Arquivo de Contos e Poemas

29
Ago

 Poemas da Silvia Trevisani - Diário de um Bebê

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoção

Colaboradora: Silvia Cristina Martins Trevisani *

* Poetisa Paulista

Diário de um Bebê

Papai e Mamãe…

Eu era uma sementinha,
Não tinha nenhuma formação.
Era apenas um sinalzinho,
Mas já batia meu coração.

Fiquei na expectativa…
Quem teria me fecundado,
Quem seria minha mamãe?
E o meu papai amado?

Depois de alguns dias,
Eu já era mais fortinho,
Escutei mamãe dizendo:
- Eu vou ter um bebezinho!

Passaram-se nove meses…
Eu já estava para nascer,
Papai estava preocupado,
Com o time que eu ia torcer.

Hoje estou aqui no mundo…
Com vocês quero ficar…
Neste lar gostoso e feliz…
E o papai e a mamãe amar.

Ainda sou muito pequeno,
Não posso ficar sozinho.
Só tenho papai e mamãe
Para fazer-me um carinho.

Mas quando ficar grandinho,
Como meu pai eu vou ser…
Palmeirense de primeira…
Para o timão não vou torcer.

Mas quando ficar grandão…
E arrumar uma namorada,
linda como uma flor,
Como a mamãe será amada!

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25
Ago

 Poemas da Dalva Saudo - O palhaço, a cigana e o arpista

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoções

Colaboradora: Dalva Saudo *

* Poetisa Paulista

Rimas de lástimas para pessoas de legítima estima:
O PALHAÇO, A CIGANA E O ARPISTA.

Onde foi parar o palhaço engraçado
que ganhava abraço com estardalhaço
da criançada arteira, na domingueira da feira
dando cansaço, fazendo zoeira,
trazendo euforia na alegria e…alegoria?
Onde estará o palhaço amigo… amigalhaço,
que fazia buzinaço no hiper espaço
da praça Tom Jobim tocando bandolin?
E… as debandadas gargalhadas?
Por onde andará a cigana balzaquiana, veterana,
que queria ler minha mão, nem que fosse por um tostão?
Queria ver minha sorte… de futuro afunilado!!!!!!
De norte passado… acinzentado e nublado!
Consegueria ver…nas linhas de minhas mãos
Um príncipe encantado,acalorado
Enfim, enfeitiçado por mim, justo agora no fim????
Onde foram parar os estrangeiros …os brasileiros…
que colecionavam belas telas coloridas e de aquarelas amarelas
para a sobrevida das almas sensitivas, perceptívas
e criativas dos artistas alquimistas?
Só tenho notícia…
é do elegante, cativante e determinante cavalheiro
artista harpista.
Com seu instrumento musical
está doando talento e alento
esperança e confiança, no Hospital Municipal,
em momentos cruciais e transcendentais, com melodias angelicais.
E os outros, onde estarão???
Ao me lembrar da cigana, fico meditando…e cantando…
“O QUE SERÁ O AMANHÃ…”
E sonhando…com que o realejo diz …
” Que eu serei feliz, muito feliz!!!”

Versos da música “O AMANHÔ do carnaval do Rio de Janeiro de 1979
Autoria de João Sergio da Silva Filho.
Frases citadas: ” O que será o amanhã ”e
“O realejo diz que eu serei feliz, muito feliz!”

Dalva Saudo 24 / 09/ 07 e-mail dalvasaudo@gmail.com

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24
Ago

 Contos do Bié - O carro novo Dr. Carlos

Categoria(s): Contos e Poemas

Sabedoria

Colaborador: Gabriel Araújo dos Santos *

* Poeta Mineiro                  

 Corria um cochicho na cidade, que não partiu das crianças, mas das pessoas adultas, das pessoas sérias.

                 A meninada, naturalmente, ajudou a disseminá-lo entre seus pares, pois crianças, como neste meu caso, têm mil ouvidos, mil olhos e  mil corações, porque um só coração seria pouco  para comportar as emoções ali vividas e sentidas.

                Não passávamos notícias para os adultos, que não nos levavam a sério, não faziam conta de nós. Mas sorrateira e silenciosamente, atrás da moita, como quem está no mundo da lua, víamos e ouvíamos tudo, ou quase tudo…

          O filho de seu Ostinho, o Dr. Carlos Vieira estava para comprar um carro.

