Arquivo de DNT

15
Jul

 Estudo de caso - úlcera plantar em diabético

Categoria(s): Caso clínico, DNT, Dermatogeriatria, Endocrinogeriatria

Interpretação clínica

  • Homem de 56 anos, com diabetes mellitus tipo 2 há oito anos, apresenta úlcera silenciosa de 1,5 cm na superfície plantar do pé esquerdo, acima daa cabeça do primeiro metatarso. Os reflexos nos tendões-de aquiles são ausentes, sensação vibratória diminuída ao longo do hálux e dos maléolos. Perda da sensibilidade sensorial generalizada em ambos os pés. Pulsos periféricos são todos palpáveis, e os pés estão quentes.

Como tratar a úlcera?

As úlceras de pé têm mais probabilidade de se desenvolver e de se tornar infectadas em um pé morno e insensível do que, em um pé frio e isquêmico que sente dor. Estas úlceras devem ser debridadas e feito culturas ds tecidos, para a escolha do antibiótico ideal. Deve procurar meio de evitar o peso e atrito na área afetada. O tempo para cicratização é de duas três semanas.

Os cocos Gran-positivos aeróbicos são os microrganismos mais presentes nas culturas das úlceras dos pés de pacientes diabéticos, especialmente nos diabéticos tipo 1. Se os pacientes limparem suas úlceras duas vezes por dia, mantiverem os pés afetados elevados e limitarem a deambulação, a cicatrização é bem-sucedida em 75% dos casos, A não-melhora após duas semanas indica uma avaliação de insuficiência circulatória arterial.

Estado circulatório - O estado vascular periférico deve ser avaliado em todas as consultas, e se os pulsos forem fracos ou se houver sintomas sugetivos de circulação prejudicada, devem ser realizados estudos vasculares não invasivos (ecodoppler vascular). Nos casos de insuficiência arterial periférica somente a correção da deficiência circulatória permitirá cicatrização da úlcera. Sem irrigação não haverá cicatrização. (veja um caso de insuficiência arterial periférica)

Veja mais sobre pé diabético

Neuropatia diabética - Como os pacientes com neuropatia diabética ficam sem sensibilidade nos pés, podem ocasionar artropatias que dificultam a cicatrização das lesões, e muito importante o estudo radilógico dos pés, além do exame clínico detalhado.

A neuroartropatia é uma forma exacerbada de osteoartrite devido a trauma “auto-infligido” em pacientes com perda signficativa sensorial e proprioceptiva, além de perda de reflexos musculares protetores. No passado, a causa mais comum era a sífilis terciária, as atualmente a neuropatia diabétia é a causa principal. O processo destrutivo resulta em instabilidade, deformidades, fraturas ou infecções secundárias, acometendo especialmente as articulações metatarsofalangeanas.

Veja mais sobre neuroartropatia por diabetes

Referência:

Lipsky BA, Pecoraro RE, Larson SA, Hanley ME, Ahroni JH. Outpatient management of uncomplicated lwer-extremity infections in diabetic patients. Arch Intern Med 1990;150:790-797.

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Veja Também:
Esporão do calcâneo - Fasciíte plantar
Estudo de caso - Hipoglicemia em não diabético
Estudo de caso - Neuroartropatia por diabetes
Estudo de caso - Vasculite
Estudo de caso - Tumor fantasma
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23
Abr

 Memória do Idoso - Parte 1. Funcionamento da memória

Categoria(s): Conceitos, DNT, Gerontologia, Neurogeriatria

Resenha

Colaboradora : Sandra Regina Marques Secchi

* Terapêuta Ocupacional, Pós-graduanda do Curso Saúde e Medicina Geriátrica - METROCAMP


Funcionamento da memória

Ao longo do tempo foram desenvolvidos estudos sobre a memória e seu funcionamento. Segundo Izquierdo, (2002) “memória” é a aquisição, formação, conservação e a evocação de informações.

A memória é uma faculdade cognitiva importante porque ela forma a base da aprendizagem, e armazenamento mental do passado, presente e futuro. A memória humana focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com o envelhecimento. De maneira geral, deve-ser estimulada e trabalhada para garantir sua conservação na velhice.

