30 - out
  

Perda do paladar – Estimulação gustativa

Categoria(s): Fonoaudiologia, Gastroenterologia, Nutrição




Perda do paladar

Estimulação sensorial gustativa

O olfato, pela sua intermediação química, foi o órgão que maior importância teve para facilitar a exploração do ambiente e satisfazer a curiosidade animal. Porém, é o paladar que também mediada por estímulos químicos permitiu ao animal saber o que é alimento agradável e bom, dos alimentos desagradáveis, ruins e perigosos. Com o envelhecimento muito das atividades das papilas gustativas desaparecem e a pessoa fica sem vontade de ser alimentar, assim, cabe ao médico, ao dentista e ao fonoaudiólogo procurar restituir a capacidade das papilas gustativas. A cavidade oral bem higienizada e lubrificada com saliva de boa qualidade é fundamental para a volta do apetite e do paladar para os idosos.

Estimulação gustativa – O objetivo da estimulação sensorial gustativa é trabalhar a adequada percepção dos estímulos, ou seja que provoque uma resposta automática em região intra-oral. A partir da estimulação digital são estimuladas as regiões intra-orais. Para estimular a percepção gustativa podem ser utilizados sabores amargos, azedos, doces e salgados.

Anatomia da aparelho gustativo – a Língua – O dorso da língua é dividido pelo sulco longitudinal, que é contínuo desde a parte posterior até um orifício de extensão variável chamado forame cego (O forame cego é remanescente da origem embrionária da glândula tireóide). A partir do forame cego, um sulco rasoem forma de “V” , denominado sulco terminal, faz trajeto anterior e lateralmente para as margens da língua. As papilas gustativas são abundantes nos dois terços do dorso da língua e dão à sua superfície o aspecto áspero. Existem quatro tipos de papilas gustativas. As papilas valvadas (circunvaladas), cerca de dez, formam uma fileira em forma de “V”, imediatamente anterior ao forame cego e ao sulco termina. As papilas fungiformes (em forma de cogumelo) situadas na “ponta” da língua, são eminéncias grandes e arredondadas, vermelhas e revestidas por papilas secundárias. Os botões gustativos são abundantemente distribuídos sobre elas. Papilas filiformes (semelhante a fios) são as mais comuns. Organizam-se em fileiras paralelas às papilas valvadas. Papilas simples, semelhantes as da pele, reveste toda a mucosa e superfície das papilas maiores (veja a microscopia da língua na figura ao lado).

Circuito cerebral da gustação – Cada área da língua apresenta uma característica sensorial para uma determinada substância básica como ilustra a figura. Esta papilas gustativas são quimiorreceptores, de origem epitelial, que se coneta a terminações nervosas que conduzem a informação codificada em potencias de ação até os centros cerebrais (córtex gustatório) passando pelos nervos cranianos; facial (VII), glossofaríngeo (IX) e vago (X), até o núcleo do trato solitário situado no tronco encefálico e em seguida ao núcleo ventral medial do tálamo até atingir o córtex cerebral na região chamada de córtex insular, que fica próxima ao núcleo ventral posterio medial do tálamo. Visto isso, pode-se entender que a perda do apetite pode ocorrer por lesão desde as papilas gustativas da língua até o córtex cérebral, por doenças degenerativas ou isquêmicas (AVC – acidente vascular cerebral) .

A estimulação digital é um bom exemplo de uma Técnica de Indução. Nesta técnica, o paciente é estimulado em um ponto específico da região intra-oral em geral, com alimento real. Este estímulo, na maioria das vezes causa uma resposta do paciente de reorganização durante a percepção deste e como é realizado com alimento real, favorece o deflagrar de um processo de deglutição e retomada do paladar. No atendimento das disfagias, o melhor exercício para a deglutição é a repetição organizada deste processo com alimento real. Isto deve ser realizado de forma controlada e segura para a fisiopatologia de cada caso.

Referência:

Marchesan, IQ – Deglutição – Diagnóstico e Possibilidades Terapêuticas. In: MARCHESAN, I.Q. – Fundamentos em Fonoaudiologia – Aspectos Clínicos da Motricidade Oral. Rio de Janeiro, Ed. Guanabara Koogan, Cap. 6, p. 51-8, 1998.

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