          Só que não era um automóvel qualquer, mas um V8 - esta a grande novidade! - e andavam dizendo que já tinha sido encomendado, e sabiam também até a cor, e não demoraria muito a chegar ao lugar. 

            À primeira vista, uma notícia banal. Muito pelo contrário!

            A cidade, na sua vida pachorrenta, escondida e isolada entre as montanhas, mal servida de estradas, quase sem comunicação com o resto do mundo - mesmo com o mundo das Gerais:  poucos rádios e as recepções sempre com interferência das descargas, recebeu a notícia do V-8 como alvissareira, que o progresso, ainda que lento,  estava chegando.

            O prefeito até que desenvolvia um esforço deveras elogiável, e com a renda do jogo do bicho, cujo chalé funcionava no sobrado  de D.  Joaquina, avó do Dr. Carlos, reuniu algumas juntas de bois e um punhado de detentos da cadeia local, com o que buscava pacientemente aplainar as elevações  do alto da Chapada, a mil e duzentos metros de altitude, no intento de levar a termo a construção de um campo de aviação. Obra do presente e para o futuro.

            Com a notícia do V-8, a obra continuou, mas passou a constituir assunto de segundo plano.

            Nós, crianças, mergulhadas no maravilhoso mundo de sonhos e fantasias, compartilhávamos com os adultos sua discreta euforia, e alguns casais a quem o Dr. Carlos dava consultas domiciliares protelaram de propósito tais consultas.

            Lizinha do Pedro Cezar adiou para depois da chegada do V8 a  consulta que o casal  tinha em vista, tudo pela  satisfação de ver o V-8  estacionado à sua porta.

           Só que a Rua do Quenta-Sol era estreita demais, com a agravante de ser passagem dos cargueiros de burros e dos carros de bois, que também paravam à porta da venda de Seu Niquinho, quase em frente a casa de Lizinha, não tinha como receber o V8.

            O certo é que as visitas do Doutor a determinadas casas continuaram sendo feitas a pé mesmo, uma vez que apresentavam o mesmo problema da Rua do Quenta-Sol. Este desejo de Lizinha, escutei-o quando ela, a conversar, pela porta da cozinha, com sua amiga e parente da casa ao lado, falava entusiasmada sobre o modo de como o Dr. Carlos iria ficar mais bonito e elegante naquele carro todo lustroso. Essas conversas de vizinhas eram facilitadas pela proximidade das divisas, cujos quintais tinham a separá-los apenas uma rude cerca de acha de braúna e esteira de taquara poca. .

           Afinal, o lugarejo não contava com nenhum carro? Sim, havia alguns.  Só que não eram V8. Havia, por exemplo, a baratinha do Professor Amadeu; o De Sotto de Jovino de Sa Raimunda - vendeiro da Rua da Bomba  -   e o automóvel do Dr. Simão,  médico e político de influência; e ainda os fordes de Chico do Zeferino e de Chiquinho Correio. Podíamos também contar a velha jardineira dirigida por Zé Buraco, que fazia o trajeto de 60 léguas entre a cidade e a Capital.

          Nomear quem não tinha automóvel leva tempo e espaço. 

          Qual, ou quais os motivos por que as pessoas não eram motorizadas?    Não por motivos financeiros.  Sabe-se lá. Talvez por um conservadorismo arraigado.  Ou, quem sabe, por medo do desconhecido?  O certo é nem Zé Vieira, Coletor Federal;  Gil de Oliveira, Coletor Estadual, pessoas de posse possuíam carro.  E o próprio pai do Dr. Carlos, seu Ostinho, dono de Cartório e de fazendas. . E o Dr. Carrinho, advogado dos melhores, casado, sem filhos, ou mesmo seus irmãos, como seu Ismar, farmacêutico, e Lalade, diretor escolar aposentado e agente da Loteria Mineira, que também não tinham automóvel.    E a lista vai por aí afora e pega algumas outras figuras de proa, como Seu Aureliano, gerente da única agência bancária da localidade; e os farmacêuticos: Seu Venâncio e Zeca de D. Teté.  Também os fazendeiros Toniquinho da Gameleira e Agenor Epifânio de D. Nhanhá, que, já naquela época, fora, junto com a esposa, até Roma visitar o Papa.  

