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26 - jul

Lisossomo – Qual seu papel celular?

Categoria(s): Avanços da Medicina, Biogeriatria, Biologia, Conceitos

Lisossomo – Qual seu papel celular?

 

Christian de Duve

 

LisossomaNascido no Reino Unido em 1917, filho de pais belgas ali refugiados durante a guerra, Christian de Duve estudou medicina e química na Bélgica. Recebeu o Prêmio Nobel em 1974, pela descoberta de dois tipos de organelas celulares: os peroxisomas, vesículas que contêm enzimas de detoxificação das células, e os lisossomas, cuja função é degradar as partículas que vêm do exterior da célula e reciclar as organelas e outros componentes celulares que já ultrapassaram o seu tempo de vida útil.

Lisossomos

LisossomoOs lisossomos têm como função a degradação de partículas advindas do meio extra-celular, assim como a reciclagem de outras organelas e componentes celulares envelhecidos. Seu objetivo é cumprido através da digestão intracelular controlada de macromoléculas (como, por exemplo, proteínas, ácidos nucléicos, polissacarídeos, e lipídios), catalisada por cerca de 50 enzimas hidroliticas, entre as quais se encontram proteases, nucleases, glicosidades, lipases, fosfolipases, fosfatases, e sulfatases. Todas essas enzimas possuem atividade ótima em pH ácido (aproximadamente 5,0) o qual é mantido com eficiência no interior do lisossomo. Em função disto, o conteúdo do citosol é duplamente protegido contra ataques do próprio sistema digestivo da célula, uma vez que a membrana do lisossomo mantém enzimas digestivas isoladas do citosol (essa função é exercida, aparentemente, pelos carboidratos que ficam associados à face interna da membrana), mas mesmo em caso de vazamento, essas enzimas terão sua ação inibida pelo pH citoplasmático (aproximadamente 7,2) causando dano reduzido à célula.

Fisiologia dos lisossomos

O Lisossomo é uma parte fundamental da célula. A formação do lisossomo representa a intersecção entre a via secretória (rede Trans-Golgi), através da qual as proteínas lisossomais são processadas, e a via endocítica, através da qual as moléculas extracelulares são adquiridas na membrana celular.

Vacúolo autofágico – Apoptose – Os lisossomos são parte importante na chamada morte celular programada (apoptose) onde parte das células ou as próprias células são “digeridas, e seu material é reaproveitado para novas células.

Vacúolo digestivo – Defesa celular – Durante a endocitose, materiais extracelulares são internalizados através de vesículas endocítosas revestidas por clatrina, que se desprendem da membrana plasmática e depois fundem com o endossomo precoce. Os componentes membranosos são então reciclados e o endossomo precoce gradualmente amadurece para um endossomo maduro que é o precursor do lisossomo. Uma das mudanças mais significativas desse amadurecimento é a queda do pH para aproximadamente 5,5, que desempenha um papel vital na entrega das hidrolases ácidas lisossomais pela rede Trans-Golgi ao endossomo maduro.

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17 - mai

Transportadores de glicose – GLUTs

Categoria(s): Avanços da Medicina, Bioquímica, Conceitos, Endocrinologia geriátrica, Farmacologia e Farmácia

Transporte de glicose

 

GLUT-2 nas células beta-pancreáticas

As membranas celulares não são permeável a glicose. Assim, a glicose, principal fonte de energia celular, é transportada na maioria das células por difusão facilitada, através de proteínas transportadoras presentes na membrana plasmática. Está caracterizada a existencia de uma família de transportadores (GLUT1-GLUT7), com características funcionais e distribuição tecidual distintas. Porém, nos epitelios intestinal e tubular renal, o transporte é contra gradiente e acoplado ao Na+ na membrana apical das células através de cotransportadores (SGLT1-SGLT2), com posterior difusão para o interstício através de GLUTs presentes na membrana basolateral.

(GLUT) A família de proteínas especializadas no transporte de glicose através da membrana das células.

GLUT-1 – Altas concentrações em células sanguíneas, barreira hematoencefálica e rins. Permite basal não insulino-estimulada a captação de glicose em células de muitos tecidos.
GLUT-2 – Hepatócitos, células beta do pâncreas, membrana basolateral de células epiteliais do intestino delgadoe túbulos renais. Astrócitos de núcleos cerebrais como: hipotálamo paraventricular e lateral. Transporta glicose na célula beta: um pré-requisito para a detecção de glucose.
GLUT-3 – permite não insulino-mediada captação de glicose em neurónios do cérebro e placenta.
GLUT-4 – permite que a maior parte da ação periférica à insulina. É o canal através do qual a glicose é retomado em células musculares e de tecido adiposo após a estimulação do receptor de insulina.
GLUT-5 – Transportador de frutose existindo em altas concentrações no intestino delgado e testículo.
GLUT-6 – Pseudo gen que não se expressa funcionalmente.
GLUT-7 – Fração microssomal de células hepáticas: está associado ao complexo enzimático glicose-6-difosfatoe intermedeia a liberaçnao de glicose no retículo endoplasmático.
SGLT1 – Borda em escova das células epiteliais do duodeno jejuno e segmento S3 do túbulo proximal do néfron.
SGLT2- Borda em escova das células epiteliais do segmento S1 do túbulo proximal do néfron.