Existem três estágios da memória: codificação, armazenagem e recuperação. Esses três estágios, respectivamente, têm funções de colocar a informação recebida na memória, mantê-la e recupera-la. Em relação a este processo, pode haver falha em qualquer desses três estágios durante o envelhecimento (ATKINSON 1995).

Grande parte das pesquisas atuais sobre memória procura especificar as operações mentais que ocorrem em cada um dos três estágios citados e explicar como essas operações podem apresentar problemas e resultar em dificuldades na vida ocupacional do idoso.

Devemos ressaltar que existem diferentes tipos de memórias, serão abordados primeiramente os diferentes sistemas e seus conteúdos:

Memória Sensorial: Corresponde ao armazenamento de informações de todo tipo que chegam até os nossos sentidos. Podem ser estímulos visuais, auditivos, tácteis, olfativos, gustativos e proprioceptivos. Uma vez processadas, as informações são transferidas para memória de curto prazo. O traço de memória sensorial permanecerá no sistema se receber atenção e interpretação.

Memória de curta duração: Memória de curta duração ou curto prazo (MCP) é dividida em primária e operacional, sendo também chamada de memória de trabalho. Ambas armazenam informações em curtíssimos períodos de tempo.

A memória de curta duração estende-se desde os primeiros segundos ou minutos após o aprendizado de 3 a 6 horas, tempo que a memória de longa duração leva para ser consolidada, ou seja construída (Izquierdo 2002).

Memória Operacional: Refere-se ao armazenamento temporário da informação necessária para o desempenho de diversas tarefas cognitivas, entre cálculo, leitura, conversação e planejamento.

A memória operacional é responsável pela manipulação da informação, o que ocorre por exemplo: em situações em que se solicita que dígitos sejam subtraídos mentalmente de um valor determinado e que palavras sejam colocadas mentalmente em ordem alfabética. Déficits na memória de trabalho caracterizam-se pela dificuldade de realizar tarefas simultâneas e consequentemente, as informações não são decodificadas, armazenadas e processadas de forma eficaz. Estudos mostram idosos que apresentam dificuldade em memorizar uma seqüência de dígitos e dize-la em ordem inversa, o que exige armazenamento e processamento simultâneos. O desempenho de pessoas idosas nessa tarefa é inferior ao de pessoas mais jovens. As perdas sensoriais podem estar relacionadas aos declínios na memória de trabalho. Quando são trabalhadas e estimuladas há melhora significativa no processamento de informações.

Memória de longa duração: É responsável pelo armazenamento da informação por um período longo de tempo (horas ou semanas).

Ela é dividida em dois subsistemas: memória declarativa ou explicita e memória não declarativa ou implícita.

Memória Declarativa retém informações que o individuo processa conscientemente. Divide-se em memória episódica e memória semântica.

Memória Episódica: A memória episódica é relativa a lembrança de coisas e eventos associados a um tempo ou lugar em particular. Refere-se à informação com contexto espacial e temporal específico, exemplo: A lembrança dos episódios ocorridos durante uma festa na infância ou do conteúdo de uma determinada conversa. A memória episódica tende a ser afetada com o avanço da idade, e está relacionada à dificuldade de atuar no ambiente mais do que no aprendizado. Porém idosos que vivem em contextos com bastantes recursos ambientais podem manter preservadas suas capacidades de evocar conteúdos memorizados ou compensar déficits em seus desempenhos na memória episódica.

Memória Semântica:
É responsável por nossos conhecimentos acerca do mundo, por produtos verbais, como nomes dos lugares, descrições de acontecimentos sobre o mundo, vocabulários e normas sintáticas. Sua função é lembrar o passado, mas também planejar o futuro.

Memória Prospectiva: É considerada uma outra forma de memória de longa duração, pois envolve reter informações por longo período de tempo. Ela compreende a capacidade de uma intenção, uma lembrança para agir, de administrar as contas, tomar remédios, telefonar para alguém em determinado horário e executar as AVDs.

Esta memória depende da independência da pessoa e da orientação temporal. Estudos mostram que os idosos apresentam dificuldades na memória prospectiva quando a ação prospectiva é indicada pelo tempo. A falta de atenção também é apontada como causa das alterações neste tipo de memória na idade avançada. Além de poder ser influenciada por fatores como ansiedade, estresse e declínio cognitivo. Os déficits de memória prospectiva podem ser atribuídos à falta de estímulos e a recursos do ambiente.

