Arquivo de Plantas medicinais

07
Nov

 Garcínia - Garcinia cambogia

Categoria(s): Bioquímica, Plantas medicinais, Saúde Geriátrica

Fitoterápicos

Garcinia cambogia

A Garcinia cambogia, pertencente à família das Clusíaceae, é originária do sul da Ásia e África Tropical. Há séculos seus frutos cítricos vêm sendo consumidos pelos nativos da região como aromatizante, condimento e preservante de alimentos. Popularmente é conhecida como Malabar Tamarindo ou Goraka.

O HCA (ácido hidroxicítrico) é muito semelhante ao ácido cítrico, substância que dá a característica ácida na laranja, limão e outras frutas cítricas.

Em relato de pessoas que consumiam seus frutos, observaram-se perdas substanciais de peso. Com isso, principalmente a partir da década de 60, muitos estudos botânicos, farmacêuticos e médicos começaram a ser realizados. Atualmente, após muitas pesquisas científicas, a Garcinia cambogia tem obtido um grande sucesso no tratamento da obesidade e em regimes de emagrecimento, e tornou-se um produto revolucionário nos Estados Unidos, pois atua por mecanismos exclusivamente metabólicos, não interferindo no SNC.

Propriedades

O Ácido Hidroxicítrico (na forma de hidroxicitrato) é um inibidor efetivo da síntese dos ácidos graxos. Isto se dá pela interrupção do fornecimento de Acetil Coenzima A (ACoA), elemento essencial no processo de biossíntese de ácidos graxos (unidade fundamental dos triglicerídios e lipídeos polares) e colesterol.

Durante o processo natural, o ACoA é formado na mitocôndria, mas não passa através da membrana mitocondrial, a menos que reaja com oxaloacetato para dar citrato. Na forma de citrato migra ao citosol da célula (fora da mitocôndria), sendo clivado pela enzima citratoliase em ACoA e oxaloacetato.

Dessa forma, o oxaloacetato novamente retorna à mitocôndria na forma de certos intermediários e o ACoA transportado para o exterior da mitocôndría fica disponível, entre outras coisas, à síntese lipídica, quando sob condições nutricionais de uma dieta rica em carboidratos. Isto resulta em um acúmulo excessivo de triglicerídios no tecido adiposo e no sangue, causando desordens como obesidade e hipertrigliceridemia, respectivamente.

Na presença da garcínia, a clivagem reversa do citrato no citosol (para gerar ACoA) é inibida. O hidroxicitrato, devido à sua similaridade estrutural com o citrato, se “ancora” na citratoliase (mecanismo de competição), mas não pode ser crivada como o citrato, e permanecendo no sítio ativo da enzima, bloqueando sua atividade. Sendo assim, nenhum citrato é crivado, e conseqüentemente nenhum ACoA é sintetizado, portanto não ocorre a síntese de ácidos graxos, evitando acúmulo indesejado. A concentração de citrato aumenta e sua migração a partir da mitocôndria cessa.

A garcinia é um produto natural, sem os efeitos colaterais dos produtos que agem no nível do SNC, não acarretando sono, alteração nos batimentos cardíacos, elevação de pressão

Aumenta levemente o nível de glicogênio no fígado, que envia um sinal de saciedade ao cérebro, reduzindo o apetite. Aumenta o metabolismo basal. Aumenta o metabolização da gordura no organismo.

Importante - Seu uso não é recomendado para mulheres grávidas, lactentes e crianças.

Referências:

Heymsfield SB, Allison DB, Vasseli Jr et al – Garcinia cambogia (hydroxycitric acid) as a potential antiobesity agent: a randomized controlles trial. JAMA 18:1956-1600,1998.

Rao RN, Sakariah KK – Lipid-lowering and antiobesity effect of (-) hydroxycitric acid. Nutrition Research 8:209-212,1988.

Sener A, Malaisse WJ – Hexose metabolism in pancreatic islets. Effect of (-)hydroxycitrate upon fatty acid synthesis and insulin release in glucose-stimulated islets. Biochimie 73:1287-1290,1991.

Sullivan AC, Hamilton JG, Miller ON et al – Inhibition of lipogenesis in rat liver by (-)-hydroxycitrate. Arch. Bioch. 150:183-190,1972.

Muzzarelli RAA – Human enzymatic activies related to the therapeutic administration of chitrin derivatives. CMLS, Cell. Mol. Life Sci 53:131-140, 1997.

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27
Out

 Plantas medicinais - Princípios gerais

Categoria(s): Bioquímica, Nutrição, Plantas medicinais

Observando os efeitos das plantas os homens de todas as culturas descobriram quais eram alimentos, venenos ou remédios. Isso é conhecido como etnobotânica ou etnofarmacologia. Cada povo acumulou conhecimentos das plantas medicinais, passando estes de gerações para gerações. Registros da medicina romana, egípcia, persa e hebraica mostram que ervas eram utilizadas de forma extensiva para curar praticamente todas as doenças conhecidas pelo homem.

