Resenha
As complicações das varizes depende do grau de estagnação (estase) venosa e do estado nutricional da pele e do tecido subcutâneo. Nos casos de varizes primárias (sem causas definidas) essas complicações são tardias, enquanto nos de varizes secundárias são precoces e mais graves. A primeira complicação que costuma aparecer é o inchaço, de consistência mole e depressível a pressão digital. Inicia-se no tornozelo para depois, lenta e progressivamente, ascender até o joelho. É ausente ou discreto pela manhã e se acentua à tarde, principalmente nos indivíduos que permanecem muito tempo de pé ou sentados.
As outras complicações mais comuns são: celulite, eczema, dermatofibrose, hiperpigmentação, úlcera, hemorragia e flebite superficial.
Celulite e erisipela - A celulite e erisipela ocorrem em surtos e aparecem freqüentemente nos doentes que já apresentam edema. São quase sempre causados por estreptococo e se originam, na maioria dos casos, de micoses interdigitais, traumatismos ou de lesões da pele (úlceras varicosas).
Eczema - O eczema é desencadeado pela histamina endógena aumentada em virtude da acidose tecidual ou por alérgenos contactantes que têm sua ação potencializada pelas condições locais. Tais condições, principalmente o edema, favorecem intensas e extensas infecções estreptocócicas, que caracterizam os surtos de erisipela de alguns doentes portadores de varizes. Na regressão da infecção se instala o linfedema secundário por fibrose dos vasos linfáticos.
O eczema pode ser circunscrito ou difuso, pruriginoso e geralmente é rebelde ao tratamento. Trata-se de outra complicação comum das varizes dos membros inferiores. Geralmente está associado à celulite, úlcera e micoses interdigitais ou ao uso indevido de pomadas e outras medicações tópicas usadas de forma inadequada.
Dermatofibrose - A dermatofibrose é complicação grave que propicia o aparecimento de úlcera e dificulta sobremaneira o tratamento das varizes, pois provoca alterações irreversíveis dos tecidos superficiais da perna.
Hiperpigmentação - A hemoglobina das hemácias que extravasam do leito capilar é transformada em hemossiderina, que confere à pele a pigmentação ocre típica da estase venosa crônica, localizando-se no terço inferior da perna, na face medial ou ao longo dos trajetos varicosos. Não dá sintomas próprios, mas interfere definitivamente no aspecto estético das pernas (veja figura).
Úlcera - A úlcera é uma das complicações mais graves da estase venosa crônica. Quase sempre localizada no terço inferior da perna, pouco acima do maléolo medial. Instala-se após comprometimento intenso dos tecidos, pele e derme e, por isso, muitas vezes, aparece após leve traumatismo que não teria nenhuma conseqüência em um indivíduo normal. A úlcera é atônica, com bordas pouco elevadas, fundo plano e cianótico, secretante, geralmente única e circunscrita por halo de celulite indurata e hiperpigmentada. É sede freqüente de infecção secundária e eczema tópico medicamentoso. Trata-se freqüentemente de porta de entrada para bactérias que vão gerar as celulites e as erisipelas.
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Tratamento
Medidas gerais - O tratamento clínico é representado por medidas que visam o combate às complicações. O repouso em posição de Trendelenburg é útil para o desaparecimento do edema, diminuindo a hipertensão venosa superficial. Deve ser adotado, de forma contínua até que o edema desapareça, por tempo prolongado e indeterminado, em função da intensidade do edema e do próprio resultado (desaparecimento do edema).
Como a atividade dos músculos da panturrilha é o fator mais importante no retorno venoso dos membros inferiores, o doente deve ser estimulado a andar e não permanecer sentado ou de pé parado por longos períodos de tempo.
O uso de meia ou enfaixamento elástico diminui a capacidade da rede venosa superficial e se opõe ao refluxo do sangue do sistema venoso profundo. O doente deve ser orientado a adotá-lo, constantemente, durante o dia, a partir do momento que inicia a deambulação.
O edema no tecido celular subcutâneo e as alterações tróficas da pele propiciam condições favoráveis à proliferação de germes e à disseminação dos processos inflamatórios, O doente deve ser esclarecido da necessidade de manter perfeitas condições higiênicas das extremidades inferiores e orientado a lavá-las diariamente com sabão anti-séptico, evitar traumas e prevenir micoses interdigitais.
Celulite e a erisipela - A celulite e a erisipela representam infecções cutâneas cujo tratamento se baseia no emprego de antibióticos e quimioterápicos por via sistêmica e anti-sépticos locais. Os germes que mais freqüentemente ocasionam celulite ou erisipela, os estreptococos beta-hemolíticos são geralmente sensíveis a antibióticos específicos, que devem ser usados em doses eficientes. O tratamento local é realizado com banhos e compressas úmidas de soluções anti-sépticas. Podem ser utilizados, como coadjuvantes do tratamento, medicamentos antiinflamatórios, analgésicos e diuréticos.
Eczema - Para o eczema, ao lado das medidas gerais de combate à hipertensão venosa, são usadas soluções anti-sépticas locais como as de permanganato de potássio, na fase aguda ou secretante, e pomadas de corticosteróides no eczema seco. Por via sistêmica, em ambos os casos, são prescritos anti-histamínicos e corticosteróides.
Toda a medicação tópica à base de antibióticos deve ser evitada devido a grande freqüência com que desencadeiam dermatite de contato, agravando as lesões eczematosas preexistentes.
Prevenção do tromboembolísmo - As flebites superficiais muito extensas, afetando as veias safenas são tratadas com anticoagulantes da mesma maneira que as tromboses venosas profundas, em virtude da grande intensidade dos sintomas e risco de propagação para as veias profundas e até embolia pulmonar. Outra alternativa nesses casos é a ligadura da croça da veia safena associada ou não à ressecção da veia trombosada.
Veja mais - Tomboembolísmo venoso
Úlceras varicosas - Nas úlceras varicosas, as primeiras medidas terapêuticas objetivam remover o edema e combater a infecção secundária, a celulite e o eczema comumente associados à úlcera, adotando-se as medidas anteriormente descritas de acordo com as necessidades.
Para a cicatrização da úlcera são empregadas botas de Unna sucessivas ou qualquer outro tipo de enfaixamento rígido, inelástico, com substituição a cada 10 a 15 dias, até a cura completa. Quando ela é utilizada em condições ideais (ausência de edema, infecção ou eczema úmido), a cicatrização da úlcera é rápida. Às vezes é necessário intercalar um período de repouso entre a colocação de uma bota e de outra.
Referências:
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