Arquivo de Bioquímica

09
ago

 Estudo de caso – Hipercalcemia assintomática em mulher

Categoria(s): Bioquímica, Caso clínico, Oncogeriatria

Interpretação clínica

  • Mulher de 53 anos apresenta no exame de rotina hipercalcemia (cálcio sérico de 12,1 mg/dl). Há dois anos foi submetida a mastectomia da mama esquerda, por carcinoma de mama, após a qual recebeu tratamento com radioterapia e quimioterapia adjuvante. Tem estado clinicamente bem desde a cirurgia.

O que pode ser esta hipercalcemia?

Em uma mulher de meia-idade assintomática com hipercalcemia, o diagnóstico mais provável é hiperparatireodismo primário. A sua prevalência é de 3:1000 casos, assim pode ocorrer coincidentemente com o carcinoma de mama. Um nível elevado de hormônio paratireoidiano (PTH) seria consistente com o diagnóstico. Um nível suprimido de PTH em paciente com hipercalcemia indica um origem paratireóidea, e se a paciente tinha nível suprimido de PTH no evento de carcinoma de mama recente, um rastreamento ósseo é indicado, para determinar se existem metástase óssea do câncer de mama, apesar da ausência de dor óssea.

Caso a paciente não tenha nem hiperparatireoidismo nem carcinoma de mama, outros testes laboratoriais seriam indicados para procurar causas raras de hipercalcemia, como intoxicação por vitamina D ou sarcoidose

Intoxicação por vitamina D – observa-se níveis aumentados de 25-hidroxivitamina D, a principal forma circulante de vitamina.

Sarcoidose – a hipercalcemia resulta da produção de 1,25-diidroxivitamina D em granulomas sarcóides.

Referência:

Potts Jt Jr – Hyperparathyroidism and other hypercalcemic disorders. Adv Intern Med. 1996;41:165-212.

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Estudo de caso – Hipercalcemia
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03
ago

 Estudo de caso – Doença de Paget com surdez

Categoria(s): Bioquímica, Caso clínico, Reumatogeriatria

Interpretação clínica

  • Homem branco de 75 anos, apresentando cefaléia e surdez importante nos últimos 2 anos. No exame radiológico observou-se alargamento do crânio. Seu nível de fosfatase alcalina sérica é de 8.600 U/l (normal, 36 a 92 U/l) e seu nível de hidroxiprolina urinearia é de 150 mg/24h (normal,  menor que 50 mg/24 h).

Como confirmar o diagnóstico e indicar a terapia para o caso?

O achado de alargamento do crânio em homem idoso com concentração sérica elevada de fosfatase alcalina é muito sugestivo de doenca de Paget dos ossos.Não existe a necessidade de outros testes diagnósticos para confirmar o diagnóstico e instituir o tratamento.

Tratamento – O tratamento indicado é no sentido de controlar a dor óssea e a progressão da deformidade. A surdez é complicação comum da doença de Paget do crânio. O controle da doença de Paget, geralmente, não melhora a surdez.

Veja - Estudo de caso – Fosfatase alcalina elevada

Referência:

Delmas PD, Meunier PJ – The management of Paget’s disease of bone.  engl J Med. 1997;336:558-566.

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Doença de Paget
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16
mar

 Carotenóides – ß caroteno

Categoria(s): Bioquímica, Nutrição, Ortomolecular

Medicina ortomolecular

O betacaroteno (pró-vitamina A) A é essencial à visão (principalmente à visão noturna); regulação da divisão celular; reprodução masculina e feminina; imunidade; anti-neoplásica (especialmente do parênquima respiratório); produção de hemácias; acelera a cicatrização de tecidos; combate as doenças de pele; pode reverter o envelhecimento.

Papel nos diabéticos – O betacaroteno (pró-vitamina A): 10.000 a 25.000 Ul por dia via oral. Os diabéticos podem ter dificuldades em transformar o betacaroteno em retinol. A enzima que faz esta conversão estará diminuída se houver deficiência protéica (cerca de 50%). Altas doses de vitamina A pré-formada (retinol), poderão ocorrer efeitos colaterais de toxicidade (emagrecimento, perda do apetite, problemas na formação óssea, problemas hepáticos e menstruais).

Veja – Vitamina A: Retinol

Terapêutica:

Dosagem: Vitamina A (retinoi): 5.000 a 20.000 Ul por dia via oral.

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15
mar

 Carotenóides – Licopeno

Categoria(s): Bioquímica, Ortomolecular, Plantas medicinais

Ortomolecular

Licopeno

uvasO licopeno é um carotenóide natural, um pigmento vermelho encontrado em muitas frutas e vegetais, como o tomate vermelho, a uva rosada e o melão. Sua estrutura química é semelhante ao betacaroteno existente na cenoura. O licopeno possui duas ligações duplas a mais e anéis abertos, o que lhe confere poderosas propriedades antioxidantes. O betacaroteno possui 2 anéis nos gupos finais da molécula.

Assim como o betacaroteno, o licopeno é transportado no sangue humano por meio de lipoproteínas principalmente LDL. A principal função da LDL é fornecer colesterol para as células, ao fazer isso, também fornece licopeno e betacaroteno. os maiores níveis de licopeno são encontrados no fígado, seu principal local de armazenamento e em dois pequenos órgãos: os testículos e a glândula adrenal.

