Arquivo de Contos e Poemas

18
Jan

 Poemas da Silvia Trevisani - Brava Gente Brasileira

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoção

Colaboradora: Silvia Cristina Martins Trevisani *

* Poetisa Paulista

BRAVA GENTE BRASILEIRA

O galo canta, canta…
E o homem acorda para a vida.
Sonha, se encanta e se levanta,
E leva uma vida sofrida.

As estrelas se despedem do céu.
Mas o homem já despertou,
Cuidará das terras sem véu…
E das sementes que semeou.

No embornal o pão e a marmita,
Que a Rita lhe preparou…
E no coração só leva a Rita,
Moça bonita com quem se casou.

E segue seu destino sorrindo…
Na rabeira de um caminhão.
E vai assoviando pelos caminhos,
O sonho de um pedacinho de chão.

Chão abençoado varrido pelo suor,
Riqueza que mata a fome da gente.
Quanta terra, quantos sonhos…
Dessa “brava gente brasileira”.

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15
Jan

 Contos da Eneida - Desejos e anseios

Categoria(s): Contos e Poemas

Sabedoria

Colaboradora: Eneida Tagliolatto *

* Poetisa Paulista

Qualquer dia desses, pedirei ao meu cérebro, se é que se pode pedir; bom mesmo seria exigir, mas sendo impossível, quem sabe se com jeitinho, eu consiga que ele me entenda e transforme em realidade, o que para mim acho que é felicidade.

Felicidade seria que meu cérebro parasse de mostrar-me o lado negro da vida. Esse lado que me amedronta, que me impede de ser eu mesma, que faz com que eu esconda, meus desejos e anseios.

Gostaria que meu cérebro apenas comandasse meus passos e que eu somente caminhasse por campos floridos, não com híbridos, mas com a natureza perfeita que tanto o homem rejeita.

Garanto que meu cérebro entenderia e meus sentidos ampliaria, e eu poderia enxergar as cores que quisesse, sentir os aromas mais suaves que tivesse, ouvir somente o canto de pássaros e o borbulhar de águas em corredeiras. Minhas mãos sentiriam a maciez das pétalas, e minha boca se deliciaria com a doçura do mel.

Mas são devaneios, tudo não passa de anseios; tudo o que eu queria, é impossível realizar. E meu cérebro fala baixinho com medo de me assustar:

- Calma querida! Não desista, insista, e compreenderás que sendo você mesma, com certeza, a sua vida mudará.

MEU PAI

Pai meu, que agora já tem a vida eterna,
o seu nome por mim sempre será lembrado.
Venha agora o teu ministério, e de acordo
com que me ensinaste, procurarei cumprir
seja onde for, neste lugar ou em outro que ainda seja um mistério.
Obrigada pelo alimento e exemplo de vida, que sempre me deste.
Perdoa - me pelas minhas falhas, mesmo sabendo que eu ainda encontro
dificuldade em perdoar quem me magoa.
Não deixe que eu vacile. Ajuda – me contra tudo que possa me causar mal.
Pois, oh meu pai, é tão grande o seu valor,
que seja onde for, com toda certeza, teus ensinamentos jamais esquecerei; por isso termino dizendo:
“Que assim seja!”
Sua filha.

