onde sairão às fezes que, por sua vez, serão armazenadas em uma bolsa coletora.

2. O que é estoma?

  • Estoma é uma abertura feita cirurgicamente no abdome, por onde o conteúdo dos intestinos será expelido e coletado para uma bolsa externa.

3. Quando indica-se a realização da colostomia?

  • A colostomia é indicada, principalmente para descomprimir, drenar, aliviar tensões de anastomoses intestinais (união de parte do intestino com outra região do intestino) e proteger suturas de um orgão danificado, no caso o intestino grosso. Assim, no caso dos estomas intestinais (colostomias, ileostomias), eles, geralmente, são realizados para evitar que as fezes passem pelo local operado antes da cicatrização completa, evitando-se infecções nos pontos de sutura.

4. Como é feita a colostomia?

  • A colostomia é uma realização cirúrgica feita em centro cirúrgico. Na cirurgia parte do intestino é exteriorizado no abdome (veja figura acima), outra parte do intestino tem a “boca” fecha com pontos de sutura.

5. A cirurgia de colostomia é definitiva?

  • Não, a colostomia pode ser permanente ou temporária, dependendo de cada doença que está sendo tratada. Por exemplo, na cirurgia para tratamento do câncer de reto, os estomas temporários são fechados depois da cicatrização da cirurgia, o que ocorre geralmente após 1 mês da cirurgia. Após o fechamento do estoma, o paciente volta a evacuar pelo ânus.

6. Como funciona o estoma?

  • Uma vez que o estoma não pode ser controlado voluntariamente, o paciente precisará de uma bolsa de coleta de fezes. Um dos maiores problemas para os ostomizados, depois da cirurgia é a adaptação à vida normal. O paciente tem várias preocupações, dentre elas: o cheiro, os ruídos, as freqüentes idas ao banheiro, à reintegração social e profissional, o tratamento da pele à volta do estoma e até mesmo a atividade sexual.

7. Qual o aspecto normal do estoma?

  • O estoma é constituído da mucosa normal do intestino, assim o aspecto normal, saudável, é de cor vermelho vivo, úmido e brilhante, devido a presença do muco intestinal, semelhante à mucosa da boca (parte interna).
  • Nos primeiros dias após a cirurgia o estoma pode ficar edemaciado (inchado). Aos poucos o edema regride.
  • A pele ao redor do estoma (chamada de pele periestomal) deve estar lisa, sem lesões ou ferimentos.

8. O estoma é doloroso?

  • Não, o estoma não tem terminações nervosas, por isso não dói ao ser tocado, por isso existe o risco de causa lesões sem perceber. Caso apresente sangramento pequeno ao ser tocado, o paciente deve observar, e esperar que o sangramente pare expontaneamente. Caso o sangramento seja contínuo e abundante o médico deve ser procurado.

9. Além da colostomia, existem outros tipos de estomias?

  • Sim, os tipos mais comuns são:
  • Iliostomia, onde ocorre a exteriorização de um segmento do íleo.
  • Urostomia, que é a abertura de um trajeto alternativo de drenagem da urina pela parede abdominal.

10. Quais as consequências de se retirar uma parte do intestino grosso (cólon)?

  • O intestino delgado é rico em enzimas e substâncias que servem para decompor os alimentos, ao contrário do intestino grosso, cuja principal função e absorver os líquidos do bolo fecal. Com a retirada de parte do intestino grosso o intestino delgado deve substituir o cólon na absorção dos líquidos, com isso, nas fases iniciais do funcionamento da colostomia as fezes são fluídas acompanhada de enzimas que podem irritar a pele. Com o passar do tempo as fezes adquirem concistência normal.

