Arquivo de Gastroenterologia





30 - abr

Endoscopia digestiva – Cápsula vídeo câmera (PillCam SB 2)

Categoria(s): Avanços da Medicina, Gastroenterologia

Endoscopia digestiva – Cápsula com vídeo câmera (PillCam SB 2)

 

Avanços da medicina

A endoscopia digestiva alta (Gastroduodenoscopia) e a endoscopia digestiva baixa (colonoscopia) necessida de sedação do paciente para a realização do exame, o que, muitas vez não é bem tolerada pelos pacientes idosos. A utilização de pequenas video-câmeras colocadas em cápsula facilmente ingeridas pelo paciente (A Plataforma PillCam com PillCam SB cápsulas) permite a visualização da mucosa do intestino delgado.

Indicações do seu uso

  1. Visualização e controle das lesões que podem indicar a Doença de Crohn .
  2. Visualização de lesões que pode ser uma fonte de sangramento obscura (seja manifesta ou oculta).
  3. Visualização de lesões que podem ser potenciais causas de anemia por deficiência de ferro.
  4. Detecção de anomalias do intestino delgado e é destinado para utilização em adultos e crianças a partir dos dois anos de idade.

Contra-indicações

  1. Pacientes com diagnósticos prévios ou suspeitos de obstruções, estenoses ou fístulas do trato gastrointestinal.
  2. Pacientes com marcapassos implantados ou outros dispositivos eletromédicos.
  3. Pacientes com distúrbios da deglutição.

Riscos Procedimento

1. Retenção da cápsula

Retenção da cápsula é definida quando a cápsula que permanece no trato digestivo durante mais de duas semanas. Causas de retenção citados na literatura incluem:  Doença de Crohn, tumores do intestino delgado, aderências intestinais, ulcerações e enterite de radiação. Tem sido relatado em menos de dois por cento de todos os procedimentos realizados.

Pode-se verificar a passagem da cápsula no trato GI com um radiografia abdominal de raios-X.

2. Aspiração da cápsula

Apesar de raro, existe o risco de aspiração da cápsula enquanto que os pacientes estão tentando engoli-la. A cápsula PillCam pode ser administrada usando-se um cateter transesofágico em doentes que são incapazes de ingerir a cápsula, ou que são conhecidos por terem o esvaziamento gástrico lento. As complicações potenciais desta manobra incluem, mas não estão limitados a ela, são: perfuração, hemorragia, aspiração, febre, infecções arritmia, hipertensão, parada respiratória e/ou cardíaca. Intervenção médica ou cirúrgica pode ser necessária para enfrentar qualquer uma dessas complicações, caso elas ocorram.

3. Irritação da pele

Há também um baixo risco de irritação da pele a partir da matriz adesiva do sensor PillCam de manga ou exposição silicone.

4. Cuidados gerais

Após a ingestão de uma cápsula PillCam e até que a cápsula é excretado, os pacientes não devem estar perto de qualquer fonte de campos eletromagnéticos poderosos, tais como dispositivo de ressonância magnética

Veja o vídeo animado da endoscopia digestiva do intestino delgado utilizando a cápsula com câmera.

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29 - abr

Vômitando sangue – Como agir

Categoria(s): Conceitos, Emergências, Enfermagem, Gastroenterologia

Vômitando sangue – Como agir

 

Entendendo a gravidade da situação

Uma das visões mais contundentes é assistir uma pessoa vômitando sangue. Os filmes exploram esta imagem sempre que algum personagem sofre um ato violento, mesmo que o trauma tenha sido em algum local do corpo que certamente não causa hemorragia no trato gastrointestinal, como exemplo trauma região posterior do abdomen (região lombar).

Em geral, a hemorragia digestiva alta, que causa o vômito sangüinolento, ocorre em aproximadamente 100 casos por 100 mil adultos/ano. As ulcerações pépticas (úlcera do estômago ou duodeno) representam cerca de 50% a 60% de todos os casos de hemorragia digestiva alta, com melhora espontânea em cerca de 80% dos pacientes. Nos últimos trinta anos os índices de morbidade (6%) e mortalidade ( 7%) desta emergência não melhorou mesmo com os avanços da terapêutica medicamentosa e endoscópica.

Tratamento

A correta abordagem terapêutica dessa hemorragia digestiva está diretamente relacionada não somente a sua causa, mas também a sua intensidade. Para se avaliar a intensidade da hemorragia, pode-se utilizar o critério estabelecido pelo Colégio Americano de Cirurgiões, Grau I (Taquicardia) = 15% de perda; Grau II (Hipotensão postural) = 20 a 25% de perda; Grau III (Hipotensão supina, oliguria) = 30 a 40% de perda; Grau IV (Obnubilação, colapso cardiovascular) = mais de 40% de perdas.