Referências:

Atkinson,RL. Introdução à psicologia . 11° ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

Ferrari,MAC.Estimulação cognitiva na terceira idade. Revista de terapia ocupacional v.8, n° 2/3, p. 62 – 66, 1997.

Izquierdo,I . Memória. Porto Alegre. Art Med, 2002.

Katz,L. C. Mantenha seu cérebro vivo: exercícios neurobióticos para ajudar a prevenir a perda da memória e aumentar a capacidade mental. Rio de Janeiro, Sextante, 2000.

Lasca,V;Gasparetto,EV. Exercite sua mente.São Paulo: Prestigio, 2002.

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20
Abr

 Atenção Psiquiátrica ao Idoso - Parte 2. Desinstitucionalização

Categoria(s): DNT, Gerontologia, Programa de saúde, Psicogeriatria

Resenha

Colaboradora : Roberta Inacio Couto

* Enfermeira - Pós-graduanda em Saúde e Medicina Geriátrica - Metrocamp

A Desinstitucionalização do Idoso

De acordo com Oliveira 2003, a desinstitucionalização é um conceito chave para o processo da Reforma Psiquiátrica do qual se obtém diversas críticas tanto na teoria como na prática, fazendo com que diversas constituições geram novas formas e estratégias para lidar com a loucura em direção a outro objeto de existência, sofrimento do sujeito e não as doenças mentais, transformando sujeitos objetivados em sujeitos de direitos.

Muito se fala e se escreve sobre a Reforma, porém na prática diversos pacientes sofrem com a reintegração à sociedade, pois o caminho que os mesmos enfrentam gera-se inúmeras dificuldades, principalmente quando são inseridos neste meio com uma idade mais avançada, ou seja, na velhice.

Ressalta Antunes 2007 que observou em seus estudos uma certa dificuldade em estar modificando esta visão um tanto preconceituoso da população e alguns profissionais de saúde considera o doente mental um ser incapaz de se socializar, sofrendo alguns padrões de rejeição e isolamento, pois muitos profissionais acreditam que só se pode alcançar a cura do doente mental através de intervenções medicamentosas por serem resistentes a prática terapêutica.

Um dos principais objetivos da Reforma e a desinstitucionalização, foi para reduzir leitos e superar a condução cronificantes de “moradores dentro do hospital” que diante a muita pesquisa os números destes pacientes moradores, já estava bem extenso, e com esse novo conceito implicou a formação de alternativas de moradias a um futuro egresso, garantindo assim uma permanência fora do hospital (Furtado 2006).

De acordo com Tenório 2002, retirar esses pacientes de dentro do hospital, não mais se trata de curá-lo, mas sim em adaptá-lo a um grupo, tornando-o novamente um sujeito definido por uma rede e de suas inter-relações sociais, e ainda ressaltando que esses pacientes em especial esses idoso a não reclusão dentro do asilo.

Em uma entrevista Valentin Filho, afirma que a palavra manicômio serviu para designar qualquer hospital psiquiátrico e que ocorre hoje em dia não foi a desinstitucionalização, pois se ocorresse, esse paciente deveriam se tornar totalmente autônomo, e com essa des-hospitalização, eles apenas saíram de dentro dos hospitais e passaram a conviver em residências, supervisionado por uma equipe de saúde.

Portanto de acordo com Villela 2004, essa des-hospitalização ocorre com uma perspectiva de acolher o indivíduo, auxiliando-o em uma história de vida em um contexto social e psicossocial e tendo a enfermagem sempre presente oferecendo uma intervenção terapêutica, ouvindo e auxiliando na reabilitação e construindo uma melhor qualidade de vida, este processo gera uma reconstrução, um exercício de cidadania e contratualidade, objetivando um vínculo afetivo e contínuo com o profissional e paciente, dentro do serviço de saúde.

Papel da enfermagem

Desde a década de 90, do século XX, a atenção do profissional de enfermagem, se direcionou a novas formas em cuidar do doente mental, principalmente do idoso, pois direciona atividades diferenciada ao tratamento, implicando atitudes de respeito e dignidade para com o enfermo, estimulando-o sempre no autocuidado e na sua reinserção em grupos sociais e comunitários (Villela 2004).