11. Qual a característica das fezes na colostomia?

  • As características e a consistência das fezes variam de acordo com a porção do intestino que foi exteriorizada. As colostomias, portanto, são identificadas pela porção do cólon que é trazida para fora do estoma e a consistência da evacuação que vem de uma colostomia depende da região em que o intestino foi interrompido. Basicamente são de quatro tipos:
  • Colostomia ascendente: o estoma é feito na alça ascendente, no lado direito do abdome. As fezes têm consistência semi-líquida.
  • Colostomia transversa: o estoma é feito na alça do transverso, no lado esquerdo ou direito do abdome. As fezes têm consistência pastosa.
  • Colostomia descendente: o estoma é feito na alça descendente, no lado esquerdo do abdome. As fezes têm consistência semi-sólida.
  • Colostomia Sigmóide – uma colostomia sigmóide envolve o cólon sigmóide. As fezes são firmes e sólidas.
  • Imediatamente após a cirurgia, o funcionamento do estoma intestinal é irregular podendo eliminar fezes várias vezes ao dia, em momentos diferentes. Na medida que o tempo passa, o estoma irá funcionar de forma mais regular, no entanto, não é possível controlar a saída das fezes.

12.Quanto tempo pode-se ficar com a colostomia?

  • Não existe um tempo determinado do funcionamento da colostomia.

13. Quando é feita a reversão da colostomia?

  • A reversão da colostomia é realizada quando a doença que obrigou a realização da colostomia está curada. Não existe um tempo para isso se realizar

14. Como é feita a reversão da colostomia?

  • A reversão da colostomia é uma ato cirúrgio a ser realizado no centro cirúrgico onde o transito intestinal é restabelecido com sutura entre a “boca” da colostomia e a parte do intestino que ficou inativa.

15. A bolsa coletora deve ser usada sempre?

  • Sim, a bolsa deve ser usada sempre, pois a colostomia pode funcionar a qualquer momento.

16. Existe alguma restrição ao uso de água?

  • Não, a hidratação deve ser plena, observando sempre que no início da colostomia, o intestino não absorve adequadamente os líquidos causando muita perda de líquidos (água).

17. O que é colostomia úmida?

  • A colostomia úmida em alça é construída para permitir a saída de urina e fezes através do mesmo estoma. É uma alternativa para pacientes que necessitam de dupla derivação (fezes e urina).

18. O que é uma ileostomia?

  • A ileostomia é a exteriorização da parte final do intestino delgado na pele do abdome. As fezes de uma ileostomia são mais líquidas do que aquelas que saem por uma colostomia. As ileostomias são realizadas por qualquer motivo que impeça a passagem das fezes pelo intestino grosso.

19. O que é uma urostomia?

  • Urostomia é uma abertura na pele que permite a saída de urina proveniente dos rins, ureteres ou bexiga. A mais comum é a urostomia de Bricker, na qual é utilizado um pedaço do intestino delgado que é exteriorizado na pele e a este pedaço são ligados os ureteres (canais que saem dos rins e conduzem a urina até a bexiga).

20. O paciente com estoma tem somente uma única abertura no abdome?

  • Não, o paciente pode ter a necessidade de ter mais de um estoma, e todos devem ser cuidados e forma independente.
  • Existem vários serviços oficiais e particulares de apoio aos ostomizados. Veja no site da Associação Brasileira de Estomaterapia (SOBEST) informações a este respeito.

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22
jun

 Osteoartropatia hipertrófica pnêumica

Categoria(s): Dicionário, Gerontologia, Reumatogeriatria

Resenha

A osteoartropatia hipertrógica pnêumica (OHP) ou doença de Bamberger-Pierre-Marie é caracterizada em baqueteamento dos dedos, decorrente de alteração progressiva dos tecidos moles das falanges distais, associada à periostite crônica proliferativa dos ossos longos e oligoartrite.

Baqueteamento digital

A OHP foi descrita pela primeira vez por Von Bamberger (1889) e Marie (1890), inicialmente associada a certas condições supurativas crônicas dos pulmões como enfisema e abscesso. Atualmente, descreve-se esta síndrome associada predominantemente a pacientes com neoplasias intratorácicas primárias, sendo o carcicoma broncogênico responsável por aproximadamente 80% dos casos, tumores pleurais por 10% e outros tumores intratorácicos por 5%.