O tecido adiposo tem pouca quantidade de carotenóides, porém devido o seu grande volume pode ser considerado importante fonte de armazenamento.

O licopeno faz parte dos chamados alimentos funcionais, cuja ação terapêutica se dá em conjunto com micronutrientes.

Os micronutrientes melhoram a imunidade mediada por células e reduz o estresse oxidativo. A suplementação de vitamina E em idosos bem nutridos saudáveis aumenta a proliferação de linfócitos e resposta de hipersensibilidade tardia, assim como diminui a formação de prostaglandinas imunossupressoras. A vitamina C regenera a forma antioxidante da vitamina E, sendo importante na destruição dos patógenos (bactérias e virus) pelos neutrófilos.

Nos idosos, a suplementação de micronutrientes (vitaminas e sais minerais) aumenta o subgrupo de células T e a atividade das células natural killer (NK). Tem sido observado que os idosos institucionalizados sofrem de carência de vitaminas, particularmente cianocobalamina, folato e piridoxina, assim como zinco, que os deixa mais propensos a infecções. O uso de antioxidantes (vitamina A, C, E, alfa e betacaroteno, critoxantina, licopeno, luteína e zeaxantina) e de vitaminas B (tiamina, riboflavina, niacina, piridoxina, cobalamina e folatos) diminuem o risco de infeções, sobre tudo, pneumonias comunitárias.

As evidências encontradas contribuíram para reforçar a hipótese de que o consumo habitual e moderado de vinho tinto, que contém substanciosa quantidade de licopeno, pode prevenir ou reduzir o risco de desenvolver a DAC por combater o excesso de radicais livres.

Veja – A aterosclerose e o vinho tinto – Compostos fenólicos

Terapêutica:

Cápsulas com 5 a 10 mg, 1 a 2 vezes ao dia

Referências:

Ferreira, A.L.A. e Matsubara, L.S. – Radicais livres: conceitos, doenças relacionadas, sistema de defesa e estresse oxidativo. Rev. Assoc. Med. Bras., jan./mar. 1997, vol.43, no.1, p.61-68. ISSN 0104-4230.

Lima, VLAG, Melo, EA, Maciel, MIS et al. – Fenólicos totais e atividade antioxidante do extrato aquoso de broto de feijão-mungo (Vigna radiata L.). Rev. Nutr., jan./mar. 2004, vol.17, no.1, p.53-57. ISSN 1415-5273.

Lycopene [on line]

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Envelhecimento do sistema imunológico

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22
fev

 Estudo de caso – Diarréia e hipopotassemia

Categoria(s): Bioquímica, Caso clínico, Emergências, Gastrogeriatria

Interpretação

  • Uma paciente de 54 anos foi internada na unidade de terapia intensiva  com história de fraqueza e paresteria nas pernas há 1 semana. Refere ser portadora de doença de Crohn há 10 anos, tendo sido submetida  a inúmeros procedimentos abdominais e ficou com ileostomia. Normalmente controla o débito da ileostomia com loperamida, porém nesta última semana o débito tem sido muito grande.
  • O exame físico da internação revela que su pressão arterial é 115/75 mmH deitada e 105/65 mmHg sentada. Sua pela está com turgor normal e não existe sinais de desidratação. Exame cardiopulmonar normal. Seu abdome apresenta-se indolor, com múltiplas cicatrizes cirúrgicas e a ileostomia está funcionando. Edema nas pernas de 1+.
  • Exames laboratoriais da internação: creatinina sérica = 2,0 mg/dl, sódio = 129 mEq/l, potássio = 2,9 mEq/l, fósforo = 1,3 mg/l, bicarbonato = 18 mEq/l, cálcio = 5,5 mg/dl e magnésio = 1,2 mg/l.
  • Após 24 horas de infusão intravenosa de soros fisiológicos isotônico mais 40 mEq/l de cloreto de potássio iniciados a 150 ml/h, e alternado bicarbonato de sódio 50 mq/l; novos exames laboratoriais mostraram uréia = 20 mg/dl, creatinina = 1,5 mg/dl, bicarbonato = 22 mEq/l. No entanto, o nível de potássio ficou em 2,9 mEq/l e o cálcio em 5,3 mg/dl.

Qual é a razão da persistência da hipopotassemia?

A depleção de magnésio, potássio e fósforo pode ocorrer simultaneamente em pacientes com diarréia crônica como no caso da paciente.

Os distúrbios gastrointestinais estão entre as principais causas de depleção do ion magnésio, que geralmente está associada com déficit de potássio (devido ao aumento da perda renal de potássio) e hipocalcemia (devido ao hipoparatireoidísmo funcional). A hipocalcemia e a hipocalemia (hipopotassemia) são muito difíceis de corrigir, a não ser que o déficit de magnésio seja corrigido primeiro.

Veja :

Estudo de caso – hipopotassemia

Referências:

Whang R -  magnesium dificiency: pathogenesis, prevalence, and clinical implications. Am j Med,. 1987;82:24-29.

Whang R, Whang DD, Ryan MP – Refractory potassium repletion. A consequence of magnesium deficiency. Arch inter med 1992;152:40-45.

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