Eneida Tagliolatto

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13
Jan

 Contos do Bié - O lugar, suas gentes e seus costumes

Categoria(s): Contos e Poemas

Sabedoria

Colaborador: Gabriel Araújo dos Santos *

* Poeta Mineiro
Nossa Senhora dos Acordados, no auge da febre do ouro e
do diamante nos confins das Gerais, foi erguida entre as alterosas num
dos pontos mais altos daquele oco de mundo. De tão alta, e tantos os
acidentes topográficos, que estradas nunca existiram, mas estreitas e
íngremes trilhas por onde até hoje as conduções trafegam com
dificuldade de toda ordem.
Teve um tempo que para ali chegarem, as pessoas
deixavam o carro ou a jardineira no sopé da grande montanha, onde
ficavam a pastar inúmeros e bons animais de carga e sela que faziam o
resto do trajeto até o lugarejo.
As autoridades, pelo menos o prefeito nomeado, não
tinham lá muito entusiasmo pelo progresso, e se justificavam que era
para não despertar a curiosidade de visitantes inoportunos e turistas
indesejáveis. Quanto mais desconhecido e de difícil acesso o lugar,
tanto melhor, que temiam por mudanças radicais em seu cotidiano.
Era este também o pensamento entre os de meia
idade, assim considerados os da faixa de 50 a 70 anos, como igualmente
entre os mais vividos, dos de 100 para mais.
Existiu época em que havia pouquíssimos jovens, assim vistos os de 40
a 60 anos. Mais e mais crescia a leva dos de meia idade, considerados
os de 70 anos para cima.
Tudo pelo fato de a vida ali se prolongar além da
conta. E havia os que se mudavam e retornavam depois de atingirem
certa idade, e era baixo o índice de óbitos.
Ainda é comum casas e mais casas fechadas e sobradões
centenários esperando pelo retorno de seus antigos moradores.
Uma figura muito conhecida na cidade era o Zé Tira
Jejum, além do Dirceu Péla Égua. Aquele, pedreiro; e este um famoso
embuçador de telhados, profissão herdada do pai, que por sua vez
aprendeu com o avô. Na faixa dos 92 anos, não enjeitavam nenhum
serviço.
Havia também o Zé Minhoca, de profissão lá chamada bombeiro, a
que em outras regiões do Brasil denominam encanador. Só descansou da
lida e se foi em definitivo aos 104 anos, quando o burrico Gabinete
lhe deu uma patada nas virilhas.
Tinha como ajudante um de seus catorze filhos,
Minhoquinha, que aos oitenta e dois anos não largava de sua caixa de
ferramentas pela cidade afora.
Os treze restantes caíram no mundo. Quim Traíra, Zé do
Beco e João Mandi retornaram, e estão lá…

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11
Jan

 Poemas da Silvia Trevisani - Árvore dos sonhos

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoção

Colaboradora: Silvia Cristina Martins Trevisani *

* Poetisa Paulista

ÁRVORE DOS SONHOS

Caí do céu!
Não do espaço infinito do azul, nem das nuvens de algodão.
Vim do alto!
Trazida no bico de um pássaro azul que ao fazer seu vôo rasante, deixou-me escapar na sua mais ousada manobra!
Caí aqui!
O sopro da brisa me levou para as rochas.
Procurei nas fendas proteção e descanso para germinar e tornar-me forte, mas fui surpreendida pela maré que ao beijar as rochas, atirou-me sem piedade na areia da praia.
Também não encontrei morada. O solo não me nutriu para que pudesse germinar.
E quando senti as suas mãozinhas segurando-me com leveza e aconchegando-me dentro do seu barquinho de papel, esperei ansiosa que a maré me levasse para longe, tanto quanto os sonhos de criança quando deixam de ser.
Mas o barquinho de sonhos se desfez ao encontrar a imensidão azulada do oceano e mais uma vez fui atirada em terra firme.
Acidentalmente fui deixada aqui. O solo me recebeu. Germinei… E então meu caule ficou forte e as folhinhas começaram a nascer.
Cresci e me tornei uma árvore imensa a lhe dar sombra para refrescá-lo no calor, frutos para saciar a sua fome e um verde para lhe dar esperança de um mundo melhor.
Sou aquela sementinha que um dia sonhou com você!
Hoje sou uma realidade na vida e você… a própria vida!

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08
Jan

 Poemas da Eneida - Diferenças

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoções

Colaboradora: Eneida Tagliolatto *

* Poetisa Paulista

Eu e você, tão diferentes; diferentes,
mas não tão simplesmente.
Diferenças que parecem banais,
mas que causam danos demais.

Você fala tão pouco e baixo,
que quase não o ouço.
Eu por minha vez, falo alto.
Será que te deixo louco?

Você apenas vive, sem perspectiva.
Eu vivo mais intensamente,
tendo sempre uma expectativa.
E você tão inteiramente,
continua sem iniciativa.

Nesse chove, não molha,
de nossas vidas afora.
Você simplesmente ignora
o que se passa, e me olha.
Vendo a vida passar,
sem comigo se importar.

Quantos danos meu amigo,
quantas desilusões trago comigo.
Mas você nessa pasmaceira,
continua, e continua a vida inteira.

Me pergunto, se em sonhos
algum castelo você construiu.
Mas a resposta tenho de pronto.
Como, se os meus você destruiu!

Os anos vão passando,
a velhice chegando,
e com ela mais desencanto.
Na minha mente fica apenas a espera,
de viver mais uma primavera.

E agora o que faço?
Nem destino, mais eu traço,
vivo ao teu lado e sonhando.
Pois quer queira ou não,
eu continuo te amando.

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