Há dois tipos básicos de OHP: o distúrbio primário é raro, com predisposição hereditária, predominante no sexo masculino, denominado paquidermatoperiostite. Nestes caso, desnvolve-se um espessamento cutâneo, hiperhidrose, seborréia, acne, periostite e oligoartrite, além do baqueteamento dos dedos. A forma secundária é a mais comum e está associada a vários distúrbios cardiológicos (cardiopatias congênitas cianogênicas, cor pulmonale), distúrbios hepáticos (especialmente cirrose hepática), gastrointestinais, endocardite bacteriana, infecções supurativas, e sobretudo às neoplasias pulmonares, como citamos acima.

Etiologia – Sua etiologia não está esclarecida, porém há hipoteses como: vasodilatação induzida por impulso neurogênico, a hormonal e a do shunt. A teoria do shunt – induzida nos pulmões por um distúrbio, como o que ocorre na doença cardíaca congêntia cianogênica, em que um fator desconhecido, normalmente catabolizado na circulaçnao pulmonar, faz um bypass no pulmão e é destruído na circulação periférica, onde induz à proliferação da pele e dos ossos. Este fator proposto é o das grandes plaquetas, observadas nas cardiopatias congênitas, que não se fragmentam nos pulmões, indo impactar-se nos capilares periféricos, liberando o fator de crescimento derivado das plaquetas, que estimulariam as células mesenquimais, como fibroblastos e as células do músculo liso, provocando ativaçnao e hipertrofia das células endoteliais.

As manifestações radiológicas caracterizam -se pelo aparecidmento de capaz ósseas extratificadas em forma de manguito ou de casca de árvore, o que se traduz por um contorno ósseo duplo, denominado levantamento periostal, nas zonas metafisárias inferiores da tíbia e perônio, cúbito e rádio.

Referência:

Altman RD, Tenenbaum J -  Hipertrophic Osteoartropathy. In: Kelley WN, Harris ED, Ruddy S, Sledge CB – Textbook of Rheumatology, 4 Ed. Philadelphia- WB Saunders, 1993 Cap. 93:1545-1551.

Carsons S: The Association of Malignancy with Rheumatic and Connective Tissue Diseases; Seminars in Oncology 1997, 24(3): 360-72.

Gavi MBRO, Pereira AM, Carvalho KS, Paterline AC, et al.: Manifestações Reumatológicas do Câncer: Relato de Caso e Revisão da Literatura, Rev. Bras. Reumatol 1997, 37(6) 348-54.

Batista AAP, Bianco JAP, Batista AP, Alves LR, Afonso A, Silva HSL, et al. Osteoartropatia hipertrófica primária: relato de caso e revisão da literatura. Radiol Bras. 2003;36(3):183-6.

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30
mai

 Os idosos e a gerontologia no Brasil

Categoria(s): Demografia, Gerontologia

Resenha

O estudo da população acima dos 60 anos

Colaborador: Marcelo Francisco Bombardi *

* Fisioterapêuta e pós-graduado do curso de Gerontologia da Metrocamp
Idoso e festa

Observa-se que o segmento mais idoso da população brasileira sofreu um rápido aumento a partir dos anos 60, quando começou a crescer em ritmo bem mais acelerado do que as populações adultas e jovens. De 1970 até hoje, o peso da população idosa sobre a população total passou de 3% para 8% e esse percentual deve dobrar nos próximos vinte anos. Isto em virtude da redução nas taxas de natalidade, da ordem de 35,5% nos últimos 15 anos, e o aumento da expectativa de vida por ocasião do nascimento, que passou de 61,7 anos em 1980, para 69 anos nos dias atuais, a base da pirâmide populacional vem se estreitando nas últimas décadas. E existe ainda a expectativa de uma intensificação desse processo de envelhecimento populacional. Estima-se que a partir de meados do próximo século, a população brasileira com mais de 60 anos será maior que a de crianças e adolescentes com 14 anos ou menos.

Essa temática provocou uma preocupação generalizada em diversos segmentos profissionais e fez com que, nos últimos anos, proliferassem no
Brasil os programas e associações destinados aos idosos, como o movimento dos aposentados, os movimentos assistenciais e os sócio-culturais. Em razão dessa visibilidade alcançada pelos idosos nos últimos anos, e graças aos esforços de organização dos profissionais dedicados à essa área de atuação, através de núcleos de estudo e pesquisa, os estudos teóricos e empíricos na área do envelhecimento começaram a florescer no Brasil.