             Todos, sem exceção, partiram deste mundo sem nunca ao menos terem tido o prazer de buzinar uma joça rodante.

         - Dizem não demora acontecer a novidade. Sabia? 

   Era Biquita Victor a confidenciar à Quifinha do Guena a iminente chegada do V-8 americano.

        - Só quero ver como o Carlos Vieira vai ficar lá dentro! - e a Lourdes - prosseguia Biquita - ao lado do Carlos, elegante como ela só!   

E Biquita dava asas à imaginação!

          Agora, o que todo mundo achava lindo,não se pode negar, era quando o Dr. Carlos, elegante, sério, os cabelos pretos ondulados, passava a sós ou em companhia de D. Lourdes. Quando a sós, ia rápido, cabeça erguida, sem dar um tropeção naquelas calçadas de pedras irregulares. Vez por outra fazia um ligeiro gesto com a cabeça, como a jogá-la levemente para trás, a ajeitar os cabelos englostorados que lhe enfeitavam a cabeça bem conformada.   Já em companhia de D. Lourdes ia a passos lentos, descontraídos e moderados, o braço sempre a oferecer apoio à companheira inseparável.

         Eu nutria por eles profunda admiração, um sentimento que guardava comigo, no meu íntimo, sem compartilhá-lo com ninguém.  Não tanto pelo que eles tinham, pelo que trajavam, pela bela casa onde moravam, sobretudo pela atenção que dispensavam a todos quantos deles se aproximavam e pela disponibilidade desinteressada  do Dr. Carlos, que a meu pai nunca cobrou um tostão pelas inúmeras consultas e tratamentos médicos dispensados  à  nossa  família.  Sabia que meu pai não dispunha de condições financeiras para remunerá-lo por seus serviços, mas nem por isso deixava de socorrê-lo. 

_________As expectativas se confirmaram!  eis que chegou o V8.

             A capota, como toda a lataria, preta e lustrosa, a refletir o sol intenso dos dias do lugar, ofuscava, com seu brilho, a vista de quem se atrevia a fixá-la. A buzina não era como a dos carros já conhecidos, roucas e fracas, mas potente, porém de uma sonoridade sem igual, que dava gosto de escutar.  A coisa mais divertida que havia era buzinar sorrateiramente um carro, sair correndo e esconder-se.  O coração pulsava forte, como a querer pular para fora, a  ver o que o fizera disparar tanto! Ficamos de olho naquela maravilha!  E as pessoas adultas também!

             A garagem ainda não estava pronta.  A bela espécie ficava estacionada ali mesmo, em frente à casa do Dr. Carlos.  Ladrão não havia.   O que preocupava era alguma criança traquina fazer riscos na pintura. Mas nem isto aconteceu. E o carrão ficava lá, muita gente a querer chegar perto, para admirar.

             Descobrimos, nós, as crianças, que a lataria, de tão lustrosa, era como um espelho mágico. Com o tempo, ganhamos coragem e perdemos a inibição, ficando, então, sem tocar a pintura, a fazer micagens diante da grande máquina. Conforme os movimentos que fazíamos, lá nos víamos com imagens distorcidas, irreconhecíveis, às vezes ora baixo e gorduchos, ora finos tal vara de marmelo a tocar os céus, levando-nos a dar  boas e gostosas gargalhadas! 

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22
Ago

 Poemas da Silvia Trevisani - PASSINHOS (Poesia Infantil)

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoção

Colaboradora: Silvia Cristina Martins Trevisani *

* Poetisa Paulista
PASSINHOS ( Poesia Infantil )

Venha meu amor…
Um, dois, três,
Dê seu primeiro passo…
Você vai conseguir.

É fácil… olhe pra frente!
Agora é a sua vez…
Venha para o meu abraço
Um, dois, três…

Assim como o passarinho
Alimenta no biquinho,
Os seus pequenos filhotinhos

A mamãe toda orgulhosa…
Ficará toda prosa
Com seus primeiros passinhos.

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18
Ago

 Poemas da Dalva Saudo - Equilíbrio

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoções

Colaboradora: Dalva Saudo *

* Poetisa Paulista
EQUILÍBRIO

No teu equilíbrio é que vive o meu.

Na tua incerteza e desequilíbrio,

Sinto pena de mim,

Ao pensar em ficar sem ponto de referência,

Com tua ausência.

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