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Serotonina e o sistema digestório

Categoria(s): Bioquímica, Câncer - Oncogeriatria, Endocrinologia geriátrica, Gastroenterologia




Bioquímica digestiva

Serotonina

A serotonina é uma molécula sinalizadora e um neurotransmissor com importante ação em várias funções no sistema digestório e cerebral. No intestino atua na motilidade,  sensibilidade, secreção de eletrólitos e fluxo sanguíneo. Assim, tanto os pacientes dispépticos quanto os pacientes com síndrome do intestino irritável têm sido detectado aumento da serotonina plasmática pós-prandial em relação aos controles normais.

O mecanismo pelo qual a serotonina e outras substâncias como neuroquinina, substância P, colecistoquinina, gastrina, peptídeo vasoativo intestinal (VIP), óxido nítrico, peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) e peptídeo ativador da adenil-ciclase pituitária (PACAP) interferem na motilidade e na transmissão e/ou percepção de estímulos sensitivos permanece desconhecido. Existem algumas evidência que os canais de cálcio nas fibras musculares lisas podem participar destes eventos, uma vez que a concentração intracelular deste íon participa dos mecanismos relacionados à contração e ao relaxamento da musculatura lisa do tubo digestivo.

ColonA motricidade intestinal é controlada pelo plexo mioentérico e, os plexos da submucosa, o controle do fluxo sanguíneo e da secreção. O plexo mioentérico responsabiliza-se por dois terços de todos os neurônios entéricos, incluindo neurônios aferentes intrísecos primários, interneurônios, neurônios motores excitatórios e inibitórios, neurônios viscerofugais e neurônios secretomotores e vasomotores que se projetam ao epitélio e a vasos sangüíneos da submucosa.

A atividade neuronial entérica é modulada por diversas substâncias, como a histamina, prostaglandinas, leucotrienos, interleucinas, proteases e a serotonia. A função de modulação do trato gastrointestinal pela serotonina (5-HT) é estabelecida pela sua ação em nervos intrísecos e extrínsecos que, possuindo os receptores serotoninérgicos, sinalizam aos neurônios aferentes modificações presentes na mucosa do trato digestivo.

A serotonina liberada pelas células enterocromafins, nos neurônios, mastócitos e células musculares, por aumento da pressão intraluminal do intestino e estímulos químicos, atinge os receptores (5-HT 1p; 5 – HT3; 5-H4) existentes nos neurônios aferentes intrínsecos primários e, conseqüentemente, reflexos entéricos capazes de alterar a secreção intestinal ou a contração muscular. A estimulação de receptores 5-HT4 resulta na liberação de neurotransmissores como acetilcolina e peptídeo relacionado ao gen da calcitonina de neurônicos entéricos os quais modulam o reflexo peristáltico.

Estes mecanismos explicam os distúrbios intestinais decorrem dos estados emocionais, tanto de constipação, como de diarréias.

O papel da serotonina no tubo digestivo pode ser visto nos chamados tumores carcinóides do intestino médio que incluem o jejuno, íleo, apêndice, ceco, cólon ascendente que freqüentemente secretam níveis elevados de serotonina e manifestam a síndrome carcinóide clássica - onde os pacientes se apresentam com as manifestações cutâneas de “flushing”, pelagra, quadro esclerodermiforme, telangectasias e metástases cutâneas. O “flushing” ocorre em quase todos os casos (90%) e geralmente é restrito às regiões de face, pescoço e tronco superior.

Avaliação da serotonina – O diagnóstico de síndrome carcinóide requer a mensuração dos níveis de serotonina ou de seus metabólitos na urina. O teste mais comumente usado é a medida dos níveis de ácido 5-hidroxi-indolacético (5HIAA) em urina de 24 horas. Falso-positivos podem ocorrer em pacientes que fizeram uso de alimentos ricos em serotonina; banana, kiwi, abacate, nozes, além de medicamentos que contêm acetaminofeno, salicilatos, L-DOPA. O teste só é positivo se o paciente excretar mais de 30 miligramas de 5-HIAA por dia. A determinação do 5-HIAA tem apenas 73% de sensibilidade e quase 100% de especificidade para o diagnóstico de síndrome carcinóide. O valor normal de 5-HIAA é de 2 a 8mg em urina de 24 horas.

Na célula carcinóide o L-triptofano é convertido em ácido 5-hidroxitriptofano e este em 5-hidroxitriptamina que é levada à corrente sanguínea e convertida em 5-HIAA (ácido 5-hidróxi-indolacético), que é excretado pelo rim, aparecendo em grandes quantidades na urina.

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