Como nota WITTER (1999), quanto mais rápido e diversificado o desenvolvimento de uma área, maior a necessidade de pesquisas de
avaliação. salienta a importância da realização de pesquisas de metaciência, que permitem analisar e avaliar a qualidade e efetividade do
conhecimento produzido em uma determinada área, bem como suas necessidades e déficits. O próprio progresso científico se relaciona ou depende de avaliações sistemáticas da produção e do trabalho dos pesquisadores, o que garante o aperfeiçoamento constante não só do conhecimento, como também do próprio ensino (GALEMBECK, 1990).

A Gerontologia, por ser uma área recente e de rápido crescimento, tem uma grande necessidade de avaliar e direcionar sua produção e, por seu
caráter multidisciplinar, tem especial dificuldade de aglutinar seu conhecimento. A falta de articulação entre os diferentes programas e bibliotecas mantém a produção acadêmica na obscuridade e, desta forma, o aproveitamento do conhecimento fica minimizado. A avaliação da produção científica dessa nova área do conhecimento permitirá não só caracterizar seu estágio de desenvolvimento, aquilatar o nível de conhecimento disponível e apontar lacunas e necessidades, mas também identificar sua relevância no sentido de atender às necessidades e problemas da realidade e da sociedade.

Em 1997, Anita Neri realizou uma análise de 36 relatos de pesquisa constantes de teses e dissertações defendidas em programas de pós
graduação em psicologia entre os anos de 1975 e 1996, na Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas e Pontifícias Universidades Católicas de São Paulo e de Campinas. Nesse trabalho, a autora localizou nos acervos dessas universidades 60 trabalhos sobre velhice, em outras áreas do conhecimento como: enfermagem, saúde pública, fonoaudiologia, sociologia, antropologia, jornalismo, comunicações e propaganda, e que não foram usados em sua análise.

Em um levantamento das teses e dissertações sobre velhice e envelhecimento foram encontradas 232 trabalhos em áreas diversas do conhecimento, sem incluir os trabalhos da área médica, com enfoque geriátrico. Nesse levantamento pode-se notar que a produção
científica durante o período de 1995 a 1999 foi praticamente o dobro da realizada entre os anos de 1975 a 1994, o que demonstra o rápido crescimento da área. Nota-se também, que a diversidade das áreas do conhecimento que vêm se interessando pela pesquisa gerontológica tem crescido muito nos últimos anos. Os primeiros estudos foram nas áreas da Psicologia, Sociologia, Serviço social e Enfermagem. Mais tarde aparecem os trabalhos em Educação e Educação Física. Depois de 1989 surgem trabalhos em Fonoaudiologia, Comunicação e Direito. Nos últimos anos esse leque se abre ainda mais e encontra-se trabalhos nas áreas de Administração de Empresas, Farmácia, Engenharia de Produção, Lingüística Aplicada e História.

De uns anos para cá, consolidaram-se as associações de profissionais que atendem à população idosa, bem como os cursos de pós-graduação em
Gerontologia, o que trouxe um avanço ainda maior na área de pesquisa. O momento parece então ser bastante adequada para se fazer uma
atualização do levantamento do trabalho científico produzido na área da Gerontologia até os dias atuais e para que se analise com maior cuidado a direção ou direções em que se encaminha a pesquisa gerontológica no Brasil.

Referências:

GALEMBECK, F.(1990). Sem avaliação, sem progresso. Ciência e Cultura, 19(9), p 627-628.

NERI, A.L. (1997), A pesquisa em gerontologia no Brasil. Análise de conteúdos de amostra de pesquisa no período de 1975-1996. Texto e
Contexto, v.6, n.2, p69-105.