A aposta da retirada desses idosos de dentro dos hospitais psiquiátricos não passa por uma simples racionalização de recursos, ao contrário disso, o foco está em promover uma possibilidade de resgate de vida a essas pessoas, de reconhecimento enquanto sujeito cidadanização, da desobjetivação paralisadora que o manicômio imprime, podendo dar a esses idosos um convívio social, em sua própria casa, em uma cidade. E a reaprender hábitos que há muito tempo foram privados pela lógica manicomial, que requer dessas práticas um custo de um valor sem preço.

Dificuldades do programa

O trabalho desenvolvido pela enfermagem com Idosos

O enfermeiro responsável pela Residência Terapêutica (RT) desenvolve atividades grupais no mínimo uma vez por semana com o objetivo de reabilitação e apoio emocional, que são características que aproximam de um trabalho terapêutico dada à natureza e dinâmico.

O grupo se desenvolve em fazer sugestões que chamam a atenção expondo pontos de vista esclarecendo questões que não estejam claras, sendo capaz de lidar com situações imprevistas com tranqüilidade, e perspicaz ao perceber colocações do tipo estereotipadas e predeterminadas.

A equipe de enfermagem assume aqui uma importância vital, ela é presente nas visitas nas orientações de educação em saúde e higiene são indispensáveis.Nessas RT a detecção precoce de agravos à saúde assume tal relevância que pode pôr o trabalho a perder, caso falhe.
Também está ao cargo da equipe de enfermagem a supervisão e a administração medicamentosa, como na detecção de possíveis efeitos colaterais.

Muitos idosos e doentes mentais têm uma longa história de fracasso no estabelecimento de relacionamentos interpessoais e pelo provável significado de comportamento do doente mental. Através da sensibilidade, o enfermeiro junto a enfermagem pode detectar carências emocionais, bem como tomar atitudes que possam ser úteis a reabilitação psicossocial do doente mental (Oliveira 2003).

Grande parte das atividades desenvolvidas pelos seres humanos é realizada em grupos, assim como estudar grupos é de uma importância incontestável, pois quando ocorre um desenvolvimento dessas inter-relações com os indivíduos são mais amplos, na importância do papel social que esses idosos podem desempenhar na sociedade, buscando um caráter decisivo dos movimentos por eles desencadeados.

Oliveira afirma que uma das metas da enfermagem psiquiátrica é de aumentar o sentimento de bem-estar do doente mental, manter sua sobrevivência aliviando-lhe o sofrimento, em especial com estes idosos psiquiátricos a enfermagem deve ser eficiente na sua ajuda terapêutica, mostrando características de preocupação, respeito, conhecimento e responsabilidade, porém para estabelecer um relacionamento interpessoal afetivo, é preciso aceitar o doente como ele é, baseando-se na pessoa, e não nos sintomas ou na sua doença cronificante, é preciso enxergar o paciente como um todo e sendo menos generalista.

Em todo o mundo trata-se de buscar o trabalho cooperativo e em equipe, para atingir o aperfeiçoamento das condições da sociedade humana.
O enfermeiro que lidera o grupo aponta funções de líder nesta etapa, dando um estímulo emocional que é a capacidade de encorajar os membros para expressar os seus sentimentos sendo o seu primeiro objetivo, gerando sentimentos que o grupo possa trabalhar e o outro é o cuidado definido como capacidades de aconchegar, aceitar o paciente, proporcionando um clima de suporte para que ele se sinta seguro para expor seus problemas e dificuldades.

Referências:

Antunes, SMM; Queiroz, MS Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro, vol. 25, nº 01, 2007. Disponível em www.scielosp.org./scielo

Furtado, J.P.,Avaliação da situação atual dos Serviços Residenciais Terapêuticos no SUS, Ciências & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, vol.11, nº 3, 24-42, jul./set.2006.

Oliveira, AGB,Alossi,NP,: O Trabalho de Enfermagem em Saúde Mental: Contradições e Potencialidades Atuais, Rev. Latino-Am Enfermagem, Brasília (DF), vol. 11, nº 3: 333-340, maio./jun. 2003.

Villela, SC, Scatena, MCM, A Enfermagem e o Cuidar na Área de Saúde Mental, Rev.Brasileira de Enfermagem, Brasília (DF), vol. 57, nº 6, 738-741, nov./dez; 2004.