A endoscopia digestiva alta é procedimento padrão para a identificação da causa da hemorragia e, em muitas ocasiões, para a sua efetiva terapêutica. Esse exame deverá ser realizado junto ao leito do paciente e tão logo ocorra o reestabelecimento das condições hemodinâmicas. Quando executado dentro das primeiras 24 horas da ocorrência da hemorragia, seu nível de eficácia poderá chegar a 95%. Para controle de sangramento ou de procedimento endoscópico, esse exame poderá ser repetido tantas vezes quantas forem necessárias.

Causas

As causas principais de hemorragia digestiva alta são:

  1. Varizes do esôfago e fundo gástrico;
  2. Síndrome de Mallory-Weiss;
  3. Úlceras de esôfago;
  4. Esofagite;
  5. Úlceras pépticas gástricas;
  6. Úlceras pépticas duodenais;
  7. Úlcera de Dieulafoy em fundo gástrico;
  8. Gastrite erosiva;
  9. Neoplasia do esôfago;
  10. Neoplasia do estômago;
  11. Úlceras isquêmicas.

Assista o vídeo endoscópico de um caso de múltiplas úlceras gástricas – imagens elevadas e amareladas

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28 - abr

Dispepsia – Causa psíquica: Náusea e Enjoo

Categoria(s): Gastroenterologia, Psicologia geriátrica, Semiologia Médica

Dispepsia

 

Entendendo os sintomas dispépticos de origem psíquica

 DISPEPSIA

Os pacientes portadores de distonias vegetativas e neuroses podem procurar o clínico geral e serviços de emergência com sintomas indicativos de um quadro dispéptico.

Náusea é a sensação de mal-estar e desconforto no estômago superior e na cabeça com uma vontade de vomitar. Um ataque de náusea é conhecido como um enjoo.

Os sintomas da dispepsia estão relacionados com alterações da motricidade, secreção, tensão das paredes e do interior do estômago, vias biliares e condutos pancreáticos.

Náusea muitas vezes é indicativa de uma condição subjacente noutras partes do corpo, fora do aparelho digestório. Um bom exemplo é a vertigem “Laberintite”, que é devido a uma confusão entre a percepção de movimento e movimento real. A náusea pode ser um problema durante alguns esquemas de quimioterapia e após uma anestesia geral. Náusea também é um sintoma comum de gravidez, em que ele é chamado de “doença de manhã”. Náusea leve experiente durante a gravidez pode ser normal e não deve ser considerada uma causa imediata para alarme. Estudo recente, utilizando náuseas induzidas e estudadas por exame de ressonância magnética, constatou aumento de atividade na amígdala cerebral e no locus coeruleus. Como estas regiões cerebrais estão envolvida com aversão e alarme, é facil entender que estados de estresse podem levar a este desconforto.

Nas alterações motoras do estômago pode ocorrer quadros hipercinéticos ou hipocinéticos. Nos quadros hipercinéticos há aumento da tensão intramural o estômago e o paciente sente predominantemente dores na região epigástrica. Estes quadros são acompanhados de hipersecreção, o que provoca a sensação de queimação no estômago, acidez com azia e refluxo gastroesofágico. Este quadro gástrico produz aumento do apetite. Nos quadros hipocinéticos existe uma diminuição do produtos estomacais, sensação de peso no estômago, empaxamento pós-prandial (plenitude gástrica), sensação de digestão difícil, flatulência e constipação intestinal.

Apesar dos aspectos psicológicos indicarem a origem psíquica da dispepsia, onde a labilidade emocional e a personalidade neurótica (ansiedade, fobias, depressão, nojo, raiva) chamam a atenção, deve-se, sempre, excluir as possíveis causas orgânicas da dispepsia.

O controle do quadro psicológico melhora os sintomas dispépticos.

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27 - abr

Dispepsia – Causa reflexa: Dores abdominais

Categoria(s): Emergências, Gastroenterologia, Infectologia, Inflamação

Dispepsia

 

Entendendo os sintomas dispépticos de origem reflexa

DISPEPSIA

Inflamação da vesícula biliar (colecistite) e cálculos biliares são causas frequentes de dispepsia e tem como fato relevante a presença de gosto amargo na boca, especialmente pela manhã.

As doenças e discinesias biliares representam patologias que alteram reflexamente o funcionamento gástrico.

