Arquivo de Gastroenterologia





11 - fev

Ancilostomíase – O que é?

Categoria(s): Gastroenterologia, Infectologia, Programa de saúde pública

Dicionário

A Ancilostomíase, conhecida também como Amarelão ou doença do Jeca Tatu, é uma infecção intestinal causada por vermes (nematódeos), que nos casos de infecções leves, pode apresentar-se sem nenhum sintoma. Apresentações clínicas importantes, como um quadro gastrointestinal agudo caracterizado por náuseas, vômitos, diarréia, dor abdominal e flatulência, também podem ocorrer. Em crianças com parasitismo intenso, pode ocorrer queda na quantidade de proteína sanguínea e atraso no desenvolvimento físico e mental. Com frequência, dependendo da intensidade da infecção, acarreta anemia ferropriva.

A classe Nematoda (Rudolphi, 1808) reúne os helmintos de corpo cilíndrico, fino e alongado, de vida livre ou endoparasitos. Pertencem a esta classe os enteroparasitos (parasitos intestinais) humanos mais comuns, como Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenale, Necator americanus, Strongyloides stercoralis, Enterobius vermicularis, Trichocephalus trichiurus etc.

Sintomatologia – Os sintomas são coceira na pele, anemia, perda de sangue pelas fezes, tosse, dores abdominais e disturbios gastrointestinais.

Transmissão – A transmissão é feita através dos ovos depositados no solo, contidos nas fezes do indivíduo contaminado. Em condições favoráveis de umidade e temperatura, as larvas tornan-se infectantes em um prazo de 7 a 10 dias. A infecção nos homens ocorre quando essas larvas infectantes penetram na pele, geralmente pelos pés, causando inflamação na pele. As larvas dos ancilóstomos, após penetrarem pela pele, passam pelos vasos linfáticos, vão para a corrente sanguínea e, nos pulmões, penetram nos alvéolos. Daí migram para a traqueia e faringe e chegam ao intestino delgado, onde se fixam, atingindo a maturidade ao final de 6 a 7 semanas, passando a produzir milhares de ovos por dia.

Diagnóstico – O diagnóstico é, em geral, clínico, devido à ‘coceira’ causada pela doença. Já o diagnóstico laboratorial é realizado pelo achado de ovos no exame de fezes.

Tratamento – O tratamento é feito com medicamento. Para isso, consulte um profissional especializado. Já o controle de cura é realizado no 7º, 14º e 21º dias após o tratamento, mediante exame parasitológico de fezes.

Prevenção – A prevenção é feita através dos hábitos de higiene pessoal, como lavar as mãos antes das refeições e o uso de calçados, através do saneamento básico, evitando a contaminação do solo, especialmente nas zonas rurais e ainda tratamento de infectados.

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04 - fev

Teníase

Categoria(s): Gastroenterologia, Neurologia geriátrica, Programa de saúde pública

Dicionário

O complexo Teníase/Cisticercose é constituído por duas doenças distintas, causadas pela mesma espécie de cestódio (plateomintos), em fases diferentes do seu ciclo de vida.

A Teníase, também conhecida como Solitária, é provocada pela presença da forma adulta da Taenia solium ou da Taenia saginata, no intestino delgado do homem. A Cisticercose, também chamada de Lombriga na cabeça, é causada pela larva da Taenia solium nos tecidos.

A situação da Cisticercose suína nas Américas não está bem documentada. O abate clandestino de animais, sem inspeção e controle sanitário, é muito elevado na maioria dos países da América Latina e Caribe, sendo a causa fundamental da falta de notificação. No Brasil, a Cisticercose tem sido cada vez mais diagnosticada, principal mente nas regiões Sul e Sudeste, tanto em serviços de neurologia e neurocirurgia, quanto em estudos anatomopatológicos. A baixa ocorrência de Cisticercose em algumas áreas, como, por exemplo, nas regiões Norte e Nordeste, pode ser explicada pela falta de notificação ou porque o tratamento dos indivíduos acometidos é realizado em grandes centros, o que dificulta identificar a procedência do local da infecção.