 Insulina

Como as células beta-pancreáticas sabem quando produzir e liberar insulina?

Glicose entra na célula beta das ilhotas de Langerhans através do GLUT-2 proteína transportadora, que está intimamente associado com a glucoquinase enzima glicolítica. Metabolismo da glucose dentro da célula beta gera ATP. ATP fecha os canais de potássio na membrana celular (A). Se uma sulfonilureia se liga ao seu receptor, este também fecha os canais de potássio. Encerramento de canais de potássio predispõe à despolarização da membrana celular, permitindo que os iões de cálcio entre na célula através de canais de cálcio na membrana celular (B). O aumento do cálcio intracelular desencadeia a activação de cálcio proteína quinase dependente de fosfolípidos que, por meio de passos de fosforilação intermediários, leva à fusão dos grânulos que contêm a insulina com a membrana celular e exocitose do conteúdo de insulina ricos em grânulos. A secreção de insulina é pulsátil, cada pulso de 8-10 minutos.

Referências:

Bell Gl, Kayano T, Buse JB, Burant CF, Takeda J, Lin D, et al. Molecular biology of mammaliam glucose transporters. Diabetes Care 1990; 13:198-200.

Kasanick MA, Pilch PF. Regulation of glucose-transporter function. Diabetes Care 1990;13:219-227.

Bell Gl, Burant CF, Takeda J, Gould GW. Structure and function of mammalian facultative sugar transporters. J Biol Chem 1993;268:19161-19164.

Hediger MA, Rhoads DB. Molecular physiology of sodium-glucose cotransporters. Physiol Rev 1994;74:993-1026.

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29 - abr

Vômitando sangue – Como agir

Categoria(s): Conceitos, Emergências, Enfermagem, Gastroenterologia

Vômitando sangue – Como agir

 

Entendendo a gravidade da situação

Uma das visões mais contundentes é assistir uma pessoa vômitando sangue. Os filmes exploram esta imagem sempre que algum personagem sofre um ato violento, mesmo que o trauma tenha sido em algum local do corpo que certamente não causa hemorragia no trato gastrointestinal, como exemplo trauma região posterior do abdomen (região lombar).

Em geral, a hemorragia digestiva alta, que causa o vômito sangüinolento, ocorre em aproximadamente 100 casos por 100 mil adultos/ano. As ulcerações pépticas (úlcera do estômago ou duodeno) representam cerca de 50% a 60% de todos os casos de hemorragia digestiva alta, com melhora espontânea em cerca de 80% dos pacientes. Nos últimos trinta anos os índices de morbidade (6%) e mortalidade ( 7%) desta emergência não melhorou mesmo com os avanços da terapêutica medicamentosa e endoscópica.

Tratamento

A correta abordagem terapêutica dessa hemorragia digestiva está diretamente relacionada não somente a sua causa, mas também a sua intensidade. Para se avaliar a intensidade da hemorragia, pode-se utilizar o critério estabelecido pelo Colégio Americano de Cirurgiões, Grau I (Taquicardia) = 15% de perda; Grau II (Hipotensão postural) = 20 a 25% de perda; Grau III (Hipotensão supina, oliguria) = 30 a 40% de perda; Grau IV (Obnubilação, colapso cardiovascular) = mais de 40% de perdas.

A endoscopia digestiva alta é procedimento padrão para a identificação da causa da hemorragia e, em muitas ocasiões, para a sua efetiva terapêutica. Esse exame deverá ser realizado junto ao leito do paciente e tão logo ocorra o reestabelecimento das condições hemodinâmicas. Quando executado dentro das primeiras 24 horas da ocorrência da hemorragia, seu nível de eficácia poderá chegar a 95%. Para controle de sangramento ou de procedimento endoscópico, esse exame poderá ser repetido tantas vezes quantas forem necessárias.

Causas

As causas principais de hemorragia digestiva alta são:

  1. Varizes do esôfago e fundo gástrico;
  2. Síndrome de Mallory-Weiss;
  3. Úlceras de esôfago;
  4. Esofagite;
  5. Úlceras pépticas gástricas;
  6. Úlceras pépticas duodenais;
  7. Úlcera de Dieulafoy em fundo gástrico;
  8. Gastrite erosiva;
  9. Neoplasia do esôfago;
  10. Neoplasia do estômago;
  11. Úlceras isquêmicas.