WITTER, G.P; Pécora, G.M.M. (1997), Temática das dissertações e teses em Biblioteconomia e Ciência da Informação no Brasil (1970-1992). In G.P. Witter (org), Produção cient í f ica, Campinas,SP: Editora Átomo

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23
mai

 Delirium no perioperatório

Categoria(s): Emergências, Gerontologia, Neurogeriatria

Resenha

A prevalência de delirium em pacientes geriátricos hospitalizados é de aproximadamente 15% à admissão e de até 33% no período de internação.Entre os pacientes cirúrgicos, este distúrbio varia de 10% a 50%, associando-se a idosos mais frágeis e a procedimentos mais complexos, como cirurgia cardíaca e transplantes. O rápido reconhecimento é fundamental porque está freqüentemente associados com outras situações reversíveis e seu aparecimento é um sinal de mau prognóstico, que leva a maior tempo de internação, e não raramente ao óbito.

O início do delírio é agudo e freqüentemente à noite; o curso é flutuante, com intervalos de lucidez, durante o dia; piora à noite, a duração pode ser de horas ou semanas, a conciência está reduzida, a vigília anormalmente baixa ou alta, hipovigilante ou hipervigilante, perturbável; flutua durante o curso do dia, em geral a orientação está prejudicada por um tempo (tendência a confundir locais pessoas não familiares com familiares), memória imediata e recente prejudicadas, pensamento desorganizado, percepção alterada (ilusões e alucinações), fala incoerente, hesitante, lenta ou rápida, ciclo sono-vigilia perturbado.

O delírio é caracterizado, sobretudo, pela dificuldade de manter a atenção aos estímulos externos e internos, percepções sensorias alteradas (ilusões), perturbações da atividade psicomotora (inquietação, indolência, sonolência, distúrbios emocionais (ansiedade, medo, irritabilidade, raiva, apatia). Nos idosos a imobilização e a transferência para um ambiente não familiar (UTI) são fatores desencadeantes de delírio.

Os fatores de risco para o delirium podem ser divididos entre aqueles que aumentam a vulnerabilidade do paciente e os que precipitam o distúrbio Entre os fatores predisponentes estão doencas do sistema nervoso central (doença de Parkinson, AVC, demência, etc), idade avançada e déficit sensorial.

Virtualmente qualquer condição médica pode precipitar o delirium em uma pessoa suscetível, como: distúrbios hidroleletrolíticos (desidratação, hiponatremia, hipernatremia, hipercalcemia); infecções (urinárias, respiratórias, de pele e partes moles); alterações metabólicas (hipoglicemia, hipoglicemia, uremia, insuficiência hepática), baixo débito cardíaco (insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio, choque); hipoxemia e toxicidade por drogas.

Os medicamentos constituem a causa principal dos delírios, aproximadamente 30% de todos os casos de delirium, e sua lista é bastante extensa. Toda via, sempre que o idoso se apresenta em delírio, devemos pensar que pode ser resultado de uma reação adversa de um medicamento (ex. analgésicos, cardiotônicos, antiarrítmicos, narcóticos, anticonvulsivantes, antiparkinsonianos, antidepressivos, ansiolíticos, antiácidos, sedativos, hipnóticos, relaxantes musculares, anti-histamínicos, esteróides e antihipertensivos). Outro fator de delirium é o desconhecimento dos medicamentos que o paciente vinha usando, por exemplo a suspenção abrupta de benzodiazepínicos pode levar a síndrome de abstinência e causar o delirium.

No contexto cirúrgico, o tipo de anestesia não parece influenciar no risco de delirium. No entanto, um hematócrito baixo (menor que 30%), a dor não tratada e a retençnao urinária podem ser causas de agitação e confusão mental.

Inouve e colaboradores 1990, descreveram estratégia para se identificar o delírio nestes pacientes, denominada Método de Avaliação da Confusão (CAM – Confusion Assessment Method).

O tratamento do delirium está fundamentado em dois objetivos simultâneos: manejo das alterações do comportamento; diagnóstico e tratamento dos fatores desencadeantes. O comportamento agitado ou agressivo ocorre em menos de um terço dos pacientes e pode ser controlado com haloperidol, evitando-se o risco de quedas.

