Arquivo de 4/set/2012





04 - set

Movimentos corporais involuntários – Doença de Huntington

Categoria(s): Dicionário, Neurologia geriátrica, Psicologia geriátrica, Semiologia Médica

Doença de Huntington

A doença de Huntington é uma doença hereditária autossômica dominante ligada ao cromossoma 4 (expansão do tripleto CAG – C=citosina, A=guanina e G=guanina – no braço curto do cromossoma 4 região IT15),  foi descrita por George Huntington em 1872. Ela ocorre em 3 a 10 por 100.000 habitantes, inicia-se por volta de 30 anos de idade e tem curso evolutivo de 13 a 16 anos em média.

A descição original da doença pelo neurologista George Huntington ilustra bem o ponto clínico fundamental da doença, que são os movimentos involuntarios da pessoa.
“A doença comumente se inicia por leves abalos dos músculos da face, que aumentam gradativamente em violência e variedade. As pálpebras são mantidas piscando, a testa franzida depois elevada, o nariz torcido para um lado e depois para o outro e a boca se volta em direções variadas, dando ao paciente a aparência mais ridícula que se possa imaginar. Parece haver alguma força oculta, algo que esta de certa forma brincando com a vontade e de algum modo dificultando e pervertendo seus desígnios; e depois que a vontade pára de exercer sua força numa direção
qualquer, assume o controle e mantém a pobre vitima numa agitação continua enquanto ela permanece acordada”.

A primeira alteração neuropatológica da doença de Huntington é a perda de neurônios na parte paraventricular medial do núcleo caudado e no putâmen dorsal. Esses neurônios compreendem 80% das células do corpo estriado, são gabaérgicos e se projetam do estriado para o globo pálido e para a porção reticular da substância negra. Os movimentos anormais da doença de Huntington acredita-se que sejam causados pela perda da maioria dos corpos celulares dos neurônios secretores de GABA no núcleo caudado e no putâmen e dos neurônios secretores de acetilcolina (Ach) em muitas partes do cérebro. As terminações axonais dos neurônios gabaérgicos normalmente causam inibição do globo pálido e da substância negra. A perda da inibição parece permitir descargas espontâneas de atividade do globo pálido e da substância negra que causa os movimentos de distorção.

Proteína huntingtina – O gene IT15 normal é responsável pela codificação da proteína “huntingtina, que está  presente em vários tecidos do corpo, embora esteja mais concentrada no cérebro. Quando no tecido cerebral, ela é quase exclusiva do citoplasma neuronal, sendo vista nos axônios, dendritos e corpo celular. Na doença de Huntington, a huntingtina possui uma cadeia anormal de poliglutaminas que confere à sua estrutura novas propriedades que desencadeiam interações anômalas com outras proteínas. A trinca de trinucleotídeos CAG é responsável pela transcrição de um aminoácido chamado glutamina; e a repetição sequencial de até trinta e cinco aminoácidos (poliglutamina) é característica da estrutura molecular normal da proteína Huntingtina

Sintomatologia – Os sintomas e sinais clínicos cardinais são:

· Síndrome demencial;
· Síndrome extrapiramidal (coreoatetose), este sinal é a característica mais marcante e típica é um espasmo clônico afetando os músculos voluntários sem ocorrer perda da sensibilidade ou consciencia.
· Manifestações psiquiátricas graves (depressão, quadros psicóticos, suicídio, alcoolismo);
· Atrofia do núcleo caudado na neuroimagem cerebral.

Diagnóstico – O diagnóstico da doença de Huntington, também conhecida como coréia de Huntington é realizado após a observação das manifestações clínicas típicas da síndrome, associada com uma história familiar positiva de coréia de Huntington.

Tratamento – A doença de Huntington é uma enfermidade incurável, cuja progressão não pode ser interrompida, sendo que o tratamento é puramente sintomático. A terapia farmacológica, com drogas bloqueadoras dos receptores dopaminérgicos, como as fenotiazinas ou o haloperidol, pode controlar a discinesia e alguns dos distúrbios comportamentais.

Referência:

Chemale FA, Bassols GF, Ferreira MT, Rocha RS, Antonello J.  – Doença de Huntington - Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre. Departamento de ciências Morfológicas. DISCIPLINA DE GENÉTICA E EVOLUÇÃO [on line]

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