Sintomatologia – Os sintomas são dores abdominais, náuseas, debilidade, perda de peso, flatulência, diarréia ou constipação. A infestação pode ser percebida pela eliminação espontânea de proglotes do verme nas fezes.

Transmissão – A Teníase é adquirida pela ingestão de carne de boi ou de porco mal cozida, que contém as larvas. Quando o homem acidentalmente ingere os ovos de T. solium, adquire a Cisticercose. A Cisticercose humana por ingestão de ovos de T. saginata não ocorre ou é extremamente rara.

Diagnóstico – O diagnóstico geralmente é feito pela observação do paciente ou, quando crianças, pelos familiares. Isso ocorre porque os proglotes são eliminados espontaneamente e nem sempre são detectados nos exames parasitológicos de fezes.

Tratamento – O tratamento é feito com vermifugo específico.

Prevenção – A prevenção é feita com trabalhos educativos em saúde, inspeção santária de alimentos. Não devemos esquecer de lavar bem os alimentos e evitar ingerir alimentos mal cozidos.

 

Referência:

http://www.cremerj.org.br/publicacoes/145.PDF

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02 - fev

Hepatite viral – Vírus da Hepatite B

Categoria(s): Biologia, Gastroenterologia, Imunologia, Infectologia, Programa de saúde pública

Virologia: Hepatite viral

Vírus da hepatite B – O vírus da hepatite B apresenta oito genótipos, determinados de acordo com a variação da seqüência completa do genoma do HBV. Tais genótipos se expressam em áreas geográficas distintas no mundo e têm participação diferente na progressão da doença e na resposta ao tratamento. Eles podem influenciar, por exemplo, a taxa de progressão de fibrose ou o índice de desenvolvimento do CHC e deveriam ser levados em consideração antes de ser definido o tratamento. Embora as estatísticas sobre a expressão do HBV no Brasil sejam precárias, sabe-se que os genótipos A, D e F são os mais encontrados.

Hepatite B

O vírus HBV apresenta uma parte central chamada core. Nele se encontra o ácido nucléico vírus, uma enzima DNA-polimerase e três diferentes antígenos: o antígeno da superfície viral, denominado pela sigla HBsAg – Austrália, o antígeno do core, o HBcAg e o antígeno E ou HBeAg. Cada um estimula a produção de anticorpos específicos: respectivamente, anti-HBs, anti-HBc e anti-HBe. Em pessoas não vacinadas, a presença do vírus é detectada pela identificação do antígeno HBsAg e HBeAg. A pesquisa desses marcadores é importantíssima não somente no diagnóstico, mas no controle da hepatite B viral, pois a persistência dos antígenos ou a sua predominância em relação aos anticorpos indicam o estágio clínico da doença.

Para detectar a carga viral, é preciso medir a concentração do DNA do vírus por meio da reação em cadeia da polimerase. O teste de PCR é o mais eficaz. Se a carga viral for acompanhada do antígeno HBeAg em alta concentração, a chance de replicação do HBV é maior; se o antígeno HBeAg apresentar-se em concentração muito baixa, dificilmente o vírus terá capacidade de infectar outras pessoas.

A hepatite B crônica não tem cura, como se sabe. As drogas antivirais existentes não conseguem inibir completamente a replicação do HBV, o que explica os altos índices de recorrência da doença quando há interrupção do tratamento. Entretanto, os medicamentos disponíveis podem evitar que o vírus cause danos irreversíveis como a cirrose e o câncer.

Referência:

Petrosillo N, Puro V, Jagger J, Ippolito G – The risks of occupational exposure and infection by human immunodeficiency virus, hepatitis B virus, and hepatitis C virus in the dialysis setting. Italian Multicenter Study on Nosocomial and Occupational Risk of infections in Dialysis. Am J Infect Control 1995;23:278-285.

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29 - dez

Cirrose Hepática – Transplante Hepático

Categoria(s): Gastroenterologia

Transplante hepático

O transplante hepático é efetuado para uma ampla variedade de causas de insuficiência hepática, sendo a hepatite C a indicação atual mais frequente. Assim, os pacientes com encefalopatia hepática recorrente, ascite refratária, síndrome hepatorrenal e sangramento recorrente de varizes esofágicas devem ser considerados para possível realização de transplante do fígado. Porém, os pacientes com cirrose estável, sem descompensação ou complicações, provavelmente não obtêm muito benefício com o transplante.