A prevenção do delírium é feita com a utilização de oxigênio terapia no (2l/min) no pós-operatório imediato, controle da hidratação, analgesia e controle dos níveis dos eletrólitos (sódio e potássio) e de hemogobina.

help

O programa hospitalar para a vida do idoso (HELP), ajuda em hospitais e salas de atendimento de urgência, por incorporar várias estratégias que identificam causas ambientais e comportamentais do corpo médico potencialmente causadora do delirium (Veja site na referência abaixo).

Veja Mais – Delírio nos idoso internados

Referência:

Sitta MC, Machado AN, Apolinário D, Leme LEG – Avaliação perioperatória do idoso. Geriatria & Gerontologia. 2(2):86-94,2008.

Inouyse SK et al: Clarifying confusion: the confusion assessment method: a new method for detection of delirium. Ann Intern Med 113:941-948,1990.

Kane RL, Ouslander JG Abrass IB – Trad. Ito A, Cosendey CH, Rodrigues DC – Cap. 6 Confusão: Delírio e demência. 115-136. McGraw-Hill 2004.

Inouyse SK, Bogardus ST, Baker DI, Leo-Summers L, Cooney LM: The hospital elder life program: a model of care to prevent cognitive and funcional decline in older hospitsalized patients. J Am Geriatr Soc 48:1697-1706.2000.

HELP – Hospital Elder Life Program [on line]

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Delírio nos idosos
Delirium na UTI – Parte 2. Etiologia e fatores de risco
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Delirium na UTI – Parte 3. Diagnóstico
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Delirium na UTI – Parte 1. Aspectos gerais

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17
mai

 Desnutrição no idoso – Parte 1. Aspectos gerais

Categoria(s): Gastrogeriatria, Gerontologia, Nutrição, Programa de saúde

Resenha

A base do envelhecimento e das doenças

Colaboradora: Angela Terezinha de Favari Fornari *

* Nutricionista e pós-graduada do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A velhice tende a ser vista como época de perdas e incapacidades. Situações como viuvez, aposentadoria, menor oportunidade de empregos formais estáveis e aumento dos gastos com a própria saúde fazem com que ocorra a perda de poder aquisitivo do idoso, menores oportunidades de convívio social, perda de familiares e amigos e institucionalização, que podem acarretar isolamento social, sentimento de inferioridade e depressão.

Um importante problema do envelhecimento populacional é a ocorrência de pessoas com dependência e necessidade de institucionalização.

As condições financeiras têm tudo a ver com a qualidade do envelhecimento. O idoso que tem recursos próprios pode pagar profissionais que cuidem das suas necessidades, inclusive a alimentação.
No Brasil e em outros países em desenvolvimento, os idosos se encontram em completo abandono. Abrigar-se em asilos particulares é muito caro. Nos asilos públicos quando há vagas, não existe o cuidado e o respeito necessário. A tendência é a perda da auto-estima e da dignidade do idoso. Sem vontade nem motivações para viver, ele limitará sua alimentação a um mínimo necessário, cairá doente, será hospitalizado e não tardará a morrer.

Quando a família opta por cuidar de seus idosos, isso não significa que eles estejam sendo bem tratados. No Brasil, estima-se que 1,3 milhão de idosos estejam com baixo peso por conta da desnutrição.

As instituições de longa permanência (ILP) para idosos recebem várias denominações, como casa de repouso, asilo, clínica geriátrica. As principais causas de institucionalização do idoso são imobilidade, incontinência urinária e fecal e demência. Os residentes de instituições de longa permanência apresentam como características comuns múltiplas doenças crônicas e diminuição da independência.

Idosos institucionalizados normalmente são mais velhos que aqueles que vivem em comunidade, com idade média em torno dos 80 anos, apresentam maior número de doenças e dependências físicas, psíquicas e sociais.  A alimentação é um aspecto importante nesta faixa etária, pois os efeitos do avanço da idade, como as mudanças na composição corporal e no sistema orgânico, alteram os requerimentos nutricionais desta população. A maioria dos idosos conserva os hábitos de alimentação formados quando ainda eram mais jovens É comum encontrarmos idosos desnutridos em nosso meio, especialmente em instituições asilares e em hospitais. Deve-se destacar que na terceira idade é comum a prescrição de dieta para determinada doença que passa a ficar incorporada a vida da pessoa. O hábito de consumir com muita freqüência “chá com torradas” provoca situação vulnerável a inúmeras deficiências alimentares.