Colelitíase ou Colecistite aguda ou crônica em especial com cálculos é a principal representante da dispepsia reflexa com quadro de dores abdominais localizadas na região do lado superior direito (região do hipocôndrio direito). A intolerância alimentar – frituras, gorduras, chocolates – as náuseas matutinas e flatulência, diarréias e constipação ajudam a compor o quadro clínico de colecistite calculosa. O quadro agudo acompanha de quadro toxêmico, febre, mal estar geral e dor a palpação na região do hipocôndrio direito (Ponto de Murphy). O estudo ecográfico do abdomen auxilia no diagnóstico.

Veja mais – Cálculos biliares

Colecistite aguda acalculosa (CAA) é a inflamação aguda da vesícula biliar na ausência de pedras geralmente ocorre nas pessoas que são submetidos a grandes cirurgias, infecções extremamente graves, queimados ou traumatismos extensos. Outros problemas comumente relacionados são diabetes, câncer, transplante de medula, vasculites, embolias (principalmente gordurosa), AIDS e insuficiência cardíaca grave. Assim, este evento não apresenta a dispepsia reflexa como ponto principal.

Discinesia biliar

VesículaO termo mais aceito na atualidade é distúrbio funcional da vesícula biliar, produz sintomas de dor abdominal, geralmente após refeições colecinéticas (especialmente alimentos gordurosos). Os sintomas se dão pelo não funcionamento adequado da vesícula biliar, que acomete cerca de 8% dos homens e 21% das mulheres que tem dor na parte superior direita do abdômen com ultrassonografia normal.

A dor geralmente se dá em episódios (ou crises) que são espaçados e não diários, é intensa e dura pelo menos 30 minutos, geralmente obrigando o paciente a acordar, parar suas atividades ou refeição e muitas vezes a procurar ajuda médica imediatamente. Dor superior a 6 horas de duração chama a atenção para colelitíase e suas complicações. A dor não melhora com postura, posição, evacuação ou antiácidos.

Não se sabe exatamente o que causa esta disfunção. Dentre as diversas teorias propostas, as mais aceitas são o depósito de cristais na bile (fase anterior à formação de pedras) ou que a discinesia da vesícula biliar esteja relacionada com distúrbios dos hormônios que controlam o esvaziamento da bile, a contração da vesícula biliar ou do esfíncter de Oddi que controla a saída de bile para o intestino (duodeno).

Tratamento – O tratamento inicialmente é clínico com mudança do padrão alimentar, evitando-se alimentos gordurosos e refeiçnoes copiosa, principalmente no jantar. Medicação sintomática auxilia no controle clínico. Nos casos de difícil controle pode-se optar por tratamento cirúrgico, com remoção da vesícula biliar.

Referência:

Ransohoff DF, Gracie WA – Treatment of gallstones. Ann Inter Med. 1993;119:606-619.
Westphal JF, Brogard JM – Biliary tract infections: a guide to drug treatment. Drugs 1999;57:81-91.
Carpenter HA – Bacterial and parasitic cholangitis. Mayo Clinic proc. 1998;73:473-478.

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26 - abr

Dispepsia – Causa funcional: Empaxamento

Categoria(s): Conceitos, Gastroenterologia, Semiologia Médica

Dispepsia

 

Entendendo os sintomas dispépticos de origem funcional

DISPEPSIA

A gastroparesia é um bom exemplo de um quadro dispéptico de causa funcional. Pode ser causada por medicamentos (agentes anticolinérgicos e narcóticos) ou por doenças sistêmicas, como esclerodermia e diabetes mellitus, ou pode ser sem causa definida (idiopática).

O estomago funciona como um reservatório, permitindo controle da passagem de líquidos e sólidos para o intestino delgado, para otimizar o processo de digestão e absorção dos alimentos. A gastroparesia é uma disfunção secundária à distúrbios da unidade neuromuscular do estômago, que causa falha no esvaziamento gástrico. Os pacientes com gastroparesia podem ser assintomáticos, porém essa disfunção pode afetar o estado nutricional e resultar em uma série de sintomas como dispepsia, distensão abdominal, náusea, vômitos e perda de peso.

Diagnóstico

O diagnóstico é fundamentado na verificação do retardo no esvaziamento gástrico. Estudos com bário do trato gastrointestinal superior e endoscopia (achado de alimentos retido horas depois de uma refeição) podem sugerir gastroparesia. Eletrogastrografia (EGG) e eletromiografia (EMG) podem fechar o diagnóstico de gastroparesia neural (diabetes mellitus) ou miopática (esclerodermia).

Tratamento

Agentes procinéticos, como metoclopramida, cisaprida e eritromicina (agonista da motilina), atuam na função motora do estômago por meio de diferentes mecanismos.

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