19 - ago
  

Surdez neurossensorial – Neuropatia auditiva

Categoria(s): Otorrinolaringologia geriátrica




Lesões auditivas

O termo neuropatia auditiva foi utilizado pela primeira em uma publicação do ano de 1963, para classificar uma categoria de indivíduos possuidores de inúmeros sintomas auditivos, mas que tinham em comum o normal funcionamento da cóclea associado à alteração da função do nervo coclear. Nos últimos anos surgiu a denominação, a neuropatia/ dessincronia auditiva (NA/DA). Os portadores de NA/DA são indivíduos que podem ter desde limiares tonais dentro da normalidade, até uma perda auditiva profunda.

A Neuropatia Auditiva apresenta-se com uma perda da sincronia na condução nervosa, provavelmente relacionada
à alteração da mielinização das fibras do nervo auditivo – A localização precisa da alteração não está definida e pode diferir nos diversos casos, mas deve estar nas células ciliadas internas, nas sinapses entre as células ciliadas internas e o oitavo par craniano. A transmissão do estímulo falha em produzir despolarização uniforme, suficiente para que se obtenham os potenciais auditivamente evocados de tronco encefálico.

Os achados audiológicos em pacientes portadores de Neuropatia Auditiva são heterogêneos e ela possui uma etiologia incerta. o termo surdez neurossensorial surgiu da frequente associação, nesses pacientes, dos sintomas auditivos com os de outras neuropatias, como a neuropatia hereditária de Charcot-Marie-Tooth tipo II, a ataxia de Friedreich, as neuropatias do nervo óptico, a neuropatia de Guillan Barré e as neuropatias periféricas acompanhando os quadros de uremia, diabetes, exposição a cisplatina e kernicterus. O acometimento auditivo pode preceder em muitos anos o aparecimento da neuropatia periférica.

Diagnóstico – O diagnóstico da neuropatia/ dessincronia auditiva (NA/DA) é feito através da eletrococleografia (Ecog).

A eletrococleografia (Ecog), cuja aplicação clínica teve maior impacto na identificação e monitoramento da doença de Ménière é o procedimento clínico mais indicado para analisar o MC, uma vez que avalia objetivamente os potenciais cocleares.

A Eletrococleografia é um exame relativamente simples, rápido e extremamente confiável na avaliação objetiva da função auditiva, além do funcionamento normal ou não da orelha interna. Assim, avalia a função coclear de maneira objetiva. A realização deste exame é feito com o paciente quieto durante o exame que é de rápida realização. Caso seja necessário, pode-se proceder à sedação em ambiente hospitalar. Neste exame uma pequena sonda (eletrodo) é introduzida no canal auditivo externo do paciente para se estimular a orelha interna e se obter uma resposta na forma de onda de latência curta.

Tratamento

A principal medida contra a surdez é a preventiva. Nos tempos atuais é grande o nível de “poluição sonora”, desde a infância com brinquedos com altíssimos valores de decibéis, passando pela “baladas” dos jovens, atingindo os adultos com fábricas geradoras de estresse e muitos ruídos. A adequada orientação terapêutica depende essencialmente da precisão do diagnóstico sindrômico, topográfico e etiológico. O tratamento etiológico, quando a causa é identificada, é fundamental, mas pode ser insuficiente para resolver o problema auditivo e/ou vestibular. Diversos medicamentos, cirurgias, próteses auditivas, reabilitação auditiva, correção de erros alimentares e modificação de hábitos são opções para o tratamento em casos com zumbido e perda auditiva.

Implante coclear – Atualmente um recurso que sempre deve ser estudado é o implante coclear, dispositivo eletrônico que faz a função das células ciliadas lesadas ou ausentes. Ele produz um estímulo elétrico às fibras remanescentes do nervo auditivo. Os primeiros trabalhos de pesquisa sobre os implantes cocleares começaram na França em 1957. A partir deles a tecnologia dos implantes cocleares tem sido desenvolvida desde um dispositivo somente com um eletrodo (ou canal), até um sistema complexo que transmite grande quantidade de informação sonora através de múltiplos eletrodos.

Referência:

Starr A, Picton TW, Sininger YS, Hood LJ, Berlin CI. Auditory neuropathy. Brain 1996;119:741-53.
Santarelli R, Arslan E. Electrocochleography in auditory neuropathy. Hear Res 2002;170:32-47.
Hood LJ. Auditory neuropathy: what is it and what can we do about it? Hear J 1998;51(8):10-8.

Tags: , ,




Comentário integrado ao Facebook:


Deixe seu comentário aqui !