30 - jun
  

Iatrogenia – O perigo do exagero no diagnóstico

Categoria(s): Doença de causa desconhecida, Enfermagem, Gerontologia, Notícia




Iatrogenia – O perigo do exagero de diagnóstico

___” O exagero de diagnósticos  já representa uma ameaça significativa para a saúde humana”. Quem faz essa advertência contundente é Ray Moynihan, da Universidade Bond, na Austrália, em um chamamento público divulgado pelo renomado British Medical Journal.

Isso ocorre ao se rotular pessoas saudáveis como doentes, fazendo-as tomar medicamentos não apenas desnecessários, mas muitas vezes perigosos em vista da ausência da doença, além de desperdiçar os recursos públicos que poderiam estar sendo usados para quem realmente precisa deles.

Em 2013 ocorrerá nos EUA uma importante conferência mundial sobre este problema, os chamados sobrediagnósticos.

Muitos fatores estão levando ao sobrediagnóstico, incluindo interesses comerciais e profissionais, incentivos legais e questões culturais, dizem Moynihan e seus coautores.

____Uma coleção de ensaios publicada no periódico científico de acesso aberto “PloS Medicine” (medicine.plosjournals.org), três dezenas de páginas de ataque frontal às táticas de vendas das empresas farmacêuticas e aos médicos e jornalistas que se prestam a implementá-las.

____O termo “disease-mongering” (algo como “apregoar doenças”, aqui traduzido por “fabricação de doenças”) foi criado em 1992 por Lynn Payer, que também listou os dez mandamentos para a fabricação bem-sucedida de uma nova doença:
1. Tomar uma função normal e insinuar que há algo de errado com ela e que precisa ser tratada;
2. Encontrar sofrimento onde ele não necessariamente existe;
3. Definir uma parcela tão grande quanto possível da população afetada pela “doença”;
4. Definir a condição como uma moléstia de deficiência ou como um desequilíbrio hormonal;
5. Encontrar os médicos certos;
6. Enquadrar as questões de maneira muito particular;
7. Ser seletivo no uso de estatísticas para exagerar os benefícios do tratamento disponibilizado;
8. Eleger os objetivos errados;
9. Promover a tecnologia como magia sem riscos;
10. Tomar um sintoma comum, que possa significar qualquer coisa, e fazê-lo parecer um sinal de alguma doença séria.

____O ponto forte do dossiê da “PloS Medicine”, editado pelos australianos Ray Moynihan (jornalista, autor do livro “Selling Sickness”, ou “Vendendo Doença”) e David Henry (farmacologista clínico, fundador da página de internet Media Doctor, www.mediadoctor.org.au), é não poupar a imprensa como co-autora dessa obra de falsificação em massa.

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