Resenha
Colaboradora : Roberta Inacio Couto
* Enfermeira - Pós-graduanda em Saúde e Medicina Geriátrica - Metrocamp
A Desinstitucionalização do Idoso
De acordo com Oliveira 2003, a desinstitucionalização é um conceito chave para o processo da Reforma Psiquiátrica do qual se obtém diversas críticas tanto na teoria como na prática, fazendo com que diversas constituições geram novas formas e estratégias para lidar com a loucura em direção a outro objeto de existência, sofrimento do sujeito e não as doenças mentais, transformando sujeitos objetivados em sujeitos de direitos.
Muito se fala e se escreve sobre a Reforma, porém na prática diversos pacientes sofrem com a reintegração à sociedade, pois o caminho que os mesmos enfrentam gera-se inúmeras dificuldades, principalmente quando são inseridos neste meio com uma idade mais avançada, ou seja, na velhice.
Ressalta Antunes 2007 que observou em seus estudos uma certa dificuldade em estar modificando esta visão um tanto preconceituoso da população e alguns profissionais de saúde considera o doente mental um ser incapaz de se socializar, sofrendo alguns padrões de rejeição e isolamento, pois muitos profissionais acreditam que só se pode alcançar a cura do doente mental através de intervenções medicamentosas por serem resistentes a prática terapêutica.
Um dos principais objetivos da Reforma e a desinstitucionalização, foi para reduzir leitos e superar a condução cronificantes de “moradores dentro do hospital” que diante a muita pesquisa os números destes pacientes moradores, já estava bem extenso, e com esse novo conceito implicou a formação de alternativas de moradias a um futuro egresso, garantindo assim uma permanência fora do hospital (Furtado 2006).
De acordo com Tenório 2002, retirar esses pacientes de dentro do hospital, não mais se trata de curá-lo, mas sim em adaptá-lo a um grupo, tornando-o novamente um sujeito definido por uma rede e de suas inter-relações sociais, e ainda ressaltando que esses pacientes em especial esses idoso a não reclusão dentro do asilo.
Em uma entrevista Valentin Filho, afirma que a palavra manicômio serviu para designar qualquer hospital psiquiátrico e que ocorre hoje em dia não foi a desinstitucionalização, pois se ocorresse, esse paciente deveriam se tornar totalmente autônomo, e com essa des-hospitalização, eles apenas saíram de dentro dos hospitais e passaram a conviver em residências, supervisionado por uma equipe de saúde.
Portanto de acordo com Villela 2004, essa des-hospitalização ocorre com uma perspectiva de acolher o indivíduo, auxiliando-o em uma história de vida em um contexto social e psicossocial e tendo a enfermagem sempre presente oferecendo uma intervenção terapêutica, ouvindo e auxiliando na reabilitação e construindo uma melhor qualidade de vida, este processo gera uma reconstrução, um exercício de cidadania e contratualidade, objetivando um vínculo afetivo e contínuo com o profissional e paciente, dentro do serviço de saúde.
Papel da enfermagem
Desde a década de 90, do século XX, a atenção do profissional de enfermagem, se direcionou a novas formas em cuidar do doente mental, principalmente do idoso, pois direciona atividades diferenciada ao tratamento, implicando atitudes de respeito e dignidade para com o enfermo, estimulando-o sempre no autocuidado e na sua reinserção em grupos sociais e comunitários (Villela 2004).
A aposta da retirada desses idosos de dentro dos hospitais psiquiátricos não passa por uma simples racionalização de recursos, ao contrário disso, o foco está em promover uma possibilidade de resgate de vida a essas pessoas, de reconhecimento enquanto sujeito cidadanização, da desobjetivação paralisadora que o manicômio imprime, podendo dar a esses idosos um convívio social, em sua própria casa, em uma cidade. E a reaprender hábitos que há muito tempo foram privados pela lógica manicomial, que requer dessas práticas um custo de um valor sem preço.
Dificuldades do programa
O trabalho desenvolvido pela enfermagem com Idosos
O enfermeiro responsável pela Residência Terapêutica (RT) desenvolve atividades grupais no mínimo uma vez por semana com o objetivo de reabilitação e apoio emocional, que são características que aproximam de um trabalho terapêutico dada à natureza e dinâmico.
O grupo se desenvolve em fazer sugestões que chamam a atenção expondo pontos de vista esclarecendo questões que não estejam claras, sendo capaz de lidar com situações imprevistas com tranqüilidade, e perspicaz ao perceber colocações do tipo estereotipadas e predeterminadas.
A equipe de enfermagem assume aqui uma importância vital, ela é presente nas visitas nas orientações de educação em saúde e higiene são indispensáveis.Nessas RT a detecção precoce de agravos à saúde assume tal relevância que pode pôr o trabalho a perder, caso falhe.
Também está ao cargo da equipe de enfermagem a supervisão e a administração medicamentosa, como na detecção de possíveis efeitos colaterais.
Muitos idosos e doentes mentais têm uma longa história de fracasso no estabelecimento de relacionamentos interpessoais e pelo provável significado de comportamento do doente mental. Através da sensibilidade, o enfermeiro junto a enfermagem pode detectar carências emocionais, bem como tomar atitudes que possam ser úteis a reabilitação psicossocial do doente mental (Oliveira 2003).
Grande parte das atividades desenvolvidas pelos seres humanos é realizada em grupos, assim como estudar grupos é de uma importância incontestável, pois quando ocorre um desenvolvimento dessas inter-relações com os indivíduos são mais amplos, na importância do papel social que esses idosos podem desempenhar na sociedade, buscando um caráter decisivo dos movimentos por eles desencadeados.
Oliveira afirma que uma das metas da enfermagem psiquiátrica é de aumentar o sentimento de bem-estar do doente mental, manter sua sobrevivência aliviando-lhe o sofrimento, em especial com estes idosos psiquiátricos a enfermagem deve ser eficiente na sua ajuda terapêutica, mostrando características de preocupação, respeito, conhecimento e responsabilidade, porém para estabelecer um relacionamento interpessoal afetivo, é preciso aceitar o doente como ele é, baseando-se na pessoa, e não nos sintomas ou na sua doença cronificante, é preciso enxergar o paciente como um todo e sendo menos generalista.
Em todo o mundo trata-se de buscar o trabalho cooperativo e em equipe, para atingir o aperfeiçoamento das condições da sociedade humana.
O enfermeiro que lidera o grupo aponta funções de líder nesta etapa, dando um estímulo emocional que é a capacidade de encorajar os membros para expressar os seus sentimentos sendo o seu primeiro objetivo, gerando sentimentos que o grupo possa trabalhar e o outro é o cuidado definido como capacidades de aconchegar, aceitar o paciente, proporcionando um clima de suporte para que ele se sinta seguro para expor seus problemas e dificuldades.
Referências:
Antunes, SMM; Queiroz, MS Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro, vol. 25, nº 01, 2007. Disponível em www.scielosp.org./scielo
Furtado, J.P.,Avaliação da situação atual dos Serviços Residenciais Terapêuticos no SUS, Ciências & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, vol.11, nº 3, 24-42, jul./set.2006.
Oliveira, AGB,Alossi,NP,: O Trabalho de Enfermagem em Saúde Mental: Contradições e Potencialidades Atuais, Rev. Latino-Am Enfermagem, Brasília (DF), vol. 11, nº 3: 333-340, maio./jun. 2003.
Villela, SC, Scatena, MCM, A Enfermagem e o Cuidar na Área de Saúde Mental, Rev.Brasileira de Enfermagem, Brasília (DF), vol. 57, nº 6, 738-741, nov./dez; 2004.