Assista o vídeo endoscópico de um caso de múltiplas úlceras gástricas – imagens elevadas e amareladas

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26 - abr

Dispepsia – Causa funcional: Empaxamento

Categoria(s): Conceitos, Gastroenterologia, Semiologia Médica

Dispepsia

 

Entendendo os sintomas dispépticos de origem funcional

DISPEPSIA

A gastroparesia é um bom exemplo de um quadro dispéptico de causa funcional. Pode ser causada por medicamentos (agentes anticolinérgicos e narcóticos) ou por doenças sistêmicas, como esclerodermia e diabetes mellitus, ou pode ser sem causa definida (idiopática).

O estomago funciona como um reservatório, permitindo controle da passagem de líquidos e sólidos para o intestino delgado, para otimizar o processo de digestão e absorção dos alimentos. A gastroparesia é uma disfunção secundária à distúrbios da unidade neuromuscular do estômago, que causa falha no esvaziamento gástrico. Os pacientes com gastroparesia podem ser assintomáticos, porém essa disfunção pode afetar o estado nutricional e resultar em uma série de sintomas como dispepsia, distensão abdominal, náusea, vômitos e perda de peso.

Diagnóstico

O diagnóstico é fundamentado na verificação do retardo no esvaziamento gástrico. Estudos com bário do trato gastrointestinal superior e endoscopia (achado de alimentos retido horas depois de uma refeição) podem sugerir gastroparesia. Eletrogastrografia (EGG) e eletromiografia (EMG) podem fechar o diagnóstico de gastroparesia neural (diabetes mellitus) ou miopática (esclerodermia).

Tratamento

Agentes procinéticos, como metoclopramida, cisaprida e eritromicina (agonista da motilina), atuam na função motora do estômago por meio de diferentes mecanismos.

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18 - abr

Câncer – Nova visão da célula cancerosa

Categoria(s): Câncer - Oncogeriatria, Conceitos, Genética médica

Célula cancerosa – Uma nova visão

 

Oncogenética

Célula Cancerosa – Uma célula normal pode sofrer alterações no ácido desoxirribonucleico (DNA) contido no núcleo. É o que chama-se mutação genética. É através do DNA que os cromossomas passam as informações para o funcionamento da célula. Assim, as células cujo material genético foi alterado passam a receber instruções erradas para as suas atividades. As alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados protooncogenes, que a princípio são inativos em células normais. Quando ativados, os proto-oncogenes transformam-se em oncogenes, responsáveis pela malignização (cancerização) das células normais. Essas células diferentes são denominadas cancerosas.

As células cancerosas são estruturalmente e funcionalmente anomalas, crescendo de forma desordena e de forma extremamente rápida, sem nenhum controle. Quando estudamos um tecido canceroso observamos que os núcleos das células são grandes e hipercorados ( seta A) em constante divisão celular(seta B) e com muitos núcleos (seta C). Totalmente diferente do tecido normal. Pelas característica das células tumorais o patologista pode afirmar onde o câncer se originou, mas existem casos em que as células são tão indiferenciadas que não se descobre qual o local de sua origem, isto acontece nos tumores extremamente malígnos.

Características genéticas

mapa-geneticoA medicina estuda a muitos anos o comportamento das células cancerosas e procura determinar quando as células normais passaram a agir como célula cancerosa, são as chamadas lesões pré-cancerosas. Este fato é muito importante pois quando o tratamento é realizado nesta fase a cura para o câncer é muito mais eficaz e menos traumática para a pessoa. Certamente as células cancerosas, inicalmente, se modificaram geneticamente, e o tumor é resultante da expressão de um gene modificado por agentes internos como perda capacidade imunológica ou externos como infecções, poluição, irradiação, etc.

A cada semana, novos genes são associados a síndromes hereditárias e novas síndromes de predisposição ao câncer são descritas. Assim, a identificação de genes expressos por tumores vem sendo cada vez mais aplicável na prática clínica. E além da classificação dos tumores por suas características histopatológicas, a expressão de proteínas (por imunohistoquímica) e os métodos moleculares (pCR, sequenciamento, FISH, microarray) trouxeram para o presente a possibilidade do uso rotineiro de detecção de mutações genéticas, amplificações e fusões gênicas dos tumores com relevância clínica.  A figura ao lado mostra o mapa genômico de uma linhagem tumoral, onde os segmentos definidos no contorno representam os cromossomos, e as linhas que interligam os cromossomos representam as fusões intra ou intercromossômicas. Um crescente número de agentes terapêuticos direcionados a alvos específicos nas células tumorais vem sendo desenvolvido, revolucionando a forma como se tratam diferentes tipos de câncer, tendo como alvo mutações e/ou vias genéticas. Vários estudos demonstraram que a seleção de pacientes com base em características genéticas presentes no tumor identifica aqueles indivíduos que mais se beneficiarão do uso desses agentes. Com a crescente complexidade da rede de interações de vias genéticas e dos mecanismos de escape biológicos dos tumores, será necessário desenvolver uma forma abrangente de se compreender o espectro de alterações genéticas distintas do câncer. Só assim será possível traçar estratégias personalizadas voltadas para subgrupos de pacientes com maior chance de obter benefício com um tratamento específico ou combinado

 

Referência:

 

 

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