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19
Abr

 Atenção Psiquiátrica ao Idoso - Parte 1. Programas

Categoria(s): DNT, Gerontologia, Programa de saúde, Psicogeriatria, Saúde Geriátrica, Sociologia

Resenha

Colaboradora : Roberta Inacio Couto

* Enfermeira - Pós-graduanda em Saúde e Medicina Geriátrica - Metrocamp

PROGRAMAS DE ATENÇÃO PSIQUIÁTRICA

As atenções psiquiátricas no Brasil colônia

Os programas de políticas brasileiras - História até o séc XVIII os doentes mentais eram vistos como seres possuídos pelos demônios, as pessoas tinham medo deles e os mantinham isolados, tratando os como criminosos (Teixeira 1997). Portanto, durante muito tempo o universo da loucura gerou polêmica e estes doentes por sua vez estiveram à margem da sociedade isolado de diversos sinais e sintomas de sua patologia (Lino 2006). Isso perpetuou se durante épocas e o indivíduo com transtorno mental era desprovido de qualquer escolha, sofrendo a negação imposta pela comunidade (Lino 2006). Reformas nos programas de atenção psiquiátricas. Foi então que no ano de 1978 que se deu início ao movimento social pelos direitos dos pacientes psiquiátricos no Brasil.

De acordo com este movimento, diversos campos de luta se protagonizou a denúncia da violência dos manicômios, da mercantilização da loucura, da hegemonia de uma rede privada de assistência e a construir coletivamente uma critica ao chamado saber psiquiátrico e ao modelo hospitalocêntrico na assistência as pessoas com transtornos mentais (Brasil 2004).

Todo esse movimento se deu início as Reformas Psiquiátricas, sendo um processo político e social complexo, compreendido como um conjunto de transformações de práticas saberes e valores culturais e sociais tendo diversos impasses como de tensões, conflitos e desafios.

Em 1989, se deu à entrada no congresso nacional do Projeto de Lei do Deputado Paulo Delgado propondo a regulamentação dos direitos da pessoa com transtorno mental e a extensão progressiva dos manicômios do país.

Em 2001-a Lei Paulo Delgado foi sancionada, um substituto do Projeto de Lei original com modificações.

A Reforma foi imposta para propor a humanização das relações entre os sujeitos nas instituições que vinham para substituir o asilo, através de uma mudança na organização dos processos de trabalho e na estrutura dos serviços psiquiátricos e pelo desenvolvimento de culturas e outros lugares sociais onde se tolera com ética e solidariedade a diversidade da loucura (Oliveira 2003).

A partir da Lei Federal 10216/01 redirecionou a assistência em saúde mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária (proteção e direitos), mas não institui mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios.

De acordo com esta lei, foram criadas diversas diretrizes e ações para os indivíduos com transtornos mentais pudessem ter recurso para voltar à sociedade, ou seja, que fosse desinstitucionalizado.

A adentrarmos neste assunto, achei como pertinente ressaltar uma breve contextualização sobre a atenção domiciliar, sendo novas práticas de cuidado e política de saúde, é claro com o intuito da inserção das residências terapêuticas como um projeto que visa o atendimento domiciliar.

Essa atenção domiciliar aponta um potencial que concretiza uma nova modalidade substitutiva do cuidado, pois mostra o envolvimento das pessoas, como cuidadores e pacientes, dando uma produção de cuidado mais individualizado, com esse trabalho tem proporcionado as equipes um modo de conduzir o cuidado de forma menos tecnicista do que dentro dos hospitais.

Freire 2006 observou que esses movimentos iniciais podem vir a ser uma outra transição tecnológica, do que inversamente Foucault mostra como uma substituição de lógica do cuidado hospitalar ou ambulatorial, transferindo para o domicílio, vale ressaltar que não se trata de uma desassistência, nem tão pouco de uma desospitalização irresponsável e prematura, mas de uma possibilidade de reestruturar o modo de operar o cuidado, tanto no que se refere ao seu espaço físico, quanto na lógica do cuidado.

Referências:

Lino,M A. A convivência de Pessoas com Transtorno Mentais e seus Familiares no Contexto do Domicílio. Dissertação (Mestrado, curso de mestrado em Assistência de Enfermagem, Universidade Estadual) p. 35-62, São Paulo: USP, 2006.

