19 - abr
  

Antiestreptolisina O (ASLO) – Qual o significado?

Categoria(s): Biologia, Cardiogeriatria, Imunologia, Infectologia, Reumatologia geriátrica




Antiestreptolisina O (ASLO)

O Streptococcus beta-hemolítico do grupo A de Lancefield é responsável por provocar doenças imunológicas como a Febre Reumática que afeta as articulações e o coração. Quando a pessoa, especialmente crianças, apresentam uma infecção da orofaringe pela referida bactéria o organismo produz anti-corpos conta a bactéria procurando elimina-la do organismo, porém após 10-14 dias se desenvolvem as manifestações clínicas de comprometimento do tecido conjuntivo das articulações e do coração, resultante de uma reação imunológica cruzada entre os componentes da parece celular bactéria e estas estrutura do ser humano. Assim, parede celular do Streptococcus tem importância fundamental na patogenia da doença e, dos elementos da parede celular, a proteína M, (que tem semelhança estrutural com a tropomiosina do miocárdio) é a de maior interesse. Ela é a responsável pela classificação de mais de 80 sorotipos imunologicamente diferentes. Há também semelhança estrutural da molécula da N-acetil glucosamina da parede celular da bactéria com as glicoproteínas das válvulas, daí a valvulite. A mucoproteína da parede celular é semelhante a componentes do tecido conjuntivo da sinóvia, explicando a artrite. Alguns componentes da membrana protoplasmática da bactéria fazem reação cruzada com componentes do sarcolema dos vasos, explicando a vasculite. Do mesmo modo, outros antígenos da membrana protoplasmática fazem reação cruzada com componentes do citoplasma do núcleo caudato. Anticorpos contra citoplasma do núcleo caudato e subtalâmico foram encontrados em pacientes com coréia de Sydenham e fazem reação cruzada com a membrana do estreptococo.

Os antígenos liberados pelo Streptococcus são: estreptolisina O (ASLO), toxina eritrogênica, estreptoquinase (SK), hialuronidase(H), proteinase, esterase, nicotinamida-adenina-dinucleotidase (NADase), estreptolisina O (ASO), desoxirribonuclease (DNAase).

O diagnóstico de Febre Reumática é sobretudo clínico e os exames de atividade inflamatória são úteis. Níveis elevados de anticorpo contra a estreptolisina O, acima de 300 unidades Todd/ml, apenas sugere a presença de recente infecção estreptocócica. Contudo, sua determinação pode ser útil em casos suspeitos de doença reumática. Não raramente observamos níveis elevados de ASLO em indivíduos que tiveram quadro clínico antigo de infecção estreptocócica, sendo que este fato demonstra a possibilidade de uma hiperreatividade imunológica prolongada.

Por outro lado, a determinação da ASLO pode estar normal em 20% a 30% de enfermos portadores de febre reumática aguda. Nestes casos, podemos determinar os níveis de anti-DNAse B e de anti-hialuronidase, aumentando a sensibilidade e especificidade.

Referências:

Groves AM – Rheumatic fever and rheumatic heart disease: an overview. Tropical Doctor 1999; 29:129-32.
Haddad Herdy GVH – Febre reumática – Pediatria moderna Set 00 V 36 N 9
Fischetti V – Streptococcal M protein molecular design and biological behavior. Clin Microbiol Ver 1990; 2:285-314.
Goldstein I, Rebeyrotte P, Parlebas J, Halpern B – Isolation from heart valves of glycoproteins which share immunological proprierties with Streptococcus haemolyticus group A polysaccharides. Nature 1968;219:866-71

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1 Comentário »

  1. fernanda vilela pereira dos santos comenta:

    24 agosto, 2012 @ 12:57 AM

    bom dia,gostaria de saber se febre reumatica e grave,e qual o tratamento.pois descobri que meu filho de seis anos tem!!

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