A desnutrição protéico-calórica (DPC) é distúrbio nutricional mais importante observado nos idosos e está associada ao aumento da mortalidade e infecções, com redução da qualidade de vida. Entretanto, a DPC é  freqüentemente ignorada porque é erroneamente vista como parte do processo normal de envelhecimento.

No envelhecimento normal ocorrem aumento do tecido adiposo, redução da massa muscular, redução da água corporal total, perda de paladar e olfato, diminuição na produção de pepsina e do ácido clorídrico, com conseqüente diminuição na ingestão de alimentos.

Muitas pessoas nessa faixa etária correm risco de desnutrição por vários motivos:
Falta de informação sobre uma nutrição adequada
Limitações financeiras
Incapacidade física, que interferem com a compra e preparo de alimentos
Isolamento social
Anorexia (falta de apetite)

A má absorção provocada por doença gastrointestinal agravam ainda mais o estado nutricional do idoso.

O uso à longo prazo de certas drogas terapêuticas que interferem com a absorção e o metabolismo de nutrientes, pode também causar desnutrição nos idosos.

Muitos idosos tem dificuldade em mastigar, além disso, azia, prisão de ventre, intolerância a lactose e outros problemas digestivos aumentam com a idade.

Estudos mostram elevada ocorrência de baixo peso em idosos de ILP, como também elevada percentagem de pacientes com obesidade. Pessoas idosas que habitam casas de repouso de má qualidade podem desenvolver grave estado de desnutrição simplesmente devido à ingestão inadequada.

Há evidências de que cerca de 70% dos idosos institucionalizados ingerem dieta deficiente em energia e fibras, e cerca de 80% apresentam níveis reduzidos de albumina e 50% emagrecimento importante.
Estima-se que, atualmente, cerca de 20% da população idosa ambulatorial brasileira tenha desnutrição. Entre idosos hospitalizados e institucionalizados este número pode chegar a 60%.

A desnutrição pode não ser reconhecida nos idosos porque as mudanças associadas ao envelhecimento podem estar sobrepostas à condição de baixo conteúdo protéico energético. Casos de desnutrição grave são mais facilmente identificados do que os leve ou moderadamente desnutridos, que podem não ter sinais declarados de desnutrição. O descuido dos profissionais da saúde em relação a estes aspectos, é responsável pela subnotificação da desnutrição subclínica.  A desnutrição leva à confusão mental e a uma série de sintomas vagos de difícil diagnóstico. Há perda de peso, fraqueza, queda de cabelos, inchaço, alterações da cor da pele, etc.

Os fatores psicológicos, sociais e culturais têm influência na qualidade da alimentação dos idosos. Uma alimentação bem balanceada é capaz de fornecer todas as vitaminas necessárias ao organismo. É fundamental que o idoso apresente uma dieta equilibrada em carboidratos, proteínas, gorduras. O atendimento das necessidades de vitaminas e minerais é essencial, pois esses nutrientes, além de atuar regulando diversas funções no organismo, agem como antioxidante e previnem o envelhecimento e aparecimento de doenças. Além disso, é importante a refeição apresentar aspectos agradáveis, como a cor, sabor, aroma e textura, e que seja priorizado o prazer no momento da refeição, atendendo as preferências do idoso.

Referências:

Veja no final da página do dia 19 de maio 2009 – Desnutrição no idoso – Parte 3. Recomendações nutricionais

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Veja Também:
Desnutrição no idoso – Parte 2. Avaliação nutricional
Poemas da Silvia Trevisani – Boa Esperança (Minas Gerais)
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Nutrição no paciente idoso – Aspectos gerais
Trombose venosa e embolia pulmonar
Desnutrição oculta na terceira idade

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