Arquivo de Contos e Poemas

05
Ago

 Poemas da Eneida - Campinas-Mãe Gentil

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoções

Colaboradora: Eneida Tagliolatto *

* Poetisa Paulista

“CAMPINAS-MÃE GENTIL”
**poesia que foi premiada no concurso Biblioteca Adir Gigliotti

Quando alguém me pergunta,
qual a cidade onde nasci…
Orgulhosa respondo:
Campinas!

Campinas!
Cidade das andorinhas que ao entardecer
num passado distante,
escurecia num instante,
todo céu que antes estava azul-anil.

Campinas!
Mãe gentil, que com sua brisa,
embalou o berço do infante
que se tornaria um gigante,
pela sua própria natureza.

Campinas!
Cidade natal de Guilherme de Almeida,
poeta famoso e orgulhoso de ser seu munícipe.
Que fez através de sua poesia,
um mundo repleto de magia,
ganhando com isso o título de“Príncipe”.

Essa é a minha cidade…
Campinas!
Berço de Guilherme de Almeida.

“O PRÍNCIPE DOS POETAS”

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04
Ago

 Poemas da Dalva Saudo - Tempos

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoções

Colaboradora: Dalva Saudo *

* Poetisa Paulista

TEMPOS

Vejo o passado embaçado no espelho.
Não admito o frio da solidão presente,
Mas… O luto das futuras incógnitas partidas.
Ao despertar, renasce o pesadelo.
Ao adormecer não sonho. Apenas…
Morre a dor na minha exaustão.

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03
Ago

 Contos do Bié - O demônio, suas mais variadas formas

Categoria(s): Contos e Poemas

Sabedoria

Colaborador: Gabriel Araújo dos Santos *

* Poeta Mineiro

              Dali do alto do pasto da chácara de seu Landim, enquanto tomava fôlego para continuar a cata de estrume de cavalo, eu ficava a admirar, no silêncio daqueles ermos encravados por entre as montanhas, o verdejante vale que se estendia à minha frente, repleto de coqueirais e serpenteado de trilhas que iam e vinham a contornar toda a sua face; trilhas que se formavam pelo constante pisoteio dos bois e cavalos que ali viviam à solta, num pastar tranqüilo.  Os estreitos caminhos formavam desenhos variados, a que dávamos forma de acordo com nosso estado de espírito. Um, entretanto, já estava fixo na mente de todos: representava a figura de um homem descomunal sentado a fumar enorme cachimbo.

             Entre os casebres fincados naquelas bandas, destacava-se o de Maria Roxa, caiado de branco, cobertura de sapé.  À entrada, chegando ao terreiro da frente da casa, um minúsculo cruzeiro enfeitado de flores silvestres.  A presença do cruzeiro me encabulava, me deixava confuso, pois em sendo ela, a moradora, uma feiticeira, segundo corria na boa do povo, como chegar a bom termo com os seus mal-feitos?

              Vez por outra perpassava leve brisa, que a acariciar as folhas dos coqueiros parecia fazer-lhes coscas, produzindo suave farfalhar.

              E os animais, crinas abundantes, caudas longas e esvoaçantes, ensaiavam rápidos galopes e relinchavam, eu imaginando estivessem a apostar corrida com o vento que  passava. 

Eu olhava além montanhas após montanhas, fileira enorme, até onde a vista podia chegar:

               E volvia ao vale, divisando lá e acolá os minúsculos casebres, terreiros varridos e bem cuidados; canteiros de flores e de verduras, pés de laranja e jabuticaba.  Viam-se também os inúmeros cruzeiros: de um lado, o da Chapada – que à noite ficava todo iluminado, olhos de Deus! -; à frente, o das Almas; depois, o da Fonte Grande, o do Tanque e o do Corgo Funda, sem se falar da cruz da torre da igreja.

               Em que pesem tantas cruzes para afugentar o demônio e neutralizar a ação das feiticeiras, a cidadezinha vez por outra acordava de seu marasmo, sobressaltada com as notícias do que o maligno andou aprontando nas caladas da noite.