Dioscórides, médico, descreveu 600 espécies de plantas com finalidades terapêuticas, servindo de referência durante 18 anos. Galeno, começou a misturar plantas num único preparado, originando o termo “preparações galênicas“. A “Teoria das signaturas” , segundo a qual as plantas atuam terapeuticamente em órgãos morfologicamente similares, foi postulada por Paracelsus, no início do século XVI.

Inicialmente, a indústria farmacêutica baseava-se na sua capacidade de isolar esses ingredientes e torná-los disponível em uma forma mais pura. Contudo, os herbalistas alegam que a natureza colocou na mesma erva outros ingredientes que se equilibram com os ingredientes mais poderosos. Esses outros componentes, embora relativamente menos poderosos, podem ajudar a servir de intermediário, sinergista ou contrapeso quando trabalham de forma harmônica com o ingrediente mais poderoso. Portanto, ao usar essas ervas na sua forma completa, o processo de cura do corpo utiliza os ingredientes oferecidos pela natureza de uma forma mais equilibrada.

A primeira entidade profissional de fitoterapia data de 1864, na Inglaterra, com a criação do National Institute of Medical Herbalistis. Porém, a aceitação da fitomedicina, com extrato padronizado, conhecimento de princípio ativo, mecanismo de ação, controle de qualidade e pesquisa clínica, só ocorreu na Alemanha na década de 1980.

A descoberta dos antibióticos e aumento da síntese de medicamentos, especialmente no período pós segunda guerra mundial, relegou o emprego da fitoterapia a um segundo plano nas condutas médica. A grande biodiversidade do reino vegetal disponibiliza uma infinidade de possibilidades terapêuticas ainda pouco explorada, sobre tudo no Brasil. A resolução da Agência Nacional da Vigilância Sanitária do Brasil (ANVISA) de 17 de fevereiro de 2000, viabiliza registros de fitomedicamentos, com controle de excelência, permitindo aos médicos utilizar estes medicamentos com os preceitos básicos de qualidade, segurança e eficácia, e não pelo puro empirísmo.

Como age as plantas medicinais

As substâncias ativas das plantas medicinais são de dois tipos: os produtos do metabolismo primário (essencialmente sacarídeos), substâncias indispensáveis à vida da planta que se formam em todas as plantas verdes graças à fotossíntese; o segundo tipo de substâncias é composto pelos produtos do metabolismo secundário, ou seja, processos que resultam essencialmente da assimilação do azoto. Estes produtos parecem ser pouco inúteis à planta, mas os seus efeitos terapêuticos, em contrapartida, são notáveis. Trata-se de óleos essenciais (ou essências naturais), resinas, alcalóides como os da cravagem.

SabugueiroA fitoquímica (química dos vegetais), é a ciência que estuda as substâncias ativas, a sua estrutura, a sua distribuição na planta, as suas modificações e os processos de transformação que se produzem no decurso da vida da planta, durante a preparação do remédio vegetal e no período de armazenagem.

A fitoquímica está em estreita ligação com a farmacologia (estudos dos efeitos das substâncias medicinais sobre o organismo humano, do mecanismo e da velocidade da sua ação, do processo de absorção e eliminação, das suas indicações, isto é, do uso contra determinadas doenças).

Geralmente, estas substâncias não se encontram na planta em estado puro, mas sob a forma de complexos, cujos diferentes componentes se completam e reforçam na sua ação sobre o organismo. No entanto, mesmo quando a planta medicinal só contém uma substância ativa, esta tem sobre o organismo humano um efeito mais benéfico que o produzido pela mesma substância obtida por síntese química.

A substância ativa não é unicamente um composto químico, mas apresenta também um equilíbrio fisiológico, é mais bem assimilada pelo organismo e não provoca efeitos nocivos. É nisso que reside a grande vantagem da medicina natural.

Industria Fitoquímica

Toda uma série de métodos modernos permitem por em evidência a presença nos vegetais de determinadas substâncias. Em primeiro lugar, o estudo microscópico, relativo à estrutura anatômica e morfológica do corpo vegetal (atlas microscópicos das drogas vegetais), depois os métodos físicos, como a microsublimação, que consiste em aquecer uma pequena quantidade de droga e fixar sobre um vidro as emanações, que são em seguida analisadas através de métodos químicos. Certas substâncias podem ser detectadas pela sua fluorescência quando iluminadas por uma lâmpada de mercúrio.

As técnicas especiais da química qualitativa e quantitativa permitem também despistar a presença de determinada substância. Estes métodos são descritos em artigos especializados, obedecem a normas estabelecidas a nível nacional e às exigências relativas a qualidade das plantas medicinais.

A natureza química da droga é determinada pelo seu teor em substâncias pertencentes aos seguintes grupos principais: alcalóides, glucosídeos, saponinas, princípios amargos, taninos, substâncias aromáticas, óleos essenciais e terpenos, óleos gordos, glucoquininas, mucilagens vegetais, hormonas e anti-sépticos vegetais.