BRASIL. Lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001. Doc. sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtorno mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. LEX: Legislação em Saúde Mental, Brasília, 2004.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de volta para casa. Brasília.MS. 2006.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Residências Terapêuticas. Brasília: MS 2004.

Brasileiro, M. Enfermagem na Saúde do Idoso. In: A Organização da Unidade de Saúde e Domiciliar para o idoso, Ed. Cultura Brasileira, Goiânia-GO; pág 15-18; ano 2005.

Oliveira, A G B, Alossi,N P. O Trabalho de Enfermagem em Saúde Mental: Contradições e Potencialidades Atuais. Rev. Latino-Americana Enfermagem, Brasília (DF), vol. 11, nº 3: 333-340, maio./jun. 2003.

Teixeira, M.B. Manual de Enfermagem Psiquiátrica. São Paulo: Atheneu, 1997.

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02
Abr

 Demência - Parte 3. O idoso e a saúde pública

Categoria(s): DNT, Gerontologia, Neurogeriatria, Programa de saúde

Resenha

Colaboradora : Dra Daniela Prunes Regi*

* Médica geriatra

Idosa

Segundo o artigo 15 do Estatuto do Idoso, é “assegurada a atenção integral à saúde do idoso, através do Sistema Único de Saúde – SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos.”

A prevenção e a manutenção da saúde do idoso devem ser efetivadas através do cadastramento da população idosa em base territorial; atendimento geriátrico e gerontológico em ambulatórios; formação de atendimento geriátrico de referência, com recursos humanos especializados nas áreas de geriatria e gerontologia social; atendimento domiciliar, principalmente para idosos que estão impossibilitados de se locomoverem, incluindo aqueles idosos asilados em instituições públicas ou filantrópicas conveniadas com o Poder Público, tanto nos meios urbanos como nos rurais; e, a reabilitação orientada pela geriatria e gerontologia, para a redução das seqüelas decorrentes do agravo da saúde.

Tanto a dependência física, quanto a mental constituem fatores de risco significativos para a mortalidade, mais relevantes até que as próprias doenças crônico-degenerativas, visto que nem todo doente torna-se dependente (Ramos e cols., 1993). No entanto, nem todo dependente perde sua autonomia e, por isso, a dependência mental deve ser objeto de atenção especial, na medida em que leva, com muito mais freqüência, à perda de autonomia. Doenças como depressão e demência já estão, em todo mundo, entre as principais causas de anos vividos com incapacidade, pois levam à perda da independência e, necessariamente à perda da autonomia. Um reflexo do envelhecimento da população tem sido o sensível aumento na taxa de incidência da doença de Alzheimer e de outros tipos de demências (Vollmann et al., 2000).

Os custos gerados por essa dependência são tão grandes quanto os investimentos de dedicar um membro da família ou um cuidador para ajudar continuamente uma pessoa que pode viver por mais 10 ou 20 anos, requerendo uma atenção integral, envolvendo equipes multidisciplinares e multiprofissionais capazes de fazer frente à problemática do idoso.

Os vários tipos de demências surgem de forma destacada entre as doenças crônico-degenerativas, devido ao seu alto grau de comprometimento com a incapacidade funcional dos idosos.

A necessidade tanto de recursos de triagem quanto de instrumentos mais definidos de avaliação é clara, por isso, com o objetivo de estabelecer o risco individual de desnutrição de modo a permitir uma intervenção precoce quando necessária.

Um instrumento composto por medidas e questões práticas que englobam avaliações antropométricas (peso, circunferências do braço e da panturrilha, altura e a história de perda de peso), avaliação global (estilo de vida, medicamentos, mobilidade e doenças), avaliação dietética (qualitativa e quantitativa) e auto-avaliação (percepção de sua saúde e qualidade nutricional) (Najas e Pereira, 2002), tem sido as técnicas mais importantes para avaliar o potencial de desnutrição no idoso, antes que as alterações clínicas se manifestem pelos serviços de saúde pública do Brasil (Marucci M.F.N; Barbosa,A.R, 2003)
Por tornarem a pessoa progressivamente dependente, os transtornos demenciais podem provocar grande sofrimento, tanto para os pacientes quanto para seus familiares, que são obrigados a se reorganizarem para viabilizarem os cuidados à pessoa que adoece (Groisman, 2002). Em todo o mundo, a rede informal composta pela família, rede de amigos e por voluntários é a fonte primária da assistência aos idosos. Cerca de um quinto dos idosos dos países desenvolvidos recebe cuidados formais de natureza médica e social, porém, apenas um terço desses cuidados são fornecidos em instituições, um sinal de que a manutenção dos idosos na comunidade e em suas casas ainda predomina (Neri, 2002).