              Cismando estes trens, fiquei a imaginar que já era tempo de me iniciar nos primeiros passos para a preparação da minha primeira comunhão, vez que eu ia completar sete anos de idade.

              A grande festa acontecia no mês de maio, o mês de Maria por excelência.

              Era no preparar as crianças que as senhoras da cidade e as irmãs do internato e do hospital, as Vicentinas, ensinavam-lhes as principais orações, aquelas mais compridas e complicadas, como o Creio em Deus Padre, recitado em casos de última necessidade, e indicado para neutralizar as tentações das coortes do demônio.     

              Até então eu sabia apenas a ave-maria e o São Bento Água Benta, esta para nos livrar das cobras venenosas, e três vezes repetida antes de entrar no mato: “São Bento água benta, Jesus Cristo no altar, arreda bicho mau para o filho de Deus passar”.  Uma única vez dei com uma cobra, e foi às margens do Tanque da Chapada. Dado o alarme pelos meus gritos, mataram-na a tiro de espingarda chumbeira de carregar pela boca.

            Justamente naquele dia eu não fizera a oração.  

            Após a missa da primeira comunhão, as crianças participavam da grande festa no Parque Mãe D´água, quando nas extensas e numerosas mesas via-se uma profusão de quitandas e bules e mais bules de café com leite e chocolate. A meninada se deliciava com tudo aquilo, e ainda recebia um santinho de lembrança.

             Mas eu tinha um motivo especial a mais no meu desejo de fazer a primeira comunhão: aprender mais rezas, rezas que me acalmassem o espírito e me livrassem do aparecimento do demônio em suas mais variadas formas, pois havia, já bem arraigadas  na mente dos moradores do lugar, diversas espécies de medo: do demônio, das feiticeiras,  dos mortos e da própria morte. E outro medo, que vinha chegando aos poucos, cada dia aumentando mais: o medo da guerra 

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01
Ago

 Poemas da Silvia Trevisani - Itinerante

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoção

Colaboradora: Silvia Cristina Martins Trevisani *

* Poetisa Paulista

ITINERANTE

Quanto me resta de vida?
Quanto de sonho ainda falta-me?
Sou apenas um itinerante,
Vivendo a luz da ribalta!
Absorta, dominada pela paixão.
Quimera, utopia, ou apenas ilusão?
Não quer meu amor e nem meu coração.
Se estiver alucinada…
Só o tempo poderá dizer-me…
Anos passaram-se na minha vida,
Nunca soube o que fazer…
Hoje, pelo menos sei o que almejo…
Desejo amar-me
E compreender-me
De uma forma única e
possível.

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28
Jul

 Poemas da Dalva Saudo - Sinfonia dos pronomes

Categoria(s): Contos e Poemas

Emoções

Colaboradora: Dalva Saudo *

* Poetisa Paulista

Sinfonia dos pronomes

Às vezes estou eu
Outras… com ele ou elas.
Ficamos nós. O tempo passa…
Canso-me!
Quero o retornar a ficar só.
Como uma estrela solitária sem galáxia.

Aprendi a ser só.
Canso dos nós
Enfim…outros se cansam de mim.

É círculo, roda, místico, realístico,
Canso dos nós, outros se cansam de mim.

E a roda…vai girando, circulando, cansando,
Alegrando, dando canseira,
Cansaço!

Ao rever as amizades,
A felicidade me invade!

Ele!. Elas!, nós, vós. Eles!
Ele e eu…

Encontros, desencontros, reencontros,
Até a voltar a ser só.

QUERER SER SÓ!
Para me inspirar, pintar, poetizar, descansar,
E com Deus sintonizar.

Fazer as minhas coisas
Deixar você fazer as suas

É a sinfonia dos nomes sem nomes
Os pronomes.

Por fim quero fugir de nós
Não quero fugir de mim!

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