Princípios gerais

Como regra, a maioria das ervas de gosto amarga é medicinal e potente. As ervas de sabor agradável são potencialmente menos tóxicas e podem ser usadas mais freqüentemente. Todas as raízes e cascas são fungicidas e bactericidas; do contrário, os organismos patogênicos as destruiriam no solo. Raízes, cascas e outras ervas, quando totalmente secas e mantidas nesse estado, retêm seu valor medicinal durante anos.

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20
Mai

 A aterosclerose e o vinho tinto - Compostos fenólicos

Categoria(s): Bioquímica, Cardiogeriatria, Nutrição, Plantas medicinais

Painel

Colaborador : Dr Luiz Antonio Schaffhausser *

* Médico geriatra

uvasParadoxo francês - A população francesa consome 7,6 vezes mais vinho do que a população norte americana. Possui elevados índices de tabagismo, sedentarismo e, especialmente, alto consumo de gordura saturada, três conhecidos fatores de risco para doença arterial coronariana (DAC). Apesar disso, esta população apresenta apenas um terço da incidência destas doenças em relação à população americana, fato este que ficou conhecido como “o paradoxo francês”.

As evidências encontradas contribuíram para reforçar a hipótese de que o consumo habitual e moderado de vinho tinto pode prevenir ou reduzir o risco de desenvolver a DAC.

Um dos principais mecanismos que explicariam estes efeitos está na capacidade antioxidante dos compostos fenólicos presentes em vinhos. Estes compostos inibem a formação de óxidos de colesterol, produtos da oxidação das lipoproteínas de baixa densidade, ou LDL-colesterol, um dos principais fatores desencadeantes da aterogênese.

É antiga a crença nas propriedades benéficas do vinho em relação à prevenção de doenças e manutenção da saúde. Mas só recentemente esta teoria ganhou importância no meio cientifico, graças a evolução da ciência e da tecnologia e dos avanços no campo da fitomedicina.

Estudos epidemiológicos indicam que uma dieta baseada em vegetais e frutas com propriedades antioxidantes ou ainda, uma dieta rica em flavonóides do vinho, são protetoras contra doenças cardiovasculares. As uvas e seus derivados, como vinho e sucos, são ótimas fontes naturais de antioxidantes, particularmente os vinhos tintos, pelo seu alto teor de polifenóis, ou compostos fenólicos, que comprovadamente possuem atividade antioxidante.

Os compostos fenólicos dos vinhos são capazes de estabilizar radicais livres tanto, gerados em sistema aquoso por radiólise (hidroxila, azida, ânion superóxido, peroxila e alcoxil t-butila), como em sistema lipofílico (peroxidação lipídica).

O radical hidroxila e o ânion superóxido gerado pelo sistema enzimático hipoxantina/xantina oxidase estão envolvidos em uma série de reações que provocam danos celulares, como a peroxidação lipídica.

Aterosclerose

A aterosclerose ocorre pelo acúmulo de colesterol nas camadas internas das artérias. O LDL-colesterol exerce a função de remover o colesterol da circulação sanguínea, mas sua estrutura rica em ácido graxo poliinsaturado é muito susceptível a peroxidação lipídica pelo ataque dos radicais livres. Uma vez oxidada, o LDL-colesterol perde a capacidade de transportar o colesterol que se deposita no interior das artérias levando a obstrução.

Vários estudos constataram que os compostos fenólicos de vinho são capazes de inibir a oxidação da lipoproteína de baixa densidade (LDL). A oxidação da lipoproteína da baixa densidade está intimamente correlacionada com as complicações da aterosclerose, que se manifesta como doença arterial coronária, acidente vascular cerebral e/ou doença vascular periférica.

O vinho é benéfico a saúde podendo ser consumido como acompanhamento alimentar. Entretanto, o consumo diário de vinho deve ser controlado para não causar doenças como úlceras gastrointestinais, alcoolismo e cardiopatia alcoólica.

Referências:

Ferreira, A.L.A. e Matsubara, L.S. - Radicais livres: conceitos, doenças relacionadas, sistema de defesa e estresse oxidativo. Rev. Assoc. Med. Bras., jan./mar. 1997, vol.43, no.1, p.61-68. ISSN 0104-4230.

Lima, VLAG, Melo, EA, Maciel, MIS et al. - Fenólicos totais e atividade antioxidante do extrato aquoso de broto de feijão-mungo (Vigna radiata L.). Rev. Nutr., jan./mar. 2004, vol.17, no.1, p.53-57. ISSN 1415-5273.

Mamede, MEOP, Gláucia M. Compostos Fenólicos do Vinho: Estrutura e Ação Antioxidante.B.CEPPA, Curitiba, v.22, n.2, p.233-252,jul./dez.2004.

Moreira, AVB e Mancini-Filho, J - Influência dos compostos fenólicos de especiarias sobre a lipoperoxidação e o perfil lipídico de tecidos de ratos. Rev. Nutr., out./dez. 2004, vol.17, no.4, p.411-424. ISSN 1415-5273.

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