No Brasil, onde são poucas as alternativas de apoio formal são oferecidas, o amparo dado pela família e por outros membros da rede informal é de fundamental importância.
O apoio aos idosos praticado no Brasil ainda é bastante precário. Por se tratar de uma atividade predominantemente restrita ao âmbito familiar, o cuidado ao idoso tem sido ocultado da opinião pública, carecendo de visibilidade maior. O apoio informal e familiar constitui um dos aspectos fundamentais na atenção à saúde desse grupo populacional. Isto não significa, no entanto, que o Estado deixa de ter um papel importante na promoção, proteção e recuperação da saúde do idoso nos três níveis de gestão do SUS, sendo capaz de otimizar o suporte familiar sem transferir para a família a responsabilidade em relação a este grupo populacional.

No Brasil há ainda muito pouco esclarecimento quanto às demências e suas formas de tratamento. A falta de informação, tratamento, orientação e suporte aos pacientes e seus cuidadores pode levar a desfechos desfavoráveis, como situações de negligência, violência doméstica, abusos e exclusão precoce das relações sócio-familiares através da internação em instituições (Groisman, 2002).

É importante ressaltar que há inúmeras intervenções capazes de melhorar a qualidade de vida, tanto do paciente demenciado como das pessoas que o atendem. Para que tais intervenções sejam bem sucedidas, se faz necessário a colaboração do médico com os demais serviços, tanto médicos como não-médicos, pois hoje existem recursos disponíveis na comunidade, capazes de fornecer subsídios para o cuidador e os familiares destes pacientes. Deve-se lembrar que a demência significa um grande fardo para a família, do ponto de vista tanto social como econômico, físico e psicológico. Em muitos casos o estresse psicológico não recebe atendimento adequado. É preciso preservar a saúde física e mental do familiar que cuida do doente, pois assim este cuidador poderá dar assistência melhor e por mais tempo que uma pessoa sobrecarregada e exausta. O aconselhamento torna-se às vezes, primordial para o acompanhamento dos pacientes demenciados e de seus cuidadores (Bennett, 2003).

Referências:

Bennett, D. A. Doença de Alzheimer e Outros Tipos de Demência. In: Weiner, W.J.; Goetz, C. G. (Orgs,). Neurologia para o não especialista – Fundamentos básicos da Neurologia Contemporânea. Editora Santos, São Paulo, ano 2003. p.233-234.

Groisman, D. Oficinas terapêuticas para idosos com demência. Rio de Janeiro (RJ): IPUD, 2002.

Marucci M.F.N; Barbosa,A.R. – Estado nutricional e capacidade física. In: Lebrão ML e Duarte Y.A.O.D.org.. SABE – Saúde, Bem-estar e Envelhecimento – Projeto SABE no município de São Paulo – Brasília: OPAS, 2003.

Najas, M.; Pereira, F.A.I. Nutrição. In: Freitas, E. V. et al. (orgs.) Tratado de Geriatria e Gerontologia. Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, 2002. p. 838 – 845.

Neri, A.L.; Carvalho, V.A.M.L. O bem-estar do cuidador. Aspectos Psicossociais. In: Freitas, E. V. et al. (orgs.) Tratado de Geriatria e Gerontologia. Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, 2002. p. 778-789.

Ramos, L.R., Pinacini M., Rosa T.E., Kalache A. “Significance and management of Disability among Urban Elderly Residents in Brazil”, Journal of Cross-Cultural Gerontology, 8:313-323, 1993.

Vollman, J.; Burke, W. J.; Kupfer, R. Y.; Tessler, S.; Friedel, D. M.; Ozick, L. A.; Gillick, M. Rethinking the role of tube feeding in patients with advanced dementia. NEJM, 342:206-10, 2000.

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