As complicações do transplante são trombose da veia hepática ou veia porta anastomosada e infecções bacterianas. As infecções por fungos, como candidíase, estão relacionadas com uso de cateteres intravasculares ou abscessos intra-abdominais, e geralmente, ocorrem no período pós-operateorio imediato.

O transplante está contra-indicado nos casos de sepse sistêmica, abuso ativo de álcool, doença maligna extra-hepática e doença cardiopulmonar avançada. Os carcinomas hepatocelulares volumosos não são contra-indicação ao transplante, pois conseguem sobreviver 3 anos após o transplante.

A seleção de doadores de órgãos para o transplante de fígado baseia-se, primeiramente, na compatibilidade do tipo sanguíneo ABO e do biótipo entre doador e receptor.

Referências:

Küss R, Bourget, P. El corazón. In Küss R, Bourget P (eds). Una historia ilustrada del trasplante de órganos. Rueil-Malmaison, Sandoz, 1992; 105-33.

Raia S, Pinto I, Lopes JD et al. Transplante de fígado. (Monografia apresentada à Academia Nacional de Medicina.) Rio de Janeiro, 1969.

Mies S. Transplante de Fígado. Rev. Assoc. Med. Bras. vol.44 n.2 São Paulo Apr./June 1998 [on line]

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25 - dez

Trombose hemorroidária externa

Categoria(s): Emergências, Enfermagem, Gastroenterologia

Trombose Hemorroidária externa

Mais de 80% da população convive com doenças das hemorróidas, mas, por medo ou vergonha, poucas procuram ajuda médica.

hemorroidasAs hemorroidas são dilatações do plexo venosos hemorroidário, situam-se no canal anal, que tem cêrca de 2 a 2,5 cm de comprimento, situando-se entre o ânus (esfincter externo) e a linha denteada ou pectínia (internamente, veja seta na figura), onde começa o reto (esfincter interno). A drenagem venosa do canal anal é dividida pela linha pectínia em: plexo hemorroidário superior ou interno, drena o sangue para o sistema portal através da veia hemorroidária superior e veias mesentéricas inferiores. Estas hemorroidas, geralmente, são indolores.

Plexo hemorroidário inferior ou externo, que começa abaixo da linha pectínea e drena o sangue através das veias hemorroidárias inferiores ou medianas para a veia ilíaca interna. Essas hemorróidas podem ser desconfortáveias e dolorosas.

Trombose hemorroidária – As hemorróidas externas trombosadas (coagulo de sangue no inerior da veia), são na maioria dos casos devidas à rutura de uma veia do plexo hemorroidário extreno, durante um esforço para defecar originando um hematoma submucoso tenso; surge uma dor intensa e súbita além de um típico nódulo arredondado no orifício anal, recoberto por pele tensa contendo um coágulo azulado.

Sintomatologia – A pessoa sente o aparecimento súbito de uma saliência dolorosa no ânus e frequentemente relaciona o início do quadro com esforço exagerado na evacuação. Na maioria das vezes, o quadro se resolve espontâneamente, com desaparecimento da dor após alguns dias, embora a saliência possa permanecer por semanas.

Tratamento – O tratamente inicial deve ser feito com analgésicos e antiinflamatórios orais, higiene anal com água após as evacuações. Está indicado o uso de alimentos e laxantes que tornem as fezes formadas e macias. Emprego tópico de medicamentos anestésicos e flebotônicos pode ser feito. Em casos severos, dor persistente, pode optar por remover o coágulo contido na hemorróida com uma incisão pequena sob anestesia local. Esta cirurgia geralmente proporciona alívio.

Referências:

Quilici FA – Tratamento atual das hemorróidas In Dani RA A Gastroenterologia Hoje e Amanhã. Fepege 1996.

Quilici FA – Doenças Anorretais. Coleção Altana em Doenças Gastrointestinais. 2002.

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